Sai pra lá, ditador!

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 15 de setembro de 2016.

O Mercosul foi fundado em 1991 – na época, Collor presidia o Brasil e Carlos Menem, a Argentina. Mas foi somente em 1994, após a assinatura do Protocolo de Ouro Preto (documento que estabelece a estrutura de operação do Mercosul), que o bloco começou a funcionar de fato. O Brasil de três anos depois já tinha saído da rápida presidência de Collor – que, apesar de rápida, deixou um importante legado na abertura da economia brasileira – e estava nas mãos de Itamar Franco; a Argentina continuava sob o mesmo comando.

Esses dois presidentes e seus sucessores diretos, em conjunto com os governantes de Paraguai e Uruguai, deram volume ao jovem Mercosul nos anos que se seguiram. O bloco desenvolveu suas políticas alfandegárias e manteve a independência monetária e fiscal dos países participantes. Nesse sentido, sou muito mais simpático ao Mercosul que à União Europeia, que tentou unificar o que não era unificável e hoje sofre as consequências disso. Em outras palavras, o Mercosul não ajudou tanto assim, mas também não atrapalhou.

É claro que a chegada da esquerda bolivariana ao poder nos dois países mais fortes do bloco causou o que toda esquerda causa quando chega ao poder: fracasso e falência. Lula começou os 13 anos de governo petista em 2003, assim como Nestor Kirchner na Argentina. Nessa época, Hugo Chávez já governava a Venezuela havia cinco anos e deixava bem claro os rumos ditatoriais que seu governo tomaria. Chávez faria, nos anos seguintes (e, depois dele, Nicolás Maduro), tudo o que um respeitador da democracia e da liberdade jamais pensaria em fazer: desmonte das instituições democráticas, fraudes eleitorais, populismo em níveis estratosféricos, enfraquecimento da tripartição do poder, ocupação da Suprema Corte, aumento exponencial da intervenção estatal na economia e na vida da população, aproximação com forças criminosas como cartéis de drogas e guerrilheiros, perseguição de inimigos políticos, supressão da liberdade de expressão e, por fim, prisão e assassinato de cidadãos e políticos contrários ao regime vigente. E o Mercosul do PT e dos Kirchner optaria, cada vez que o governo venezuelano cometesse um crime, entre defender, aplaudir ou ficar calado.

Para quem não se lembra, foi assim em 2005, quando Lula disse que “na Venezuela há excesso de democracia”; em 2007, quando defendeu Chávez em meio à situação polêmica com o rei da Espanha, dizendo que “Hugo Chávez é um democrata”; em 2009, quando apoiou a reeleição ilimitada de Chávez, dizendo que “precisamos respeitar a cultura de cada país”; e em 2014, quando gravou vídeo de apoio a Nicolás Maduro, dizendo que o mesmo “ama o povo venezuelano e luta pelos pobres”. Nem preciso dizer que a pobreza aumentou como nunca antes em todos esses anos de Chávez/Maduro em nossos vizinhos a noroeste. Os Kirchner, principalmente Cristina, também foram aliados fiéis do regime chavista, e tentaram a todo custo seguir o seu exemplo na Argentina.

Mas, como todo inverno acaba, como toda noite dá à luz uma nova manhã (poético isso, não?), a América do Sul conseguiu sair do coma em que se encontrava, e revigorou-se com a saída dos bolivarianos dos governos do Brasil e da Argentina. Macri e Temer comandam os dois maiores países do continente e, com o apoio do Paraguai e a anuência do Uruguai, tomaram nesta semana uma decisão muito importante para o bloco econômico: a Venezuela está impedida de exercer a presidência do Mercosul neste semestre, posição que ocuparia pela rotação alfabética. De acordo com a declaração assinada pelos quatro países, o governo venezuelano falhou em cumprir com diversas normas e acordos indispensáveis a qualquer país do bloco, entre eles o Protocolo de Proteção aos Direitos Humanos do Mercosul, que exige “a plena vigência das instituições democráticas e o respeito dos direitos humanos e das liberdades fundamentais” nos países participantes. A declaração vai além, e ameaça suspender a Venezuela se não houver o cumprimento dessas normas e acordos até 1.º de dezembro deste ano.

Esta é a postura que todo cidadão que respeita e luta pela liberdade gostaria de ver. É a postura que queríamos ter visto tantas vezes nos últimos 13 anos. A história de Maduro indica que não haverá nenhuma melhoria no aparato jurídico da Venezuela que resulte em algum respeito aos direitos humanos ou às liberdades individuais. Nossa torcida e pressão agora devem estar sobre o Itamaraty, para que o Brasil defenda com toda a sua força de potência regional a suspensão e, quem sabe num futuro próximo, e expulsão definitiva da Venezuela. Maduro precisa saber que, enquanto governar como um criminoso, seu país sofrerá sanções de todos os vizinhos. Que ele fique sozinho no lixo da história.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

O exército do PT

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, edição de 1 de março de 2015.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra existe desde a década de 1980, mesma época em que foi fundado o Partido dos Trabalhadores, que ocupa o governo federal há mais de doze anos. Esta aparente coincidência de datas não deve ser entendida como tal: o MST foi criado para fazer, na prática, coisas que o PT não poderia fazer como partido político. Em outras palavras, o MST é e sempre foi o exército do PT.

Como todo exército, este também precisa ser mantido financeiramente. Mais de quatro anos atrás, a revista Veja noticiou ligações suspeitas entre ONGs beneficiadas por verbas do governo federal, da ordem de 70 milhões de reais por ano, e o MST. Essas ONGs serviam de fachada a esse movimento fantasma, sem registro nem CNPJ, ou seja, que não existe como entidade jurídica formada.

A lista de crimes do MST é extensa. Os integrantes do movimento atacam bem armados, e não apenas invadem propriedades rurais como também destroem instituições de pesquisa agrícola e tornam o agronegócio uma atividade insalubre no Brasil. Depois de décadas sendo tratado com leniência, sempre conseguindo sair ileso de seus crimes, o MST acumulou uma vasta experiência de guerrilha, complementada por treinamentos com grupos terroristas como as FARC, conforme reportagem do jornal Estado de Minas, de 2005. O movimento, é claro, nega o envolvimento, mas nenhuma investigação mais aprofundada foi feita. A denúncia foi esquecida e varrida para baixo do tapete petista.

Mais recentemente, o MST atacou policiais durante uma manifestação em frente do Palácio do Planalto – oito policiais foram feridos gravemente, e a recompensa dos criminosos foi uma audiência face a face com a presidente da República. Em qualquer outra democracia séria, agressões desse tipo seriam reprimidas, e não covardemente encorajadas.

O ano agora é 2015, e o ex-presidente Lula resolve defender os corruptos que destruíram a Petrobras, realizando um evento na sede da ABI, no Rio de Janeiro, com a presença do próprio João Pedro Stédile, líder do MST. Do lado de dentro, Lula defendia o indefensável, e do lado de fora a militância uniformizada do PT distribuía socos e pontapés em quem fosse contra o governo. Do lado de dentro, Lula dizia que “nós sabemos brigar também, sobretudo quando o João Pedro Stédile colocar o exército dele do nosso lado”, e do lado de fora o tal exército já dava mostras de seu modo de ação. Do lado de dentro, Lula ameaçava a ordem constitucional do Brasil, e do lado de fora os militantes cumpriam imediatamente sua ameaça.

A militância do PT, incluindo o MST e outros movimentos revolucionários, está caminhando em direção à violência bruta dos regimes de inspiração marxista. Se a sociedade brasileira aceitar passivamente esse tipo de ameaça, em breve estaremos enfrentando uma situação como a da Venezuela, onde milícias armadas e financiadas pelo governo de Maduro executaram jovens inocentes em público e torturaram manifestantes contrários ao governo. Nunca é demais lembrar das palavras do próprio Lula, quando disse que “na Venezuela tem democracia até demais”. Deixo para você imaginar o que ele pensa do Brasil.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

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A Anistia Internacional deixou claro em seu relatório anual que o governo da Venezuela usou de violência, tortura, assassinato e prisões arbitrárias contra manifestantes no ano de 2014 (veja notícia aqui), algo que todos já sabíamos. Todos, menos Dilma, Lula e outros petistas repugnantes.

O PT e seus políticos canalhas sempre defenderam a atuação do governo de Maduro, e em nenhum momento condenaram seus atos imorais e absurdos, muito pelo contrário – ao fazerem defesa pública da “democracia venezuelana”, trataram o assassinato de manifestantes como algo banal.

Esse comportamento petista, essa maneira doente de pensar, pôde ser visto ontem em ação, quando os militantes do partido, que apoiavam Lula em mais uma defesa pública de criminosos (desta vez defendiam os corruptos que destruíram a Petrobrás), agrediram manifestantes contrários ao partido.

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Não podemos esperar até que esses criminosos tenham todas as armas consigo, e comecem a fazer exatamente como na Venezuela e em tantos outros regimes marxistas. Se chegar a esse ponto, não haverá poder de resistência. É mais importante do que nunca, em toda a história brasileira, que o estatuto do desarmamento seja revogado, e os brasileiros de bem possam se armar e se preparar para defender sua liberdade. O PT está “vitaminando” sua militância com gente profissional no ofício de agredir, e é uma questão de tempo até que comecem a usar de força letal contra aqueles que são contrários ao seu partido.

Acorda Brasil! Não dá para sermos cordeirinhos! Quando os assassinos armados chegarem à sua porta já será tarde demais para reagir. Chega dessa baboseira sem sentido que é propagada pela mídia e pelo governo, de que a paz se contrói com pessoas vestidas de branco andando pela rua com plaquinhas. A paz sempre se construiu com luta e guerra, pois aqueles que querem extinguir as liberdades não hesitam em matar e ferir para chegar aos seus objetivos. Estejamos prontos para reagir – quem não luta por sua liberdade já morreu por dentro.

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

Eu sou você amanhã

brasilvenezuelaA Venezuela não se cansa de nos dar exemplos do que não fazer, e nós também não nos cansamos de ignorar esse exemplos e fazer exatamente o que não se deve. Embora muitas pessoas insistam em acreditar e dizer que o Brasil não é a Venezuela, e que não há como acontecer aqui tudo o que aconteceu por lá, quem olhar para uma década atrás verá que a Venezuela daquela época estava sendo preparada para o totalitarismo comunista em estágios semelhantes ao que vivemos hoje no Brasil. O então presidente (e hoje semi-deus) Hugo Chávez havia aparelhado as instituições democráticas como o PT vem fazendo no Brasil, conseguindo maiorias em todas elas: Câmara, Senado e Suprema Corte. O Brasil,  uma década depois da Venezuela, também tem suas instituições tomadas pela corja petista, com maioria nessas três casas. Esse processo se consolidou neste ano, na última troca de ministros do STF, troca que garantiu aos réus do Mensalão a impunidade, como todos puderam ver alguns meses atrás.

Outra semelhança com uma década de diferença diz respeito à indignação popular e à tentativa de mudança, na base da revolta. Em 2002 houve uma revolta popular anti-Chávez com a tomada do poder, por menos de dois dias, por Pedro Carmona, presidente da Federação Venezuelana de Câmaras de Comércio. Por falta de apoio popular e também contando com a força de sua Guarda Presidencial, Chávez retomou o poder rapidamente e a partir daquele momento acelerou o processo de endurecimento autoritário de seu governo. Uma década depois vimos no Brasil os movimentos de rua que por duas semanas mostraram a revolta de setores da população brasileira com o governo atual, mas que também foram rapidamente sufocados com a inserção de manifestantes pró-governo no meio das multidões que protestavam e com a ação de milícias terroristas (os tais black blocs) para incitar violência e medo nas multidões. O governo petista não só resistiu a esse período de revoltas, mas viu a popularidade da presidente mais despreparada e incapaz da história retornar a patamares de aprovação dignos de um Reagan ou de uma Thatcher. E o equivalente da Guarda Presidencial de Chávez existe no Brasil e se chama Força Nacional de Segurança, a guarda pretoriana de Dilma Roussef.

Se estamos sempre fazendo as burradas da Venezuela uma década depois, o que será que veremos no Brasil em 2023? Futurologia nunca foi uma de minhas especialidades, mas prever esse futuro é mais fácil do que fazer aquelas previsões que ouvimos na Globo, na virada do ano, geralmente da boca de algum pai-de-santo, do tipo “no ano que entra veremos a morte de uma celebridade muito querida” ou “no próximo ano o mundo assistirá a uma tragédia natural”. Pois eu digo que, se em 2014 o povo brasileiro mantiver o PT no Governo Federal, em 2023 podemos contar com falta de papel higiênico, com supermercados vazios, com Natal antecipado, com a comemoração do Dia de São Lula (até lá ele já deve ter morrido – ninguém bebe tanta cachaça em uma vida só e fica impune), e o pior de tudo, com a implantação dos últimos estágios para o regime comunista, com a supressão total de liberdades e o início de prisões e assassinatos daqueles que não aderirem à “revolução”.

As notícias de hoje sobre o governo venezuelano são de que Maduro está a um voto, na Assembleia Nacional, de conseguir aprovar uma lei (a lei Habilitante) que o permitirá governar por decretos em situações de crise nacional. E a crise que ele enfrenta no momento é a do desabastecimento generalizado, situação criada pelo próprio governo com suas medidas intervencionistas, a estatização de empresas e a inflação que vem subindo a galope. A última medida de Maduro, que corta os preços de eletrônicos e eletrodomésticos em até 77% por decreto, causou a ida de multidões às lojas para aproveitar a redução, já que antes do decreto uma TV de 47 polegadas custava apenas o equivalente a R$ 40.000,00.

Até uma criança sabe que não se baixa preços e não se acaba com a inflação e com o desabastecimento por decreto. A economia venezuelana vem sendo destruída sistematicamente por seus governantes, e agora, quando já se encontra em coma, ela cobra o preço de tantos anos de esquerdismo desenfreado: falência total e completa do país, mesmo com todas as reservas de petróleo que a Venezuela possui em seu território. Mas não devemos entender essa situação como uma simples burrice de Chávez e agora de Maduro. Na verdade, tudo vem sendo feito para conduzir o país exatamente ao ponto de tornar a situação tão insuportável que o caos seja inevitável, “obrigando” Maduro a se utilizar de mecanismos totalitários para condução do poder. É o que ele espera conseguir com a tentativa de aprovação da lei Habilitante.

Lembra da propaganda da vodca Orloff? Se você não lembra ou é novo demais para ter visto, não deixe de conferir este vídeo, e imagine a Venezuela dizendo isso para nós: eu sou você, amanhã. Vamos realmente acordar daqui a dez anos com uma ressaca enorme de duas décadas de governo esquerdista, e ver que não existe Engov no mundo que nos ajude a sair dela? Tudo dependerá das eleições de 2014. Veremos…