Redistribuindo a pobreza

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 11 de maio de 2017.

pobreza

Qual é a melhor solução para a pobreza? Na cartilha da esquerda, a resposta é sempre igual: redistribuir renda. Só que para redistribuir algo é necessário primeiramente criar esse algo – a não ser que você redistribua uma coisa que cai do céu gratuita e livremente. O Estado nunca cria riqueza; o Estado as consome com as bocas vorazes da burocracia, da ineficiência e da ilicitude. Portanto, a criação de riqueza é função da sociedade – mais especificamente, dos empreendedores. Quanto mais riqueza for criada, mais riqueza será despejada nas interações entre indivíduos e empresas e, por conseguinte, mais riqueza chegará às mãos do cidadão comum.

Brasileiros, quando em primeira viagem aos Estados Unidos, geralmente se impressionam com as ruas bem cuidadas, com as coisas que funcionam, com a segurança, com o tamanho das lojas e dos carros, entre outras coisas imediatamente notáveis. Mas é somente depois de um certo tempo vivendo aqui que você começa a perceber diferenças mais brutais e de maior influência na vida diária das pessoas. Uma ótima maneira de se visualizar certos tipos de diferenças é comparando uma cidade dos EUA com uma de população equivalente do Brasil. Mesmo usando uma cidade da rica região do interior de São Paulo, por exemplo (dessas que costumam figurar entre as melhores cidades para se viver no Brasil), o resultado é impressionante. Pegue-se um par qualquer de cidades de 50 mil habitantes, uma no Brasil e uma nos Estados Unidos, e a quantidade de supermercados, concessionárias automotivas, lojas de material de construção, clínicas médicas, restaurantes, lanchonetes, centros comerciais, pet shops, shopping centers etc. será muito maior na cidade americana que na brasileira.

A comparação fica ainda mais fácil de se entender quando olhamos a riqueza bruta produzida em cada um dos países, medida pelo Produto Interno Bruto, o famoso PIB. O PIB do Brasil em 2016 foi de US$ 1,8 trilhão. O PIB americano passou de US$ 18,5 trilhões; ou seja, dez vezes mais riqueza produzida para uma população apenas uma vez e meia maior. O Canadá, com apenas um quinto da população brasileira, tem um PIB bem próximo ao do Brasil; ou seja, cada canadense, na média, coloca as mãos em cinco vezes mais riqueza que um brasileiro. Duas grandes cidades do mundo têm PIB quase igual ao do Brasil: Nova York e Tóquio. Ou seja, tudo o que produzimos de riqueza em um ano inteiro, no Brasil inteiro, é pouco mais que tudo o que apenas uma dessas cidades produz.

Redistribuir renda é uma grande mentira de todo regime socialista ou comunista. O caso da Venezuela de hoje é um ótimo exemplo. O país, riquíssimo em reservas de petróleo, sofre com a miséria e a fome de sua população porque os governos de Chávez e Maduro destruíram a capacidade produtiva do país. Venezuelanos têm fugido para as nações vizinhas, inclusive para o Brasil – muitos estão morando debaixo de viadutos em Manaus, aliviados por terem fugido de uma miséria que a grande maioria de nós nem sequer imagina como seja. O governo venezuelano, corrupto e inchado como a maioria dos governos da região, não consegue transformar o mar de petróleo sob seus pés em riquezas para a nação – muito pelo contrário. O final da história é sempre o mesmo em qualquer lugar onde algum tipo de socialismo foi implementado: redistribui-se somente a pobreza.

O Brasil escapou por pouco de um destino semelhante ao do vizinho quando Dilma Rousseff foi defenestrada do Palácio do Planalto. O problema é que a mentalidade da falsa redistribuição de renda continua em alta no país. Não há reformas legislativas que facilitem a vida dos empresários e de todos os que realmente produzem riquezas, não há nenhuma menção de desoneração tributária, não há iniciativas governamentais para tirar as amarras da economia brasileira. As pouquíssimas que existem, como a recente tentativa de reformar levemente a legislação trabalhista, são combatidas como se… (para ler o restante deste artigo, clique aqui).

Professor ou doutrinador?

doutrinacaoUma leitora entrou em contato comigo ontem à noite, bastante nervosa por algo que havia acontecido com seu filho, que estuda na 7a série do Colégio Positivo de Curitiba. O garoto tem aulas de geografia com um tal de Jorge Bilek, que faz as vezes de professor engraçadinho, e que indicou para seus alunos seus vídeos no Youtube, mais especificamente um intitulado Capitalismo x Socialismo. O vídeo começa com o tal professor vestido com uma camiseta estampada com uma foto do Che Guevara e uma bandeira de Cuba na manga. Já dá pra ter uma ideia do que vem pela frente só pela pinta do sujeito. Então ele começa a despejar bobagens e clichês de esquerda, coisas como:

  • “Eu tô ganhando sem trabalhar.” – minuto 2:39, falando sobre os empresários exploradores, com uma imagem do Sr. Burns (Os Simpsons) ao fundo;
  • “Capitalismo é o patrão vivendo nas costas do empregado.”- minuto 4:30, com uma charge ao fundo;
  • “Karl Marx e Friedrich Engels lançam a partir o manifesto do partido comunista, lançam a ideia de que o mundo pode sim ser igual, e que podemos não ter patrões podres de ricos e funcionários podres de pobre.” – minuto 6:50;
  • “Então acaba sendo meio na força; então muitas pessoas associam o socialismo com ditaduras, e nem sempre isso é real.” – minuto 9:02, falando sobre como nunca existiu o socialismo verdadeiro, teórico, e transformando 150 milhões de mortos em ‘acaba sendo meio na força’.

Para terminar o vídeo ele diz que a camiseta não significa que ele seja comunista, “é apenas para ilustrar” (imagina se fosse), e sugere as leituras de “Manifesto do Partido Comunista” e… e só. Essa é a ideia do professor Jorge Bilek de como ensinar a diferença entre capitalismo e socialismo para seus alunos. Nenhuma menção a nada positivo sobre o capitalismo, nenhuma menção a nada negativo sobre o socialismo, e uma única indicação de livro, justamente o Manifesto.

A situação que o país enfrenta hoje é fruto direto de mais de 40 anos dessa prática nefasta. Salas de aula deveriam ser locais de busca da verdade, jamais plataformas de engajamento ideológico. Digamos não à doutrinação em sala de aula.

Atualização de 7 de março: depois de algumas horas da publicação deste artigo, o professor removeu o vídeo do YouTube. Ainda bem que eu fiz as transcrições.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

Monopólio da cidadania

Artigo publicado no Correio Popular de Campinas, seção Opinião, edição de 22 de novembro de 2014.

A esquerda sempre teve um cacoete muito grave: o de se enxergar como detentora do monopólio das virtudes. Os pensadores e filósofos que construíram o socialismo e suas vertentes o fizeram de suas casas amplas e aristocráticas, amparados pela riqueza de suas famílias. O mundo dos pobres e dos desfavorecidos nunca lhes foi nada além de um mundo imaginado, de uma realidade extremamente distante, razão pela qual suas soluções para os problemas de desigualdade social sempre geraram cada vez mais pobreza em todos os lugares onde foram implementadas.

Mas, a despeito do fracasso prático dessas soluções e ideias, o simples fato de declararem uma preocupação para com os mais pobres parece ser mais que suficiente para inflar o ego de grande parte dos militantes de esquerda. Aqui no Brasil o fenômeno é facilmente identificável entre os membros do partido governista, o PT, desde o seu surgimento até os dias de hoje. Sua fundação foi auto-aclamada como a de uma agremiação até então jamais vista, composta de “salvadores da pátria”, gente que iria injetar uma dose cavalar de ética e honestidade na política brasileira. Muitos que participaram desse início dificilmente poderiam ser considerados representantes dos trabalhadores que se propunham defender; os que o poderiam fazer com alguma legitimidade, caso do próprio Lula, se transformaram, durante os muitos anos no poder, em exemplos máximos da nova aristocracia brasileira, vivendo um estilo de vida que nem os homens mais bilionários do planeta costumam viver. Cruzam o país em jatos particulares, bebem garrafas de vinho mais caras que um automóvel, e continuam dizendo que são do povo, e contra a elite.

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Do alto de sua pseudo-humildade megalômana acusam todos os que não concordam com suas posturas, ideias e ações de serem contra os pobres, transformando-os em bodes expiatórios da nação. Sim, todos aqueles que não querem o governo do PT e que estão se manifestando contra ele nas ruas estão sendo difamados e caluniados pela liderança petista. Manifestantes que marcam suas passeatas no final de semana, pois não podem se dar ao luxo de perder um dia de trabalho, que não vandalizam o patrimônio público e nem o privado, que não colocam máscaras para esconder seus rostos, que não colocam fogo em pneus para bloquear estradas, esses são chamados de golpistas, de antidemocráticos, de elite branca, de burguesia inconformada. A diferença entre o discurso e a realidade é tão gritante que chega a ser ofensiva à inteligência. Quando o MST invade os gramados de Brasília e agride policiais, a presidente da república os chama para dialogar. Quando milhares de pessoas tomam pacificamente as avenidas de São Paulo num sábado à tarde, o partido da presidente da república os chama de golpistas, fascistas e reacionários.

O que nos resta? A quem não faz parte das minorias agraciadas pelo PT foi reservada uma categoria diferente: a de cidadão de segunda classe. Os que não se qualificam para nenhuma bolsa, para nenhuma ajuda governamental, que não se beneficiam por conta de seus antepassados negros ou indígenas, que não são filiados ao partido, que não têm cargos comissionados na máquina estatal petista, esses todos, que compõem a maioria dos brasileiros, não podem sequer exercer seu direito de expressão, pois qualquer opinião ou ação contra o governo é rapidamente classificada como quase criminosa, como um atentado à democracia. Não que isso seja algo espantoso – o PT sempre deixou claro em seus documentos e congressos que tinha como objetivo a hegemonia, e isso significa massacrar toda e qualquer oposição, mesmo a de ideias. O próprio Lula já comemorou em público a ausência de candidatos de direita nas eleições presidenciais, como se isso fosse a coisa mais saudável do mundo. Pluralidade não é uma palavra muito querida por ele e seus companheiros de partido, a não ser quando aplicada a reais, dólares ou euros.

Já passou de hora de desmascarar esses “homens do povo”. É isso que nos resta, expor suas contradições, sua hipocrisia e suas mentiras. Eles têm o poder do estado e do dinheiro farto, mas não têm ao seu lado a verdade. Enquanto houver espaços a ocupar onde se possa falar a verdade, ela acordará pessoas e libertará mentes. Assim eu espero.

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

Hora de arregaçar as mangas

Todo blog tem seu primeiro post, e esse é o meu.

Depois de buzinar incessantemente nos ouvidos de minha esposa a minha indignação com os rumos que o Brasil tem tomado, principalmente na era PT, ela me disse: se você tem tanta coisa assim para dizer, por que não faz um Blog e compartilha suas ideias? Eu até gostei da sugestão, mas fiquei um bom tempo pensando no assunto, pois um Blog é como uma planta: exige algum cuidado – se não “regar” todo dia ele morre. E isso implicaria em escrever ao menos um artigo por dia, para manter o negócio ativo.

E não é que depois de alguns meses eu me deparei com a situação em que eu já estava escrevendo diariamente no Facebook, bradando contra as canalhices da esquerda que tanto me dão desgosto, e aí me pareceu lógico fazer esse Blog. Mas existia algo no caminho que ainda me impedia de começar: a preguiça.

Mas a preguiça foi chutada na bunda ontem à tarde, na cama, após um belo almoço no Lia Giorno lá do Shopping Jardim Sul (quem conhece sabe que você sai muito satisfeito de lá), quando assisti, junto com minha esposa, ao documentário AGENDA: Grinding America Down (http://www.youtube.com/watch?v=uDo8xAQGrI8). Depois de uma hora e meia eu vi que precisava me juntar a tantos outros que estão lutando contra aquilo que ameaça acabar com a liberdade de todos os homens, o comunismo.

Eu poderia usar outras palavras aqui, pois muita gente pensa que o comunismo acabou quando a União Soviética se desmantelou. Mas seria irresponsável de minha parte, pois não existe outra palavra para descrever o comunismo, senão essa: COMUNISMO. É o que está por trás de toda a agenda esquerdista, é o estágio final de toda e qualquer estratégia socialista, social-democrata, progressista, pragmatista, coletivista e outros nomes bonitinhos que a esquerda tenta colar, só para não usar o que realmente é: o mau e velho comunismo.

Enfim, a tarefa que me cabe nesta luta é publicar, denunciar e expor as canalhices da esquerda, na esperança de que aquele que vier a ler este Blog, caso ainda esteja cegado pela esquerda, achando que vive numa democracia e que as coisas no Brasil “ainda não estão tão ruins”, possa finalmente enxergar por trás das maquiagens e cenários, e com isso decidir-se por entrar nesta guerra ideológica que vivemos. Precisamos de mais blogueiros, professores, políticos, intelectuais, líderes religiosos, formadores de opinião, enfim, de muito mais gente que abrace a ideologia da direita e do conservadorismo, para então fazer um contraponto à maquina esquerdista, que hoje ocupa todos os postos de influência: os sindicatos, as universidades, os partidos políticos, as agências governamentais e o sistema educacional como um todo.

A esquerda se preparou durante décadas, se infiltrando, dominando de dentro para fora, e semelhante ação nos é requerida, ainda que leve décadas. Enquanto tivermos liberdade para escrever abertamente na internet, como faço agora através deste Blog, escrevamos, pois a continuarem as ações do atual governo, essa liberdade está com os dias contados. E aí a guerra entrará num nível que exigirá um compromisso muito maior do que simplesmente escrever, debater e agir na normalidade. Quando o comunismo realmente é implantado em uma nação, as pessoas passam a pagar com suas vidas pela liberdade.