A dor indissociável da vida

sofrimentos-inevitáveisO ser humano nasce sofrendo. Nosso primeiro contato com o mundo é literalmente de chorar. Depois de tantas semanas no aconchego do ventre materno, a entrada no mundo através das mãos do obstetra ou da parteira vem acompanhada de muito esforço, dor, fluidos, sangue, suor e lágrimas; e me perdoem pelo chavão. A dor da mãe, principalmente no caso de parto natural, pode se estender por horas e horas, e é suportável apenas porque existe algo maior, que muitos de nós consideram o maior bem da humanidade, a vida. Digo muitos, e não todos, porque a humanidade já assistiu à ação de lunáticos poderosos que ceifaram milhões de vidas durante sua existência. Mas, no geral, a vida é e continuará sendo o motor maior do ser humano, e a chegada de uma nova vida é um espetáculo que jamais se torna repetitivo.

Mas divaguei… Minha ideia central é a dor, o sofrimento. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, principalmente as mais jovens, a essência da vida não é ser feliz. Quem vive correndo atrás da felicidade, conceito aliás bastante subjetivo e de difícil medida, não se dá conta de uma verdade absoluta, que atinge todas as pessoas deste mundo: só existem duas certezas na vida de um ser humano, a de sofrer, e a de morrer. A nossa natureza má garante a presença da dor em toda a nossa história de vida – por vezes nós a infligimos a nós mesmos, por vezes aos outros. E sobre a morte não há muito o que dizer: ela é implacável e invencível.

É claro que eu não poderia continuar nesta direção sombria, sem mencionar as possibilidades de alegria que nos surgem. Não é porque vivemos com a certeza da dor e da morte que não podemos viver momentos de alegria. Nossa verdadeira humanidade está em agir ativamente para melhorar nossa vida e tornar os momentos de dor e sofrimento menos frequentes e menos intensos, ainda que enfrentemos o limite inexorável do acaso, ou do destino, como alguns acreditam. Ainda assim, está em nossas mãos o poder de lidar com nossos melhores e piores momentos, e usá-los para moldar o nosso caráter e desenvolver as parte altas da alma. Gosto muito de um texto que o Olavo de Carvalho cita em uma das primeiras aulas de seu Seminário de Filosofia. O texto é do filósofo Louis Lavelle. Ele diz:

“Há na vida momentos privilegiados nos quais parece que o universo se ilumina, que nossa vida nos revela sua significação, que nós queremos o destino mesmo que nos coube, como se nós próprios o tivéssemos escolhido. Depois o universo volta a fechar-se: tornamo-nos novamente solitários e miseráveis, já não caminhamos senão tateando por um caminho obscuro onde tudo se torna obstáculo a nossos passos. A sabedoria consiste em conservar a lembrança desses momentos fugidios, em saber fazê-los reviver, em fazer deles a trama da nossa existência cotidiana e, por assim dizer, a morada habitual do nosso espírito.”

Eu adoro esse texto, adoro mesmo. Já o li centenas de vezes, e tento aplicá-lo no meu cotidiano, todos os dias. A consciência da falibilidade do ser humano e da necessidade de um aprimoramento pessoal é condição sine qua non para uma sociedade funcional – nenhum grupo de pessoas pode buscar justiça, paz, harmonia, ou qualquer outro valor desejável, sem que seus indivíduos realizem esta busca primeiramente por si mesmos, antes de qualquer tentativa de coletivização. E é neste ponto que colidimos com a ideologia de esquerda, sem nenhuma possibilidade de acordo ou sequer de respeito às suas ideias, que trouxeram as maiores desgraças à humanidade.

Desde que Rousseau removeu a responsabilidade individual pelos males praticados, estabelecendo em sua insanidade que o homem nasce bom, e culpando a sociedade pela degradação moral do indivíduo, os intelectuais de esquerda não fizeram nada além de aprofundar essa mentira e levá-la às piores consequências. Ao negar que o estado natural do homem é a miséria, e que a dor é indissociável da vida, eles propuseram soluções absurdas, baseadas em problemas que não existem. Assim, para explicar o sofrimento, propuseram a luta de classes, como se todo o sofrimento humano viesse somente da diferença de riqueza entre as pessoas. Fosse assim e os ricos seriam os mais felizes do mundo, e os milionários acumulariam rugas de tanto rir; e os pobres se matariam de desgosto, amargurados até os ossos por não possuírem uma casa mais bonita ou um relógio de ouro.

Para combater a dor e o sofrimento propuseram sistemas de governo paternalistas, que tratam a todos como crianças incapazes, prometendo algo que nenhuma pessoa na história da humanidade conseguiu prover a alguém: felicidade. Assumiram assim o monopólio da virtude, tão grande a ponto de serem os verdadeiros arautos da bondade, e enquanto o faziam assassinaram civilizações inteiras. Pagaram a fé dos incautos com a morte, e suas promessas de felicidade terminaram enterradas em valas comuns, junto aos corpos carregados de marcas de tortura e sofrimento. Essa é a história do comunismo, do socialismo, do nazismo, e de todos os movimentos de esquerda que assolaram o mundo.

E é isso que vivemos hoje no Brasil: Lula sempre se colocou como o pai dos pobres, ainda que viva no luxo milionário de sua fortuna. Seus discursos são recheados de alusões à felicidade, ao bem-estar e à alegria, conectando na cabeça dos populares sua pessoa e seu governo às benesses que cada vez mais tiram as responsabilidades individuais dos brasileiros. A eleição de Dilma foi fruto direto e único da capacidade genial – sim, Lula é um gênio no trato com os populares – de convencimento que Lula possui sobre o povo. Ele é a antítese de Lavelle, e se soubesse escrever talvez registrasse estas palavras:

Não busque os momentos privilegiados, pois privilegiados são os burgueses capitalistas dominadores; busque sim o coletivo, o ajuntamento burro, e grite com a massa o bordão que pode salvar sua vida: Lula, meu pai, me ajude!

Tire de uma pessoa a certeza da dor, prometa-lhe felicidade, e ela não terá mais instrumentos para evoluir. Confronte uma pessoa com a inexorabilidade da dor, desafie-a à superação, convença-a de suas responsabilidades individuais, e pode ser que ela faça o mesmo com alguém. Quando a soma dessas pessoas for superior a das primeiras, poderemos pensar num mundo um pouco melhor. Até lá, teremos que nos contentar com Lulas, Dilmas e companhia. Se isso não é sofrer, não sei mais o que é.

Tome juízo, moleque

baby-with-gun (1)Eu tenho 38 anos de idade. Nas épocas de criança e adolescente eu nunca fui um moleque santo. Tinha meu lado nerd, ia muito bem na escola, mas gostava de fazer uma brincadeira, passar um trote, pregar uma peça, como se dizia antigamente. Ou, em linguagem contemporânea, eu adorava trollar colegas, vizinhos e professores.

Trotes telefônicos eram uma das diversões preferidas – num mundo em que não existia o identificador de chamada, o trote rolava solto. Um amigo ficava num telefone, o outro na extensão e, com o patrocínio indireto dos pais, que pagavam a conta, e a infraestrutura tosca da Telesp, horas de diversão estavam garantidas. Mas tudo perde a graça um dia, e os trotes simples evoluíam para modalidades mais “cruéis”: pedir uma pizza e mandar entregar na casa de fulano, anunciar o carro de cicrano no Primeiramão, ou mesmo mandar um táxi na casa de beltrano bem tarde da noite. Tudo feito com muita adrenalina, com aquele medo infantil de “se meu pai descobrir eu tô fudido”.

Um dia a coragem foi suficiente para sairmos de carro (meu tio emprestava o carro para meu primo, que tinha 16 anos cronológicos, e uns 10 mentais) e jogarmos um ovo na casa do inspetor da escola. Adrenalina total!!! Depois de jogar o famigerado alimento in natura, não resistimos à tentação de voltar para ver o resultado. E a velha máxima dos romances policiais nos entregou: ao voltarmos ao local do “crime” o carro foi identificado, e em menos de meia hora o referido bedéu estava na porta da casa de meu primo, tirando satisfações com meus tios. Obrigado, primo, por não ter me dedurado. Até hoje o inspetor Antônio Carlos não sabe que eu fui seu cúmplice naquele terrível ato de vandalismo. Ou pelo menos não sabia…

E o que essas besteiras infantis têm a ver com este blog, ou com os dias de hoje? Será que o autor está ficando realmente velho e gagá? Não. Eu só tentei me lembrar de minha juventude, e pensar: como alguém passa da fase de trote telefônico e ovo para explosivo e estilete? Caramba, quando eu peguei aquele ovo na mão, eu sabia que poderia dar merda, que meus pais poderiam descobrir e me castigar. E o cara que sai com explosivos na mochila? Ele acha que é uma brincadeira de menino? Acha que é normal? Que o máximo que pode acontecer é aparecer a pessoa que ele pretende explodir na porta de sua casa e reclamar com seus pais?

Não! Quem sai com explosivo e arma branca na mochila sabe que está indo pra guerrear, e em guerras as pessoas são feridas e também morrem. O fato de ninguém em nossa imprensa esquerdista lembrar disso é indício de pura falta de caráter. Quem quer fazer manifestação pacífica, em São Paulo, leva no máximo um Toddynho, um pacote de Club Social e uma blusa, porque à noite sempre esfria. Quem leva explosivo, vinagre e estilete é guerrilheiro urbano! E a polícia não tem que aliviar para bandido, guerrilheiro, black bloc, terrorista, arruaceiro e o escambau. Eu espero da polícia justamente a atitude que tiveram: mandar bala em quem quer explodir minha cidade e meu entorno. Afinal, eu não explodo ninguém. O máximo que causei a algum desafortunado deste mundo foi a necessidade de limpar o chão sujo de ovo.

Os revoltadinhos de plantão irão argumentar que:

Queria ver se fosse com você, pois a polícia não é preparada e atira em qualquer um.

Mentira. Primeiro que eu já disse que não saio de casa com a mochila cheia de armamento de guerra. E segundo que a polícia não atira em qualquer um. O cara foi pra cima de um policial, tomou um tiro do outro.

Mas o garoto agiu em legítima defesa, e só partiu pra cima do policial depois de ter levado um tiro do outro.

Tá bom. Me engana que eu gosto. Quem é que parte pra cima de alguém, com uma faca, depois de ter sido baleado? O cara é por acaso o Chuck Norris? Ou talvez a reencarnação do Bruce Lee? Se tivesse levado o tiro antes aposto que tinha fingido de morto pra não levar mais um.

Você fala isso porque não foi seu filho que foi baleado.

Pois é, eu não tenho filho. Mas assim que tiver um, e que ele puder compreender esse tipo de coisa, vou avisá-lo que, ao sair de casa com a mochila cheia de explosivos, há uma grande chance de que ele termine morto ou preso.

Acorda gente!!! A nossa imprensa vendida está tentando destruir a polícia e todas as instituições que ainda nos garantem um pouco de tranquilidade. O objetivo é o caos, pois é do caos que surgem os regimes autoritários. Ou você acha apenas uma coincidência que o governo federal tenha acabado de publicar uma portaria intitulada de “Garantia da Lei e da Ordem“, regulamentando a ação das forças armadas em territórios urbanos? O governo petista, junto com a imprensa esquerdista, estimula a baderna e demoniza a polícia, para criar as condições de uma ação militar sob o comando federal. E no estado de São Paulo a manobra é ainda mais acintosa, já que a polícia está sob o comando do governador, atual inimigo político número um do PT.

Você quer segurança? Quer que baderneiros e black blocs vão para o raio que os parta, ou pelo menos para a prisão mais próxima? Então apóie a polícia, repudie os jornalistas que defendem os bandidos, e deixe isso claro para os outros. Chega de permitir que uma minoria de esquerdistas entrincheirados em suas redações dite o tom contrário ao que a maioria das pessoas quer. Vamos invadir esses blogs vermelhos e mostrar que o povo brasileiro é muito mais ordeiro e conservador do que baderneiro e revolucionário.

Direitas já!!!