Uma chinelada só

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 10 de março de 2016.

É bem provável que você já tenha pensado, depois de ser picado por algum pernilongo sanguinário, algo como “mas por que esse bicho existe, se a única coisa que ele faz é parasitar e causar doenças?” Ou então, ao descobrir que teria de passar por uma cirurgia às pressas para remover um apêndice supurado, lhe passou pela mente “que troço inútil é esse, que ou não faz nada de bom ou me leva logo para a sala de cirurgia?” A lista de mancadas da natureza não para por aí: vermes, moscas, vírus, câncer, raios solares UV, ervas daninhas, fungo de unha e bactéria da cárie são apenas alguns exemplos de coisas sem as quais nossas vidas seriam muito melhores, e das quais nenhum ser vivo do planeta sentiria falta. Mas, sendo o homem um imitador da natureza, ele também produz suas inutilidades daninhas, e uma de suas obras-primas nessa categoria é o PT.

Depois de 13 anos no comando do país, está evidente que a agremiação que se diz “dos trabalhadores” não serve para nada que preste. À política brasileira, em geral, já é difícil atribuir resultados bons de qualquer tipo, mas o PT é o grande campeão do Framboesa de Ouro da política nacional, levando as estatuetas de pior partido, pior político principal, pior político coadjuvante, pior gestão pública, pior plano de governo, pior diplomacia, pior ideologia e pior escândalo de corrupção. Esse desempenho “majestoso” é resultado de um verdadeiro trabalho de equipe, no qual cada membro consegue fazer pior que o anterior, superando consistentemente as expectativas (negativas) de todos nós. O diretor desse filme de terror é Lula, o pobre mais milionário do mundo. Este senhor etílico sempre esteve por trás de toda a conduta petista; ele é, por assim dizer, o titereiro do partido, desde sua fundação até hoje.

barataasO nível de mediocridade do PT é tamanho que o partido não consegue nem sequer ser um vilão de verdade. Outras nações tiveram suas desgraças comandadas pelas mãos de políticos maus, de ditadores sanguinários, de genocidas e de loucos como Stálin, Hitler, Fidel e Pol Pot. Esses psicopatas deixaram um legado de morte, escravidão e destruição, e colocaram seus nomes entre os mais famosos da história da humanidade, ainda que pela mais vil das razões. Mas, enquanto russos, alemães, cubanos e cambojanos tiveram seus Darth Vaders, nós vivemos sob o governo de um Dick Vigarista. Lula, no fim das contas, não passa de um ladrão e de um projeto mal-sucedido de ditador. Seu sítio, sua cobertura no Guarujá, suas palestras milionárias, seus laços com empreiteiras corruptas, seus esquemas para enriquecer os filhos, tudo isso mostra que seu grande projeto de poder acabou se atrofiando para algo bem menos grandioso: enriquecer. É claro que, sendo um homem com um dos maiores egos deste lado da galáxia, ele sempre soube aproveitar muito bem os benefícios de ser líder, e sempre desfrutou dos prazeres megalomaníacos que somente quem está no comando sabe descrever.

Eu mesmo sempre disse que Lula tinha um projeto grandioso para tomar a América Latina de assalto e estabelecer por aqui a nova União Soviética. Mas, como todo gerente de projetos bem sabe, existem alguns requisitos para se transformar algo planejado em algo executado. Quando o projeto é o estabelecimento de um regime autoritário, uma condição sine qua non é a coragem, qualidade que nem Lula e nem ninguém do PT jamais teve. Lula sempre foi um covarde; a esquerda brasileira inteira sempre foi covarde, e foi fundada em cima da covardia. Esta geração que hoje está no poder, devemos lembrar, é a mesma que tentou ser terrorista na década de 1960, que fugiu feito barata acuada quando os militares tomaram o poder e que continuou agindo à moda das baratas, ocupando espaços obscuros e se multiplicando fora da vista de todos. Não deveria ser surpresa, portanto, que mesmo ficando 13 anos no poder o PT não tenha conseguido fechar a imprensa, assassinar opositores e estabelecer uma ditadura. Baratas não fazem isso, para nossa boa sorte.

Com a covardia dos petistas e um pouco de coragem de cada um de nós, não será… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Brasil x Botswana

O senso comum esquerdista costuma colocar os países desenvolvidos e capitalistas como exploradores, uma boa parte do restante do mundo como explorados, e a maioria dos países da África como pobres-nações-mega-exploradas-e-sem-esperanças. É a velha mentira da economia de soma zero, onde afirma-se que para alguém ser rico outro alguém tem que ser pobre.

Já o senso comum conservador é o de que qualquer nação que abrace certos princípios de liberdade individual e econômica, e opte por uma forma democrática e estável de governo, estará no caminho para o desenvolvimento e para a superação da pobreza. Um caso emblemático deste tipo de abordagem ficou famoso duas décadas atrás, com os chamados “Tigres Asiáticos”, que conseguiram um salto de desenvolvimento e de criação de riquezas sem precedentes na história recente.

Mas seria possível que algo assim acontecesse num lugar como a África, um continente que de acordo com todos os socialistas, comunistas e esquerdistas que conheço, foi destruído pela exploração conduzida por homens brancos malvadões? E mais, se tal lugar existisse, seria possível compará-lo ao Brasil, país que caiu nas mãos da esquerda há mais de duas décadas e que, portanto, não pode alegar estar sendo explorado por governantes capitalistas diabólicos?

A resposta é sim, e eu sugiro compararmos Brasil e Botswana.

O Brasil tem mais de 8 milhões e meio de quilômetros quadrados, e uma linha costeira das maiores do mundo. É também abundante em água doce, tem poucas zonas desérticas, e uma das maiores áreas cultiváveis do planeta. Além disso, desde o meio do século passado conta com um parque industrial e com uma infra-estrutura de energia e transporte que, se não é a ideal, está longe de ser desprezível. Independente desde 1822, o país já teve sete constituições e algumas rupturas da ordem democrática.

Botswana tem apenas 580 mil quilômetros quadrados, quase do tamanho do estado de Minas Gerais, e não possui acesso a nenhum oceano; pelo contrário, grande parte de suas terras é árida. Sua independência se deu em 1966, menos de 50 anos atrás. No passado foi um protetorado britânico (parece que onde esses ingleses malvados colocaram a mão as coisas andam direito) e desde sua independência não passou por nenhum tipo de instabilidade democrática, ou seja, nenhum golpe de estado ou revolução. A constituição do país data de 1966, e é a mesma até hoje.

gaborone-03-ciudad-verdeVista da cidade de Gaborone, em Botswana.

O Brasil possui um PIB per capita de US$ 11.900,00 (2011; em 1999 era de US$ 6.150,00), IDH de 0,744 e coeficiente de Gini de 51,9. Botswana possui um PIB per capita de US$ 16.200,00 (2011; em 1999 era de US$ 3.900,00), IDH de 0,683 e coeficiente de Gini de 63,0. E quanto ao índice de liberdade econômica? A nação africana ocupa uma honrosa 36a  posição, enquanto o Brasil amarga o 118o lugar – horroroso, em vez de honroso. Já sobre a liberdade de imprensa, Botswana tem um índice melhor até do que Estados Unidos e Itália, na ponta de cima da tabela, enquanto o Brasil faz companhia a países com ditaduras e governos autoritários, no extremo inferior.

O Brasil teve um surto de lucidez econômica nos governos Itamar e FHC, optando na época pela ortodoxia na condução da economia, o que nos levou à estabilidade e ao crescimento por diversos anos. Não preciso dizer que toda essa herança foi jogada no lixo pelos governos petistas, que levaram o país de volta à inflação, ao endividamento e à falta de confiança internacional. Botswana, por outro lado, tem mantido uma das mais altas taxas de crescimento econômico do mundo, com média acima de 9% ao ano, graças a uma política fiscal prudente e a um ótimo uso dos recursos naturais do país, rico em diamantes. Os sucessivos governos desde a independência jamais abandonaram as práticas de responsabilidade fiscal e o bom relacionamento com parceiros internacionais. Além disso, o ambiente para quem quer fazer negócios é excelente, com impostos baixos e incentivos reais e concretos ao empreendedorismo.

Resumindo, dentre esses dois países, aquele que optou pela ortodoxia econômica e pelos princípios conservadores está crescendo e tirando sua população da miséria, sem o emprego de programas de esmola pública. O outro, que optou pela heterodoxia (sem falar na pilantragem) econômica e pelos princípios socialistas, está estagnado, endividado e em meio a uma crise hídrica e energética, que só não será pior justamente pelo fato da economia estar parando. Os petistas alegam que trouxeram a justiça social ao Brasil, e que livraram o país de séculos de exploração; na verdade eles encheram os bolsos próprios e do partido e quebraram o país. A pequena Botswana permaneceu imune aos apelos revolucionários marxistas, mesmo incrustada numa região dita explorada, e vem gerando riqueza num ritmo muito forte, mostrando que não há herança histórica que resista a bons princípios de governança.

O tempo em que podíamos comparar o Brasil à Inglaterra ou à Rússia já ficou para trás. O que nos resta agora é tentar alcançar Botswana, torcendo para não virarmos uma Venezuela antes…

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

Monopólio da cidadania

Artigo publicado no Correio Popular de Campinas, seção Opinião, edição de 22 de novembro de 2014.

A esquerda sempre teve um cacoete muito grave: o de se enxergar como detentora do monopólio das virtudes. Os pensadores e filósofos que construíram o socialismo e suas vertentes o fizeram de suas casas amplas e aristocráticas, amparados pela riqueza de suas famílias. O mundo dos pobres e dos desfavorecidos nunca lhes foi nada além de um mundo imaginado, de uma realidade extremamente distante, razão pela qual suas soluções para os problemas de desigualdade social sempre geraram cada vez mais pobreza em todos os lugares onde foram implementadas.

Mas, a despeito do fracasso prático dessas soluções e ideias, o simples fato de declararem uma preocupação para com os mais pobres parece ser mais que suficiente para inflar o ego de grande parte dos militantes de esquerda. Aqui no Brasil o fenômeno é facilmente identificável entre os membros do partido governista, o PT, desde o seu surgimento até os dias de hoje. Sua fundação foi auto-aclamada como a de uma agremiação até então jamais vista, composta de “salvadores da pátria”, gente que iria injetar uma dose cavalar de ética e honestidade na política brasileira. Muitos que participaram desse início dificilmente poderiam ser considerados representantes dos trabalhadores que se propunham defender; os que o poderiam fazer com alguma legitimidade, caso do próprio Lula, se transformaram, durante os muitos anos no poder, em exemplos máximos da nova aristocracia brasileira, vivendo um estilo de vida que nem os homens mais bilionários do planeta costumam viver. Cruzam o país em jatos particulares, bebem garrafas de vinho mais caras que um automóvel, e continuam dizendo que são do povo, e contra a elite.

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Do alto de sua pseudo-humildade megalômana acusam todos os que não concordam com suas posturas, ideias e ações de serem contra os pobres, transformando-os em bodes expiatórios da nação. Sim, todos aqueles que não querem o governo do PT e que estão se manifestando contra ele nas ruas estão sendo difamados e caluniados pela liderança petista. Manifestantes que marcam suas passeatas no final de semana, pois não podem se dar ao luxo de perder um dia de trabalho, que não vandalizam o patrimônio público e nem o privado, que não colocam máscaras para esconder seus rostos, que não colocam fogo em pneus para bloquear estradas, esses são chamados de golpistas, de antidemocráticos, de elite branca, de burguesia inconformada. A diferença entre o discurso e a realidade é tão gritante que chega a ser ofensiva à inteligência. Quando o MST invade os gramados de Brasília e agride policiais, a presidente da república os chama para dialogar. Quando milhares de pessoas tomam pacificamente as avenidas de São Paulo num sábado à tarde, o partido da presidente da república os chama de golpistas, fascistas e reacionários.

O que nos resta? A quem não faz parte das minorias agraciadas pelo PT foi reservada uma categoria diferente: a de cidadão de segunda classe. Os que não se qualificam para nenhuma bolsa, para nenhuma ajuda governamental, que não se beneficiam por conta de seus antepassados negros ou indígenas, que não são filiados ao partido, que não têm cargos comissionados na máquina estatal petista, esses todos, que compõem a maioria dos brasileiros, não podem sequer exercer seu direito de expressão, pois qualquer opinião ou ação contra o governo é rapidamente classificada como quase criminosa, como um atentado à democracia. Não que isso seja algo espantoso – o PT sempre deixou claro em seus documentos e congressos que tinha como objetivo a hegemonia, e isso significa massacrar toda e qualquer oposição, mesmo a de ideias. O próprio Lula já comemorou em público a ausência de candidatos de direita nas eleições presidenciais, como se isso fosse a coisa mais saudável do mundo. Pluralidade não é uma palavra muito querida por ele e seus companheiros de partido, a não ser quando aplicada a reais, dólares ou euros.

Já passou de hora de desmascarar esses “homens do povo”. É isso que nos resta, expor suas contradições, sua hipocrisia e suas mentiras. Eles têm o poder do estado e do dinheiro farto, mas não têm ao seu lado a verdade. Enquanto houver espaços a ocupar onde se possa falar a verdade, ela acordará pessoas e libertará mentes. Assim eu espero.

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

Mendigos tupiniquins

pedinteO ser humano é extremamente frágil ao nascer. Chegamos ao mundo nus, analfabetos, desprovidos de linguagem articulada, quase sem mobilidade e totalmente dependentes dos adultos à nossa volta. A única coisa que sabemos fazer é chorar, na esperança de conseguir uma mamada a mais para saciar nossa fome. Ou seja, sabemos como pedir comida, e dormimos durante a maior parte do tempo, aquela em que não estamos pedindo ou mamando. É uma situação provisória (ou deveria ser); afinal, nascemos, crescemos, nos reproduzimos e morremos, como qualquer outro ser vivo.

Um adulto tem o físico muito mais desenvolvido do que o de um bebê. De pequenos seres imóveis enrolados em mantas da galinha pintadinha passamos a seres enormes que andam, correm, pulam, dançam etc. Até mesmo os portadores de deficiências físicas têm muito mais mobilidade que um bebê recém-nascido.

Mas e nossa mente? Ela também evolui bastante, pelo menos no caso de pessoas normais, não petistas. Nosso raciocínio, que se resumia a “teta = comida”, pode chegar a níveis de genialidade nas mais diversas áreas. Quem poderia imaginar que o bebê Einstein, que só sabia chorar, dormir e mamar, faria uma diferença tão grande na história da ciência?

Não podemos nos esquecer da linguagem. Aqueles sons indecifráveis, que depois passam a “gus” e “dás”, são incomparáveis à riqueza de vocabulário e à capacidade de comunicação e articulação de um adulto. Passamos de zero para milhares de palavras, que além de faladas podem ser escritas e lidas.

Agora quero fazer duas perguntas muito importantes:

  1. Por que é que evoluímos em todos esses aspectos que mencionei quando crescemos e amadurecemos, mas muitos de nós não evoluem no que diz respeito ao hábito de pedir?
  2. Por que o brasileiro pede tanto?

Embora eu não seja um expert no assunto, creio que posso esboçar uma única resposta para ambas as perguntas. Na verdade não é bem uma resposta, mas uma análise sob minha ótica, que desejo compartilhar com você. Nesta análise usarei como comparativo os Estados Unidos, país de um povo com uma cultura e uma mentalidade bastante distintas das nossas, mas poderia ter usado diversos outros exemplos de nações desenvolvidas.

Quando eu era criança, eu nunca recebi mesada. Mas alguns de meus amigos recebiam, e nenhum deles precisava fazer nada em troca, a não ser se comportar um pouco. E pelo que tenho visto na juventude de hoje, a coisa vai por aí: a mesada não exige uma contrapartida para ser dada, mas pode ser cortada momentaneamente em caso de mau comportamento. Se compararmos esta situação com o que acontece nos Estados Unidos, veremos uma tremenda diferença na mensagem que um pai passa a seus filhos – lá o dinheiro é geralmente fruto de tarefas caseiras que as crianças têm de fazer. Ajude sua mãe com a louça, arrume seu quarto, recolha as folhas no quintal, e você receberá um dinheirinho. O legal é que isso não fica somente dentro da família da criança (ou adolescente), que acaba fazendo essas tarefas também para vizinhos, descobrindo desde cedo como empreender e criar sustento próprio. A mensagem é clara: você não está ganhando, você está merecendo. E antes que alguém venha argumentar que não se pode condicionar o amor aos filhos, já digo que mesada não é ato de amor e nem obrigação dos pais para com os filhos.

Outra diferença muito interessante entre os dois países está na concepção linguística do trato com o dinheiro. Aqui no Brasil perguntamos “quanto você ganha?” e respondemos “eu ganho cinco mil por mês”, enquanto um americano utiliza equivalentes bem diferentes; lá se pergunta “quanto você faz?” (how much do you make?) e se responde “eu faço cinco mil por mês”. Ou seja, aqui nós ganhamos dinheiro, lá eles fazem dinheiro. Percebe a diferença? Ganhar não traz consigo a obrigação, o merecimento e o esforço. Fazer é diferente, é algo que requer a ação direta da pessoa, que denota atitude. Lá eles aprendem desde crianças que não se ganha dinheiro do nada, mas que toda remuneração é decorrência de nossos esforços e trabalho, evoluindo assim da condição de bebê pidonho para adulto realizador. Vale mencionar que o Obama tem tentado de todas as maneiras acabar com essa mentalidade, mas que ainda não conseguiu. Já aqui…

O governo petista sabe muito bem que o brasileiro é assim. Ou você acha que é apenas uma coincidência que tenhamos tantos programas assistenciais eleitoreiros? Bolsa-Família, Bolsa-Leite, Bolsa-Casa, Bolsa-Geladeira, Bolsa-Presidiário, Bolsa-Eletrodomésticos, e por aí vai: somos o país dos Mendigos Tupiniquins. Pede-se o tempo todo, em todos os lugares, para qualquer pessoa, mas principalmente para o governo. E assim vive o brasileiro: gente pedindo de um lado, e o governo dando (uma miséria) do outro; no meio ficam todos aqueles que trabalham todos os dias para pagar os impostos que irão sustentar o pessoal das pontas. Como consequência, quem pede vota em quem dá, e quem paga vota em quem não ganha. E assim se usa a democracia da forma mais perniciosa possível, comprando as pessoas pelo preço miserável que elas mesmas se atribuem. Não é difícil perceber que esse não é um ciclo virtuoso, muito pelo contrário.

O mais triste de tudo isso é que hoje o povo brasileiro pede dinheiro e recebe esmola, pede comida e recebe pasto, pede justiça e recebe afronta. A continuar assim, não demorará muito para que peçamos liberdade e recebamos o cárcere, que peçamos a paz e recebamos a morte. Temos que parar com isso – chega de pedir! Que me desculpem o clichê, mas precisamos de gente que faz.

O Marco Petista da Internet

censuradoUma das maneiras mais sórdidas que os governos de esquerda utilizam para controlar as empresas e a economia de uma nação são as infinitas regulamentações sobre as diferentes atividades econômicas e as taxações sobre lucros. Ambas causam o mesmo efeito: diminuição de lucros com decorrente desestímulo à atividade empresarial, que no longo prazo leva à falência de empresas e deterioração da economia. Assim, a cada nova regra ou imposto criados, o Governo dificulta a vida dos empresários, e ao mesmo tempo lança linhas de crédito e programas para “ajudar” esses mesmos empresários, num movimento claramente planejado, com o único propósito de ganhar cada vez mais controle sobre as empresas. A conversa é mais ou menos a seguinte:

– Você está lucrando muito! Quero uma parte dos seus lucros para governar melhor.

– Ok Governo. Aqui está sua parte.

– Ainda é pouco!!! Quero mais, e também criei umas regras novas que você vai precisar seguir.

– Mas Governo, nessas condições eu vou acabar quebrando! Vou ter que demitir muita gente!

– Hmmm… É verdade. Então façamos o seguinte: eu não abro mão do aumento de impostos e nem das novas regras, mas vou te emprestar um dinheiro da Caixa Econômica a juros baixinhos, e criar uma agência de fomento à sua atividade econômica.

E nesse momento o empresário percebeu que está ferrado. Afinal, se inicialmente havia apenas ele e seus concorrentes vendendo e lucrando, agora o montante de gente que precisa ser remunerado com a mesma geração de riqueza é muito maior! Adicionaram-se os órgãos governamentais de tributação e fiscalização, o banco, a agência de regulamentação, a agência de fomento, e mais uma miríade de petistas vagabundos que precisam conseguir seu sustento parasitando alguém que realmente trabalha. Para manter a lucratividade em níveis aceitáveis o empresário precisa aumentar o valor de venda de seus produtos e serviços, porque a única opção restante seria fechar as portas. E aí o pagador-mor de patos e engolidor-mor de sapos paga por isso – ele mesmo, o cliente final.

O desGoverno petista já colocou suas mãos em muitos setores da economia para atrapalhar, e a bola da vez talvez seja o mais dinâmico e criador de riquezas da atualidade: a internet. Criada e crescida em total liberdade, esse monstro gerador de riquezas, que tem servido de berço para empresas como Google, Facebook e Yahoo, e impulsionado outras gigantes do setor de informática como Apple, Microsoft e HP, está sob ataque no Brasil. Com o pretexto absurdo de garantir a segurança dos dados brasileiros, a presidANTA Dilma quer forçar a aprovação de um texto modificado que impede as empresas de telecomunicações de cobrarem por serviços de forma customizada, algo que poderia baixar o custo de acesso de muita gente, e obrigando grandes empresas geradoras de dados a manterem no Brasil centros de armazenamento imunes à espionagem americana.

Sobre a primeira questão, é novamente a interferência do Estado num setor da economia que segue tão bem e em crescimento acelerado. Querem diminuir a autonomia das empresas em lidar com seus diferentes segmentos de clientes, com o discurso imbecil de “igualdade de acesso”. Ora, qual é o problema da empresa de telecom me cobrar um valor diferente do meu vizinho, se eu e meu vizinho utilizamos a internet de forma bem diferente? Se ele fica o dia todo baixando filmes e eu apenas uso a minha conexão para enviar e receber e-mails, o que há de injusto em cobrar valores diferentes para nós dois?

Já a segunda questão é mais séria, pois envolve a disponibilização de nossos dados ao Governo. Um esquerdista jamais toma uma decisão e cria uma regra, uma regulamentação, sem uma segunda intenção, que geralmente ele mantém em segredo. Neste caso a exigência será de que as empresas mantenha centros de armazenamento de dados no Brasil, para evitar o acesso indevido de dados, tudo feito com base no teatro montado pela senhora Dilma, terrorista de carteirinha, em relação à espionagem norte-americana envolvendo as conversas da referida presidANTA. Mas, como sempre, só não enxerga quem não quer: esta exigência levará necessariamente a uma situação em que o Governo tenha como vasculhar nossos dados, nossos posts de Facebook, nossos e-mails, nossos blogs, enfim, toda a parcela de nossa vida que está hoje nas mãos de Google, Yahoo, Facebook, LinkedIn etc. E num governo que não tem nenhum apreço pela liberdade, que adora uma censura, e que persegue seus opositores, isso não será nada bom.

O Marco Civil da Internet, no texto que o PT quer aprovar, é o início da tirania petista no último bastião de resistência da direita no Brasil. A situação é delicada e o futuro está em jogo.