Presidente Trump

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 29 de setembro de 2016.

trump1Eu gosto de conversar com as pessoas. Podem me chamar de chato, mas puxo conversa na fila do mercado, no avião, na sala de espera, no táxi, na reunião de condomínio etc. Nesses últimos tempos, marcados pela proximidade da eleição para presidente, tento sempre abordar o assunto e tentar descobrir o que as pessoas comuns pensam a respeito de Donald Trump e Hillary Clinton. E o que tenho visto pode ser resumido em três afirmações básicas: a pessoa declara voto para o Trump porque gosta dele ou porque não suporta mais “os políticos de sempre”; a pessoa não gosta de nenhum dos dois, mas acha o Trump louco demais para ser presidente; ou a pessoa não gosta de nenhum dos dois, mas acha a Hillary criminosa demais para ser presidente.

Tive a sorte, em minhas incursões conversativas, de nunca topar com um democrata radical (o equivalente americano dos petistas), daqueles que amam Hillary apesar de tudo de ruim que ela representa. Pode parecer mentira, mas não conheci um único americano que veja em Hillary Clinton as qualidades para ser presidente deste país; ela é citada como “a opção menos pior” por alguns.

Depois de terminado o primeiro debate presidencial, na segunda-feira, li inúmeras análises que davam a Hillary a vitória. A mídia televisiva norte-americana chegou a mostrar um certo alvoroço pelo desempenho de sua candidata preferida, e muitos comentaristas isentos ou apoiadores de Trump seguiram pela mesma linha de raciocínio. Para mim – e para alguns outros poucos analistas –, Trump saiu vitorioso do debate justamente por ter mostrado que não é o louco-racista-misógino que Hillary vinha exibindo em sua propaganda eleitoral. Trump mostrou que não passa de um homem normal; profissionalmente, um empresário de sucesso com pouca atuação política. Enfim, alguém de fora do establishment, com uma postura muito mais de pessoa comum do que a robotizada Clinton, com seu sorriso falso sempre presente. Enquanto ele mostrava indignação diante das mentiras de Hillary, ela ria em tom de deboche de tudo o que ele falava – o tipo de atitude que os americanos não esperam de um presidente.

Mas será que os debates realmente terão um papel fundamental na eleição do próximo presidente americano? Será que as propagandas eleitorais mudarão o voto dos indecisos? Será que as pesquisas de intenção tirarão os preguiçosos de casa para votar contra o candidato que acham inaceitável para governar o país? De acordo com o professor Helmut Norpoth, da Stony Brook University, não. Norpoth é o desenvolvedor de um método preditivo que acertou o resultado das eleições presidenciais dos últimos 20 anos. O Modelo das Primárias, como ele o chama, é um método analítico que, ao ser aplicado a todas as eleições presidenciais americanas desde 1912, produz apenas um resultado errado (nas eleições de 1960) e acerta todos os outros. Ele se baseia em dois fatores principais – o movimento do pêndulo eleitoral e o resultado das primárias – para prever quem será o candidato vencedor. Em 2012, Norpoth aplicou seu método e previu a reeleição de Barack Obama; em 2016, ele mostra que o legado de Obama foi insuficiente para suscitar o desejo de “quero mais” na população. O pêndulo se moveu, e os democratas não têm mais o momento favorável. Em outras palavras, as eleições americanas têm um caráter plebiscitário, justamente por acontecerem dentro de um modelo marcado pelo bipartidarismo: se A foi bem, A recebe uma nova chance; se A não foi bem, é hora de trocar para B. E vice-versa.

Assim, a não ser que um escândalo de proporções lulopetísticas morda o calcanhar de Trump, o candidato republicano tem quase 90% de chance de ser o 45.º presidente dos Estados Unidos. Seria o primeiro a nunca ter ocupado um cargo eletivo ou uma posição de comando nas Forças Armadas. Aos que ainda acham loucura colocá-lo na cadeira mais importante do mundo, vale lembrar que insanidade é fazer as coisas da mesma maneira e esperar resultados diferentes. Espero que os americanos não refutem o método do professor Norpoth justamente nesta eleição, e mostrem que ainda são um povo bom da cabeça.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Pesquisa para quê?

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 25 de agosto de 2016.

Terminados os jogos olímpicos, o Brasil se volta para o assunto óbvio: as eleições. Candidatos a vereador pipocam a cada esquina, tanto nas reais como nas virtuais, e as matérias sobre os concorrentes às grandes prefeituras aparecem diariamente nos jornais e portais de notícias.

Época de eleições é também época de uma das coisas mais inúteis de nossos tempos, a pesquisa eleitoral. Aqui nos Estados Unidos, a mídia tradicional aponta todas as suas armas para Donald Trump, com base nos resultados de diversas pesquisas. Esquecem-se de mencionar que Reagan e Bush tinham números iguais ou piores na mesma etapa do processo eleitoral, mesmo assim foram eleitos com tranquilidade. No Brasil, temos alguns institutos de pesquisa que acertam menos do que aqueles gurus de virada de ano.

Lembremos das eleições de 2014. Na última fornada de pesquisas antes do pleito presidencial, um dos institutos mostrava 26% das intenções de voto para Aécio Neves. O candidato obteve 33,6% dos votos, um resultado completamente fora da margem de erro da pesquisa e também de qualquer explicação lógica e estatística. Pior ainda foi o resultado do mesmo instituto para o governo do Rio Grande do Sul. A pesquisa dizia que José Ivo Sartori tinha 29% das intenções de votos, e o candidato chegou a 40,4% dos votos, um erro ridículo de mais de 30%. Até uma cartomante caolha chegaria a um resultado mais próximo.

O interessante é que os candidatos e partidos têm em suas mãos pesquisas muito mais precisas. Sei disso por experiência própria: no ano de 2008, participei ativamente das eleições municipais numa cidade do interior de São Paulo. Além de concorrer a vereador, estive envolvido de perto na campanha para prefeito. Na época, o candidato da situação tinha uma relação muito próxima com um instituto local, cujas pesquisas o mostravam à frente com uma boa margem. Na última semana antes do pleito, chegou até nós o resultado de uma pesquisa interna, feita por um instituto de confiança, que mostrava a vitória do nosso candidato com 40,5% dos votos. O resultado oficial foi de 42%.

A pesquisa é uma aplicação da estatística, uma ciência exata e geralmente pouco compreendida pela maioria das pessoas. O problema é que os mesmos dados podem ser manipulados de diversas formas, e auditar um trabalho desses seria custoso e demorado. Imagine auditar todos eles.

Se as pesquisas divulgadas ao público erram mais do que acertam, e as pesquisas mais precisas são divulgadas apenas internamente, para que você precisa da pesquisa? Em minha opinião (e este é um artigo de opinião), para nada. O próprio conceito de “voto útil” que é tão presente no eleitor brasileiro em geral, aquela ideia de “não jogar o voto fora”, é um ponto que considero bastante negativo. O que as pesquisas fazem é mexer com a cabeça de quem vota assim. Afinal, se fulano escolhe o candidato exclusivamente por suas propostas e vida pública, o que importa se ele está um, dois ou dez pontos atrás do outro? Pode parecer inacreditável, mas uma das coisas que mais ouvi quando fiz campanha porta a porta foi “não quero votar em quem vai perder”. Ora, estamos falando de eleição ou de uma corrida de cavalos?

Enfim, nestas eleições não poderei votar, pois quem mora no exterior vota apenas para presidente. Mas, se pudesse, votaria sem levar as pesquisas em consideração. Fica a sugestão.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

A Nação Zumbi

zombiesNeste domingo que passou eu assisti ao filme Guerra Mundial Z. Para quem não ouviu falar, o filme conta a história de uma epidemia que se alastrou rapidamente na Terra, transformando as pessoas em zumbis. E os zumbis do filme ficam alucinados quando veem uma pessoa normal, pois o “objetivo” do vírus zumbi é se propagar ao máximo, e só não acabará com a raça humana graças a um homem, o investigador das Nações Unidas interpretado por Brad Pitt. Aliás, essa substituição do salvador, que geralmente é americano, por alguém da ONU, é algo que não me agradou nem um pouco. Qualquer dia escreverei sobre a ONU e seu papel nos planos da esquerda mundial.

Enfim, algo interessante neste filme de zumbis é que, quando eles não tem mais humanos para morder e contaminar, ficam num estado de hibernação, andando para lá e para cá no maior estilo “monstro retardado”.

Hoje quando acordei e li sobre a mais recente pesquisa para as eleições de 2014 eu me dei conta que vivo no meio de uma nação de zumbis. Não sabemos quem foi o “paciente zero”, mas imagina-se que ele seja metalúrgico e tenha sido infectado durante algum discurso do Sr. Luis Inácio da Silva, um dos criadores do vírus zumbi tupiniquim.

No início essa praga se alastrava de forma mais contida, pois levava mais tempo para infectar as pessoas. Sua disseminação se dava somente nos lugares de menor higiene intelectual (eufemismo para qualquer lugar onde haja um petista falando), onde o vírus podia se movimentar livremente. Pesquisas indicam que reuniões de partidos de esquerda foram os grandes focos de transmissão do vírus, pois quanto mais fraco o cérebro e menos esclarecida a pessoa, mais rápido é o contágio.

Com o tempo vieram as mutações, e as formas de contágio foram se multiplicando. Agentes catalisadores como marqueteiros de campanha e musiquinhas Lulalá fizeram que a massa de zumbis crescesse ao ponto de eleger um homem desprezível como o Sr. Luis Inácio da Silva para a presidência da República. Esse foi o golpe de mestre, pois estando o criador do vírus no comando da nação, novas formas cruéis de disseminação do vírus foram criadas. Sabe-se que, atualmente, a forma mais eficaz de tornar uma pessoa em um zumbi é colocando-a em algum programa intitulado “Bolsa Alguma Coisa”. O vírus já vem naquele cartãozinho aparentemente inócuo, mas que corrói a pessoa por dentro, transformando-a num zumbi sugador de esmolas do Estado.

A cena que nos espera em 2014 é digna de temor: milhões de zumbis, já em estado de hibernação, pois o vírus foi muito bem-sucedido na última década, olhando para uma maquininha e apertando retardadamente os botões 1, 3 e Confirma. Afinal, que outro tipo de ser votaria novamente em alguém como Dilma Roussef, a pior presidente que o Brasil já teve, de longe a mais depreparada e completamente servil ao seu partido e ao Foro de São Paulo, senão um zumbi? A teoria zumbi é a única que explica a última pesquisa, onde Dilma vence já no primeiro turno.

Alerta: o último parágrafo fala do final do filme Guerra Mundial Z.

Fico imaginando se não temos que fazer exatamente o que o Brad Pitt fez para salvar a humanidade, descobrindo que a única forma de combater os zumbis era se infectar com algum outro vírus que, ao deixar a pessoa doente, fazia com que os zumbis não desejassem mais infectá-la – ela ficava invisível a eles. E uma vez invisível, era muito fácil meter uma bala bem no meio da testa e depois queimar os bichos. Será que teremos que nos infectar com o esquerdismo, como forma de camuflagem, para conseguir acabar com essa praga por dentro?

Essa resposta deixo para você, leitor.