Nota de falecimento

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 3 de novembro de 2016.

Faleceu neste domingo último o Partido dos Trabalhadores, vulgo PT, aos 36 anos de idade. A autópsia revelou a causa mortis: concussão eleitoral agravada por uma infecção parasitária generalizada. O falecido deixa um filho, Partido Socialismo e Liberdade, 12 anos de idade, e milhares de viúvas espalhadas pelos bairros nobres, redações, universidades e escolas do país.

Durante a autópsia, ao abrirem o crânio, os médicos encontraram evidências de uma malformação congênita que impede o desenvolvimento do cérebro e causa danos irreparáveis na criança. Não há ainda uma explicação de como o falecido conseguiu sobreviver até a idade adulta carregando essa condição, mas uma equipe de pesquisadores tenta no momento correlacionar esta anomalia ao local onde ele nasceu e viveu – eles esperam provar que em nenhum outro país do mundo alguém com uma condição dessas passaria do primeiro ano de vida.

Durante a abertura do tórax e da investigação das vísceras, os médicos encontraram uma quantidade de parasitas extremamente anormal, algo nunca antes registrado na história da medicina. De acordo com o médico-legista responsável, “uma pessoa não consegue viver com tantos parasitas sugando os suprimentos energéticos que deveriam alimentar todo o corpo. Esta morte era inevitável. Não existe cura para um estágio tão absurdamente avançado de infecção”.

A análise do conteúdo do estômago comprovou algo que relatos anteriores já tinham registrado: o falecido tinha um transtorno alimentar sério, e só se alimentava de dinheiro sujo. Parentes próximos disseram que, alguns anos atrás, na época do mensalão, o falecido tinha dito que iria se tratar, que procuraria uma clínica e ajuda psicológica, mas que tudo não passou de encenação. O hábito vicioso de se alimentar com dinheiro sujo causou uma falência do sistema gastrointestinal, além da destruição do fígado por toxinas. Nem mesmo uma equipe de médicos cubanos, especialista no assunto, foi capaz de salvar o moribundo.

O infortúnio familiar se completou com a notícia de que o filho do falecido (conhecido pelos amigos como PSol) se encontra em coma, respirando por aparelhos. Os médicos dizem que o menino apresenta uma malformação congênita semelhante à do pai, e que suas chances de sobrevivência são muito pequenas. De acordo com os registros médicos, PSol apresenta um índice de crescimento negativo – está menor aos 12 anos de idade do que era aos 8 – e sofreu um trauma extenso durante sua última viagem ao Rio de Janeiro. Uma fonte sigilosa de dentro do hospital disse que “estão tentando esconder, mas o menino já está morto”.

Enquanto isso, milhares de viúvas choram inconsoláveis, principalmente depois de terem descoberto que o falecido deixou apenas dívidas, e que não haverá mais mesada para nenhuma delas. Curiosamente, consultórios de psiquiatria da zona sul do Rio de Janeiro apresentaram um aumento de 80% em número de pacientes. Houve também diversos atendimentos a suicidas feitos pela linha de emergência da polícia, muitos deles usando nomes de artistas brasileiros famosos. O delegado responsável não quis se pronunciar sobre o caso quando perguntado se os suicidas eram realmente artistas famosos ou se apenas usaram os nomes para ocultar sua identidade. Disse ele: “Não vou comentar sobre o caso, não vou confirmar para vocês que são artistas de verdade, porque minha mulher não vive sem novela. Entendam o que quiserem”.

O enterro está marcado para 1.º de janeiro de 2017, em local ainda a ser divulgado.

Sem mais.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

PT – Partido em exTinção

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 6 de outubro de 2016.

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As eleições de domingo passado mostraram que o povo brasileiro, no fim das contas, está atento ao que acontece no cenário político nacional. Em um ano no qual tivemos a votação do impeachment de Dilma Rousseff e a saída do PT do comando da nação, eleitores de todo o Brasil deixaram claro que não querem mais esse pessoal em nenhuma esfera governamental. Uma passada rápida pelos resultados é mais que suficiente para entender o que estou dizendo.

Nas 26 capitais, a situação foi de quase eliminação completa dos candidatos petistas. Marcos Alexandre foi o único eleito já em primeiro turno (reeleito, na verdade), em Rio Branco, no Acre. O outro petista que restou foi João Paulo, que vai para o segundo turno em Recife com uma votação inexpressiva de 23,76% dos votos válidos. As demais 24 capitais são oficialmente PT-free.

Quando a abordagem é por maiores cidades do Brasil, outra lavada. De acordo com os dados do Censo IBGE de 2013, há 39 municípios com mais de 500 mil habitantes no Brasil – apenas 20 deles são capitais. O PT não levou nenhum de primeira; vai ao segundo turno em Recife, caso já mencionado acima, e em mais duas cidades: Santo André (SP) e Juiz de Fora (MG). Em Santo André, Carlos Grana tentava a reeleição e ficou em segundo lugar, com 20,3% dos votos, contra 35,9% de Paulinho Serra, do PSDB. Em Juiz de Fora, Margarida Salomão liderava as pesquisas, mas acabou ficando em segundo lugar, com 22,38% dos votos – muito atrás dos 39,07% de Bruno Siqueira, do PMDB. Não parece que nenhum dos dois tenha muitas chances de eleição.

Se olharmos para o ABC paulista, reduto histórico do partido e quartel-general de Lula, mais uma derrota significativa. O PT vai ao segundo turno somente em Santo André, como foi dito acima. São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema não quiseram nenhum petista na prefeitura. E, para coroar o desempenho pífio, o filho de Lula, que concorria a uma vaga de vereador em São Bernardo, teve apenas 1.504 votos – foi apenas o 58.º mais votado.

Por último, vale a pena dar uma olhada nos deputados federais que votaram contra o impeachment de Dilma Rousseff e se candidataram a alguma prefeitura neste pleito. Foram 25 casos, dos quais apenas dois venceram em primeiro turno, e somente três vão disputar o segundo turno. Nem todos são do PT, mas todos faziam parte do bloco governista que tentou salvar Dilma a todo custo.

Escorraçado das capitais e das grandes cidades brasileiras (no jargão petista, aquelas com maior potencial de roubo), o PT sai desta eleição, independentemente dos resultados do segundo turno, como um partido em processo de extinção. Algo certamente extraordinário se nos lembrarmos do cenário político de apenas seis anos atrás. Foi em 2010, durante um comício de Dilma Rousseff, que Lula defendeu que o DEM fosse extirpado da política brasileira. O DEM, que vinha perdendo prefeituras vertiginosamente – eram 1.028 prefeituras em 2000, depois 790 em 2004 (quando a sigla ainda era PFL), 496 em 2008 e 278 em 2012 –, conseguiu garantir 265 prefeituras no primeiro turno deste ano, e pode ganhar mais três depois do segundo turno. O PT de Lula foi menor que o “extirpável” DEM: apenas 256 prefeituras. Mesmo que ganhe as sete disputas de que participará no segundo turno, não chegaria a 265.

Quem é que parece mais perto de ser extirpado agora?

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Sai pra lá, ditador!

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 15 de setembro de 2016.

O Mercosul foi fundado em 1991 – na época, Collor presidia o Brasil e Carlos Menem, a Argentina. Mas foi somente em 1994, após a assinatura do Protocolo de Ouro Preto (documento que estabelece a estrutura de operação do Mercosul), que o bloco começou a funcionar de fato. O Brasil de três anos depois já tinha saído da rápida presidência de Collor – que, apesar de rápida, deixou um importante legado na abertura da economia brasileira – e estava nas mãos de Itamar Franco; a Argentina continuava sob o mesmo comando.

Esses dois presidentes e seus sucessores diretos, em conjunto com os governantes de Paraguai e Uruguai, deram volume ao jovem Mercosul nos anos que se seguiram. O bloco desenvolveu suas políticas alfandegárias e manteve a independência monetária e fiscal dos países participantes. Nesse sentido, sou muito mais simpático ao Mercosul que à União Europeia, que tentou unificar o que não era unificável e hoje sofre as consequências disso. Em outras palavras, o Mercosul não ajudou tanto assim, mas também não atrapalhou.

É claro que a chegada da esquerda bolivariana ao poder nos dois países mais fortes do bloco causou o que toda esquerda causa quando chega ao poder: fracasso e falência. Lula começou os 13 anos de governo petista em 2003, assim como Nestor Kirchner na Argentina. Nessa época, Hugo Chávez já governava a Venezuela havia cinco anos e deixava bem claro os rumos ditatoriais que seu governo tomaria. Chávez faria, nos anos seguintes (e, depois dele, Nicolás Maduro), tudo o que um respeitador da democracia e da liberdade jamais pensaria em fazer: desmonte das instituições democráticas, fraudes eleitorais, populismo em níveis estratosféricos, enfraquecimento da tripartição do poder, ocupação da Suprema Corte, aumento exponencial da intervenção estatal na economia e na vida da população, aproximação com forças criminosas como cartéis de drogas e guerrilheiros, perseguição de inimigos políticos, supressão da liberdade de expressão e, por fim, prisão e assassinato de cidadãos e políticos contrários ao regime vigente. E o Mercosul do PT e dos Kirchner optaria, cada vez que o governo venezuelano cometesse um crime, entre defender, aplaudir ou ficar calado.

Para quem não se lembra, foi assim em 2005, quando Lula disse que “na Venezuela há excesso de democracia”; em 2007, quando defendeu Chávez em meio à situação polêmica com o rei da Espanha, dizendo que “Hugo Chávez é um democrata”; em 2009, quando apoiou a reeleição ilimitada de Chávez, dizendo que “precisamos respeitar a cultura de cada país”; e em 2014, quando gravou vídeo de apoio a Nicolás Maduro, dizendo que o mesmo “ama o povo venezuelano e luta pelos pobres”. Nem preciso dizer que a pobreza aumentou como nunca antes em todos esses anos de Chávez/Maduro em nossos vizinhos a noroeste. Os Kirchner, principalmente Cristina, também foram aliados fiéis do regime chavista, e tentaram a todo custo seguir o seu exemplo na Argentina.

Mas, como todo inverno acaba, como toda noite dá à luz uma nova manhã (poético isso, não?), a América do Sul conseguiu sair do coma em que se encontrava, e revigorou-se com a saída dos bolivarianos dos governos do Brasil e da Argentina. Macri e Temer comandam os dois maiores países do continente e, com o apoio do Paraguai e a anuência do Uruguai, tomaram nesta semana uma decisão muito importante para o bloco econômico: a Venezuela está impedida de exercer a presidência do Mercosul neste semestre, posição que ocuparia pela rotação alfabética. De acordo com a declaração assinada pelos quatro países, o governo venezuelano falhou em cumprir com diversas normas e acordos indispensáveis a qualquer país do bloco, entre eles o Protocolo de Proteção aos Direitos Humanos do Mercosul, que exige “a plena vigência das instituições democráticas e o respeito dos direitos humanos e das liberdades fundamentais” nos países participantes. A declaração vai além, e ameaça suspender a Venezuela se não houver o cumprimento dessas normas e acordos até 1.º de dezembro deste ano.

Esta é a postura que todo cidadão que respeita e luta pela liberdade gostaria de ver. É a postura que queríamos ter visto tantas vezes nos últimos 13 anos. A história de Maduro indica que não haverá nenhuma melhoria no aparato jurídico da Venezuela que resulte em algum respeito aos direitos humanos ou às liberdades individuais. Nossa torcida e pressão agora devem estar sobre o Itamaraty, para que o Brasil defenda com toda a sua força de potência regional a suspensão e, quem sabe num futuro próximo, e expulsão definitiva da Venezuela. Maduro precisa saber que, enquanto governar como um criminoso, seu país sofrerá sanções de todos os vizinhos. Que ele fique sozinho no lixo da história.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Nós somos os ratos

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 17 de março de 2016.

Laboratory rat
O brasileiro

Está confirmado, demonstrado e sacramentado: o Brasil é um grande laboratório e as cobaias somos nós. Vivemos debaixo de um experimento social macabro – no qual fomos colocados por nós mesmos através do sufrágio universal – em que somos testados dia após dia, em que nossos limites são avaliados e distendidos, em que nossa tolerância é provada com doses pequenas, mas crescentes, do veneno político.

Se um dia esse experimento tiver fim, é bem possível que o resultado seja a comprovação de que somos o povo mais covarde e bovino do planeta. O “cientista” da vez, o governo petista, não tem medido esforços para provar essa tese, que o beneficiará por muitas décadas ainda.

Tudo começou no governo Lula, o mentor do maior esquema de compra de poder da história brasileira, conhecido como mensalão. Sim, o mensalão foi mostrado, provado, julgado e condenado, e nenhum de seus principais operadores – todos criminosos condenados – permanece preso. Os meandros da lei, as manobras bandidas dos advogados de defesa e uma suprema corte majoritariamente vassala do Executivo levaram, em conjunto, ao mais absurdo dos resultados: a total e completa impunidade.

Lula não só escapou de ser investigado ou punido; ele ganhou um segundo mandato e depois elegeu sua sucessora, ou seja, ganhou um terceiro e um quarto mandatos (nota: aos que, por algum motivo inexplicável, ainda acham que o PSDB faz bem ao Brasil, lembro que foi Fernando Henrique Cardoso quem colocou panos quentes sobre o mensalão, entregando a eleição de 2006 de bandeja a Lula. Coisa de amigos, é claro).

Com o governo Dilma veio um novo recorde: o maior escândalo de corrupção da história mundial, o petrolão. Era o aumento da dose em nosso experimento. Se os ratinhos brancos aguentaram um mensalão inteiro sem maiores reações, por que não partir para algo inédito, algo marcante e “digno” de ser lembrado por gerações? Dilma Rousseff, seguindo os passos de seu antecessor, passou incólume pelas eleições de 2014 – assumindo, é claro, que o processo não tenha sido fraudado eletronicamenrte – e foi reeleita mesmo diante de todos os indícios de sua participação na grande trapaça que foi a compra da refinaria de Pasadena. Enquanto isso, a maioria dos ratinhos pulava feliz ao receber mais um pedaço de queijo bolorento.

Depois de 12 anos pilhando o país, é claro que chegou o momento da crise econômica. Nem o rei Midas seria capaz de fabricar ouro suficiente para compensar a ladroagem do petismo. O Brasil parou, e até os ratinhos mais bobinhos perceberam que estavam recebendo menos queijo no fim do dia. Será que finalmente fariam um motim no laboratório? Romperiam as gaiolas e partiriam para o ataque ao cientista louco? Afinal, são mais de 200 milhões de ratinhos e apenas alguns milhares de criminosos. Parecia que sim, mas não passava de mais um experimento. No dia 16 de março de 2016 foi aumentada a dose de teste mais uma vez, num nível que até então ninguém imaginava ser possível. Com a ida de Lula – um sujeito agraciado com um pedido de prisão preventiva e investigado por diversos crimes – para um ministério do governo, o Brasil rompeu a barreira que separa as democracias dos regimes totalitários. O golpe será completo se a emenda constitucional de autoria do senador Aloysio Nunes (ex-motorista de assalto e atual amiguinho tucano), que cria uma excrescência chamada semiparlamentarismo, for votada e aprovada nos próximos meses. Lula, que já teve dois mandatos como presidente e um como titereiro-mestre, completaria sua ascendência a ditador com uma possível nomeação a primeiro-ministro não eleito pelo povo. Ele seria o Stalin da Banânia, o Hitler carnavalesco, o Mao da cachaça, o semideus encapetado do agreste, o líder supremo que conduzirá o Brasil à miséria, mas sempre do conforto de um rei.

Enquanto isso, muitos… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Uma chinelada só

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 10 de março de 2016.

É bem provável que você já tenha pensado, depois de ser picado por algum pernilongo sanguinário, algo como “mas por que esse bicho existe, se a única coisa que ele faz é parasitar e causar doenças?” Ou então, ao descobrir que teria de passar por uma cirurgia às pressas para remover um apêndice supurado, lhe passou pela mente “que troço inútil é esse, que ou não faz nada de bom ou me leva logo para a sala de cirurgia?” A lista de mancadas da natureza não para por aí: vermes, moscas, vírus, câncer, raios solares UV, ervas daninhas, fungo de unha e bactéria da cárie são apenas alguns exemplos de coisas sem as quais nossas vidas seriam muito melhores, e das quais nenhum ser vivo do planeta sentiria falta. Mas, sendo o homem um imitador da natureza, ele também produz suas inutilidades daninhas, e uma de suas obras-primas nessa categoria é o PT.

Depois de 13 anos no comando do país, está evidente que a agremiação que se diz “dos trabalhadores” não serve para nada que preste. À política brasileira, em geral, já é difícil atribuir resultados bons de qualquer tipo, mas o PT é o grande campeão do Framboesa de Ouro da política nacional, levando as estatuetas de pior partido, pior político principal, pior político coadjuvante, pior gestão pública, pior plano de governo, pior diplomacia, pior ideologia e pior escândalo de corrupção. Esse desempenho “majestoso” é resultado de um verdadeiro trabalho de equipe, no qual cada membro consegue fazer pior que o anterior, superando consistentemente as expectativas (negativas) de todos nós. O diretor desse filme de terror é Lula, o pobre mais milionário do mundo. Este senhor etílico sempre esteve por trás de toda a conduta petista; ele é, por assim dizer, o titereiro do partido, desde sua fundação até hoje.

barataasO nível de mediocridade do PT é tamanho que o partido não consegue nem sequer ser um vilão de verdade. Outras nações tiveram suas desgraças comandadas pelas mãos de políticos maus, de ditadores sanguinários, de genocidas e de loucos como Stálin, Hitler, Fidel e Pol Pot. Esses psicopatas deixaram um legado de morte, escravidão e destruição, e colocaram seus nomes entre os mais famosos da história da humanidade, ainda que pela mais vil das razões. Mas, enquanto russos, alemães, cubanos e cambojanos tiveram seus Darth Vaders, nós vivemos sob o governo de um Dick Vigarista. Lula, no fim das contas, não passa de um ladrão e de um projeto mal-sucedido de ditador. Seu sítio, sua cobertura no Guarujá, suas palestras milionárias, seus laços com empreiteiras corruptas, seus esquemas para enriquecer os filhos, tudo isso mostra que seu grande projeto de poder acabou se atrofiando para algo bem menos grandioso: enriquecer. É claro que, sendo um homem com um dos maiores egos deste lado da galáxia, ele sempre soube aproveitar muito bem os benefícios de ser líder, e sempre desfrutou dos prazeres megalomaníacos que somente quem está no comando sabe descrever.

Eu mesmo sempre disse que Lula tinha um projeto grandioso para tomar a América Latina de assalto e estabelecer por aqui a nova União Soviética. Mas, como todo gerente de projetos bem sabe, existem alguns requisitos para se transformar algo planejado em algo executado. Quando o projeto é o estabelecimento de um regime autoritário, uma condição sine qua non é a coragem, qualidade que nem Lula e nem ninguém do PT jamais teve. Lula sempre foi um covarde; a esquerda brasileira inteira sempre foi covarde, e foi fundada em cima da covardia. Esta geração que hoje está no poder, devemos lembrar, é a mesma que tentou ser terrorista na década de 1960, que fugiu feito barata acuada quando os militares tomaram o poder e que continuou agindo à moda das baratas, ocupando espaços obscuros e se multiplicando fora da vista de todos. Não deveria ser surpresa, portanto, que mesmo ficando 13 anos no poder o PT não tenha conseguido fechar a imprensa, assassinar opositores e estabelecer uma ditadura. Baratas não fazem isso, para nossa boa sorte.

Com a covardia dos petistas e um pouco de coragem de cada um de nós, não será… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

O exército do PT

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, edição de 1 de março de 2015.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra existe desde a década de 1980, mesma época em que foi fundado o Partido dos Trabalhadores, que ocupa o governo federal há mais de doze anos. Esta aparente coincidência de datas não deve ser entendida como tal: o MST foi criado para fazer, na prática, coisas que o PT não poderia fazer como partido político. Em outras palavras, o MST é e sempre foi o exército do PT.

Como todo exército, este também precisa ser mantido financeiramente. Mais de quatro anos atrás, a revista Veja noticiou ligações suspeitas entre ONGs beneficiadas por verbas do governo federal, da ordem de 70 milhões de reais por ano, e o MST. Essas ONGs serviam de fachada a esse movimento fantasma, sem registro nem CNPJ, ou seja, que não existe como entidade jurídica formada.

A lista de crimes do MST é extensa. Os integrantes do movimento atacam bem armados, e não apenas invadem propriedades rurais como também destroem instituições de pesquisa agrícola e tornam o agronegócio uma atividade insalubre no Brasil. Depois de décadas sendo tratado com leniência, sempre conseguindo sair ileso de seus crimes, o MST acumulou uma vasta experiência de guerrilha, complementada por treinamentos com grupos terroristas como as FARC, conforme reportagem do jornal Estado de Minas, de 2005. O movimento, é claro, nega o envolvimento, mas nenhuma investigação mais aprofundada foi feita. A denúncia foi esquecida e varrida para baixo do tapete petista.

Mais recentemente, o MST atacou policiais durante uma manifestação em frente do Palácio do Planalto – oito policiais foram feridos gravemente, e a recompensa dos criminosos foi uma audiência face a face com a presidente da República. Em qualquer outra democracia séria, agressões desse tipo seriam reprimidas, e não covardemente encorajadas.

O ano agora é 2015, e o ex-presidente Lula resolve defender os corruptos que destruíram a Petrobras, realizando um evento na sede da ABI, no Rio de Janeiro, com a presença do próprio João Pedro Stédile, líder do MST. Do lado de dentro, Lula defendia o indefensável, e do lado de fora a militância uniformizada do PT distribuía socos e pontapés em quem fosse contra o governo. Do lado de dentro, Lula dizia que “nós sabemos brigar também, sobretudo quando o João Pedro Stédile colocar o exército dele do nosso lado”, e do lado de fora o tal exército já dava mostras de seu modo de ação. Do lado de dentro, Lula ameaçava a ordem constitucional do Brasil, e do lado de fora os militantes cumpriam imediatamente sua ameaça.

A militância do PT, incluindo o MST e outros movimentos revolucionários, está caminhando em direção à violência bruta dos regimes de inspiração marxista. Se a sociedade brasileira aceitar passivamente esse tipo de ameaça, em breve estaremos enfrentando uma situação como a da Venezuela, onde milícias armadas e financiadas pelo governo de Maduro executaram jovens inocentes em público e torturaram manifestantes contrários ao governo. Nunca é demais lembrar das palavras do próprio Lula, quando disse que “na Venezuela tem democracia até demais”. Deixo para você imaginar o que ele pensa do Brasil.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

A dor indissociável da vida

sofrimentos-inevitáveisO ser humano nasce sofrendo. Nosso primeiro contato com o mundo é literalmente de chorar. Depois de tantas semanas no aconchego do ventre materno, a entrada no mundo através das mãos do obstetra ou da parteira vem acompanhada de muito esforço, dor, fluidos, sangue, suor e lágrimas; e me perdoem pelo chavão. A dor da mãe, principalmente no caso de parto natural, pode se estender por horas e horas, e é suportável apenas porque existe algo maior, que muitos de nós consideram o maior bem da humanidade, a vida. Digo muitos, e não todos, porque a humanidade já assistiu à ação de lunáticos poderosos que ceifaram milhões de vidas durante sua existência. Mas, no geral, a vida é e continuará sendo o motor maior do ser humano, e a chegada de uma nova vida é um espetáculo que jamais se torna repetitivo.

Mas divaguei… Minha ideia central é a dor, o sofrimento. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, principalmente as mais jovens, a essência da vida não é ser feliz. Quem vive correndo atrás da felicidade, conceito aliás bastante subjetivo e de difícil medida, não se dá conta de uma verdade absoluta, que atinge todas as pessoas deste mundo: só existem duas certezas na vida de um ser humano, a de sofrer, e a de morrer. A nossa natureza má garante a presença da dor em toda a nossa história de vida – por vezes nós a infligimos a nós mesmos, por vezes aos outros. E sobre a morte não há muito o que dizer: ela é implacável e invencível.

É claro que eu não poderia continuar nesta direção sombria, sem mencionar as possibilidades de alegria que nos surgem. Não é porque vivemos com a certeza da dor e da morte que não podemos viver momentos de alegria. Nossa verdadeira humanidade está em agir ativamente para melhorar nossa vida e tornar os momentos de dor e sofrimento menos frequentes e menos intensos, ainda que enfrentemos o limite inexorável do acaso, ou do destino, como alguns acreditam. Ainda assim, está em nossas mãos o poder de lidar com nossos melhores e piores momentos, e usá-los para moldar o nosso caráter e desenvolver as parte altas da alma. Gosto muito de um texto que o Olavo de Carvalho cita em uma das primeiras aulas de seu Seminário de Filosofia. O texto é do filósofo Louis Lavelle. Ele diz:

“Há na vida momentos privilegiados nos quais parece que o universo se ilumina, que nossa vida nos revela sua significação, que nós queremos o destino mesmo que nos coube, como se nós próprios o tivéssemos escolhido. Depois o universo volta a fechar-se: tornamo-nos novamente solitários e miseráveis, já não caminhamos senão tateando por um caminho obscuro onde tudo se torna obstáculo a nossos passos. A sabedoria consiste em conservar a lembrança desses momentos fugidios, em saber fazê-los reviver, em fazer deles a trama da nossa existência cotidiana e, por assim dizer, a morada habitual do nosso espírito.”

Eu adoro esse texto, adoro mesmo. Já o li centenas de vezes, e tento aplicá-lo no meu cotidiano, todos os dias. A consciência da falibilidade do ser humano e da necessidade de um aprimoramento pessoal é condição sine qua non para uma sociedade funcional – nenhum grupo de pessoas pode buscar justiça, paz, harmonia, ou qualquer outro valor desejável, sem que seus indivíduos realizem esta busca primeiramente por si mesmos, antes de qualquer tentativa de coletivização. E é neste ponto que colidimos com a ideologia de esquerda, sem nenhuma possibilidade de acordo ou sequer de respeito às suas ideias, que trouxeram as maiores desgraças à humanidade.

Desde que Rousseau removeu a responsabilidade individual pelos males praticados, estabelecendo em sua insanidade que o homem nasce bom, e culpando a sociedade pela degradação moral do indivíduo, os intelectuais de esquerda não fizeram nada além de aprofundar essa mentira e levá-la às piores consequências. Ao negar que o estado natural do homem é a miséria, e que a dor é indissociável da vida, eles propuseram soluções absurdas, baseadas em problemas que não existem. Assim, para explicar o sofrimento, propuseram a luta de classes, como se todo o sofrimento humano viesse somente da diferença de riqueza entre as pessoas. Fosse assim e os ricos seriam os mais felizes do mundo, e os milionários acumulariam rugas de tanto rir; e os pobres se matariam de desgosto, amargurados até os ossos por não possuírem uma casa mais bonita ou um relógio de ouro.

Para combater a dor e o sofrimento propuseram sistemas de governo paternalistas, que tratam a todos como crianças incapazes, prometendo algo que nenhuma pessoa na história da humanidade conseguiu prover a alguém: felicidade. Assumiram assim o monopólio da virtude, tão grande a ponto de serem os verdadeiros arautos da bondade, e enquanto o faziam assassinaram civilizações inteiras. Pagaram a fé dos incautos com a morte, e suas promessas de felicidade terminaram enterradas em valas comuns, junto aos corpos carregados de marcas de tortura e sofrimento. Essa é a história do comunismo, do socialismo, do nazismo, e de todos os movimentos de esquerda que assolaram o mundo.

E é isso que vivemos hoje no Brasil: Lula sempre se colocou como o pai dos pobres, ainda que viva no luxo milionário de sua fortuna. Seus discursos são recheados de alusões à felicidade, ao bem-estar e à alegria, conectando na cabeça dos populares sua pessoa e seu governo às benesses que cada vez mais tiram as responsabilidades individuais dos brasileiros. A eleição de Dilma foi fruto direto e único da capacidade genial – sim, Lula é um gênio no trato com os populares – de convencimento que Lula possui sobre o povo. Ele é a antítese de Lavelle, e se soubesse escrever talvez registrasse estas palavras:

Não busque os momentos privilegiados, pois privilegiados são os burgueses capitalistas dominadores; busque sim o coletivo, o ajuntamento burro, e grite com a massa o bordão que pode salvar sua vida: Lula, meu pai, me ajude!

Tire de uma pessoa a certeza da dor, prometa-lhe felicidade, e ela não terá mais instrumentos para evoluir. Confronte uma pessoa com a inexorabilidade da dor, desafie-a à superação, convença-a de suas responsabilidades individuais, e pode ser que ela faça o mesmo com alguém. Quando a soma dessas pessoas for superior a das primeiras, poderemos pensar num mundo um pouco melhor. Até lá, teremos que nos contentar com Lulas, Dilmas e companhia. Se isso não é sofrer, não sei mais o que é.