O mundo está chato mesmo

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 25 de fevereiro de 2016.

limoesO último comercial da Pepsi, em que dois limões reclamam da chatice mimizenta em vigor nos tempos atuais, é fantástico. Não só pelo humor irônico à disposição desde o primeiro segundo da peça, mas pelo poder de evidenciar o seu tema de forma tão viva: bastou sua veiculação para que os ofendidos de plantão, os paladinos do politicamente correto e todos os afetados por essa doença chamada vitimismo, fossem em seu combate.

No Twitter, comentários que vão desde moderados como “comercial de mau gosto” até absurdos doentios como “comercial da Pepsi > escravidão > Holocausto > 11 de Setembro” mostram que a temática da peça não só está corretíssima, mas que foi imediatamente aplicada a ela mesma. E a insanidade não parte apenas de alguns consumidores, mas também do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), que levará o comercial a julgamento por possível deboche e depreciação de minorias, mesmo não havendo nenhuma menção a nenhuma minoria, a não ser a dos limões, grupo social cujos membros, até o momento, não se pronunciaram sobre o assunto.

O politicamente correto é uma das grandes desgraças desta geração. Embora possa parecer, de início, algo sem muita importância ou sem consequências graves, a aplicação sistemática da mentalidade de proteger as pessoas de suas ditas fraquezas à custa das liberdades individuais, nas últimas décadas, resultou numa geração de incapacitados para a vida adulta real. Por vida adulta real entenda-se aquela em que a pessoa tem momentos de alegria e de sofrimento, passa por injustiças e também por situações justas, é amada e odiada, tem amigos e gente que não a suporta, recebe elogios e xingamentos, é exaltada e ridicularizada. Mas, para viver a vida adulta real, é necessário ser adulto de verdade, o que pressupõe uma autoconfiança suficiente para resistir às provas diárias e uma autoestima que leve à mais libertadora de todas as experiências humanas: rir de si mesmo.

Se as pessoas forem incapazes de suportar as dificuldades mais simples da vida, aquelas que podem ser resolvidas apenas com uma mudança de atitude própria, o que farão diante de situações realmente desafiadoras, como um colapso financeiro, uma doença grave, um divórcio ou uma morte na família? Se precisam ser protegidas até mesmo de palavras que não lhes são pessoalmente direcionadas, como enfrentarão ameaças reais às suas vidas? A resposta a essas perguntas é a própria razão da existência dos governos assistencialistas de esquerda: você não precisa ser autossuficiente nem autoconfiante, porque o Estado está aqui para cuidar de você. O Estado não deixará que ninguém o ofenda, que ninguém tire seu emprego, que ninguém ameace seu mundo perfeito de paz e felicidade. O problema é que, ainda que esse mundo “perfeito” fosse possível, seu preço – a supressão das liberdades individuais – seria alto demais. Mas a situação ganha ares de ficção científica diante de uma análise da realidade: em troca do confisco de suas liberdades e de seu dinheiro, o povo recebe um pedaço de papel de pão com os dizeres “prometo que tudo vai ficar bem”, assinado pelo papai Estado.

É papel importantíssimo dos pais a orientação para que seus filhos aprendam que não são vítimas, mas protagonistas com vontade própria; que não são indefesos, mas resistentes e resilientes; que não são dependentes de nenhum governo, mas capazes de criar riqueza e bem-estar com suas próprias mãos. E, acima de tudo, ensiná-los a… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Liberdade ou bala

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 17 de dezembro de 2015.

constitution_gun“Uma milícia bem regulada, sendo necessária à segurança de um Estado livre, o direito das pessoas de possuir e carregar armas não deve ser infringido”, diz a Segunda Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Os primeiros legisladores americanos tinham uma noção bem clara de quanto pode ser perigoso dar poder ao Estado. Embora a maioria das pessoas tenha a ideia de que o direito de possuir e portar armas serve unicamente para a defesa própria, a grande contribuição desse direito para a liberdade de uma nação consiste justamente em deixar nas mãos do povo a capacidade de resposta armada em caso de um governo despótico. A história já deu muitas provas de que o maior temor dos ditadores são os cidadãos armados. Hitler, Stalin, Fidel, Chávez – todos fizeram exatamente a mesma coisa: conduziram programas extensivos de desarmamento da população, seguidos do domínio autoritário sem resistência.

A Segunda Emenda à Constituição dos Estados Unidos tem sido a grande trincheira de defesa da liberdade disponível ao povo americano. Barack Obama é o mais antiamericano de todos os presidentes, e exibe sua agenda desarmamentista em público cada vez que um incidente com armas ocupa a mídia. Qualquer tiroteio é a deixa para que Obama desfie seu discurso liberticida e tente empurrar medidas de restrição e proibição relativas ao armamento de civis. Mas, em se tratando do povo americano, a reação costuma ser bastante diversa do que se vê no Brasil. Deixarei mais claro com dois exemplos.

Os últimos três presidentes brasileiros empenharam-se em passar leis de controle sobre armas, as quais jogaram dezenas de milhares de proprietários de armas na ilegalidade – ao mudar critérios e condições para a obtenção e manutenção de uma licença, as novas leis transformaram de imediato esses cidadãos de bem em “criminosos”. A solução escolhida pela maioria dos brasileiros foi entregar suas armas de fogo nas incontáveis campanhas promovidas em todas as esferas do governo e assistir, inermes, aos rolos compressores passando por cima de revólveres, pistolas, fuzis, espingardas e, por que não dizer, de sua liberdade.

Trago o leitor agora para a realidade americana. O ano é 2015, o mês é novembro. Depois dos atentados de Paris e de San Bernardino, Barack Obama fala em público diversas vezes sobre o controle de armas, deixando clara sua intenção de desarmar o povo americano – um povo que tem em suas mãos algo próximo a 350 milhões de armas de fogo. Com o feriado de Ação de Graças se aproximando, todo o comércio se prepara para a grande liquidação do ano, a Black Friday. O americano típico, aquele que desconfia do Estado e prefere se prevenir do que lamentar, ao ver que o presidente da república pretende lhe tirar a liberdade, vai até a loja mais próxima, aproveita os descontos e arma-se mais ainda. A mensagem é bem clara: você pode tentar me tirar esse direito, mas eu terei como lutar por ele; você pode tentar me tirar a liberdade, mas terá de ser por cima de meu cadáver armado até os dentes.

Não afirmo isso sem dados. Em conversa com um executivo de uma das maiores redes de lojas de armamento dos EUA, recebo a informação de que a última Black Friday foi recorde: suas 152 lojas venderam mais de 250 mil armas de fogo num único dia. Sabendo que há mais duas ou três redes grandes, além de inúmeras lojas menores espalhadas por todo o país, eu não me surpreenderia se os números gerais ultrapassarem um milhão de armas compradas.

Essa é a resposta do povo americano ao esforços autoritários de seu presidente; diga-se de passagem, uma tremenda resposta. Que sirva de exemplo ao povo brasileiro.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Está em falta

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Colunistas, edição de 10 de maio de 2015.

Entrei em uma loja de vinhos, pois queria comprar um tinto espanhol, mas só encontrei vinhos brasileiros. Perguntei para o atendente se eles não vendiam mais importados, e ele me disse que o governo tinha baixado uma nova lei para proteger os produtores nacionais, e que agora havia uma cota máxima de produtos importados para vender, a qual já tinha se esgotado. Dava para ver que ele estava um tanto nervoso – eu não devia ser o primeiro cliente insatisfeito, que saía da loja sem comprar nada.

Desisti do vinho e resolvi jantar numa lanchonete. Pedi um hambúrguer com batata frita, e o garçom me respondeu:

“Está em falta, senhor”.

“Mas como? Isso aqui é uma lanchonete!”

“Sim, mas o governo baixou uma lei protegendo os produtos de origem indígena e nacional, e agora temos cota para a batata. Se o senhor quiser, tem mandioca frita. Ah, e o hambúrguer também tem cota, pois é estadunidense. Se o senhor quiser, temos bauru e churrasquinho.”

“Deixa pra lá. Perdi a fome. Me dá só uma Coca-Cola.”

“Tem guaraná, senhor… Acabou a cota da Coca também.”

not_availableJá sem acreditar no que estava acontecendo, saí da lanchonete e fui ao cinema, para tentar esquecer aqueles absurdos. Chegando lá, todas as salas estavam exibindo o novo filme do Fábio Porchat, algumas em português e outras dubladas em tupi-guarani. Pensei em perguntar o porquê daquilo, mas seria perda de tempo. Resolvi voltar para casa. Ao chegar aonde tinha estacionado o carro, quase caí de costas: ele havia se transformado num Gurgel BR-800. Saí correndo, assustado, até que escorreguei, bati a cabeça e… acordei suando.

Esse pesadelo que tive é o sonho da esquerda brasileira. Ora é a Ancine se intrometendo nas exibições de cinema e televisão, ora é a Camex alterando o Imposto de Importação para “proteger” algum setor industrial, ora é o Judiciário decidindo em favor de indígenas e quilombolas e rasgando os títulos de propriedade privada, ora são artistas incompetentes que querem ser privilegiados por regras estatais para conseguir público. Esse foi o caso de Fábio Porchat, recentemente indignado com a decisão do dono de um cinema que, para agradar o público, resolveu exibir Velozes e Furiosos 7 em quase todas as suas salas, enquanto o filme de Porchat ficava de fora da grade.

A mentalidade desse artista é a mesma de governantes, legisladores, juízes e militantes de esquerda: a de que o Estado deve tratar seus cidadãos como crianças inaptas e incompetentes para tomarem decisões.

O Brasil nunca será um país produtivo e desenvolvido enquanto os brasileiros não forem adultos competentes e responsáveis. A dependência do Estado é uma doença que destrói a força e a capacidade de movimento de uma sociedade. Esperamos que o Estado nos dê saúde, educação, segurança, lazer, emprego, e que cuide dos pobres e oprimidos. Mas, ao terceirizarmos ao Estado o que nos faz humanos – ou seja, a autonomia, a iniciativa, a capacidade de lutar, a caridade, o altruísmo, a cooperação e tudo mais que vem da parte mais alta de nossa alma –, estamos nos suicidando, soterrados pelo coletivismo burro que elege governos populistas e salafrários.

Acordemos, antes que o próximo item em falta seja a liberdade.

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Distopia é nosso sobrenome

utopia-distopiaA definição mais fácil de distopia é uma utopia negativa. É claro que, para entender tal definição, é necessário saber o que é uma utopia, que é nada mais do que a ideia de um mundo ideal e perfeito (e inexistente, por consequência). Há distopias famosas, como 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, obras em que os autores imaginaram um mundo onde a liberdade e a privacidade são nada mais do que lembranças de tempos remotos, e onde o coletivismo burro e o autoritarismo estão praticamente onipresentes em toda a sociedade.

Quem tem um mínimo de apreço pelas liberdades individuais termina de ler essas obras com um frio na barriga, um arrepio só de pensar que o mundo pode caminhar para um futuro assim. O arrepio é justificado, pois não só o mundo caminha para esse tipo de realidade distópica, como há um lugar em que ela já foi plenamente estabelecida: o Brasil. Acha um exagero dizer isso? Então continue comigo por mais alguns parágrafos; acompanhe meu raciocínio.

Quando penso numa sociedade ideal, utópica, vejo as pessoas podendo exercer suas liberdades sem medo. Vejo gente se expressando livremente, sem ninguém para censurá-las. Vejo os criminosos sendo presos, julgados e condenados. Vejo um governo que não interfere nas decisões e nas vidas das pessoas. Vejo cidadãos responsáveis por seus destinos. Vejo a proteção à privacidade e às escolhas individuais. Vejo o cultivo da verdade e da honestidade como um princípio dos mais elevados. Vejo a valorização do pensamento crítico e o uso da racionalidade. Vejo a busca pelo ideal limitada ao divino, e a certeza de que sozinhos não somos capazes de traçar padrões de conduta suficientemente bons para pautarem a humanidade.

Quando olho para o Brasil não vejo nada disso. Vejo as liberdades sendo removidas dia após dia. Vejo que não podemos mais nos expressar livremente, pois algum “policial” do politicamente correto virá com sua condenação pronta, endossada por uma mídia tacanha e mal intencionada. Vejo que a maioria dos criminosos está livre, os que são julgados não são presos, e os que são presos acabam soltos. Vejo um governo que muda as regras do jogo a cada momento, que brinca com a vida das pessoas, que rastreia cada centavo gasto por elas, que busca saber tudo sobre cada um de nós, ao mesmo tempo que esconde o máximo que pode sobre si. Vejo cidadãos desprovidos de responsabilidade, encostados em programas sociais, dependentes de esmolas oficiais, irresponsáveis e acostumados a jogar a culpa por seus atos falhos em qualquer pessoa que não eles mesmos. Vejo a privacidade se extinguindo, o olho do Estado em todos os lugares, a interferência das pessoas nas vidas das outras, a vigilância mútua incentivada pelo governo, a condenação das conquistas individuais em nome do coletivismo medíocre e o combate irracional a tudo o que não tem a grife “social” no nome, como se a sociedade não fosse composta de indivíduos. Vejo a valorização e a oficialização da mentira, despejada pelos mandatários da nação em programas de rádio e televisão, contadas sem nenhuma vergonha ou constrangimento, ditas num dia e desmentidas logo depois; e vejo essa cultura mentirosa arraigada na sociedade brasileira, no jeitinho, no tirar vantagem, no amigo que conhece um amigo. Vejo a perseguição ao pensamento crítico, o desprezo pela virtude, o ódio ao mérito, o culto aos prazeres mais animais e carnais, o desdém pela intelectualidade, a exaltação da ignorância e a coroação dos medíocres. Vejo a busca por tudo o que existe de mais baixo na alma humana, e a ridicularização do divino como conduta padrão de todos os que se dizem progressistas e a favor de um suposto e inexistente bem maior.

Fomos reduzidos a selvagens, cuja maior expressão de individualidade é lamber a própria bunda. Nosso intelecto foi subjugado por nossas perversões, e nos tornamos um povo sem princípios, sem respeito e sem memória. Parece realmente que decidimos reverter o processo evolutivo e caminhar de volta aos tempos do paleolítico, deixando para trás qualquer traço de civilização que um dia tivemos. Como dizem por aí, nas redes sociais, o Brasil não corre nenhum risco de dar certo. Infelizmente.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

Brazuela

A Anistia Internacional deixou claro em seu relatório anual que o governo da Venezuela usou de violência, tortura, assassinato e prisões arbitrárias contra manifestantes no ano de 2014 (veja notícia aqui), algo que todos já sabíamos. Todos, menos Dilma, Lula e outros petistas repugnantes.

O PT e seus políticos canalhas sempre defenderam a atuação do governo de Maduro, e em nenhum momento condenaram seus atos imorais e absurdos, muito pelo contrário – ao fazerem defesa pública da “democracia venezuelana”, trataram o assassinato de manifestantes como algo banal.

Esse comportamento petista, essa maneira doente de pensar, pôde ser visto ontem em ação, quando os militantes do partido, que apoiavam Lula em mais uma defesa pública de criminosos (desta vez defendiam os corruptos que destruíram a Petrobrás), agrediram manifestantes contrários ao partido.

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Não podemos esperar até que esses criminosos tenham todas as armas consigo, e comecem a fazer exatamente como na Venezuela e em tantos outros regimes marxistas. Se chegar a esse ponto, não haverá poder de resistência. É mais importante do que nunca, em toda a história brasileira, que o estatuto do desarmamento seja revogado, e os brasileiros de bem possam se armar e se preparar para defender sua liberdade. O PT está “vitaminando” sua militância com gente profissional no ofício de agredir, e é uma questão de tempo até que comecem a usar de força letal contra aqueles que são contrários ao seu partido.

Acorda Brasil! Não dá para sermos cordeirinhos! Quando os assassinos armados chegarem à sua porta já será tarde demais para reagir. Chega dessa baboseira sem sentido que é propagada pela mídia e pelo governo, de que a paz se contrói com pessoas vestidas de branco andando pela rua com plaquinhas. A paz sempre se construiu com luta e guerra, pois aqueles que querem extinguir as liberdades não hesitam em matar e ferir para chegar aos seus objetivos. Estejamos prontos para reagir – quem não luta por sua liberdade já morreu por dentro.

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

Momentos finais de 2013

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Tenho menos de oito horas de 2013 pela frente, e agora que já saí de casa, atravessei uma São Paulo vazia, uma rodovia dos Bandeirantes super tranquila, e cheguei a Piracicaba, onde vamos passar o reveillon com a família, chegou a hora de escrever o último post de 2013, de um blog que começou pouco tempo atrás, e que pretende fazer alguma diferença positiva em 2014.

Para permanecer dentro dos propósitos deste blog, quero apenas compartilhar uma opinião, ou melhor, uma percepção minha sobre o ano que passou. 2013 foi o ano em que dois processos históricos que estavam em curso se aceleraram de uma forma acentuada, e 2014 promete ser o ano em que esses dois combatentes enfrentarão uma luta difícil. Acusem-me de maniqueísmo, de simplismo, de ingenuidade ou mesmo de ignorância, mas eu realmente acredito que esses combatentes representam lados opostos, bem e mal, virtude e vício, e que nosso futuro como nação democrática depende do resultado deste embate.

De um lado, vestindo o calção vermelho com estrela, foice e martelo, está o PT. Pesando toneladas, é o lastro que afunda o país em direção ao inferno futuro da ditadura esquerdista. Em 2013 o PT radicalizou seus ataques aos valores fundamentais da democracia, tomando uma posição cada vez mais beligerante contra a liberdade de expressão, contra as instituições democráticas, contra as liberdades individuais, contra o direito à vida e contra a família. Jamais se viu, na história brasileira, um período em que se concentraram tantos esforços, em um só partido, para solapar a democracia e instaurar um regime autoritário. O treinador do PT, o Foro de São Paulo, vem fazendo seu trabalho há mais de uma década, e resolveu cobrar resultados. Não foi fácil e nem agradável ler, diariamente, notícias que revelavam a corrosão progressiva de nossas liberdades. Processos judiciais absurdos, proibição de publicações, censura, mentiras de toda espécie, impunidade, crimes e canalhices que dão desgosto à alma e diminuem a cada dia nossa vontade de permanecer aqui neste Brasil. Em 2013 o PT veio para tentar o nocaute. Ainda bem que não conseguiu, ainda.

No canto oposto, vestindo o calção verde e amarelo, está a direita brasileira. Pesando muito menos do que sua categoria exige, ela começou o ano tentando ganhar massa, buscando se fortalecer, agregando gente à equipe, procurando por um técnico. Por menos poderosa e sem representatividade política que ela seja, 2013 foi um ano em que a direita brasileira respirou novamente em consciência, saiu do coma. Ainda em busca de agregar suas tão variadas matizes, ela se destacou por seus componentes individuais, gente que se colocou na brecha e resolveu brigar, ainda que com um Golias vermelho, mas com muitas pedras de qualidade no alforje. Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino, Reinaldo Azevedo, Danilo Gentili, Felipe Moura Brasil, Lobão, Paulo Eduardo Martins, Rachel Sheherazade, Luciano Ayan, Flavio Morgenstern – estes são alguns nomes que fizeram de 2013 um ano especial para nossa direita. Com inteligência, integridade, sinceridade e muita paciência, enfrentaram ataques esquerdistas de todo tipo: jabs, cruzados, diretos, uppers.

Os rounds aos quais assistimos consistiram em pancadaria pura de um lado, elegância e inteligência do outro. Enquanto a esquerda partiu para cima com sua militância gigantesca, patrocinada pelo dinheiro farto do Estado, a direita teve que lutar de uma forma praticamente cirúrgica, com intervenções planejadas e estruturadas, pois nenhum recurso poderia ser desperdiçado. Quando se está em minoria é que preparação e planejamento mais contam. E se, em meados de março lembro ter dito a um amigo que o PT acabaria com nossas liberdades ainda neste ano, hoje posso dizer que vejo uma reação legítima e que me dá uma esperança, ainda que mínima, de que as coisas possam caminhar para um futuro menos vermelho, menos autoritário e menos petista.

Meus votos para 2014: que Dilma perca a eleição, que o PT diminua, que os “reaças” se multipliquem e que a democracia brasileira suporte mais um ano.

Abraços a todos!

Black blocs mascarados reacionários da direita

solnikUm médico que acredita que o coração fica no abdômen, um engenheiro civil que calcula a quantidade de concreto em uma obra jogando búzios, um advogado que decorou apenas os diálogos do último gibi do Cebolinha – todos esses exemplos poderiam servir como analogias da maioria dos jornalistas brasileiros da atualidade. Foi isso que pude ver ontem em noventa minutos de Roda Viva, que poderia ter sido chamado de Roda Burra. O nível de alguns “jornalistas” que ali se encontravam era tão ruim que não seria um exagero chamá-los de analfabetos funcionais.

Para quem não viu, o músico e escritor Lobão foi o entrevistado de ontem no Roda Viva, exibido na Cultura todas as segundas-feiras a partir das 22h. Foi um programa bastante divertido o de ontem, com o Lobão cercado de comunistas (alguns mais exacerbados que outros), disparando suas pérolas em resposta a perguntas muitas vezes idiotas, e mostrando uma sinceridade ímpar em todo o tempo. Mas se a parte divertida e positiva foi ver Lobão defendendo com muita competência os princípios que eu tanto prezo, como as liberdades individuais, o livre mercado e a propriedade privada, a parte divertida e negativa foi ver pessoas que se chamam de jornalistas falarem besteiras sem tamanho, e sem vergonha na cara. Apenas Augusto Nunes, que mediava o programa, e Tiago Agostini, que manteve suas perguntas no âmbito cultural, pareciam não ter saído de um hospício. Aos demais só faltavam as camisas de força.

Adriana Couto, apresentadora do Metrópolis, baseou suas perguntas no último livro do Lobão, Manifesto do Nada na Terra do Nunca. O problema é que as perguntas que ela fez soam absurdas para quem leu o livro, como eu. O que me leva a concluir que: a) ou ela não leu o livro e fez perguntas baseadas apenas em resenhas ou trechos isolados, b) ou ela leu o livro e não conseguiu entender, mesmo sendo uma leitura relativamente fácil e de vocabulário simples. As duas opções são péssimas. Um jornalista não pode ir a um programa de entrevistas como o Roda Viva, decidido a perguntar sobre uma obra do entrevistado, sem ler a obra! Agora, se leu a obra e não conseguiu entendê-la, não pode ser jornalista! Acontece que no Brasil pode, infelizmente, e se tornou muito comum a presença de “profissionais” que não conseguem mais apreender o significado real das palavras quando leem um texto. Por isso os chamei de analfabetos funcionais, pois, quando tentam ler, captam apenas significados automatizados de palavras que lhes estimulam as áreas adestradas de suas mentes, e este processo é desprovido de uma análise racional, estando muito mais ligado ao adestramento cultural a que foram submetidos e do qual não conseguem se libertar.

Mas o ponto alto da noite ainda estava por vir, e teria de vir de Alex Solnik, que personificou a demência em seu mais alto nível, ao perguntar para Lobão sobre os Black Blocs e, antes mesmo da resposta do entrevistado, complementou com a frase que ficará para sempre gravada nos arquivos da televisão brasileira:

“Black Blocs são de direita, porque usam máscaras.”

Afora as boas gargalhadas imediatas que essa jumentice provocou em mim e em muitos outros que assistiam ao programa naquele momento, a realidade disso é muito triste. Como pode uma pessoa dessas ser chamado de jornalista e, pior, trabalhar em uma revista e ser chamado para um programa como o Roda Viva? O raciocínio deste senhor é mais fantasioso do que o de uma criança em idade pré-escolar. E sua frase mais idiota da noite corrobora a idiotice do restante de suas perguntas, um apanhado de chavões ideológicos desconexos, sem mencionar sua falta de polidez durante o programa.

Essas pessoas que ali estavam ocupam lugares em grandes órgãos da mídia nacional. Não seria um exagero supor que há muitos outros como eles espalhados por grandes jornais, revistas e programas de televisão. Na verdade, uma breve leitura dos principais portais de notícias brasileiros deixa muito claro que essa suposição já se comprovou como realidade. O que lemos, com poucas exceções, são textos pessimamente escritos, carregados de lugares comuns, pontilhados com palavras-gatilho, que são a ferramenta para atingir o único objetivo desses jornalistas militantes: disparar reações sub-racionais em seus leitores pelo uso massivo de chavões ideológicos e palavras de difícil conexão com a realidade.

A mim, diante de tal loucura do senhor Alex Solnik, me resta alertá-lo sobre alguns perigosos Mascarados Reacionários de Direita com os quais ele pode se deparar em algum momento. Cuidado com esses, Alex Solnik: Zorro, Lanterna Verde, Batman, Bloco de Carnaval de Salvador, Pilotos de Fórmula Um, Pilotos de Motovelocidade, Lutadores de Esgrima, Jogadores de Hóquei, Jason do Sexta-Feira 13, Fantomas, Tartarugas Ninjas e muitos outros.