A novilíngua no jornalismo brasileiro

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 22 de dezembro de 2016.

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Em minha modesta opinião, uma das grandes obras de arte do século 20 foi 1984, de George Orwell. O autor foi profético e visionário em sua descrição dos mecanismos autoritários usados pelo governo da fictícia Oceania – é por demasiado fácil encontrar os paralelos em nossos dias, espalhados por todo o mundo. Dentre esses mecanismos, um dos mais poderosos era a novilíngua, uma linguagem controlada pelo governo, destinada a limitar a liberdade de pensamento e expressão e a conter ameaças ao regime. A motivação e o objetivo da novilíngua ficam claros quando analisamos alguns de seus verbetes. “Crimideia”, por exemplo, define o ato de ter e divulgar pensamentos ilegais. Já alguém que “duplipensa” é a pessoa que sabe que está errada, mas se convence de que está certa.

O Brasil, conforme mencionei em meu artigo da semana passada, teve seu aparato educacional e jornalístico dominado por marxistas e gramscistas, gente usualmente bem versada na manipulação linguística. Esse fenômeno, aliás, não é exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, as universidades estão fortemente aparelhadas com catedráticos marxistas, que há décadas utilizam suas cadeiras para subverter a juventude americana. Não é surpresa nenhuma, portanto, que já vivamos no tempo em que as crimideias são punidas com execração pública, ameaças de morte e terrorismo psicológico. E o que dizer do duplipensar? Só o fato de termos sido governados durante oito anos por um homem que se dizia defensor dos pobres ao mesmo tempo em que vivia como um milionário já diz muito sobre como esse conceito está presente em nosso cotidiano.

Mas, é óbvio, a novilíngua se apresenta de forma mais clara e escancarada na imprensa. Pautar e moldar a divulgação de notícias é um dos pilares de qualquer governo autoritário, juntamente com o desarmamento da população e o domínio das forças policiais. Nessa perspectiva, dominar a mídia é geralmente o primeiro passo do processo, pois facilita que futuras ações autoritárias sejam impostas debaixo de uma falsa sensação de democracia. A esquerda é, por natureza, autoritária – não há como existir um Estado do tamanho que querem os marxistas, socialistas, fabianos, comunistas e progressistas sem que não haja autoritarismo. E a melhor maneira de convencer as pessoas de que elas precisam desse Estado gigantesco é evitando que elas pensem, argumentem e discutam. Em outras palavras, novilíngua nelas.

Nesta semana, o mundo se deparou com dois atentados terroristas perpetrados por muçulmanos radicais. A maior parte de nossa mídia, no entanto, preferiu usar a novilíngua para tentar manter as pessoas numa realidade alternativa. Isso fica muito claro quando observamos as manchetes sobre o atentado da Alemanha. A maioria dos portais de notícias usou como manchete variantes do texto “caminhão invade feira natalina e atropela dezenas em Berlim”, como se caminhões tivessem vida própria e saíssem atropelando pessoas por aí. Essa é a mesma técnica usada há tempos para descrever incidentes com armas de fogo – armas matam, armas disparam etc. –, como já mostrei em meu livro Mentiram para mim sobre o desarmamento. Depois, forçados a noticiar algo sobre quem estava ao volante, preferiram usar disfarces linguísticos do tipo “suposto atentado terrorista” e “supostamente ligado a grupos terroristas” em vez de retratar a verdade com clareza.

O mais interessante é que esse tipo de comportamento é seletivo: se a suspeita é de que um muçulmano está por trás de alguma tragédia, novilíngua; se o suspeito for ou parecer cristão, fatos crus e diretos. Foi assim há pouco mais de cinco anos, nos atentados de 22 de julho na Noruega. O responsável confesso, Anders Breivik, foi descrito em todas as reportagens e artigos como “terrorista cristão radical de extrema-direita”. Para deixar a comparação ainda mais interessante, basta um acesso aos arquivos digitais dos três maiores portais de notícias do Brasil, buscando as matérias sobre o ataque ao jornalistas do Charlie Hebdo, em Paris. Em todas elas, os terroristas muçulmanos radicais são tratados como “agressores” ou “extremistas” apenas – nada de grandes nomes compostos que deixem clara a religião ou a ideologia política dos mesmos.

A manipulação da verdade é pior que a simples mentira. Mentiras são facilmente identificáveis; verdades manipuladas e processadas passam despercebidas aos olhos da maioria das pessoas, e a linguagem com que são escritas é incorporada paulatinamente pela população. Quando Thomas Jefferson disse que “se me coubesse decidir entre ter um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria nem um momento em optar pela última”, ele tinha em mente o grande poder libertador de uma imprensa verdadeira. Gente sem escrúpulos e sem caráter vem usando esse poder para enfraquecer as bases e apodrecer as práticas do jornalismo. Cabe a nós fazer uso do mesmo poder para reiterar suas virtudes e combater as manipulações. É a única maneira de fomentar a liberdade.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Coragem?

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 9 de junho de 2016.

Outro dia estava jantando com nossos vizinhos, e surgiu o assunto das reclamações mal-educadas vindas de clientes. Minha vizinha, que é uma mulher sensível, disse que fica muito mal quando recebe reclamações ou e-mails ríspidos. Naquele mesmo dia eu havia recebido uma mensagem em meu contato desta coluna, e resolvi mostrar a ela, até mesmo para animá-la em relação às suas clientes. Ela chegou a corar de vergonha, de tantos palavrões e xingamentos que me foram enviados, e ao fim me disse: “Não sei como você consegue ler isso e não ficar arrasado. É por coisas assim que não tenho coragem de escrever o que penso”.

Esta frase de minha vizinha já me tinha sido dita por diversas outras pessoas, em mensagens de agradecimento e congratulações que costumo receber dos leitores desta coluna e de meus livros. E sempre foi uma coisa que me intrigou, pois nunca considerei um ato de coragem escrever algo, a não ser que seja alguém escrevendo contra os Castro em plena Cuba. Quando penso em coragem, a primeira coisa que me vem à mente são imagens dos soldados aliados na Normandia.

Enfim, pensei que o assunto daria um bom tema para esta coluna. E aqui estou, escrevendo exatamente o que penso num espaço nobre da mídia nacional (graças à Gazeta, que me dá total liberdade para isso). E eu penso o seguinte: a militância de esquerda dominou por completo o aparato educacional e midiático brasileiro nas últimas cinco décadas em parte por falta de gente inteligente e intelectualmente preparada que não tenha medo de dizer e escrever o que pensa. Infelizmente, os idiotas não costumam ter esse tipo de medo; eles são capazes de transmitir suas idiotices em cadeia nacional, se houver oportunidade, sem nenhuma vergonha ou receio de que suas palavras sejam mal interpretadas, criticadas ou combatidas. Já aqueles que ponderam suas afirmações, que pensam em como serão interpretados, que dão importância ao embasamento de seus discursos, estes muitas vezes preferem se calar a enfrentar possíveis críticas – tanto as genuínas e fundamentadas como as hidrófobas e irracionais – e com isso privam a sociedade de sua contribuição importante para o debate de ideias.

Mas o que há de tão temeroso em expor a própria opinião? Seria a reprovação dos que pensam de maneira diametralmente oposta? Ora, isso seria algo deveras irracional, já que pessoas com opiniões tão divergentes geralmente não fazem parte do grupo de pessoas que elegemos como as que mais nos importam na vida (em meu caso, minha esposa e meus melhores amigos). Bom, talvez seja a reprovação de nossos familiares; afinal, não escolhemos nossa família, e no meio dela pode haver muita gente que pensa bem diferente de nós. Mas isso também não seria um bom motivo, pois a família é justamente o grupo social onde o exercício da tolerância deveria prevalecer sobre o exercício da crítica. Resta o medo de ser criticado pelos pares, pelos que pensam da mesma forma, mas neste caso a crítica será provavelmente pontual, já que se compartilha um núcleo de valores, e pode ser benéfica ao indivíduo no fim das contas.

Não sendo possível explicar o medo de se expressar por motivos racionais, restam os motivos emocionais, que eu pessoalmente considero os únicos responsáveis pelo comportamento em questão. O fato é que a maioria das pessoas dá muito valor e importância ao que os outros pensam a seu respeito. Jamais me esquecerei de uma das primeiras aulas que ouvi do professor Olavo de Carvalho, na qual ele dizia que a única opinião que realmente nos importa neste plano terreno é o de nosso cônjuge. Afinal, é com ele ou ela que passaremos o restante de nossas vidas e, se faltar o respeito e a admiração no casamento, ele caminhará para o fracasso ou para a frustração. Filhos não precisam nos admirar, pais não precisam nos admirar, amigos não precisam nos admirar. Não estou dizendo que ser admirado é ruim – na verdade é bem gostoso –, mas a necessidade de ser admirado em si é algo ruim. Aquele que consegue se livrar do peso de ser aprovado pelos outros recebe em troca uma liberdade ímpar na vida, a liberdade de ser o que bem quiser e se expressar como bem entender. Vale a pena experimentar.

Quanto aos julgamentos, o único que realmente importa é o divino, e Deus não depende de ler suas palavras para conhecer seu pensamento.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

O mundo está chato mesmo

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 25 de fevereiro de 2016.

limoesO último comercial da Pepsi, em que dois limões reclamam da chatice mimizenta em vigor nos tempos atuais, é fantástico. Não só pelo humor irônico à disposição desde o primeiro segundo da peça, mas pelo poder de evidenciar o seu tema de forma tão viva: bastou sua veiculação para que os ofendidos de plantão, os paladinos do politicamente correto e todos os afetados por essa doença chamada vitimismo, fossem em seu combate.

No Twitter, comentários que vão desde moderados como “comercial de mau gosto” até absurdos doentios como “comercial da Pepsi > escravidão > Holocausto > 11 de Setembro” mostram que a temática da peça não só está corretíssima, mas que foi imediatamente aplicada a ela mesma. E a insanidade não parte apenas de alguns consumidores, mas também do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), que levará o comercial a julgamento por possível deboche e depreciação de minorias, mesmo não havendo nenhuma menção a nenhuma minoria, a não ser a dos limões, grupo social cujos membros, até o momento, não se pronunciaram sobre o assunto.

O politicamente correto é uma das grandes desgraças desta geração. Embora possa parecer, de início, algo sem muita importância ou sem consequências graves, a aplicação sistemática da mentalidade de proteger as pessoas de suas ditas fraquezas à custa das liberdades individuais, nas últimas décadas, resultou numa geração de incapacitados para a vida adulta real. Por vida adulta real entenda-se aquela em que a pessoa tem momentos de alegria e de sofrimento, passa por injustiças e também por situações justas, é amada e odiada, tem amigos e gente que não a suporta, recebe elogios e xingamentos, é exaltada e ridicularizada. Mas, para viver a vida adulta real, é necessário ser adulto de verdade, o que pressupõe uma autoconfiança suficiente para resistir às provas diárias e uma autoestima que leve à mais libertadora de todas as experiências humanas: rir de si mesmo.

Se as pessoas forem incapazes de suportar as dificuldades mais simples da vida, aquelas que podem ser resolvidas apenas com uma mudança de atitude própria, o que farão diante de situações realmente desafiadoras, como um colapso financeiro, uma doença grave, um divórcio ou uma morte na família? Se precisam ser protegidas até mesmo de palavras que não lhes são pessoalmente direcionadas, como enfrentarão ameaças reais às suas vidas? A resposta a essas perguntas é a própria razão da existência dos governos assistencialistas de esquerda: você não precisa ser autossuficiente nem autoconfiante, porque o Estado está aqui para cuidar de você. O Estado não deixará que ninguém o ofenda, que ninguém tire seu emprego, que ninguém ameace seu mundo perfeito de paz e felicidade. O problema é que, ainda que esse mundo “perfeito” fosse possível, seu preço – a supressão das liberdades individuais – seria alto demais. Mas a situação ganha ares de ficção científica diante de uma análise da realidade: em troca do confisco de suas liberdades e de seu dinheiro, o povo recebe um pedaço de papel de pão com os dizeres “prometo que tudo vai ficar bem”, assinado pelo papai Estado.

É papel importantíssimo dos pais a orientação para que seus filhos aprendam que não são vítimas, mas protagonistas com vontade própria; que não são indefesos, mas resistentes e resilientes; que não são dependentes de nenhum governo, mas capazes de criar riqueza e bem-estar com suas próprias mãos. E, acima de tudo, ensiná-los a… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Trocar o Cristianismo pelo Islamismo é um bom negócio?

religiaoCristianismo e Islamismo são sistemas religiosos com muitos pontos em comum: um deus único, onipotente, onipresente e onisciente, um rígido arcabouço moral, a crença da vida após a morte e de que as decisões da vida presente definem a vida pós-morte, entre outros. Dentro do arcabouço moral as similitudes continuam, e ambos condenam o aborto, a prática homossexual, a fornicação, o adultério, a eutanásia etc. Um estudo mais aprofundado revelará muitas outras semelhanças, mas também deixará claras as diferenças, das quais eu quero destacar duas de grande importância.

A primeira grande diferença entre o islamismo e o cristianismo, hoje, é a Jihad, ou guerra santa. Enquanto cristãos de todo o mundo professam sua fé sem pegar em armas, milhares de muçulmanos são membros ativos de grupos terroristas cujo único propósito de existência é assassinar os que trabalham contra sua fé, atacando pessoas inocentes para ferir seus “governos hereges” (como se isso fosse possível). Desafio o leitor a encontrar um grupo extremista cristão agindo hoje, em qualquer lugar do mundo, e logo depois tentar achar todos os grupos extremistas muçulmanos – nenhum dos desafios terá sucesso, o primeiro pela ausência desses grupos, e o segundo pela abundância dos mesmos.

A segunda grande diferença está na tolerância aos dissidentes de toda espécie. Em países de maioria cristã você pode não ser cristão e não respeitar os princípios do cristianismo, e nem mesmo o próprio cristianismo, sem nenhum medo de ser morto por isso. Assim, qualquer um pode ficar à vontade para falar mal do cristianismo, fazer piadas com Jesus e satirizar seus ritos e costumes, bem como para ser a favor do aborto, praticar atos homossexuais e professar outra religião. Experimente fazer qualquer destas coisas em um país de leis muçulmanas, e a questão da tolerância virá à tona imediatamente. Não se faz humor com o islamismo, nem piadas com Maomé, nem mesmo simples críticas à religião, e se sai impune. Quem não lembra de Salman Rushdie, escritor britânico que, após publicar o livro Versos Satânicos, foi acusado de blasfêmia pelos muçulmanos, a ponto de ter uma ordem de morte assinada pelo Aiatolá Khomeini, do Irã. Salman não morava em nenhum país muçulmano, mas mesmo assim teve que passar um bom tempo escondido para escapar da fúria assassina dos religiosos.

Mas enfim, qual é a razão de eu ter abordado esse assunto, neste blog? Se nosso tema principal é o desmascaramento da esquerda, por que falar sobre religião? Por um simples motivo: a esquerda tem sido constante e sistematicamente contra o cristianismo, bem como todas as minorias ativistas que lhe servem como massa de manobra, como feministas, gayzistas e abortistas. Eles retratam o cristianismo como um grande inimigo opressor, que os proíbe de ser felizes e plenos, e dedicam suas vidas a lutar contra esse “monstro terrível”, que em troca não lhes faz absolutamente nada. E é justamente por isso que é tão fácil bater nos cristãos: eles não revidam.

Alguns dias atrás uma mulher, ativista do Femen, entrou em uma igreja católica na França, com os seios descobertos, simulou um aborto e urinou no altar (veja artigo no G1). O padre fez somente o que a lei lhe permitia: registrar a ocorrência criminosa. Não houve retaliação por parte de nenhum grupo extremista cristão e nenhuma ameaça de morte. Aqui no Brasil houve alguma polêmica com o vídeo de natal do grupo humorístico Porta dos Fundos, onde toda a história do nascimento de Jesus é satirizada, e que causou indignação por parte de cristãos devotos, que no entanto não fizeram nada além de reclamar nas mídias sociais e em seus grupos de discussão.

Eu gostaria muito de ver a ativista do Femen entrando sem roupa numa mesquita para simular um aborto – ela não teria nem tempo de urinar, pois já teria sido impedida, e a caminho de um julgamento cujo resultado mais provável seria sua morte. Também gostaria muito de ver os comediantes do Porta dos Fundos fazendo um especial satirizando Maomé – passariam o resto de suas vidas se escondendo para continuarem vivos. É muito fácil protestar, agredir e satirizar quem não revida. Mas onde está a coragem da ativista do Femen e a independência humorística do Porta dos Fundos, quando o assunto é islamismo? Simplesmente não estão, não existem. E o mesmo se aplica aos gayzistas que investem contra as igrejas e às feministas que enfiam imagens de santos católicos em suas vaginas – estariam todos condenados se fizessem o mesmo contra os seguidores de Maomé.

Que as pessoas não se enganem: o mundo está muito longe de ser um lugar avesso à religião. Com a perseguição e destruição do cristianismo, o mais provável é que o islamismo tome cada vez mais seu lugar. E aí as liberdades individuais que tanto prezamos, e que permitem a esses “istas” sem noção se expressarem da maneira que bem entendem, serão suprimidas por algo muito mais rígido. O mundo do futuro próximo não parece nada desejável: ditaduras esquerdistas versus teocracias muçulmanas, ou, ser escravo do partido versus ser escravo da religião. É triste e trágico ver que os idiotas úteis que compõem a grande massa popular que nos cerca prefere destruir a religião mesma que lhes garante a liberdade, para então cair nas mãos de quem a odeia. Se isso não é ser muito burro, não sei o que é.

Black blocs mascarados reacionários da direita

solnikUm médico que acredita que o coração fica no abdômen, um engenheiro civil que calcula a quantidade de concreto em uma obra jogando búzios, um advogado que decorou apenas os diálogos do último gibi do Cebolinha – todos esses exemplos poderiam servir como analogias da maioria dos jornalistas brasileiros da atualidade. Foi isso que pude ver ontem em noventa minutos de Roda Viva, que poderia ter sido chamado de Roda Burra. O nível de alguns “jornalistas” que ali se encontravam era tão ruim que não seria um exagero chamá-los de analfabetos funcionais.

Para quem não viu, o músico e escritor Lobão foi o entrevistado de ontem no Roda Viva, exibido na Cultura todas as segundas-feiras a partir das 22h. Foi um programa bastante divertido o de ontem, com o Lobão cercado de comunistas (alguns mais exacerbados que outros), disparando suas pérolas em resposta a perguntas muitas vezes idiotas, e mostrando uma sinceridade ímpar em todo o tempo. Mas se a parte divertida e positiva foi ver Lobão defendendo com muita competência os princípios que eu tanto prezo, como as liberdades individuais, o livre mercado e a propriedade privada, a parte divertida e negativa foi ver pessoas que se chamam de jornalistas falarem besteiras sem tamanho, e sem vergonha na cara. Apenas Augusto Nunes, que mediava o programa, e Tiago Agostini, que manteve suas perguntas no âmbito cultural, pareciam não ter saído de um hospício. Aos demais só faltavam as camisas de força.

Adriana Couto, apresentadora do Metrópolis, baseou suas perguntas no último livro do Lobão, Manifesto do Nada na Terra do Nunca. O problema é que as perguntas que ela fez soam absurdas para quem leu o livro, como eu. O que me leva a concluir que: a) ou ela não leu o livro e fez perguntas baseadas apenas em resenhas ou trechos isolados, b) ou ela leu o livro e não conseguiu entender, mesmo sendo uma leitura relativamente fácil e de vocabulário simples. As duas opções são péssimas. Um jornalista não pode ir a um programa de entrevistas como o Roda Viva, decidido a perguntar sobre uma obra do entrevistado, sem ler a obra! Agora, se leu a obra e não conseguiu entendê-la, não pode ser jornalista! Acontece que no Brasil pode, infelizmente, e se tornou muito comum a presença de “profissionais” que não conseguem mais apreender o significado real das palavras quando leem um texto. Por isso os chamei de analfabetos funcionais, pois, quando tentam ler, captam apenas significados automatizados de palavras que lhes estimulam as áreas adestradas de suas mentes, e este processo é desprovido de uma análise racional, estando muito mais ligado ao adestramento cultural a que foram submetidos e do qual não conseguem se libertar.

Mas o ponto alto da noite ainda estava por vir, e teria de vir de Alex Solnik, que personificou a demência em seu mais alto nível, ao perguntar para Lobão sobre os Black Blocs e, antes mesmo da resposta do entrevistado, complementou com a frase que ficará para sempre gravada nos arquivos da televisão brasileira:

“Black Blocs são de direita, porque usam máscaras.”

Afora as boas gargalhadas imediatas que essa jumentice provocou em mim e em muitos outros que assistiam ao programa naquele momento, a realidade disso é muito triste. Como pode uma pessoa dessas ser chamado de jornalista e, pior, trabalhar em uma revista e ser chamado para um programa como o Roda Viva? O raciocínio deste senhor é mais fantasioso do que o de uma criança em idade pré-escolar. E sua frase mais idiota da noite corrobora a idiotice do restante de suas perguntas, um apanhado de chavões ideológicos desconexos, sem mencionar sua falta de polidez durante o programa.

Essas pessoas que ali estavam ocupam lugares em grandes órgãos da mídia nacional. Não seria um exagero supor que há muitos outros como eles espalhados por grandes jornais, revistas e programas de televisão. Na verdade, uma breve leitura dos principais portais de notícias brasileiros deixa muito claro que essa suposição já se comprovou como realidade. O que lemos, com poucas exceções, são textos pessimamente escritos, carregados de lugares comuns, pontilhados com palavras-gatilho, que são a ferramenta para atingir o único objetivo desses jornalistas militantes: disparar reações sub-racionais em seus leitores pelo uso massivo de chavões ideológicos e palavras de difícil conexão com a realidade.

A mim, diante de tal loucura do senhor Alex Solnik, me resta alertá-lo sobre alguns perigosos Mascarados Reacionários de Direita com os quais ele pode se deparar em algum momento. Cuidado com esses, Alex Solnik: Zorro, Lanterna Verde, Batman, Bloco de Carnaval de Salvador, Pilotos de Fórmula Um, Pilotos de Motovelocidade, Lutadores de Esgrima, Jogadores de Hóquei, Jason do Sexta-Feira 13, Fantomas, Tartarugas Ninjas e muitos outros.

O Papa é vermelho?

papa-francisco-ateusO Papa Francisco publicou ontem sua primeira exortação apostólica. E eu li o texto traduzido em português.

Antes de fazer qualquer comentário eu preciso dizer o que penso a respeito da Igreja Católica, que chamarei no restante do texto de IC. Para mim a importância da IC nas atuais circunstâncias em que vivemos é de uma magnitude muito grande. O mundo está se tornando mais vermelho e menos livre, e o esquerdismo, cujo objetivo é tornar esse planeta em um grande governo comunista para todos, vem ganhando terreno em muitas nações. Os valores da direita são ameaçados e confrontados todos os dias por políticos, ativistas e militantes da esquerda, os criadores dos “ismos” – feminismo, racismo, gayzismo etc. – que tanto dividem as sociedades e minam o poder de reação das pessoas.

Além disso, é um mundo onde o próprio cristianismo vem sendo combatido veementemente, com uma intolerância ímpar. O cristianismo é hoje a religião mais combatida do mundo, mesmo sendo a mais tolerante de todas. Nos países de maioria cristã os gays podem ser gays, as mulheres podem ser mulheres, os muçulmanos podem ser muçulmanos, sem medo de morrer por isso. Já nas nações islâmicas os gays são assassinados, as mulheres são discriminadas e os cristãos são perseguidos, e ainda assim não há um esquerdista que seja contra o islamismo. Pelo contrário, eles soltam suas vozes nos países democráticos e de herança judaico-cristã, lugares onde podem falar à vontade, pois sua liberdade de expressão é garantida, com seus discursos cheios de ódio por essa mesma liberdade que os garante vivos. É o caso mais absurdo de auto-contradição da história humana.

É nesse mundo que eu vejo a necessidade de uma instituição como a IC. A herança judaico-cristã, que ainda garante a uma parcela da população mundial a liberdade de expressão e os direitos à vida, à propriedade privada e à individualidade, é fruto direto da IC e de sua historia na Terra, bem como o são as universidades, hospitais e tantas outras belas contribuições que a IC fez à humanidade. Essa instituição gigantesca, presente em tantos lugares, capilarizada em pequenas congregações, atingindo populações de todas as classes sociais e níveis intelectuais, possui uma capacidade geradora de mudanças como nenhuma outra instituição individual no mundo. E agora, numa hora em que o mundo enfrenta a ameaça de uma era de trevas, o Papa, representante maior da IC, em vez de se posicionar contra o marxismo e suas consequências nefastas, prefere compor um discurso de viés esquerdista, atacando o livre mercado e deixando o verdadeiro inimigo de fora de sua análise. Vejamos alguns trechos:

Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata. ” – o que é isso Papa??? O que matou mais no século passado, a “economia de exclusão” ou os ditadores comunistas sanguinários? Onde se morre mais, na Cuba da igualdade da pobreza ou nos Estados Unidos da desigualdade da riqueza?

Neste contexto, alguns defendem ainda as teorias da «recaída favorável» que pressupõem que todo o crescimento econômico, favorecido pelo livre mercado, consegue por si mesmo produzir maior equidade e inclusão social no mundo. Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos fatos, exprime uma confiança vaga e ingênua na bondade daqueles que detêm o poder econômico e nos mecanismos sacralizados do sistema econômico reinante.” – de novo Papa? Que fatos são esses a que se refere? Parece que o senhor não estudou as estatísticas mundiais que mostram que, quanto mais livre a economia de uma nação, maior é a qualidade de vida das pessoas. Se isso não é confirmação de que o livre mercado é bom, o que mais o senhor precisa para mudar sua opinião? E onde está escrito que as pessoas precisam ser iguais no sentido econômico do termo? Em qual parte da teologia católica o senhor se estriba para afirmar isso?

Neste sistema que tende a fagocitar tudo para aumentar os benefícios, qualquer realidade que seja frágil, como o meio ambiente, fica indefesa face aos interesses do mercado divinizado, transformados em regra absoluta.” – era só o que faltava, Papa. O senhor também virou ativista ambientalista? Quais estudos os senhor consultou para dizer que o meio ambiente é indefeso contra os interesses do mercado? Aliás, quando o senhor chama o meio ambiente de “realidade frágil”, o que quer dizer com isso? Afinal, muito dessa fragilidade parece ter sido desmascarada pelos mais diversos cientistas no mundo inteiro, que têm desmentido as previsões cataclísmicas que foram feitas na última década, as quais se mostraram todas erradas.

Hoje, em muitas partes, reclama-se maior segurança. Mas, enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos será impossível desarreigar a violência.” – poxa Papa, agora o senhor me deixou triste. Invocar o besteirol de que a violência é fruto da desigualdade foi um golpe baixo. O senhor não entende que a exclusão e a desigualdade são intrínsecas das sociedades humanas, e que somente no paraíso pós-morte é que há alguma chance dessa condição ser erradicada? O senhor não vê que os homens que lutaram pelo fim dessa desigualdade através da implantação de uma “sociedade justa” foram os que mais mataram seres humanos em toda a nossa história?

Bom, o texto é muito longo, e esses são apenas alguns trechos que me deixaram realmente preocupado com o posicionamento deste Papa. Para mim é uma grande decepção que o líder máximo da única instituição com massa suficiente para ofuscar a escalada comunista seja tão “vermelho” em sua primeira exortação. Esse posicionamento tão antagônico ao livre mercado e ao capitalismo salta aos olhos, e acaba por ofuscar o restante do texto, que contém parágrafos excelentes sobre outros temas importantes.

Só o tempo dirá se esse Papa fala realmente em nome de Deus.

Eu odeio o PT

foraptJosé Genoíno, ao ser levado preso, gritou com os punhos cerrados: “Viva o PT!”

Pois eu digo, com toda a sinceridade: eu odeio o PT.

Eu odeio o PT porque é um partido que representa o que há de pior na política elevado à décima potência: político do PT rouba para perpetuar o partido no poder, e mesmo quando condenado não admite a culpa, mas tem coragem de inventar teorias conspiratórias absurdas para se justificar, esquecendo-se de que a explicação mais simples é sempre a que tem a maior probabilidade de ser verdadeira.

Eu odeio o PT porque é o partido que nos deu Lula, Dilma, Dirceu, Genoíno, Delúbio, Marco Aurélio Garcia, Ruy Falcão e outros canalhas imorais, criminosos e vilões da república das bananas do Brasil.

Eu odeio o PT porque tudo o que sai de seus quadros de políticos, e toda a sua ideologia, vai de encontro a tudo o que eu mais prezo e admiro no mundo – não há sequer uma iniciativa, ideia ou proposta que essa agremiação de psicopatas tenha criado que seja boa para os brasileiros, pois quando algo parece bom, ainda que a olhos ingênuos, carrega consigo uma vasta lista de subprodutos propositais que servem aos propósitos mais maquiavélicos e diabólicos.

Eu odeio o PT porque eu amo a liberdade, e PT e liberdade não podem existir juntos.

Eu odeio o PT porque eu sou a favor da vida, e o PT prega o assassinato de bebês, defende os “direitos” dos bandidos e assassinos e tem parte com as organizações de narcotraficantes mais perniciosas do continente, como as FARC e o PCC.

Eu odeio o PT porque creio que a educação intelectual que fomenta o pensamento crítico e criativo é a melhor ferramenta para livrar as pessoas da doutrinação ideológica, justamente o contrário do que o PT faz, que é pegar nossas crianças e torná-las, desde muito jovens, dependentes de alguém que lhes diga o que pensar e em que acreditar.

Eu odeio o PT porque aprendi que deveria amar a verdade e a odiar e combater toda a mentira, e o PT é uma grande mentira, talvez a maior que já tenha sido contada aos brasileiros em toda a sua história.

Eu odeio o PT porque é um partido que idolatra assassinos como Fidel Castro, Stálin, Lênin, Che Guevara e Mao Tsé-Tung, chegando ao ponto de dizer que os milhões de mortos deixados por esses psicopatas são um mal necessário para a causa que defendem.

Eu odeio o PT porque em suas bandeiras só se vê o culto à mediocridade e o desprezo ao talento, a recompensa ao crime e o ódio à virtude, e a personificação da vitória da ignorância nos dois presidentes mais incompetentes da história brasileira, Lula e Dilma.

Resumindo bem, EU ODEIO O PT.