Mandela: mais um ícone da esquerda

mandelaMorreu ontem Nelson Mandela, e os brasileiros demonstraram, nas mídias sociais e na mídia em geral, o quanto são capazes de construir sua “opinião” com base em meia dúzia de notícias alardeadas em telejornais e posts sentimentais de Facebook, ignorando por completo os fatos históricos e a situação atual da África do Sul.

Nelson Mandela foi preso por um motivo muito simples: ele era um terrorista a serviço do comunismo. Ele foi o líder fundador da força de guerrilha da ANC, conhecida como MK, organização autora de centenas de assassinatos, incluindo atentados covardes com bombas em lanchonetes, igrejas, bares e outros lugares cheios de civis inocentes. Quando finalmente foi levado a julgamento, as acusações não foram pequenas: “A preparação, manufatura e uso de explosivos, incluindo 210 mil granadas de mão, 48 mil minas antipessoais, 1.500 bombas-relógio, 144 toneladas de nitrato de amônio, 21,6 toneladas de pó de alumínio e uma tonelada de pólvora negra”.  São nada menos que 193 acusações relativas a atos de terrorismo cometidos entre 1961 e 1963. Seu julgamento foi feito com transparência, pelo sistema judiciário normal, com a presença de observadores internacionais. Sua sentença foi de trinta anos de prisão, muito menor do que a de muitos assassinos em menor escala – nos Estados Unidos uma pena de homicídio pode facilmente chegar a perpétua ou mesmo de morte.

Em 1985 foi-lhe oferecida a liberdade em troca de sua declaração de repúdio pelo terrorismo – oferta recusada pelo senhor Mandela, que preferiu continuar preso e fabricar sua beatificação do que admitir que o que havia feito era repugnante e errado. Depois de trinta anos pagando pelos seus erros, esse senhor foi catapultado pela mídia esquerdista à condição de guerreiro incansável pela paz. Mas ele jamais deixou de lado suas convicções, as mesmas que o levaram a cometer os atos terroristas e que sempre o definiram como um comunista engajado. Mandela nunca foi bonzinho, e o fato de que tenha ficado na prisão por trinta anos não o credencia a ser um santo salvador. Muito pelo contrário: após sua libertação e seu retorno à política sul-africana, o país entrou num processo de degradação social acentuado: o número de sul-africanos miseráveis, ou seja, vivendo com menos de um dólar por dia, dobrou entre 1991 e 2002, de dois milhões para quatro milhões de pessoas. O desemprego aumentou 48% no mesmo período, e a criminalidade atingiu níveis absurdos.

E a questão racial? Bom, ela com certeza piorou bastante. A organização Genocide Watch, que faz um trabalho fenomenal, monitorando os casos ativos de genocídio no mundo, denuncia o assassinato cruel de mais de setenta mil brancos sul-africanos nos últimos anos, números que tornam esse grupo étnico o mais perseguido do mundo atual: para cada 100.000 brancos sul-africanos, 310 são mortos todos os anos, simplesmente pela cor de sua pele, pois são na maioria agricultores indefesos, mulheres e crianças. Os relatos são de uma crueldade inimaginável, com tortura e mutilação de crianças, ateamento de fogo em famílias inteiras e outras práticas indescritíveis. Quem quiser conhecer um pouco mais do que está acontecendo a essas pessoas deve acessar o site Afrikaner Gonocide Museum – as imagens falam por si. Nunca na história do Apartheid os negros foram assassinados com tamanha brutalidade e frieza. Lógico que isso não justifica o Apartheid, regime cuja queda constitui na única boa ação de Mandela, mas muito menos justificável é o que acontece hoje na África do Sul.

Diante de tudo isso, exaltar Mandela como um bravo combatente pela paz mundial é não querer aceitar a verdade, que é muito mais dura. É avalizar o comportamento deste terrorista comunista, que deixou um legado de mortes e uma África do Sul adoecida com o racismo. O comunismo nunca foi bom em nenhum lugar onde existiu, e não seria na África do Sul, cada vez mais próxima de se tornar a Cuba do continente africano, que isso seria diferente.

Dizem que vaso ruim não quebra. Esse quebrou.

Adição de última hora: depois de reler meu texto algumas vezes e de ler a opinião de diversas pessoas a respeito, tenho que fazer uma retratação. Não quero deixar a falsa impressão de que o Apartheid foi um regime sequer perto de bom. Mandela tem o mérito de uma luta árdua contra esse regime, fato que não pode ser deixado de lado. E o racismo que continua a assolar a África do Sul não pode ser creditado somente ao governo de Mandela.