Tarde demais

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 1 de dezembro de 2016.

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Fico sabendo de um colega que acaba de voltar de Cuba. Suas palavras: “Não dá para descrever muito bem o que vi. Não tive coragem de fotografar a casa deles porque era algo degradante demais. Um animal de zoológico tem uma vida mais digna, com certeza”. A experiência parece tê-lo marcado para o resto da vida. Ele resolveu não ficar apenas na área turística de Havana – foi ver como vivem os cubanos de verdade, algo muito diferente do que nossa esquerda festiva prega por aí. E essa história está longe de ser um caso isolado ou único. O escritor Patrick Symmes publicou, em 2010, um relato detalhado, impressionante e desolador sobre os 30 dias em que viveu como um cubano. Letters From Havana – Thirty Days as a Cuban é uma história que convida ao choro e à revolta.

A Cuba de Fidel é essa. É a Cuba dos paupérrimos, dos famintos, dos assassinados, dos escravos, das adolescentes prostitutas e dos presos políticos – uma ilha da qual se foge, mas para a qual ninguém quer fugir. É a Cuba dos quase 6 mil fuzilamentos ordenados pelo regime castrista. É a Cuba de um povo miserável que viveu 49 anos sob a mão cruel de um ditador multimilionário.

Diante de um regime como esse, que só fez por destruir o país e escravizar seu povo, qual é o sentido de se enviar um representante oficial ao velório de Fidel Castro? A que ponto chegou a falta de coragem dos “estadistas” de hoje, para que não se constranjam em participar desse ritual macabro, uma homenagem a um dos homens mais diabólicos que já pisou neste mundo?

No Brasil, nossos políticos não deixaram por menos. Aécio Neves chamou Fidel de “grande líder” e de “afável no trato e eloquente, (…) que deixa o legado do sonho por uma sociedade igualitária”. Renan Calheiros lamentou sua morte e disse que ele “marcou a história mundial” e que “posições políticas diferentes, desde que respeitados os valores democráticos, contribuem para enriquecer nossa história”. Fernando Henrique Cardoso disse que Fidel simbolizava a luta dos pequenos contra os poderosos. Lula disse que perdê-lo foi como perder um irmão. Rodrigo Maia disse que é preciso reconhecer a importância de Fidel para o povo de Cuba.

Enquanto isso, todos os que se compadecem do povo cubano e que sonham com um pouco de justiça neste planeta esperavam por uma declaração como a de Donald Trump, que chamou Fidel de “ditador brutal que oprimiu seu povo por quase seis décadas”, cujo legado compõe-se de “pelotões de fuzilamento, roubos, sofrimentos inimagináveis, pobreza e negação dos direitos humanos”.

Como é difícil para a esquerda reconhecer seus erros. Mesmo diante de uma realidade bem conhecida e documentada, insiste em tentar disfarçar a feiura de suas crias, protegendo assassinos e louvando ditadores. Pouco lhe importa a tragédia de um povo, desde que seja preservada a narrativa utópica da busca pela igualdade e da revolução do proletariado contra a burguesia. O proletariado tem de se virar com meio ovo por dia? Tudo bem. O trabalhador tem de viver com US$ 15 por mês? Não tem problema. O governante magnânimo está na lista dos homens mais ricos do mundo? Não importa. Afinal, esse homem santo lutou contra os ianques e libertou sua nação do imperialismo americano. Salve, Fidel.

Eu prefiro viver na realidade e ficar em paz com a morte de alguém tão desprezível assim. O meu planeta amanheceu melhor no dia seguinte à morte de Fidel. Os meus amigos de ascendência cubana também pensam dessa maneira, e seus pais viveram a desgraça do castrismo na pele. Estão todos felizes e comemorando.

Adeus, Fidel. Já foi tarde demais.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Eu odeio o PT

foraptJosé Genoíno, ao ser levado preso, gritou com os punhos cerrados: “Viva o PT!”

Pois eu digo, com toda a sinceridade: eu odeio o PT.

Eu odeio o PT porque é um partido que representa o que há de pior na política elevado à décima potência: político do PT rouba para perpetuar o partido no poder, e mesmo quando condenado não admite a culpa, mas tem coragem de inventar teorias conspiratórias absurdas para se justificar, esquecendo-se de que a explicação mais simples é sempre a que tem a maior probabilidade de ser verdadeira.

Eu odeio o PT porque é o partido que nos deu Lula, Dilma, Dirceu, Genoíno, Delúbio, Marco Aurélio Garcia, Ruy Falcão e outros canalhas imorais, criminosos e vilões da república das bananas do Brasil.

Eu odeio o PT porque tudo o que sai de seus quadros de políticos, e toda a sua ideologia, vai de encontro a tudo o que eu mais prezo e admiro no mundo – não há sequer uma iniciativa, ideia ou proposta que essa agremiação de psicopatas tenha criado que seja boa para os brasileiros, pois quando algo parece bom, ainda que a olhos ingênuos, carrega consigo uma vasta lista de subprodutos propositais que servem aos propósitos mais maquiavélicos e diabólicos.

Eu odeio o PT porque eu amo a liberdade, e PT e liberdade não podem existir juntos.

Eu odeio o PT porque eu sou a favor da vida, e o PT prega o assassinato de bebês, defende os “direitos” dos bandidos e assassinos e tem parte com as organizações de narcotraficantes mais perniciosas do continente, como as FARC e o PCC.

Eu odeio o PT porque creio que a educação intelectual que fomenta o pensamento crítico e criativo é a melhor ferramenta para livrar as pessoas da doutrinação ideológica, justamente o contrário do que o PT faz, que é pegar nossas crianças e torná-las, desde muito jovens, dependentes de alguém que lhes diga o que pensar e em que acreditar.

Eu odeio o PT porque aprendi que deveria amar a verdade e a odiar e combater toda a mentira, e o PT é uma grande mentira, talvez a maior que já tenha sido contada aos brasileiros em toda a sua história.

Eu odeio o PT porque é um partido que idolatra assassinos como Fidel Castro, Stálin, Lênin, Che Guevara e Mao Tsé-Tung, chegando ao ponto de dizer que os milhões de mortos deixados por esses psicopatas são um mal necessário para a causa que defendem.

Eu odeio o PT porque em suas bandeiras só se vê o culto à mediocridade e o desprezo ao talento, a recompensa ao crime e o ódio à virtude, e a personificação da vitória da ignorância nos dois presidentes mais incompetentes da história brasileira, Lula e Dilma.

Resumindo bem, EU ODEIO O PT.

Um país sem heróis

Liga-da-Justiça1Alguma vez você já parou para pensar que todos os heróis da ficção que conhecemos foram criados fora do Brasil? Batman, Super-Homem, Homem-Aranha, Thor, Hulk, Homem de Ferro, os X-Men, e a lista continuaria por páginas, sem um herói brasileiro sequer. Isso diz muito sobre a nossa mentalidade como povo, e também tem relação com as ideologias esquerdistas que têm dominado o cenário nacional.

A direita, historicamente, sempre acreditou que o homem não é um ser bonzinho, e que, independentemente do contexto onde nasce e é criado, ele carrega consigo a imperfeição e a corrupção moral, de tal forma que suas capacidades intelectuais não são suficientes para livrá-lo da possibilidade do erro. Já a esquerda tem um discurso bastante diferente, de que o homem é corrompido pela sociedade em que nasce e é criado, e que por isso bastaria construir uma sociedade “perfeita” para que dali em diante os homens não mais se corrompessem. É a base do comunismo: criar uma coletividade utópica para que a individualidade morra.

E o que isso tem a ver com não termos heróis? Tem muito a ver! Um esquerdista não precisa de heróis, porque para ele um herói é alguém que contribua ativamente para que o mundo seja transformado no que ele acredita ser o certo, independentemente das ações que esse “herói” tenha tomado para viabilizar essa transformação (ou o famoso “os fins justificam os meios”). É por isso que os esquerdistas idolatram assassinos, estupradores, genocidas e canalhas em geral, como Lênin, Stálin, Che Guevara, Fidel Castro etc. Para qualquer pessoa que tenha um mínimo de bom senso e respeito pela vida humana, imaginar que uma pessoa que tenha causado a morte de milhares, às vezes milhões, de pessoas possa ser chamado de herói tão somente porque possibilitou a revolução comunista, e que esses mortos todos são “ossos do ofício”, casualidades no caminho de um bem maior, é algo inconcebível e inimaginável.

Enquanto os heróis da ficção são capazes de se doar pela humanidade, de sofrer e lutar até a exaustão completa por uma única vida, os heróis da esquerda fuzilam quem quer que apareça entre eles e seus planos revolucionários. E mais: o conservador de direita assiste aos filmes de heróis e lê suas histórias, e se inspira com os atos de nobreza. O esquerdista lê sobre seus heróis assassinos e vibra com a morte dos anti-revolucionários. Enfim, é uma diferença tão grande como céu e inferno, como bem e mal, como luzes e trevas. E se você está achando que eu estou comparando a esquerda com as trevas, você acertou. A esquerda é o fim da humanidade livre, é o fim da virtude, é a banalização da vileza e o culto à maldade.

E como ficamos aqui no Brasil? Num país onde o governo foi entregue à esquerda, mas o povo continua sendo conservador em sua grande maioria, a busca por heróis nunca cessa. Infelizmente ela acaba sendo feita na base da fé nos homens públicos. Quem não se lembra, no auge do julgamento do Mensalão, do número de postagens no Facebook que pediam que Joaquim Barbosa se candidatasse? Sim, ele foi o nosso herói de 2013, aquele que acendeu uma pequena chama de esperança no coração de tantos brasileiros. Infelizmente ele não tinha poderes especiais, e foi decepção completa o que os brasileiros sentiram naquela dia fatídico, 18 de setembro de 2013, quando os mensaleiros conseguiram o que queriam através do voto do ministro Celso de Mello. Se Joaquim Barbosa foi nosso Super-Homem por alguns dias, Celso de Mello cumpriu muito bem seu papel de Lex Luthor.

Brasil, a Liga da Injustiça.