Minha família, minha vida

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 18 de fevereiro de 2016.

A busca por sucesso é uma coisa brutal na vida da gente. O materialismo em que vivemos faz qualquer conquista ser ofuscada pela conquista maior do cara ao lado. Perdi a conta das vezes em que me sentei para analisar meu “nível de sucesso” e me peguei lamentando porque não consegui chegar tão longe como alguns amigos de faculdade, me sentindo um fracasso. E não estou falando aqui daquele sentimento horroroso de autopiedade; estou falando de um sentimento real (embora seu fundamento seja um tanto fantasioso) que vem da comparação unilateral de alguém com seus pares. Quando conquistar coisas se torna um objetivo primário de vida, basta uma decisão equivocada para que você passe o resto de seus dias com um espinho enfiado no pé, o arrependimento amargo do “se eu tivesse feito diferente”.

Uma outra consequência deste frenesi por sucesso material é o que eu chamo de egoísmo estéril. Quem coloca o eu acima de tudo certamente não tem espaço para os outros em sua vida, e os relacionamentos acabam subordinados às necessidades e exigências da vida profissional, tornando-se improdutivos e inférteis. Não é incomum que pessoas com essa inclinação acabem atrasando casamento e filhos ao máximo. Meu caso foi um híbrido: casei-me cedo, mas adiamos os filhos por 11 anos. Adiamos tanto que não os tivemos – o casamento terminou antes. Na verdade, tinha tomado a decisão de não ter filhos, e mesmo quando conheci minha atual esposa, já com 36 anos, ainda insistia que não os queria, o que só favoreceu nossa união, pois ela não queria nem ouvir falar de bebês. Mas, por razões que hoje me parecem muito mais espirituais do que intelectuais, decidimos fabricar um molequinho aqui nos Estados Unidos, e tudo aconteceu muito rapidamente: com apenas um mês tentando a Alê engravidou, e oito meses atrás nosso pequenininho nasceu.

filhosHoje, olhando para trás, para o que já vivi, me sinto na obrigação de usar este espaço nobre que tenho para dar um conselho a cada um dos jovens ambiciosos que acompanham esta coluna: não espere até os 40, como eu, para ter filhos. Sei que você acha que tem de esperar o momento certo, que filho deve ser algo planejado e feito quando as condições são ótimas, que antes do filho vem sua faculdade, sua pós, suas primeiras promoções e a compra do seu apartamento, e que somente com o alinhamento dos planetas e a saída do PT do poder você deve começar a pensar neles. Esqueça isso. Quem espera as condições mais do que ideais para ter um filho acaba tendo somente um cachorro ou um gato, e olhe lá. Quem me dera poder ter sido pai antes dos 39. Hoje, olhando para meu filhinho, penso no homem que serei quando ele tiver seus 30 – estarei quase nos 70. Se ele fizer como eu, pouco viverei com meus netos.

Ter filhos é algo que muda sua vida muito mais do que você pensa. E não pense que muda para pior, de modo algum. É algo que te dá equilíbrio, que faz um contrapeso ao seu egoísmo e egocentrismo; é uma alegria sem igual, e uma realização ímpar. Se alguém chegar e falar tudo isso sobre qualquer outra coisa, é bem capaz de que a coisa vire moda – como depois que o movimento de liberação sexual ganhou espaço e muita gente resolveu dar vazão às próprias taras com o alívio da aceitação pública –, mas quando o assunto é família e filhos, não há conselho, testemunho ou declaração que reverta a péssima tendência de baixa de natalidade e alta nos divórcios.

O Ocidente está morrendo por causa disso. Substituir famílias saudáveis por uma cultura de satisfação sexual desenfreada e estéril está entre as piores decisões que poderíamos ter tomado. A Europa, por exemplo, parece não perceber que sua taxa de natalidade seis vezes menor que a dos imigrantes muçulmanos causará uma mudança radical de perfil populacional em menos de 20 anos. Franceses, espanhóis, alemães e suecos, entre outros, serão minoria em seus próprios países; sua cultura será enterrada.

Não é surpresa que a esterilidade da alma tenha se traduzido em esterilidade física. Quanto mais pensamos em nós mesmos, em nos satisfazer, em alcançar a felicidade e o sucesso, em ser mais, em ter mais, menos nos lembramos de todos ao nosso redor. Prazer, prazer e mais prazer, e nada de sacrifícios ou de enfrentar dificuldades por alguém que não seja eu mesmo: esse lema é nossa ruína. A crise que passamos é de proporções bíblicas, daquelas em que um profeta chegava e dizia “Arrependei-vos, ou a fúria de Deus cairá sobre vós”. A fúria de Deus, em nosso caso, é tão somente o conjunto de resultados de décadas de afastamento da moral judaico-cristã, do caminhar firme em direção à autossatisfação, da busca incessante pelo prazer a todo custo e pela animalização do ser humano. Não deixa de ser irônico que aqueles defendendo que sejamos mais “animais”, que cedamos aos nossos instintos, esqueçam-se de que o mais “animal” dos instintos é o da procriação, o de gerar filhos.

Enfim, o assunto é suficiente para um livro inteiro, e eu já excedi o espaço da coluna. A vida é muito mais bonita e com significado com filhos. Sem sentimentalismo, sem chororô, é a mais pura verdade. Minha família, minha vida.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Família é tudo

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 19 de novembro de 2015.

Uma das metas principais dos movimentos e doutrinas de esquerda é acabar com a família – aquela em que um homem se casa com uma mulher e os dois têm um ou mais filhos – através das mais diversas intervenções de engenharia social. Essas intervenções são feitas sempre sob a justificativa da “modernização”, e incluem o feminismo, a revolução sexual, a banalização do divórcio e o gayzismo. O método de abordagem é sempre o mesmo: em nome de uma suposta luta por justiça, todos os paradigmas são quebrados e rompe-se de forma irreconciliável com a tradição histórica; esses rompimentos são cada vez mais constantes, para tradições cada vez menos sedimentadas.

familia-12No feminismo, a suposta luta inicial era contra os abusos de uma sociedade patriarcal, em que as mulheres eram supostamente infelizes e levavam uma vida supostamente sem sentido. Quando digo “supostamente”, é porque nenhuma fundamentação filosófica do feminismo tomou como base a observação da realidade – não há uma pensadora feminista sequer que tenha conseguido demonstrar que a maioria das mulheres vivia infeliz, embora muitas tenham tentado enganar o mundo com pesquisas forjadas, dados manipulados e uma prática comum de tentar explicar suas frustrações particulares com teorias generalistas.

De maneira semelhante veio a revolução sexual. A base desta foi o Relatório Kinsey, um dos trabalhos mais fraudulentos e mentirosos já feitos na história da ciência. Kinsey, um homem extremamente depravado, adepto de práticas que ainda hoje são consideradas absurdas, queria provar que a maioria das pessoas era como ele, e que a liberação sexual completa era a única maneira de livrá-las de uma existência frustrada e desprovida de satisfação. Mesmo tendo seu trabalho posteriormente desmascarado, fez um estrago enorme na sociedade ocidental, elevando a importância da sexualidade na vida humana a um nível tal que nos fez parecer animais irracionais, que simplesmente não conseguem refrear seus desejos com o intelecto.

A banalização do divórcio foi, por assim dizer, um golpe de misericórdia na família. Com o feminismo posto em prática e a revolução sexual em pleno andamento, faltava uma maneira fácil de se acabar com o casamento civil, algo que não exigisse o trabalho de se provar a infidelidade ou a violência do cônjuge. Um a um, os países foram reformando suas leis e passando a permitir o divórcio de maneiras cada vez mais fáceis – casem-se quando, como e quantas vezes quiserem; vivemos para ser felizes e não é um marido ou uma esposa que vão acabar com isso: esta é a mensagem do casamento moderno e do mundo moderno, onde esforço, luta e resiliência são palavras sem conexão com a vida real.

Por último, veio o movimento gayzista, que prega a vida homossexual como a vanguarda do desenvolvimento humano, e o faz contrariando nove em cada dez homossexuais, que querem somente viver em paz e sem ninguém para julgá-los, sem a menor intenção de impor sua sexualidade sobre o restante do mundo.

Mas voltemos à família. A intenção inicial deste texto era simplesmente exaltar essa instituição fantástica que sustenta a presença humana neste planeta. Até recentemente eu não tinha formado minha nova família nuclear; estava casado, mas sem filhos. Com o nascimento de meu primogênito, pude finalmente entender plenamente o que é ter família. E, ao entender isso, me entristeci ainda mais com um mundo que parece buscar somente o pior, que mata bebês sem remorso, que despreza o laço matrimonial e que considera o homem apenas mais um animal selvagem vagando sobre a terra. Ainda bem que nesses momentos tenho a minha família. Eles são um pequeno paraíso ao meu redor.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Tudo pela família, nada pelo Estado

familiaO mundo ideal de um esquerdista é algo muito triste e horrível de se imaginar. Nele as crianças não nasceriam mais do relacionamento entre um homem e uma mulher – seriam sintetizados a partir do DNA de dois homens ou de duas mulheres. As famílias também não existiriam mais, pois desde o nascimento o Estado tomaria as crianças para si e cuidaria de sua criação e educação. A liberdade de expressão não seria possível, pois todo exercício de livre pensamento seria classificado como crime contra a boa ordem da sociedade. A fé religiosa seria substituída pela adoração dogmática e incondicional ao Partido, e todas as pessoas viveriam num estado constante e eterno de mediocridade, patrocinado porcamente pela única classe dominante que restou, a cúpula do Partido.

Por mais improvável e inacreditável que pareça, existem muitas pessoas que, ao lerem o parágrafo acima, terão orgasmos múltiplos só de se imaginarem vivendo em tal mundo. A subversão moral e cultural que vem sendo aplicada desde há mais de três décadas em nosso país, no maior experimento gramscista de que se tem notícia na história, tem produzido uma classe de pessoas que se destaca por uma característica única e abominável: a negação da humanidade do ser humano.

A descoberta recente de uma página do Facebook chamada Marcha Contra a Família me mostrou um pouco do que são essas pessoas que negam a nossa humanidade. A página apresenta como subtítulo a seguinte frase:

Movimento pela subversidade contra os valores tradicionais da família, contra a moral e os bons costumes

São mais de sete mil pessoas que acompanham e apoiam postagens esdrúxulas e irracionais, recheadas de ódio à mais humana e ao mesmo tempo mais divina de todas as realizações do homem, a família. A tiracolo vêm a desqualificação da moral, a apologia à baixeza, o culto à mediocridade e o desprezo por tudo o que possa ser considerado nobre, clássico, estético ou bonito. É um pequeno exemplo do grande objetivo da esquerda – destruir todas as bases sobre as quais nossa história foi construída, na tentativa insana de criar uma nova sociedade da qual a grande maioria das pessoas não gostaria de fazer parte. É uma sociedade pensada e planejada por uma minoria de psicopatas e lunáticos para escravizar uma maioria de pessoas que querem somente viver em paz.

O ataque à família é e sempre foi a prioridade máxima das doutrinas de esquerda. A identificação de seu maior inimigo tem um quê de genialidade diabólica: os esquerdistas aprenderam desde muito cedo que são poucas as forças contra as quais vale a pena lutar, e a maior delas continua sendo a família. A família reúne em si as melhores qualidades animais do homem, ao mesmo tempo que dá vazão ao que há de mais divino em cada um de nós. É pela união biológica de um homem e uma mulher que são criados novos homens e novas mulheres. E é justamente essa criação, de um ser que nasce totalmente dependente de seus pais, que excede o ser animal e adentra o ser humano. Formar uma família é plantar a imortalidade, é criar o futuro, é mudar para sempre o destino do mundo. Não se forjam grandes homens no isolamento macabro da utopia comunista, e sim no seio da família tradicional.

O deserto moral da esquerda é como qualquer outro deserto. Em terras áridas quase nada sobrevive, o que sobrevive geralmente rasteja, e a beleza é exceção. Quando o homem se priva da moralidade, quando abre mão de princípios importantes sobre os quais foram erguidos os pilares de sustentação da sociedade, o efeito é como o de um jardim privado de água: com o tempo a beleza das flores começa a desaparecer, e as plantas mais vistosas acabam por morrer; em seu lugar brotam outras, espinhosas e resistentes à falta de água. Estas irão sobreviver até que a última gota d’água seja sugada do solo seco. Quando este momento chegar, não haverá mais nenhuma vida.

Se deixarmos nossas vidas serem comandadas politicamente por psicopatas de esquerda, que é nossa realidade hoje, o processo de desertificação de nosso mundo prosseguirá de forma acelerada. O Estado quer sempre mais de nós, mais impostos, mais controle, mais servidão, mais restrições, mais leis, mais jugo, enfim, quer nos secar, nos tirar tudo. O povo brasileiro parece não perceber que a pouca água que tem disponível tem sido tirada de seus filhos para saciar a sede de corruptos e criminosos, que em troca distribuem uma porção racionada, destinada à sua morte, lenta e controlada. Tudo o que é bom, bonito e desejável tem passado ao largo do Brasil. Aqui não se produz alta cultura; aqui a honestidade é considerada idiotice; aqui não se respeitam as leis; aqui não se louva o melhor, muito pelo contrário; aqui a mediocridade é o padrão; aqui se faz tudo pelo mínimo esforço; aqui as punições são risíveis; aqui a vida deu lugar à morte.

Não há luta mais importante nesses dias em que vivemos do que a luta pela família. Se há um resgate possível de nossa sociedade, ele só virá de dentro deste núcleo tão pequeno mas tão essencial. Cientes disso, os políticos e agentes da subversão esquerdista têm focado suas energias na destruição desse núcleo. Mas eu pergunto ao leitor: desde quando deixou de ser bonito ver um pai, uma mãe e seus filhos juntos? Desde nunca! A sociedade, em sua grande maioria, continua desejando o mesmo de sempre: meninos querem casar com meninas, meninas sonham em casar com meninos, casais sonham em ter filhos, filhos sonham em ter bons pais, e assim por diante. Tudo o que a esquerda, com suas minorias sectárias, tem nas mãos é a tentativa de imposição de uma falsa realidade, que só funciona porque as pessoas têm medo de dizer o que realmente pensam. Isso não fere, absolutamente, o direito de meninos que querem ficar com meninos, ou de meninas que querem ficar com meninas. Mas estes serão sempre uma minoria biologicamente comprovada. E é graças a essa tendência biológica, de que a maioria dos meninos deseja meninas e vice-versa, é que existe humanidade, pois ainda não inventaram outra maneira de se fazer um ser humano que não seja com um óvulo de uma mulher e um espermatozóide de um homem.

Vençamos o medo de nos manifestarmos em favor da família tradicional. Não existe nada mais bonito que a chegada de um bebê, que transforma um casal em uma família. Não existe nada de errado em louvar essa instituição humana. Ninguém deveria se preocupar em ser tachado de preconceituoso somente por dizer que a família tradicional é a melhor coisa que já aconteceu ao homem. Afinal, não se pode ser preconceituoso quando se fala a verdade, e a verdade é uma só: família é tudo. Tudo pela família, nada pelo Estado.