Notificados Anônimos

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 23 de março de 2017.

Durante grande parte de minha vida, a palavra “notificação” sempre trouxe uma sensação de problema. É impossível não pensar em encrenca ou em dor de cabeça quando se recebe uma notificação judicial ou uma notificação da Receita Federal. Afinal, ninguém é notificado por ter sido um funcionário ou um patrão exemplar ou por ter pago os impostos em dia.

Já atualmente, notificação passou a significar aquela bolinha vermelha nos aplicativos do celular. Se antes era temida, agora passou a ser parte do cotidiano das pessoas. E todo aplicativo quer ter o direito de nos notificar; tanto que, na hora de instalá-los, geralmente somos indagados se queremos ligar as notificações, e a maioria de nós aperta o “sim” de forma quase automática.

De aplicativo em aplicativo, o celular é dominado, e com ele a vida de seu hospedeiro. A tela acende e você vê, mesmo de longe, que chegou um novo e-mail. Ou que alguém comentou seu post no Facebook. Ou que fulano, Sicrano e Beltrano retuitaram a mesma coisa. Ou que seu irmão mandou um vídeo no WhatsApp. Ou que acabou de cair um débito automático na conta bancária. Ou que um amigo curtiu sua foto no Instagram. Ou que seu cartão de crédito ultrapassou o limite pré-estabelecido de gastos no mês. Ou que um dos restaurantes em que você costuma comer está com uma promoção. Ou que a zona quatro do seu alarme disparou. Ou que, ou que, ou que. A lista é quase infinita.

Dois dias atrás, estava conversando com um amigo; ele é cristão, como eu. Estava lhe perguntando se ele já havia passado por aqueles momentos em que parece que Deus se cala por completo. Sua ótima resposta: “já passei, sim, várias vezes, até aprender que era eu que estava fazendo muito barulho para ouvir”. Parece até aquelas frases de autoajuda, mas esse fenômeno é bem real e intimamente ligado à nossa constante inquietação produzida pela carga de notificações à qual somos submetidos. Como muitas pessoas dormem com o celular carregando sobre o criado-mudo, esse frenesi eletrônico não para nem durante a madrugada.

O momento em que conversamos com Deus, em que ouvimos Sua voz, é também o momento em que olhamos para dentro de nós mesmos e fazemos uma reflexão de nossos erros e acertos, de nossos vícios e virtudes. É o momento em que reavaliamos o dia que passou e planejamos o que em breve começará. É como a canção de Gilberto Gil: “Se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sós, tenho que apagar a luz, tenho que calar a voz”. Na era das notificações e das redes sociais, nosso grande desafio é perceber que algumas conexões impedem outras; e, sabendo disso, conseguir escolher a conexão certa na hora certa. A constatação mais comum, no entanto, é que muitos têm fracassado nessa questão. Você entra em um restaurante, passa os olhos pelas mesas e vê alguns casais de hospedeiros dando total atenção aos seus smartphones parasitas; ou mesmo pais totalmente absortos em suas telinhas enquanto seus filhos os observam sem saber o que fazer (isso quando não estão eles mesmos já com os seus). E o que dizer daquele amigo que não tira os olhos das notificações que pipocam a cada 20 segundos na tela do celular, ao mesmo tempo em que participa de forma meio zumbi da conversa que está acontecendo ao vivo?

Em que momento passamos a entender que aquilo que acontece a quilômetros de distância tem prioridade sobre o que está acontecendo diante de nossos olhos? Eu escrevo estas linhas na condição de alguém em recuperação de um vício. Não consegui achar um Notificados Anônimos para frequentar, mas alguns textos que andei lendo e algumas conversas que tive com minha esposa levantaram bandeiras de sinalização em meu dia a dia. Antes de começar a escrever este artigo, já tinha desligado quase todas as notificações em meu celular. Ficaram apenas as do telefone, das mensagens de texto e dos aplicativos de companhias aéreas. Também tenho cultivado o hábito de só abrir algum aplicativo de e-mail ou rede social depois de ter acordado, meditado, dado bom dia à minha esposa e ter tomado café da manhã com ela e com nosso filhinho. O resultado, depois de duas semanas agindo dessa maneira, é muito positivo: não deixei de atender nenhum cliente, não perdi nenhuma comunicação importante, o apocalipse digital não aconteceu em minha casa e absolutamente ninguém foi prejudicado por causa disso. Afinal, o mundo funcionava perfeitamente antes dos e-mails e dos celulares e, por incrível que pareça, havia vida antes de existirem Google e GPS. As pessoas tiravam extrato bancário no caixa eletrônico, mandavam cartas, pesquisavam em bibliotecas, guiavam-se com mapas impressos e conversavam mais com a boca que com os dedos. E pasmem: elas tinham mais tempo de sobra, ainda… (para ler o restante deste artigo, clique aqui)

Um país sem heróis

Liga-da-Justiça1Alguma vez você já parou para pensar que todos os heróis da ficção que conhecemos foram criados fora do Brasil? Batman, Super-Homem, Homem-Aranha, Thor, Hulk, Homem de Ferro, os X-Men, e a lista continuaria por páginas, sem um herói brasileiro sequer. Isso diz muito sobre a nossa mentalidade como povo, e também tem relação com as ideologias esquerdistas que têm dominado o cenário nacional.

A direita, historicamente, sempre acreditou que o homem não é um ser bonzinho, e que, independentemente do contexto onde nasce e é criado, ele carrega consigo a imperfeição e a corrupção moral, de tal forma que suas capacidades intelectuais não são suficientes para livrá-lo da possibilidade do erro. Já a esquerda tem um discurso bastante diferente, de que o homem é corrompido pela sociedade em que nasce e é criado, e que por isso bastaria construir uma sociedade “perfeita” para que dali em diante os homens não mais se corrompessem. É a base do comunismo: criar uma coletividade utópica para que a individualidade morra.

E o que isso tem a ver com não termos heróis? Tem muito a ver! Um esquerdista não precisa de heróis, porque para ele um herói é alguém que contribua ativamente para que o mundo seja transformado no que ele acredita ser o certo, independentemente das ações que esse “herói” tenha tomado para viabilizar essa transformação (ou o famoso “os fins justificam os meios”). É por isso que os esquerdistas idolatram assassinos, estupradores, genocidas e canalhas em geral, como Lênin, Stálin, Che Guevara, Fidel Castro etc. Para qualquer pessoa que tenha um mínimo de bom senso e respeito pela vida humana, imaginar que uma pessoa que tenha causado a morte de milhares, às vezes milhões, de pessoas possa ser chamado de herói tão somente porque possibilitou a revolução comunista, e que esses mortos todos são “ossos do ofício”, casualidades no caminho de um bem maior, é algo inconcebível e inimaginável.

Enquanto os heróis da ficção são capazes de se doar pela humanidade, de sofrer e lutar até a exaustão completa por uma única vida, os heróis da esquerda fuzilam quem quer que apareça entre eles e seus planos revolucionários. E mais: o conservador de direita assiste aos filmes de heróis e lê suas histórias, e se inspira com os atos de nobreza. O esquerdista lê sobre seus heróis assassinos e vibra com a morte dos anti-revolucionários. Enfim, é uma diferença tão grande como céu e inferno, como bem e mal, como luzes e trevas. E se você está achando que eu estou comparando a esquerda com as trevas, você acertou. A esquerda é o fim da humanidade livre, é o fim da virtude, é a banalização da vileza e o culto à maldade.

E como ficamos aqui no Brasil? Num país onde o governo foi entregue à esquerda, mas o povo continua sendo conservador em sua grande maioria, a busca por heróis nunca cessa. Infelizmente ela acaba sendo feita na base da fé nos homens públicos. Quem não se lembra, no auge do julgamento do Mensalão, do número de postagens no Facebook que pediam que Joaquim Barbosa se candidatasse? Sim, ele foi o nosso herói de 2013, aquele que acendeu uma pequena chama de esperança no coração de tantos brasileiros. Infelizmente ele não tinha poderes especiais, e foi decepção completa o que os brasileiros sentiram naquela dia fatídico, 18 de setembro de 2013, quando os mensaleiros conseguiram o que queriam através do voto do ministro Celso de Mello. Se Joaquim Barbosa foi nosso Super-Homem por alguns dias, Celso de Mello cumpriu muito bem seu papel de Lex Luthor.

Brasil, a Liga da Injustiça.

O Marco Petista da Internet

censuradoUma das maneiras mais sórdidas que os governos de esquerda utilizam para controlar as empresas e a economia de uma nação são as infinitas regulamentações sobre as diferentes atividades econômicas e as taxações sobre lucros. Ambas causam o mesmo efeito: diminuição de lucros com decorrente desestímulo à atividade empresarial, que no longo prazo leva à falência de empresas e deterioração da economia. Assim, a cada nova regra ou imposto criados, o Governo dificulta a vida dos empresários, e ao mesmo tempo lança linhas de crédito e programas para “ajudar” esses mesmos empresários, num movimento claramente planejado, com o único propósito de ganhar cada vez mais controle sobre as empresas. A conversa é mais ou menos a seguinte:

– Você está lucrando muito! Quero uma parte dos seus lucros para governar melhor.

– Ok Governo. Aqui está sua parte.

– Ainda é pouco!!! Quero mais, e também criei umas regras novas que você vai precisar seguir.

– Mas Governo, nessas condições eu vou acabar quebrando! Vou ter que demitir muita gente!

– Hmmm… É verdade. Então façamos o seguinte: eu não abro mão do aumento de impostos e nem das novas regras, mas vou te emprestar um dinheiro da Caixa Econômica a juros baixinhos, e criar uma agência de fomento à sua atividade econômica.

E nesse momento o empresário percebeu que está ferrado. Afinal, se inicialmente havia apenas ele e seus concorrentes vendendo e lucrando, agora o montante de gente que precisa ser remunerado com a mesma geração de riqueza é muito maior! Adicionaram-se os órgãos governamentais de tributação e fiscalização, o banco, a agência de regulamentação, a agência de fomento, e mais uma miríade de petistas vagabundos que precisam conseguir seu sustento parasitando alguém que realmente trabalha. Para manter a lucratividade em níveis aceitáveis o empresário precisa aumentar o valor de venda de seus produtos e serviços, porque a única opção restante seria fechar as portas. E aí o pagador-mor de patos e engolidor-mor de sapos paga por isso – ele mesmo, o cliente final.

O desGoverno petista já colocou suas mãos em muitos setores da economia para atrapalhar, e a bola da vez talvez seja o mais dinâmico e criador de riquezas da atualidade: a internet. Criada e crescida em total liberdade, esse monstro gerador de riquezas, que tem servido de berço para empresas como Google, Facebook e Yahoo, e impulsionado outras gigantes do setor de informática como Apple, Microsoft e HP, está sob ataque no Brasil. Com o pretexto absurdo de garantir a segurança dos dados brasileiros, a presidANTA Dilma quer forçar a aprovação de um texto modificado que impede as empresas de telecomunicações de cobrarem por serviços de forma customizada, algo que poderia baixar o custo de acesso de muita gente, e obrigando grandes empresas geradoras de dados a manterem no Brasil centros de armazenamento imunes à espionagem americana.

Sobre a primeira questão, é novamente a interferência do Estado num setor da economia que segue tão bem e em crescimento acelerado. Querem diminuir a autonomia das empresas em lidar com seus diferentes segmentos de clientes, com o discurso imbecil de “igualdade de acesso”. Ora, qual é o problema da empresa de telecom me cobrar um valor diferente do meu vizinho, se eu e meu vizinho utilizamos a internet de forma bem diferente? Se ele fica o dia todo baixando filmes e eu apenas uso a minha conexão para enviar e receber e-mails, o que há de injusto em cobrar valores diferentes para nós dois?

Já a segunda questão é mais séria, pois envolve a disponibilização de nossos dados ao Governo. Um esquerdista jamais toma uma decisão e cria uma regra, uma regulamentação, sem uma segunda intenção, que geralmente ele mantém em segredo. Neste caso a exigência será de que as empresas mantenha centros de armazenamento de dados no Brasil, para evitar o acesso indevido de dados, tudo feito com base no teatro montado pela senhora Dilma, terrorista de carteirinha, em relação à espionagem norte-americana envolvendo as conversas da referida presidANTA. Mas, como sempre, só não enxerga quem não quer: esta exigência levará necessariamente a uma situação em que o Governo tenha como vasculhar nossos dados, nossos posts de Facebook, nossos e-mails, nossos blogs, enfim, toda a parcela de nossa vida que está hoje nas mãos de Google, Yahoo, Facebook, LinkedIn etc. E num governo que não tem nenhum apreço pela liberdade, que adora uma censura, e que persegue seus opositores, isso não será nada bom.

O Marco Civil da Internet, no texto que o PT quer aprovar, é o início da tirania petista no último bastião de resistência da direita no Brasil. A situação é delicada e o futuro está em jogo.