Empresários no poder

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 26 de janeiro de 2017.

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O ano de 2017 tem sido incrível, politicamente falando. Os inícios de mandato de João Dória e Donald Trump têm mantido a imprensa ocupada de todas as maneiras. Os setores esquerdistas da mídia se ocupam de fabricar difamações e distorções das medidas tomadas pelos dois gestores, e os de direita tentam manter o ritmo acelerado de novidades. Mas, imprensa à parte, vale a pena explorar um pouco o que esses dois empresários têm feito em tão pouco tempo de mandato, e o que está por trás dessa rapidez e eficiência.

À frente da prefeitura de São Paulo, comandando o terceiro maior orçamento do Brasil (R$ 54,69 bilhões), João Dória Júnior tem mostrado uma vitalidade fora do comum – ele, seu vice e seus secretários parecem estar em todo lugar, a toda hora. Eleito apesar do nariz torcido da cúpula tucana, que só apoiou sua candidatura após a vitória, Dória trabalha num ritmo alucinante, como todo bom gestor em início de empresa costuma fazer. Quem já abriu seu próprio negócio sabe do que estou falando: muitas horas de trabalho por dia, muitos problemas para resolver, múltiplos fatores de risco ao negócio, competidores de olhos arregalados com a chegada da novidade etc. Logo em seu primeiro dia, ele apareceu às 5h30 na Praça 14 Bis, vestido de gari, para iniciar o primeiro programa de seu governo, o Cidade Linda. Na sequência, ordenou a devolução de todos os carros alugados da prefeitura, gerando uma economia prevista de R$ 10 milhões por mês.

Em relação à sua equipe de trabalho, o novo prefeito aplica as mesmas regras às quais eu e você, leitor, temos de nos submeter em nossos empregos: penalidades para atrasos, ou seja, exigência de comprometimento e disciplina nas relações do trabalho. E, para o terror daqueles funcionários acostumados ao descaso da administração petista, ele tem aparecido de surpresa nos mais diversos locais, numa espécie de “flagra da vagabundagem”. Além disso, utilizando-se da premissa de que todo empresário busca obter o melhor resultado com o menor uso possível de recursos, Dória fechou diversas parcerias com a iniciativa privada, sem custo para o erário municipal, que resultaram em benefícios imediatos para a população paulistana. As intervenções do novo prefeito são diárias e repletas de cobertura tanto da mídia tradicional como das redes sociais, no intuito claro de provocar mudanças em curto período de tempo, ganhar o apoio da população e reduzir a pó o legado de seu antecessor.

E o que dizer de Donald Trump? O presidente americano, que tomou posse no último dia 20, tem dormido apenas três horas por dia e trabalhado no restante. Ao contrário de Barack Obama, que cumpriu menos de 50% das promessas que fez durante sua campanha em 2008, Donald Trump tem sinalizado que fará o máximo possível do que prometeu nos últimos meses. O empresário de Nova York já começou a chocar seus adversários políticos na primeira semana de mandato: emitiu uma ordem executiva para que as agências federais diminuam o fardo regulatório do Obamacare, exigindo que as mesmas renunciem, adiem ou concedam exceções à implementação de qualquer provisão ou requisito que incorra em custo sobre indivíduos, famílias e empresas da área de saúde; impôs o congelamento de contratações para o governo federal, com a exclusão das forças armadas; suspendeu a execução de toda e qualquer regulamentação em processo de aprovação, impedindo que diversas das ordens executivas assinadas por Obama em seus últimos dias de mandato permaneçam em vigor; restabeleceu a proibição de alocação de fundos federais para grupos que realizem abortos ou que atuem como lobistas para a legalização ou promoção do aborto; retirou os Estados Unidos da Parceria Transpacífico, um acordo comercial ineficiente e burocrático com nenhuma vantagem para os americanos; exigiu celeridade na aprovação de projetos de infraestrutura de alta prioridade por parte do Conselho de Qualidade Ambiental da Casa Branca; além de diversas outras ações que simplesmente não caberiam nesta coluna. A mais recente delas, logo antes do fechamento desta coluna, foi o pontapé inicial na construção do muro na fronteira com o México. Nos próximos dias ele deve anunciar a suspensão da admissão de refugiados provenientes de países que abriguem grupos radicais islâmicos e a indicação de um juiz conservador para a vaga de Antonin Scalia na Suprema Corte.

O brasileiro é ensinado, nas escolas públicas e privadas, que o capitalismo é ruim e que os empresários são maus e aproveitadores. Aprendemos que os ricos só se importam com dinheiro e que os bilionários são o câncer do mundo. Nenhuma escola ensina que toda a riqueza criada vem das mãos desses “malvadões”. Alguns dias atrás estava comentando isso com minha esposa. Estávamos tentando enxergar a vastidão da riqueza criada por Bill Gates, fundador da Microsoft. Quantas pessoas devem seu ganha-pão às ideias de Gates? Uma multidão de gente que instala, desenvolve e dá manutenção em softwares na plataforma Windows; uma miríade de técnicos que montam e consertam computadores pessoais; fabricantes de computadores, tablets e celulares; e muitas outras categorias de profissionais ligados à informática. Os quase US$ 100 bilhões de Bill Gates soam como uma imoralidade para os esquerdistas, mas os milhões de pessoas que têm hoje uma carreira, um emprego e um salário por causa desses US$ 100 bilhões são simplesmente ignorados por esse pessoal. O mercado faz essa “mágica”, criando um absurdo de riqueza de dentro de uma simples garagem. O Estado, inchado e ineficaz, faz o contrário.

Nosso planetinha, tão afetado pela ação irresponsável de governantes aproveitadores e incapazes, poderia se beneficiar muito da presença de mais empresários competentes na direção de cidades, estados e países. É claro que Dória e Trump não manterão um ritmo louco de novidades e realizações pelos próximos quatro anos. Mas, pelo que temos visto, devem fazer mais nos primeiros 100 dias do que seus antecessores em toda a extensão de seus mandatos. Se daqui a quatro anos, por causa do bom exemplo desses dois, mais pessoas entenderem que um bom gestor público é aquele que menos lhes atrapalha, que cria condições para que cada cidadão cuide de si mesmo e de seus dependentes sem nenhuma esmola do Estado, teremos muito a comemorar. Essa mentalidade é a única cura para o estatismo paralisante em que vivemos hoje.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Mais estado, menos Estado

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 14 de janeiro de 2016.

Desde a proclamação da República, o Brasil, em seu próprio nome, se diz uma federação. Começamos com “República dos Estados Unidos do Brasil”, depois passamos a simplesmente “Estados Unidos do Brasil”, e mais recentemente nos assumimos “República Federativa do Brasil”. Mas deixemos os nomes de lado e olhemos para a realidade: seria o Brasil uma federação de fato?

A Constituição Federal de 1988 enterrou qualquer ideia de federação. Na verdade, ela trouxe muitos outros males para o país, mas o assunto é suficiente para uma série inteira de artigos – coisa para um futuro próximo. No tocante ao assunto de hoje, é importante dizer que nossa última Constituição tira autoridade e recursos das mãos de estados e municípios e os centraliza na União, um movimento exatamente oposto ao federalismo.

Num país de dimensões continentais como o Brasil, cheio de diferenças marcantes entre populações e realidades regionais, e com uma diversidade cultural imensa, favorecer um poder central não é, de forma alguma, uma boa solução. Os estragos que podem ser feitos num modelo como esse são do pior tipo, e fazem parte da atualidade brasileira: temos um governo federal inchado, em cujos meandros se instalou uma casta de corruptos, com instituições aparelhadas e uma política econômica equivocada ao extremo. Os estados não têm praticamente como fazer frente a nenhuma decisão do governo federal, pois lhes falta autonomia legislativa, e seus orçamentos dependem de repasses feitos pela União. São como filhos adolescentes, que não decidem nada de importância em casa e vivem sob a ameaça do corte da mesada.

abbottNo dia 8 de janeiro deste ano, o governador do estado norte-americano do Texas divulgou um documento extenso e bem fundamentado, cuja nome traduz-se como “Restaurando o Estado de Direito com os estados liderando o caminho”. Nele, o governador Greg Abbott sugere nove emendas à Constituição dos Estados Unidos, todas fortalecendo os estados e tirando poder do governo federal. São elas:

1. Proibir o Congresso Nacional de regular atividades que ocorram exclusivamente em um estado;

2. Exigir que o Congresso Nacional execute o equilíbrio fiscal;

3. Proibir as agências reguladoras e administrativas – e seus burocratas não eleitos – de criar leis federais;

4. Proibir as agências reguladoras e administrativas – e seus burocratas não eleitos – de impedir leis estaduais;

5. Permitir que uma maioria de dois terços dos estados anule uma decisão da Suprema Corte;

6. Exigir uma “supermaioria” de sete juízes para qualquer decisão da Suprema Corte que invalide uma lei democraticamente aprovada;

7. Restaurar o equilíbrio de poder entre os governos federal e estaduais, limitando aquele aos poderes expressamente delegados pela Constituição;

8. Dar aos oficiais estaduais o poder de processar os oficiais federais em cortes federais quando estes agirem além de seus limites;

9. Permitir que uma maioria de dois terços dos estados anule uma lei ou um regulamento federal.

Embora os Estados Unidos tenham uma Constituição muito voltada ao federalismo e os estados possuam bastante autonomia para legislar e para arrecadar, o governo federal americano atingiu níveis de burocracia, dívida pública, intervencionismo e intromissão na vida dos cidadãos que são incompatíveis com uma democracia de verdade. Mas a própria Constituição americana fornece o remédio para tal… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Liberdade ou bala

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 17 de dezembro de 2015.

constitution_gun“Uma milícia bem regulada, sendo necessária à segurança de um Estado livre, o direito das pessoas de possuir e carregar armas não deve ser infringido”, diz a Segunda Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Os primeiros legisladores americanos tinham uma noção bem clara de quanto pode ser perigoso dar poder ao Estado. Embora a maioria das pessoas tenha a ideia de que o direito de possuir e portar armas serve unicamente para a defesa própria, a grande contribuição desse direito para a liberdade de uma nação consiste justamente em deixar nas mãos do povo a capacidade de resposta armada em caso de um governo despótico. A história já deu muitas provas de que o maior temor dos ditadores são os cidadãos armados. Hitler, Stalin, Fidel, Chávez – todos fizeram exatamente a mesma coisa: conduziram programas extensivos de desarmamento da população, seguidos do domínio autoritário sem resistência.

A Segunda Emenda à Constituição dos Estados Unidos tem sido a grande trincheira de defesa da liberdade disponível ao povo americano. Barack Obama é o mais antiamericano de todos os presidentes, e exibe sua agenda desarmamentista em público cada vez que um incidente com armas ocupa a mídia. Qualquer tiroteio é a deixa para que Obama desfie seu discurso liberticida e tente empurrar medidas de restrição e proibição relativas ao armamento de civis. Mas, em se tratando do povo americano, a reação costuma ser bastante diversa do que se vê no Brasil. Deixarei mais claro com dois exemplos.

Os últimos três presidentes brasileiros empenharam-se em passar leis de controle sobre armas, as quais jogaram dezenas de milhares de proprietários de armas na ilegalidade – ao mudar critérios e condições para a obtenção e manutenção de uma licença, as novas leis transformaram de imediato esses cidadãos de bem em “criminosos”. A solução escolhida pela maioria dos brasileiros foi entregar suas armas de fogo nas incontáveis campanhas promovidas em todas as esferas do governo e assistir, inermes, aos rolos compressores passando por cima de revólveres, pistolas, fuzis, espingardas e, por que não dizer, de sua liberdade.

Trago o leitor agora para a realidade americana. O ano é 2015, o mês é novembro. Depois dos atentados de Paris e de San Bernardino, Barack Obama fala em público diversas vezes sobre o controle de armas, deixando clara sua intenção de desarmar o povo americano – um povo que tem em suas mãos algo próximo a 350 milhões de armas de fogo. Com o feriado de Ação de Graças se aproximando, todo o comércio se prepara para a grande liquidação do ano, a Black Friday. O americano típico, aquele que desconfia do Estado e prefere se prevenir do que lamentar, ao ver que o presidente da república pretende lhe tirar a liberdade, vai até a loja mais próxima, aproveita os descontos e arma-se mais ainda. A mensagem é bem clara: você pode tentar me tirar esse direito, mas eu terei como lutar por ele; você pode tentar me tirar a liberdade, mas terá de ser por cima de meu cadáver armado até os dentes.

Não afirmo isso sem dados. Em conversa com um executivo de uma das maiores redes de lojas de armamento dos EUA, recebo a informação de que a última Black Friday foi recorde: suas 152 lojas venderam mais de 250 mil armas de fogo num único dia. Sabendo que há mais duas ou três redes grandes, além de inúmeras lojas menores espalhadas por todo o país, eu não me surpreenderia se os números gerais ultrapassarem um milhão de armas compradas.

Essa é a resposta do povo americano ao esforços autoritários de seu presidente; diga-se de passagem, uma tremenda resposta. Que sirva de exemplo ao povo brasileiro.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Heróis de guerra

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 12 de novembro de 2015.

Nesta quarta-feira comemorou-se, nos Estados Unidos, o Veterans Day (“dia dos veteranos”). Foi um dia repleto de homenagens a todos os homens e mulheres que dedicaram parte de suas vidas em combates de guerra, defendendo a pátria americana. Apesar de todo o esforço da mídia internacional e da própria mídia americana em retratar o país como imperialista, intervencionista e injusto, o povo americano, em sua grande maioria, continua apoiando, respeitando e honrando seus heróis de guerra.

As cidades, grandes e pequenas, preparam festividades e homenagens. Os restaurantes oferecem refeições gratuitas a todos que comprovarem que são militares. Várias redes de televisão chamam ex-combatentes para participar de seus programas – assisti a uma versão especial de Chopped (programa de competição culinária) em que competiam quatro ex-integrantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. Enfim, é um dILUSTRA-Quintela_VetDayia muito bonito, em que você sente no ar o patriotismo e o orgulho do povo americano.

Mas o respeito aos que lutaram fora do país não fica restrito a um dia. Em jogos de basquete, futebol americano ou beisebol, é muito comum que um combatente que tenha acabado de retornar ao país seja chamado para iniciar a partida, para cantar o hino nacional ou somente para ser aplaudido pelo público. Nos restaurantes é muito comum ver os garçons e garçonetes tratando veteranos idosos com o carinho de quem trata um avô, e oferecendo algum tipo de mimo como uma sobremesa, um desconto ou até mesmo a refeição inteira de graça. E esse respeito é passado tanto às novas gerações como aos imigrantes, pois muitos deles encontram nas forças armadas uma boa carreira, e lutam pelo país como se nele tivessem nascido.

Por mais que o governo de Barack Obama tente desqualificar os militares e a agenda esquerdista tente acabar com o patriotismo americano em nome de um multiculturalismo sem sentido, o povo americano continua colocando a bandeira nacional na porta de casa e tendo orgulho de fazer parte desta grande nação. Como potência mundial, os Estados Unidos são odiados por muita gente, principalmente pela esquerda, e sua política de “polícia do mundo” é geralmente criticada com veemência, como se o mundo estivesse preparado para uma era de paz, sem ninguém para interferir quando necessário. Vivemos numa época em que Estado Islâmico, Vladimir Putin, China, Irã e Coreia do Norte não são apenas verbetes de enciclopédia, mas ameaças reais à segurança e à liberdade de muita gente. Mais do que nunca, faz-se necessária uma força militar poderosa, controlada por uma nação democrática, que siga regras constitucionais e que tenha compromisso com a liberdade. Para satisfação de alguns e completo desgosto de outros, somente os Estados Unidos da América são capazes de proporcionar isso ao mundo hoje.

Enquanto isso, para minha tristeza como brasileiro em terras estrangeiras, o governo petista coloca sua guarda pretoriana, a Força Nacional, para combater seus próprios cidadãos. Doze anos de invasões, destruições de propriedade privada, assassinatos e ações criminosas do MST não foram suficientes para que o governo usasse as forças policiais e militares; dois dias de manifestações dos caminhoneiros, sim. A continuar assim, se um dia tivermos um “dia dos veteranos”, a comemoração ficará restrita à aristocracia petista, beneficiária única da proteção pelas Forças Armadas brasileiras. Assim fica difícil ser patriota.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Precisa-se de um republicano

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 23 de setembro de 2015.

23092015-ILUSTRA-Quintela-k5TH-U101737597357ZfH-1024x1056@GP-WebA política norte-americana tem influência global. Ponto. Não obstante, poucos são os brasileiros que a acompanham de perto, e são raríssimas as ocasiões em que a mídia nacional a retrata sem viés ideológico. Na maioria das vezes são divulgadas informações erradas e absurdas, como a de que os Estados Unidos não têm partidos políticos de esquerda, ou de que o governo de Barack Obama tem sido ótimo tanto para os americanos como para o mundo.

A realidade não poderia ser mais distante disso: os últimos seis anos e meio de governo democrata, o partido da esquerda americana, enfraqueceram os EUA e tornaram o mundo um lugar mais perigoso e menos livre. O presidente Obama tem colocado em prática uma política externa desastrosa, retirando a presença e a influência americana de várias regiões críticas, como o Oriente Médio, o Leste Europeu e o Mar da China Oriental, e deixando que jogadores sem nenhum apreço pela liberdade – leia-se Vladimir Putin, Estado Islâmico, China e Irã – cresçam em demasia no tabuleiro mundial. Além disso, ele promoveu recentemente uma reaproximação com Cuba, premiando a ditadura dos Castro com os benefícios da suspensão de várias restrições econômicas, algo que só deixará o patrimônio de Fidel, o líder comunista que figura há uma década entre os governantes mais ricos do mundo, ainda maior que seu atual US$ 1 bilhão.

Quando o assunto é política interna, o desastre continua. Os mandatos de Obama foram marcados pelo uso excessivo de medidas executivas, pelo desrespeito ao Poder Legislativo, pelo estímulo à imigração ilegal, pelas tentativas de cerceamento da liberdade individual, pelas investidas contra o armamento civil, pelo apoio irrestrito ao aborto, pela implementação de programas assistencialistas e pela invasão sistemática da privacidade do povo americano. Sob seu governo, os Estados Unidos deixaram de ser um farol de liberdade para o mundo; estão mais para um farol da agenda esquerdista, aquela que busca a destruição da família, o abandono dos valores judaico-cristãos, o crescimento sem limites do Estado e o fim das liberdades individuais.

Com uma tremenda força econômica, política e militar, a nação mais poderosa do mundo é capaz de impulsionar qualquer tipo de tendência. O mundo precisa que, em 2016, os democratas deixem o poder. O que aconteceu com o Brasil, que endossou oito anos de governo Lula com mais dois mandatos e acabou mergulhando numa crise seríssima por conta da incompetência e corrupção do governo Dilma, será apenas um aperitivo do que pode acontecer ao mundo se o Partido Democrata continuar comandando os Estados Unidos da América. O cardápio que eles trazem para os próximos quatro anos inclui o desequilíbrio cada vez maior do poder, o fortalecimento de governos despóticos, a diminuição da liberdade, o perigo de um Irã com armamento nuclear, o fortalecimento de Rússia e China e de seus métodos de domínio nada democráticos, o enfraquecimento e a islamização da Europa, e a provável ascensão do Estado Islâmico ao topo da lista de ameaças a cada cidadão livre do mundo.

Os republicanos têm candidatos excelentes para as eleições do próximo ano. Carly Fiorina, Jeb Bush, Marco Rubio, Ted Cruz e Ben Carson, que lideram as pesquisas de preferência ao lado de Donald Trump, são ótimas opções para o cargo mais importante do planeta. Suas vidas públicas e suas propostas de governo são pautadas pelo respeito às liberdades individuais, aos direitos à vida e à propriedade privada, e à soberania do indivíduo sobre a do Estado. Esta soberania, tão em falta nos dias de hoje, é a única força capaz de salvar a humanidade de um período de trevas, um em que a força dos governos solapará por completo o indivíduo, nos levando a um estado de coisas muito próximo ao de distopias como Admirável mundo novo , de Aldous Huxley, e 1984 , de George Orwell. O mundo precisa urgentemente de um republicano.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

 

O dia D do Brasil

Ontem resolvi escrever um texto rápido, e acabei fazendo na minha linha do tempo do Facebook mesmo, sem muitas pretensões. Qual foi minha surpresa quando vi que o texto chegou a quase 300 curtidas (até esse momento em que estou escrevendo) e já passou de 100 compartilhamentos. E de quebra teve 68 comentários até agora.

Como o texto foi muito certeiro no Facebook, decidi postá-lo aqui, para que faça parte do acervo do Maldade Destilada. Espero que seja uma boa leitura para você que acompanha este blog.

Muita gente acha que os Estados Unidos são o paraíso, e um outro tanto acha que aqui é o império do mal. Estes geralmente tiram suas ideias da mídia brasileira, que não consegue publicar uma notícia sequer que não siga o manual esquerdista de doutrinação jornalística. Já os primeiros conhecem o país superficialmente, ou porque só vieram para cá passar férias ou porque nunca vieram e têm uma visão muito idealizada.

Eu vim para cá depois de já ter morado anteriormente, de ter trabalhado aqui e conhecido praticamente o país todo em viagens anteriores. Cheguei sabendo muito bem o que iria enfrentar, e mesmo assim tive algumas surpresas, situações que não havia passado antes, o que aliás é bastante normal em qualquer processo de mudança.

Mas enfim, tem uma comparação que me veio hoje à mente, e que caiu muito bem para mim: mudar para cá tem sido muito semelhante a uma mudança de relacionamento. Imagine-se num relacionamento que não tem futuro, e que apesar disso te supre parcialmente as necessidades de carinho e afeto. Mas está claro que a coisa não é amor, que não é “a pessoa certa”. Apesar de ter tentado tudo, você sente que as mudanças que você deseja na outra pessoa são tão profundas que ela deixaria de ser quem é caso conseguisse concretizá-las. É assim que me sinto em relação ao Brasil. É minha casa, minha pátria, mas seus defeitos e dificuldades se tornaram tão grandes a ponto de ofuscar suas qualidades. E quando isso acontece você acorda todos os dias pensando somente em uma coisa: divórcio.

Já os Estados Unidos são o novo amor. Exatamente como acontece quando você se apaixona por alguém, tudo parece muitíssimo melhor, incomparavelmente superior, e nenhum defeito consegue ser percebido em meio a sentimentos tão fortes. Se você tiver a sorte, como eu, de que essa pessoa seja o grande amor da sua vida, você perceberá com o tempo que é possível sim enxergar defeitos dela, pelo simples fato de que todos os seres humanos possuem falhas e têm seu lado mais escuro. Só que nesse caso parece que essas falhas não têm o poder de ofuscar a essência da pessoa, uma essência que nos faz querer ficar ao seu lado por todos os dias de nossas vidas.

E é por isso que, voltando agora da metáfora do relacionamento para a questão de viver fora do Brasil, mesmo enxergando os defeitos deste lugar, mesmo sabendo que aqui não é o paraíso, que tem coisas ruins, não dá para negar, sem sombra de dúvida: viver nos Estados Unidos é muito melhor que viver no Brasil. Sem romantismo, sem ignorar que aqui a esquerda pega pesado também, sem fechar os olhos para os esquisitices que encontramos no cotidiano, cada vez menos pessoas conseguem dizer, de peito estufado, que o Brasil é o melhor lugar do mundo. Até hoje não ouvi de ninguém uma palavra que não fosse de incentivo por estarmos nesse projeto e de termos mudado para cá. Nenhuma pessoa sequer mostrou reprovação; muito pelo contrário, uma grande parte veio pedir dicas para fazer o mesmo, pois não conseguem vislumbrar um futuro melhor para si e para seus filhos no Brasil do PT.

As eleições deste ano serão a última esperança para o Brasil. A corda que sustenta a democracia está toda roída pelos ratos petistas, que se preparam para cortá-la por completo. Eles só precisam de mais um mandato para isso. A hora está próxima para o nosso dia D. Que seja um D de Derrota para a Dilma.

Para quem quiser acompanhar o post original no Facebook, basta clicar aqui.

Flavio Quintela é autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”