Eu disse

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 10 de novembro de 2016.

10112016-site-quintelaEste que vos escreve declarou, seis semanas atrás, nesta mesma coluna, que Donald Trump seria o próximo presidente dos Estados Unidos. Na ocasião, eu disse que confiava no método preditivo do professor Helmut Norpoth, que indicava a vitória do republicano justamente pelo caráter plebiscitário da eleição americana.

As eleições desta terça-feira mostraram que o povo americano rejeitou o atual governo de todas as formas. Donald Trump levou a presidência, e os republicanos mantiveram as maiorias no Congresso e no Senado. De quebra, Trump indicará um juiz para a Suprema Corte, que deverá voltar a ter maioria conservadora. Foi uma verdadeira goleada, uma que calou quase toda a mídia brasileira e internacional. Os jornais televisivos brasileiros, na manhã seguinte à eleição, mostraram âncoras, repórteres e analistas que não conseguiam acreditar no que estavam falando e estampavam em seus rostos um lamento profundo.

Mas, afinal, por que os americanos elegeram Donald Trump? É simples: porque não querem deixar de ser americanos. Esta grande nação, fundada em fortes princípios democráticos e com um apreço pela liberdade como nenhuma outra, conseguiu resistir aos golpes desferidos continuamente pela administração de Barack Obama contra os fundamentos constitucionais que têm sustentado os Estados Unidos em sua posição de liderança do mundo livre. Obama, Hillary e a grande maioria dos democratas promoveram, nos últimos oito anos, uma agenda antiamericana, tentando minar diversos pilares de sua democracia, como o direito à legítima defesa, a liberdade religiosa, a propriedade privada e a primazia do indivíduo e da família, entre outros. Sob Obama, os americanos empobreceram, ficaram mais preguiçosos, aprenderam que ninguém vence apenas com os próprios esforços e quase foram convencidos a substituir o orgulho e o patriotismo pela vergonha.

Hillary Clinton, durante sua campanha, tentou convencer o eleitorado de que faria melhor que o seu antecessor, mas suas propostas não passaram de mais do mesmo: aumentar o salário mínimo, criar direitos para mulheres e minorias, desarmar a população, aumentar a entrada de refugiados e ser leniente com os imigrantes ilegais. Talvez ela não tenha reparado que mais da metade dos americanos está mais pobre hoje do que dez anos atrás – mesmo com um salário mínimo maior –; que ninguém além dos ativistas dá a mínima para essa conversa de direitos de minorias; que os terroristas do Estado Islâmico têm tocado o terror no mundo graças ao coração mole dos estadistas ocidentais; e que os imigrantes legais são os que votam, e eles não querem nem ver os ilegais por perto. Se tentasse, ela não conseguiria ser mais dissonante com a realidade do que foi.

A beleza da vitória de Trump está justamente na reação desse povo. O americano não é predominantemente cosmopolita, muito pelo contrário. O jeito californiano ou novaiorquino de ser passa longe do americano médio, aquele que quer ter uma vida boa e simples: família, casa, carro, igreja aos domingos, um pouco de diversão e menos governo metendo o nariz onde não é chamado. É o cara que fica indignado ao ver bebês inocentes sendo assassinados com a bênção do Estado, que é altruísta em sua comunidade, que tira do seu tempo para treinar o time local de basquete, que tem orgulho de todos os combatentes e policiais da nação, que não fica com um centavo sequer de troco errado, que sai de calça de moletom, meia e chinelo porque não está nem aí para o que os outros pensam. Foram esses americanos que elegeram Donald Trump. O país é deles, e eles souberam tomar a melhor decisão possível. Deus abençoe a América.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

 

Parabéns, patrão

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 14 de julho de 2016.

Esses dias estava conversando com uma grande amiga do Brasil. Ela e o marido são donos de uma empresa que vende pela internet e entrega em todo o Brasil. Ela me contava que seus últimos fins de semana têm sido dos mais chatos possíveis, pois tem passado horas e mais horas debruçada sobre a legislação tributária de diversos estados, na tentativa de minimizar legalmente os gastos com ICMS. Grandes corporações têm setores inteiros para fazer isso, mas os pequenos têm de se conformar em pagar ou estudar sozinhos. Como ela é do tipo que nunca se recusou a estudar, dá para entender todo esse esforço.

Eu já fui empresário no Brasil – tive uma franquia de idiomas por quase dez anos – e sei muito bem o nível dos desafios que um empreendedor enfrenta em nosso país. As dificuldades começam na abertura da empresa. Com muita sorte, e se toda a documentação estiver em ordem, você não consegue mover um dedo em menos de 110 dias. Estamos entre os piores países do mundo nesse quesito, à frente do Suriname e da Guiné Equatorial, mas atrás de Camboja, Haiti e Congo. No mundo civilizado – Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá, Holanda etc. – é possível abrir uma empresa em cinco dias ou menos.

Mas, apesar de demorar, a abertura não é a parte mais difícil. Operar num lugar onde se tributa o faturamento, e não o lucro, é tarefa para heróis. Se você for bem pequeno e suas atividades se enquadrarem, é possível ser roubado com moderação pelo Estado; ou, chamando pelo nome oficial, um roubo Simples. Quem não tem tanta sorte acaba sendo roubado sob a premissa de ser bem-sucedido; ou, chamando pelo nome oficial, roubo por Lucro Presumido. Somente se for suficientemente grande e tiver como gastar uma boa quantia mensal com contabilidade é que a empresa pode ser tributada pelo lucro real auferido. Uma barbaridade. Adicione as inúmeras declarações, licenças, autorizações, alvarás, leis trabalhistas, cadastramentos, recolhimentos, retenções e outras aporrinhações estatais e você terá um dos lugares menos propícios a se fazer negócios no planeta Terra, quiçá do universo conhecido.

A título de comparação, abri minha empresa nos Estados Unidos em 2015. Levou dois dias para obter o EIN, equivalente do CNPJ, e mais dois para fazer o cadastro estadual. O único imposto com que preciso me preocupar é o estadual, de 6,5%, que cobro apenas dos clientes da Flórida – qualquer venda feita para fora do estado é livre de impostos. A cada trimeste eu envio uma declaração de três linhas – isso mesmo, três linhas – contendo total faturado, total faturado dentro do estado e total de impostos recolhidos. Feito isso, eu autorizo a Fazenda Estadual a retirar da conta bancária da empresa o valor recolhido, e acabou. Não preciso pagar contador para isso; a única despesa que tenho com contabilidade é no fim do ano fiscal, para entregar a declaração de renda federal. Isso me custa US$ 150. Essa é a declaração em que fica demonstrado o lucro auferido ou não no ano, sobre o qual incidirá o único imposto federal. Detalhe: qualquer despesa de investimento, como compra de máquinas ou equipamentos, pode ser incluída antes do cálculo do lucro, minimizando o imposto pago e jogando mais dinheiro na cadeia produtiva.

É assim que se tira dinheiro do Estado e se coloca na mão das pessoas, sem intermediação, sem dezenas de agentes corruptos para pegar sua parte ilícita do bolo. E estou falando de um país que hoje possui uma máquina estatal gigantesca, muito além do que os pais fundadores da América sonharam para seu país. Mesmo assim, o empreendedor aqui é tratado como merece: o motor da economia, aquele que gera riqueza para o país. Hoje, conhecendo as duas realidades e as diferenças gritantes entre ser empresário no Brasil e nos Estados Unidos, só posso dizer uma coisa a cada empreendedor brasileiro que continua firme e resiliente em seu negócio: parabéns, patrão. Você merece.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Liberdade ou bala

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 17 de dezembro de 2015.

constitution_gun“Uma milícia bem regulada, sendo necessária à segurança de um Estado livre, o direito das pessoas de possuir e carregar armas não deve ser infringido”, diz a Segunda Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Os primeiros legisladores americanos tinham uma noção bem clara de quanto pode ser perigoso dar poder ao Estado. Embora a maioria das pessoas tenha a ideia de que o direito de possuir e portar armas serve unicamente para a defesa própria, a grande contribuição desse direito para a liberdade de uma nação consiste justamente em deixar nas mãos do povo a capacidade de resposta armada em caso de um governo despótico. A história já deu muitas provas de que o maior temor dos ditadores são os cidadãos armados. Hitler, Stalin, Fidel, Chávez – todos fizeram exatamente a mesma coisa: conduziram programas extensivos de desarmamento da população, seguidos do domínio autoritário sem resistência.

A Segunda Emenda à Constituição dos Estados Unidos tem sido a grande trincheira de defesa da liberdade disponível ao povo americano. Barack Obama é o mais antiamericano de todos os presidentes, e exibe sua agenda desarmamentista em público cada vez que um incidente com armas ocupa a mídia. Qualquer tiroteio é a deixa para que Obama desfie seu discurso liberticida e tente empurrar medidas de restrição e proibição relativas ao armamento de civis. Mas, em se tratando do povo americano, a reação costuma ser bastante diversa do que se vê no Brasil. Deixarei mais claro com dois exemplos.

Os últimos três presidentes brasileiros empenharam-se em passar leis de controle sobre armas, as quais jogaram dezenas de milhares de proprietários de armas na ilegalidade – ao mudar critérios e condições para a obtenção e manutenção de uma licença, as novas leis transformaram de imediato esses cidadãos de bem em “criminosos”. A solução escolhida pela maioria dos brasileiros foi entregar suas armas de fogo nas incontáveis campanhas promovidas em todas as esferas do governo e assistir, inermes, aos rolos compressores passando por cima de revólveres, pistolas, fuzis, espingardas e, por que não dizer, de sua liberdade.

Trago o leitor agora para a realidade americana. O ano é 2015, o mês é novembro. Depois dos atentados de Paris e de San Bernardino, Barack Obama fala em público diversas vezes sobre o controle de armas, deixando clara sua intenção de desarmar o povo americano – um povo que tem em suas mãos algo próximo a 350 milhões de armas de fogo. Com o feriado de Ação de Graças se aproximando, todo o comércio se prepara para a grande liquidação do ano, a Black Friday. O americano típico, aquele que desconfia do Estado e prefere se prevenir do que lamentar, ao ver que o presidente da república pretende lhe tirar a liberdade, vai até a loja mais próxima, aproveita os descontos e arma-se mais ainda. A mensagem é bem clara: você pode tentar me tirar esse direito, mas eu terei como lutar por ele; você pode tentar me tirar a liberdade, mas terá de ser por cima de meu cadáver armado até os dentes.

Não afirmo isso sem dados. Em conversa com um executivo de uma das maiores redes de lojas de armamento dos EUA, recebo a informação de que a última Black Friday foi recorde: suas 152 lojas venderam mais de 250 mil armas de fogo num único dia. Sabendo que há mais duas ou três redes grandes, além de inúmeras lojas menores espalhadas por todo o país, eu não me surpreenderia se os números gerais ultrapassarem um milhão de armas compradas.

Essa é a resposta do povo americano ao esforços autoritários de seu presidente; diga-se de passagem, uma tremenda resposta. Que sirva de exemplo ao povo brasileiro.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Heróis de guerra

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 12 de novembro de 2015.

Nesta quarta-feira comemorou-se, nos Estados Unidos, o Veterans Day (“dia dos veteranos”). Foi um dia repleto de homenagens a todos os homens e mulheres que dedicaram parte de suas vidas em combates de guerra, defendendo a pátria americana. Apesar de todo o esforço da mídia internacional e da própria mídia americana em retratar o país como imperialista, intervencionista e injusto, o povo americano, em sua grande maioria, continua apoiando, respeitando e honrando seus heróis de guerra.

As cidades, grandes e pequenas, preparam festividades e homenagens. Os restaurantes oferecem refeições gratuitas a todos que comprovarem que são militares. Várias redes de televisão chamam ex-combatentes para participar de seus programas – assisti a uma versão especial de Chopped (programa de competição culinária) em que competiam quatro ex-integrantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. Enfim, é um dILUSTRA-Quintela_VetDayia muito bonito, em que você sente no ar o patriotismo e o orgulho do povo americano.

Mas o respeito aos que lutaram fora do país não fica restrito a um dia. Em jogos de basquete, futebol americano ou beisebol, é muito comum que um combatente que tenha acabado de retornar ao país seja chamado para iniciar a partida, para cantar o hino nacional ou somente para ser aplaudido pelo público. Nos restaurantes é muito comum ver os garçons e garçonetes tratando veteranos idosos com o carinho de quem trata um avô, e oferecendo algum tipo de mimo como uma sobremesa, um desconto ou até mesmo a refeição inteira de graça. E esse respeito é passado tanto às novas gerações como aos imigrantes, pois muitos deles encontram nas forças armadas uma boa carreira, e lutam pelo país como se nele tivessem nascido.

Por mais que o governo de Barack Obama tente desqualificar os militares e a agenda esquerdista tente acabar com o patriotismo americano em nome de um multiculturalismo sem sentido, o povo americano continua colocando a bandeira nacional na porta de casa e tendo orgulho de fazer parte desta grande nação. Como potência mundial, os Estados Unidos são odiados por muita gente, principalmente pela esquerda, e sua política de “polícia do mundo” é geralmente criticada com veemência, como se o mundo estivesse preparado para uma era de paz, sem ninguém para interferir quando necessário. Vivemos numa época em que Estado Islâmico, Vladimir Putin, China, Irã e Coreia do Norte não são apenas verbetes de enciclopédia, mas ameaças reais à segurança e à liberdade de muita gente. Mais do que nunca, faz-se necessária uma força militar poderosa, controlada por uma nação democrática, que siga regras constitucionais e que tenha compromisso com a liberdade. Para satisfação de alguns e completo desgosto de outros, somente os Estados Unidos da América são capazes de proporcionar isso ao mundo hoje.

Enquanto isso, para minha tristeza como brasileiro em terras estrangeiras, o governo petista coloca sua guarda pretoriana, a Força Nacional, para combater seus próprios cidadãos. Doze anos de invasões, destruições de propriedade privada, assassinatos e ações criminosas do MST não foram suficientes para que o governo usasse as forças policiais e militares; dois dias de manifestações dos caminhoneiros, sim. A continuar assim, se um dia tivermos um “dia dos veteranos”, a comemoração ficará restrita à aristocracia petista, beneficiária única da proteção pelas Forças Armadas brasileiras. Assim fica difícil ser patriota.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Precisa-se de um republicano

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 23 de setembro de 2015.

23092015-ILUSTRA-Quintela-k5TH-U101737597357ZfH-1024x1056@GP-WebA política norte-americana tem influência global. Ponto. Não obstante, poucos são os brasileiros que a acompanham de perto, e são raríssimas as ocasiões em que a mídia nacional a retrata sem viés ideológico. Na maioria das vezes são divulgadas informações erradas e absurdas, como a de que os Estados Unidos não têm partidos políticos de esquerda, ou de que o governo de Barack Obama tem sido ótimo tanto para os americanos como para o mundo.

A realidade não poderia ser mais distante disso: os últimos seis anos e meio de governo democrata, o partido da esquerda americana, enfraqueceram os EUA e tornaram o mundo um lugar mais perigoso e menos livre. O presidente Obama tem colocado em prática uma política externa desastrosa, retirando a presença e a influência americana de várias regiões críticas, como o Oriente Médio, o Leste Europeu e o Mar da China Oriental, e deixando que jogadores sem nenhum apreço pela liberdade – leia-se Vladimir Putin, Estado Islâmico, China e Irã – cresçam em demasia no tabuleiro mundial. Além disso, ele promoveu recentemente uma reaproximação com Cuba, premiando a ditadura dos Castro com os benefícios da suspensão de várias restrições econômicas, algo que só deixará o patrimônio de Fidel, o líder comunista que figura há uma década entre os governantes mais ricos do mundo, ainda maior que seu atual US$ 1 bilhão.

Quando o assunto é política interna, o desastre continua. Os mandatos de Obama foram marcados pelo uso excessivo de medidas executivas, pelo desrespeito ao Poder Legislativo, pelo estímulo à imigração ilegal, pelas tentativas de cerceamento da liberdade individual, pelas investidas contra o armamento civil, pelo apoio irrestrito ao aborto, pela implementação de programas assistencialistas e pela invasão sistemática da privacidade do povo americano. Sob seu governo, os Estados Unidos deixaram de ser um farol de liberdade para o mundo; estão mais para um farol da agenda esquerdista, aquela que busca a destruição da família, o abandono dos valores judaico-cristãos, o crescimento sem limites do Estado e o fim das liberdades individuais.

Com uma tremenda força econômica, política e militar, a nação mais poderosa do mundo é capaz de impulsionar qualquer tipo de tendência. O mundo precisa que, em 2016, os democratas deixem o poder. O que aconteceu com o Brasil, que endossou oito anos de governo Lula com mais dois mandatos e acabou mergulhando numa crise seríssima por conta da incompetência e corrupção do governo Dilma, será apenas um aperitivo do que pode acontecer ao mundo se o Partido Democrata continuar comandando os Estados Unidos da América. O cardápio que eles trazem para os próximos quatro anos inclui o desequilíbrio cada vez maior do poder, o fortalecimento de governos despóticos, a diminuição da liberdade, o perigo de um Irã com armamento nuclear, o fortalecimento de Rússia e China e de seus métodos de domínio nada democráticos, o enfraquecimento e a islamização da Europa, e a provável ascensão do Estado Islâmico ao topo da lista de ameaças a cada cidadão livre do mundo.

Os republicanos têm candidatos excelentes para as eleições do próximo ano. Carly Fiorina, Jeb Bush, Marco Rubio, Ted Cruz e Ben Carson, que lideram as pesquisas de preferência ao lado de Donald Trump, são ótimas opções para o cargo mais importante do planeta. Suas vidas públicas e suas propostas de governo são pautadas pelo respeito às liberdades individuais, aos direitos à vida e à propriedade privada, e à soberania do indivíduo sobre a do Estado. Esta soberania, tão em falta nos dias de hoje, é a única força capaz de salvar a humanidade de um período de trevas, um em que a força dos governos solapará por completo o indivíduo, nos levando a um estado de coisas muito próximo ao de distopias como Admirável mundo novo , de Aldous Huxley, e 1984 , de George Orwell. O mundo precisa urgentemente de um republicano.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

 

Igualdade? Só com oportunidade

Até hoje não publiquei textos neste blog que não fossem meus. Mas estou abrindo uma exceção hoje para o excelente texto que minha esposa me mandou hoje à tarde. Vale a pena ler sua análise bastante lúcida sobre o que é igualdade na vida real, bem diferente do monte de mentiras e baboseiras disseminadas pela esquerda. Segue na íntegra:

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Antes de qualquer coisa eu gostaria de deixar claro que nunca fui “paga pau” desse país. Aliás, até vir para cá, e quando eu ainda acreditava nas mentiras do aquecimento global, eu nutria um certo desprezo por saber que os Estados Unidos não tinham assinado o tratado de Kyoto e, por ter estudado biologia, sempre achei isso um absurdo. Enquanto o mundo todo lutava para reduzir as emissões de gases na atmosfera, os americanos só pensavam em dinheiro.

Bastaram duas visitas para eu decidir por me mudar com meu marido para cá. E hoje, vivendo aqui há quase 30 dias, minha percepção mudou bastante, e posso dizer que a adaptação não tem sido uma das coisas mais fáceis, mas que estamos conseguindo evoluir a cada dia.

Se eu resolvesse enumerar as coisas boas me faltaria memória para colocar todas em um único texto, mas também poderia dizer que algumas coisas não são legais. Não, não é o lugar mais perfeito do mundo, mas está longe de ser o monstro que muita gente pinta no Brasil.

Muitos, só de ter ouvido falar, acham mesmo que os americanos têm o rei na barriga e que são antipáticos. Algumas pessoas vieram me perguntar e outras até insinuaram que eu poderia ser hostilizada de alguma maneira por ser imigrante. MENTIRA! Todos com quem me relacionei, desde as pessoas nos comércios até o nosso vizinho são extremamente simpáticos e solícitos – transbordam simpatia. O ambiente não é nem um pouco hostil, é na verdade bem convidativo a permanecer, de tão confortável que é.

Quando você vive a vida comum aqui, frequentando os lugares que os residentes frequentam como escola, mercado, academia, lojas, restaurantes e até clinica de pronto-atendimento, você percebe quanta desigualdade existe no Brasil e que por mais que se discuta sobre inclusão social estamos longe de trilhar o caminho certo. Aliás, o que estamos assistindo é a luta de classes cada vez mais acirrada e as pessoas odiando cada vez mais as diferenças. O negro sempre se sentindo preterido, o branco se sentindo hostilizado, as mulheres lutando por “igualdade” e os homens sendo culpados de terem nascido homens, pobres contra ricos e ricos contra pobres. É uma discussão sem fim que nunca chega a lugar algum, provavelmente porque estamos fazendo isso errado.

Queria dividir com vocês algumas das “primeiras” impressões que venho tendo e que têm me gerado reflexões sobre o tema: o que é igualdade na vida real.

Uma das primeiras coisas que fui buscar aqui foi a academia. Quem me acompanha no Facebook sabe que tenho hérnia de disco e preciso cuidar dela com atenção e carinho. Essa academia é a LA Fitness, uma rede que está presente em todos os Estados Unidos. Sua infraestrutura equivale a uma Companhia Atlética, mas o preço, pasmem: US$20 por mês. Por esse valor eu posso fazer todas as modalidades de treinos disponíveis, jogar basquete, jogar squash em salinhas particulares e fazer hidroginástica todos os dias, em qualquer horário. E o que me gera reflexão são as pessoas que vejo lá. São americanos, indianos, latinos, brasileiros (eu e o Flavio), chineses, japoneses e outras nacionalidades. Tem brancos e negros na mesma proporção. Tem mulheres, homens e homossexuais. Donas de casa, jovens moças e idosas, todas puxando ferro. Tem deficientes físicos. Tem obesos e malhados. Todos tendo acesso à mesma infraestrutura porque o preço é acessível a qualquer classe social.

No mercado que frequentamos, como o Wal Mart, o Publix ou mesmo o Target, tem americanos brancos e negros e tem todo o tipo de gente, de todos os lugares do mundo (mesmo estando em uma cidade menor), todos consumindo os mesmos produtos, já que os preços são acessíveis. Além disso os caixas são sempre sorridentes, são loiros, negros, jovens, idosos, mulheres, homens, americanos ou imigrantes, mas sempre solícitos.

Aliás eu nunca vi tantos idosos trabalhando. Ontem mesmo estive na Apple Store e entre jovens brancos clássicos ou com dread no cabelo, negros, orientais, mulheres, homens e gays tinha uma parcela de atendentes da terceira idade, cabelos brancos, olhos azuis e pele rosada (aqueles que um certo Lula já culpou pelas crises mundiais). Todos comprometidos e trabalhando. Estar na Apple Store aqui não é privilégio de uma única classe. Todo mundo tem iPhone. Além disso, não são poucas as escolas públicas que são patrocinadas pela Apple e assim que você matricula seu filho ele sai com um Mac Book Pro para usar durante o ano letivo.

Outra coisa legal é que aqui quase não vemos criança na rua, só quando estão esperando pelo ônibus escolar gratuito, porque crianças e adolescentes aqui estão na escola. Vão pela manhã e chegam em casa às 14h, 15h e até às 16h. As escolas públicas são boas, e não existe a necessidade de pagar escola para ninguém por conta do ensino fraco ou pelo risco de traficantes ficarem na porta como moscas de padaria em cima dos pequenos e dos adolescentes.

A quantidade de deficientes físicos (acho que por causa das guerras muitos homens voltam literalmente sem algum membro do corpo) vivendo uma vida normal, frequentando os shoppings e mercados, praticando esportes e jantando em restaurantes é enorme. Aqui todos os lugares são construídos com acesso para deficientes.

Mais uma coisa que me chamou a atenção é que qualquer pessoa, independente de etnia e condição social, tem carro. Primeiro porque carro custa barato demais. Segundo porque se você for cidadão você compra um carro muito bom (um Toyota Camry, por exemplo) por míseros US$150 mensais. Ontem mesmo vi uma senhora idosa andando de Camaro (achei incomum porque é diferente vê-lo sendo dirigido por uma idosa), e vejo centenas ou milhares de negros de BMW novo. Vi brancos de carro velho e também de carros novos. E vejo as pessoas que prestam serviço para nós aqui em casa chegando em seus carros gigantes e fazendo um serviço que nós no Brasil consideramos “braçal”, como pintar paredes ou instalar papel. Alguns são americanos e outros são imigrantes. Mas todos trabalham sem preguiça.

E posso continuar falando de muitas outras coisas, como jogar tênis, por exemplo, não ser uma atividade exclusiva dos mais abastados. Aqui tem quadras espalhadas pelas cidades e basta você chegar, entrar e usar. E já vi brasileiros, colombianos, americanos, brancos, negros e amarelos jogando lado a lado. Ou o cara que estaciona um Mustang no estacionamento grátis e o outro que estaciona seu carro mais simples no Valet, curtindo as coisas boas da vida juntos.

Isso tudo tem me feito pensar sobre todo o mal estar que vivemos no Brasil. E está me fazendo entender que igualdade e inclusão não se fazem com favores do governo, com bolsa família, com ajudinha temporária. Inclusão e igualdade se fazem com oportunidade de emprego, com salários dignos e preços acessíveis.

Se o governo no Brasil tivesse como iniciativa estimular os empresários a crescer e o mercado a expandir as coisas seriam sim muito diferentes. Só vivendo aqui consegui entender como o plano Real conseguiu levar tantas pessoas para a classe média e nivelar tanta gente. Imagine como é bom você trabalhar em um local que te paga o suficiente para você consumir como qualquer outra pessoa, dar do bom e do melhor para sua família e se possível ainda doar seu tempo e algum dinheiro para trabalhos voluntários e projetos da escola de seus filhos?

Estou aqui há muito pouco tempo, e me considero leiga em muitos assuntos, mas o que vejo como maior indicativo de inclusão é uma economia estável. Aqui não são só brancos e negros, magros e gordos, mulheres, homens e homossexuais. Esse país abre oportunidades para gente do mundo todo que está disposta a arregaçar as mangas e trabalhar.

A solução para o Brasil está longe de ser tantos projetos de leis favorecendo uns ou outros. Se leis resolvessem de fato, 80% dos nossos políticos estariam no mínimo cassados, para não dizer presos. Precisamos de gente menos dodói, que consiga olhar o povo brasileiro como um só e não de uma maneira tão segmentada. Precisamos de um governo que aja para o aquecimento do mercado, da nossa economia, que cobre menos impostos, e de empresários que estejam dispostos a lucrar um pouco menos para vender mais. Isso tudo junto daria às pessoas mais acesso a produtos e serviços que hoje no Brasil são exclusivos de classes mais altas.

Estou com saudade do meu país. Sinto falta de ouvir as pessoas falando no meu idioma e gosto de muitas coisas de onde eu vim. Mas estamos em uma rota suicida e quase sem volta. Deus nos ajude nas próximas eleições e espero de verdade que nos próximos anos a direita brasileira retome a atividade de uma maneira mais efetiva para gerar mais discussão e um outro tipo de mentalidade para o povo.

Como disse Abraham Lincoln um dia, eu quero um governo “do povo, pelo povo e para o povo”, para todo o povo, com menos exceções. Quero um governo que não atrapalhe e que se meta menos em nossas vidas. E que as leis e as oportunidades sejam iguais para todos. É pedir muito?

Alê Quintela