Apropriador cultural, com muito orgulho

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 16 de fevereiro de 2017.

feijoada

Outro dia eu estava no parquinho aqui perto de casa, cuidando do meu filho e vendo as outras crianças brincarem. Num determinado momento, um garotinho tentou pegar o carrinho das mãos de outro; este segurou o carrinho com força e falou, meio gritado: “It’s mine!” (“É meu!”). Cerca de duas horas depois, já em casa, me deparei com um texto sobre apropriação cultural em um certo blog de esquerda e me lembrei imediatamente das duas crianças. Pensei comigo que os esquerdistas são como crianças mimadas, mas bastou um pouco mais de reflexão para chegar à conclusão de que esquerdistas são ainda mais infantis que crianças mimadas.

A questão da tal apropriação cultural chega a ser ridícula quando analisada de um ponto de vista lógico. Afinal, a não ser que vivêssemos em uma sociedade completamente pura no tocante à imigração – algo como um país completamente cercado por muros, onde ninguém entra e de onde ninguém sai, cujos meios de comunicação com o mundo exterior sejam cortados e proibidos –, a mistura de culturas é um fenômeno que acontece todos os dias, e é na maioria das vezes bidirecional. Essa mistura não acontece somente em épocas de paz, mas também em momentos de guerra e dominação – povos dominados absorvem a cultura dos dominadores e vice-versa. Ninguém está imune a isso.

O caso que andou rodando pela internet foi da moça que usava um turbante para cobrir sua cabeça, calva por causa de um tratamento de câncer, e que foi molestada por alguém que se incomodou com o fato de a moça ser branca e o tal turbante ser um costume supostamente exclusivo de mulheres negras. A coisa tomou proporções por causa da condição de saúde da “apropriadora cultural”, mas, ainda que ela estivesse usando um turbante apenas porque acha bonito, não haveria problema algum do ponto de vista adulto. Adultos sabem que esse tipo de preocupação – se o outro está vestindo, usando ou comendo algo criado por um outro povo, em um outro tempo – não lhes cabe. Adultos sabem que o amanhã lhes cobrará com base em suas prioridades de hoje. Quem tem como prioridade estudar, trabalhar, tomar conta de si mesmo e crescer individualmente tem muito mais chances de uma boa colheita futura que aquele que passa os dias procurando chifre em cabeça de cavalo, como dizia minha mãe quando eu era criança.

Se o raciocínio dos que condenam a apropriação cultural fosse realmente lógico e válido, o mundo entraria em colapso. Muitas fábricas ocidentais teriam de fechar as portas porque suas linhas de produção se baseiam em técnicas japonesas de eficiência e qualidade. Por outro lado, todas as fábricas orientais teriam de fechar as portas porque têm linhas de produção, invenção de Henry Ford, americano. O mundo inteiro, com exceção do México, deveria parar de cultivar e utilizar o milho, já que foi o povo asteca que descobriu a planta, desenvolveu seu cultivo e criou a cultura do seu consumo. Ou, para usar um exemplo bem brasileiro, deveriam ser suspensas todas as feijoadas para brancos, orientais ou mesmo indígenas – somente os afrodescendentes devem ter permissão para desfrutar de tal iguaria. Estes, por sua vez, não poderão mais saborear uma deliciosa lasanha ou… (para ler o restante deste artigo, clique aqui)

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

A lista do adeus

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 5 de maio de 2016.

Este colunista espera, do fundo do coração, que esta seja sua última coluna sob a presidência de Dilma Rousseff. Afinal, o plenário do Senado deverá votar pela abertura do inquérito contra a pior presidente deste canto da galáxia amanhã, dia 6 de abril, e a oposição tem todos os votos de que precisa para afastar a presidente por 180 dias (ou, em outras palavras, para sempre).

Assim, achei de bom tom elencar um pouco do que esse governo fez de ruim para o Brasil, caso alguém ainda pense que poderá sentir saudades. Com vocês, minha lista do adeus:

A expressão “mãe do povo” – esperamos que a mãe e o pai do povo (sim, estou falando daquele criminoso que não tem o dedo mindinho) sejam condenados e presos, e que o povo aprenda que é melhor ser órfão do que ser filho do Estado;

O PAC – em vez de acelerar o crescimento, esse grande programa de loteamento de obras superfaturadas para políticos e empresários corruptos só freou ainda mais a economia brasileira. Finalmente terá seu fim, pois o próximo presidente dificilmente manterá algo que foi vendido como o grande feito da então ministra Dilma;

Kátia Abreu – maior decepção política dos últimos anos, a senadora lambe-botas da atual presidente será finalmente defenestrada do governo. A oportunista de Tocantins terá bastante tempo para refletir sobre o que é escolher estar do lado errado da história. Sorte dela não precisar de uma bomba atômica na cabeça para isso;

Mais Médicos – será um grande alívio para os brasileiros de bem quando o governo parar de enviar dinheiro para um ditador sanguinário através deste programa de fachada. O Mais Médicos foi um dos maiores absurdos deste governo, uma imoralidade, uma vergonha para o Brasil;

O Itamaraty Vermelho – com a saída do PT do governo, ressurge a esperança de que nossa diplomacia volte a priorizar as relações com os países livres e democráticos e pare de desperdiçar recursos e de sujar nossa reputação com o apoio a ditadores pelo mundo afora;

Nunca antes na história deste país – que bom será nunca mais ter que ouvir a frase “nunca antes na história deste país” e nem comparações ridículas do tipo “mais do que nos últimos 500 anos”;

MST – embora esta organização criminosa esteja longe de ser extinta, só o fato de não poderem mais entrar e sair do Planalto quando bem entenderem, fazendo o governo de capacho, já é uma evolução. E ainda há a esperança de que o novo governo aperte o cerco e pare de financiar esses vagabundos que invadem terras produtivas e destroem centros de pesquisa de agricultura e pecuária;

Blogueiros chapa-branca – sem o financiamento do governo petista, centenas de blogueiros chapa-branca deixarão de mamar nas tetas do Estado e finalmente terão de arrumar um emprego digno, um que não inclua defender criminosos e exaltar ditadores (a não ser, é claro, que consigam uma vaguinha na Folha);

Discursos sem pé nem cabeça – finalmente estaremos livres da vergonha internacional que é ver Dilma Rousseff falando em público. Será um adeus aos cachorros ocultos, às mandiocas exaltadas, aos dentifrícios retornantes e a tantas outras expressões nunca antes utilizadas por um presidente da república na história deste país e deste planeta. Pensando bem, este último ponto fica tanto como positivo como negativo, pois perderemos uma fonte inesgotável de diversão e comédia.

Enfim, Dilma já vai tarde, tarde demais. Ela sai deixando o país na pior recessão da história e protagonizando aquele que é considerado o maior escândalo de corrupção do mundo moderno. De todos os recordes que ela poderia quebrar, escolheu os piores. Dilma Rousseff, não sentiremos saudades de você.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Deputado sem votos

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 21 de abril de 2016.

No ano de 2010, o humorista, palhaço, cantor e compositor Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como Tiririca, foi eleito deputado federal pelo estado de São Paulo. Não foram poucos os que classificaram sua eleição como uma das maiores vergonhas da política brasileira ou como a bizarra evidência de que o eleitor realmente não sabe votar. Tiririca teve a maior votação para o cargo de deputado federal do país naquela eleição, e a segunda maior da história das eleições brasileiras – seus 1.353.820 votos o colocaram atrás apenas de Enéas, que em 2002 conseguiu a marca recorde de 1.573.112 votos.

jeanwyllysNaquele mesmo ano, concorreu também um outro novato da política, um indivíduo cujo feito mais notável tinha sido a vitória na quinta edição do programa Big Brother Brasil, e que teve exatamente 13.018 votos. Graças à legislação eleitoral brasileira, e sua regra de proporcionalidade (esta, sim, uma bizarrice das grandes), Jean Wyllys de Matos Santos foi eleito deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro com a menor votação entre todos os eleitos de seu estado, e com a menor votação proporcional do país.

Tremenda injustiça é apontar Tiririca como o grande absurdo das eleições de 2010. Está claro que é Jean Wyllys. Ele teve apenas 0,96% dos votos de Tiririca, ou seja, daria para eleger mais de 100 Jeans com a votação de um Tiririca. O total de votos para deputado estadual no Rio de Janeiro foi de 7.454.543; ou seja, Jean teve 0,17% do total de votos de seu estado (isso significa 17 indivíduos em cada 10 mil pessoas). A título de comparação, a média de votos para alguém se eleger vereador na cidade de São Paulo é de 44.065; dos 56 vereadores eleitos em 2012, 55 tiveram mais votos que os 13.018 de Jean. A quinta edição do programa Big Brother Brasil, da qual Jean foi vencedor, registrou audiência média de 47 pontos. Um ponto de audiência, de acordo com o Ibope, corresponde a 38.621 domicílios na região metropolitana do Rio de Janeiro. Considerando que em cada domicílio duas ou três pessoas estejam na idade de votar, e extrapolando os dados para o restante do estado, chegamos a uma estimativa de 150 mil pessoas assistindo ao programa e acompanhando as estripulias do então aspirante a político. Nem 10% delas quiseram votar no sujeito.

A votação de Jean foi tão baixa, mas tão baixa, que todos os seus eleitores caberiam no Templo da Glória do Novo Israel, da Igreja Universal do Reino de Deus, na cidade do Rio de Janeiro; é mais fácil encontrar uma pessoa com um olho de cada cor que um eleitor de Jean; o número de votos de Jean Wyllys está para o total de votos de seu estado assim como uma bola de gude está para uma bola de basquete; se você deitar os eleitores do Tiririca numa linha reta, pés de um na cabeça do outro, dá para ligar o Rio de Janeiro a Manaus; se fizer o mesmo com os eleitores de Jean, não dá para chegar nem a São João do Meriti.

Mas, infelizmente, a eleição desse deputado foi apenas o primeiro de uma série de episódios lamentáveis envolvendo sua pessoa. Uma vez diplomado, Jean trabalhou incessantemente para estabelecer uma agenda de ódio, seguindo à risca o modo de operação de seu partido, o PSol. Contradição ambulante que é, Jean apresentou projetos de lei absurdos como o 1.780/2011, em que propõe a obrigatoriedade do ensino da tradição islâmica nas escolas brasileiras. Como levar a sério uma pessoa que tacha qualquer opinião contra a homossexualidade como homofobia e, ao mesmo tempo, propõe a obrigatoriedade do ensino de uma cultura que assassina homossexuais pelo simples fato de o serem? Jean consegue ver a intolerância estampada em um pastor que diga que uma relação homossexual é pecaminosa, mas aplaude uma cultura que não só afirma isso, mas pune o “pecador” com a morte.

Parece que Jean não tem realmente a capacidade cognitiva para entender o mundo e a história. Ele é um conhecido admirador de Che Guevara, o messias da esquerda latino-americana, mesmo sabendo que Che odiava homossexuais. Em seu livro O Socialismo e o Homem de Cuba, Che propôs um modelo de perfeição viril que condenava por completo a homossexualidade, a bissexualidade e a transexualidade. Além disso, há diversos relatos de execuções de homossexuais sob seu comando, e diversos episódios descritos no livro Mea Culpa, de Guillermo Cabrera Infante. Um deles foi a visita de Che à embaixada cubana na Argélia: ao ver que o embaixador tinha uma obra do poeta Virgilio Piñera em sua estante, ele atira o livro na parede e diz “Como é que você pode ter o livro dessa bicha na embaixada?”. Uma outra parte do livro dá uma ideia precisa do que era ser gay na Cuba revolucionária: “Um departamento especial da polícia, chamado de Esquadrão da Escória, se dedicara a deter, à vista de todos, na área velha da cidade, todo transeunte que tivesse um aspecto de prostituta, proxeneta ou pederasta”.

Em seu trajeto de contradições e incitações ao ódio, Jean encontrou no deputado Jair Bolsonaro seu nêmesis. A estratégia de concentrar suas ações sobre alguém com muito mais notoriedade e muito mais votos deu resultado: Jean conseguiu multiplicar sua primeira votação pífia por um fator de dez quando se reelegeu em 2014. A cusparada em direção a Bolsonaro durante a votação do impeachment, no último domingo, corrobora esta tese. Fosse um ato de impulso, já seria condenável e absurdo. Premeditadamente, como mostra um vídeo disponível nas redes sociais, é certamente caso para o Conselho de Ética da Câmara.

Em tempo, o deputado Tiririca deu um dos 367 votos favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff e participou de 100% das sessões parlamentares. Mais importante: ele nunca exaltou ditadores assassinos e não precisou dos votos de outro candidato para se eleger. Por tudo isso, sou obrigado a dizer: mais Tiririca, menos Jean.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Esquizofrenia ideológica

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 24 de março de 2016.

No Brasil de hoje, cada alvorada é o prenúncio de algum novo escândalo do governo. Um novo indiciamento aqui, uma nova prisão ali, e vai ficando cada vez mais difícil encontrar alguém ligado ao PT que não esteja envolvido em algum tipo de crime. São dias terríveis para os militantes petistas e para os defensores do partido; se já era difícil justificar sua ideologia retrógrada e tacanha numa situação mais “normal”, diante de tantas quebras de recordes de corrupção a única opção tem sido abrir mão de todo raciocínio lógico e passar a acreditar em mentiras que confortam o coração e permitem uma noite de sono sem culpa.

scalesPara momentos desesperadores, medidas desesperadas. Vale até abrir mão do relativismo moral, um conceito odioso que fundamenta muitos dos absurdos defendidos pela esquerda moderna, para tentar minimizar os crimes do governo atual. O discurso que tem sido usado nas redes sociais por aqueles que ainda insistem em ficar ao lado do PT é o de que ninguém tem moral para condenar os petistas, porque todos são desonestos. É mais ou menos assim: se você colou numa prova na quinta série, é tão corrupto quanto o ex-presidente que recebeu milhões de dólares em esquemas criminosos com empreiteiras; se furou a fila do cinema, é tão desprezível quanto a presidente que demorou mais de uma semana para visitar as vítimas de Mariana, mas que correu para estar com um criminoso.

Assim, aqueles que sempre disseram que “não existe o certo e o errado” e que “a moral é relativa e cada um tem a sua” repentinamente apelam para a mais absoluta das morais, e invocam um ensinamento bíblico, o de que todos pecaram e não há um justo sequer neste mundo. É claro que este comportamento é seletivo, pois em qualquer outra situação em que os crimes dessa patota não estivessem expostos e escancarados ao público seus defensores voltariam a exaltar suas “virtudes” e a condenar os seus opositores. Mas, como a coisa ficou feia e já não há mais como esconder a sujeira debaixo do tapete, melhor mesmo é dizer que todo mundo é farinha do mesmo saco.

Ocorre que nosso sistema de leis é baseado na proporcionalidade dos atos. É fato que todos cometemos erros e deslizes, mas também é fato que a grande maioria das pessoas não sai por aí cometendo assassinatos, roubos a bancos, estupros ou chacinas, e muito menos assaltando os cofres públicos e montando esquemas bilionários de corrupção e compra de parlamentares. É por isso que as penalidades variam de crime para crime, e o menino que colou na prova não vai parar na cadeia junto com o sujeito que matou o amante da esposa. As consequências devem necessariamente ser proporcionais à gravidade dos atos. Esta é uma lei natural.

Apesar desta nova modalidade em voga atualmente, rebaixar todas as pessoas a um mesmo patamar é algo da essência de toda doutrina de esquerda. O socialismo e o comunismo são basicamente isso: a igualdade do pior. A igualdade da pobreza, da mediocridade e da ignorância sempre pautaram a realidade material de todos os regimes de esquerda. Transportar essa igualdade para o domínio moral é, portanto, apenas um detalhe para o pensamento predominante no partido governista e em seus apoiadores. Assim, não é de espantar que esse tipo de discurso tenha surgido agora, diante de uma situação não explicável através da realidade e da verdade. A mentira é como uma bola de neve, que nunca se perpetua sem aumentar de tamanho.

Quando cada um de nós, cidadãos de bem, comete um pequeno erro como passar um sinal vermelho, colar numa prova, aceitar um troco errado ou sonegar um imposto, a consequência vem na forma de uma abordagem policial, uma reprimenda da diretora, uma consciência pesada ou uma multa. As penalidades ajudam a reprimir atos falhos futuros e a construir nosso caráter. Quando Dilma, Lula e seus companheiros assaltam o país, vencem eleições com o uso de dinheiro ilícito e cometem toda sorte de crimes, não se espera outra consequência que… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

O Itamaraty não é mais aqui

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 3 de setembro de 2015.

A diplomacia brasileira já foi motivo de orgulho e desejo de carreira de muitos brasileiros. Alguns grandes nomes passaram pelo Itamaraty, profissionais que hoje não teriam lugar na era diplomática petista, uma que tem colocado a ideologia como único norte para esta atividade essencial à soberania da nação.

Nossa tradição diplomática começou com Alexandre Gusmão, que destacou-se nas negociações do Tratado de Madri, aquele que substituiu o Tratado de Tordesilhas, estabelecendo fronteiras próximas às do Brasil de hoje e consagrando o uti possidetis, ita possideatis, princípio do direito romano que dá a posse de direito a quem já a possui de fato. Destaque-se que isso foi realizado numa época em que nossa diplomacia nem existia de forma organizada.

No século 19, o Brasil veria o nascimento de José Maria da Silva Paranhos Júnior, cujo título de nobreza foi imortalizado no centenário de seu nascimento, batizando o instituto recém-criado onde se daria a formação dos futuros membros do corpo diplomático da nação. O Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira, foi responsável pelo Tratado de Petrópolis, assinado em 1903 com a Bolívia, e que resultou na anexação do Acre pelo Brasil.

Já no século 20 tivemos outro grande diplomata, Oswaldo Aranha, que defendeu a aliança com os Estados Unidos quando o ministro da Guerra do governo Vargas era pela aproximação com a Alemanha. Numa ação inimaginável para as diretrizes atuais do Ministério das Relações Exteriores, Aranha presidiu a II Assembleia Geral da ONU e defendeu a criação do Estado de Israel por meio da partição do território palestino, recebendo na época o agradecimento público de vários judeus proeminentes.

Com o século atual veio a decadência, montada sobre o ranço ideológico impresso ao Itamaraty. Em 2005 houve a decisão de remover o caráter eliminatório da fluência na língua inglesa dos critérios de admissão ao Instituto Rio Branco. Na mesma época já estava em vigor uma mudança de foco nas relações exteriores, com uma ênfase cada vez maior na África, inclusive em algumas ditaduras cruéis, e um distanciamento de nosso maior parceiro comercial na época, os Estados Unidos. O então presidente Lula fez oito viagens para países africanos para consolidar esse novo direcionamento, cujo resultado mais notável foi turbinar os lucros de grandes empreiteiras brasileiras, várias delas implicadas atualmente pelas investigações da Operação Lava Jato.

O fim da primeira década do século veria o governo Lula buscando a aproximação com o Irã de Mahmoud Ahmadinejad, e a diplomacia brasileira opondo-se às sanções contra o programa nuclear iraniano. A vitória de Dilma nas eleições de 2010 só aprofundou o buraco diplomático em que nos enterramos. E essa caminhada histórica nos traz a 2015, ano em que o Itamaraty publicou nota oficial repudiando a execução de um traficante de drogas brasileiro pelo governo indonésio, mas calou-se diante de ameaças de invasão territorial feitas pelo presidente da Bolívia, Evo Morales. Este silêncio não é apenas covarde; é um silêncio de quem é cúmplice na destruição das democracias da América do Sul, na defesa de criminosos e traficantes e no posicionamento ideológico ao lado de ditadores e governantes autoritários.

Mas, não bastasse a miséria profissional, nossa estrutura diplomática enfrenta também a miséria física. No início deste ano, diversos diplomatas brasileiros em países como Japão, Portugal e Estados Unidos enviaram telegramas ao Itamaraty informando que estavam prestes a sofrer cortes de energia por falta de pagamento, e que não tinham dinheiro para pagar contas de internet e comprar materiais de uso diário. Num dos piores casos, o da embaixada no Benim, o próprio embaixador teve de tomar banho “de caneca” porque não havia nem US$ 100 em caixa para pagar o conserto do aquecimento de água.

Da negociação de novos territórios para a covardia diante de uma ameaça de invasão. Da posição de destaque no pós-guerra para a defesa de traficantes. Da imagem justificada de excelência para a penúria vergonhosa. O legado diplomático brasileiro é apenas mais um que o governo petista conseguiu destruir. Destruição, aliás, é o principal legado desse governo para o Brasil; talvez seja o único.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Eles têm medo até de barata

Para compreender a cabeça de um esquerdista você tem que primeiro imaginar algo que para qualquer pessoa normal – por normal quero dizer alguém que não sofra de doenças ou disfunções mentais – seria inimaginável:

Você tem que acreditar piamente que as leis e regras da sociedade só se aplicam quando são ao seu favor.

Sim, esse conceito absurdo a qualquer pessoa sã está sempre presente na conduta de um esquerdista, principalmente dos mais radicais. Esta é a única maneira de se explicar as irracionalidades que temos visto na história desse pessoal:

  • pedir o impeachment de Collor era algo legítimo, parte do jogo democrático; pedir o impeachment de Dilma é golpe;
  • prender empresários corruptos é algo legítimo, além de ser uma obrigação; prender companheiros como Dirceu e Genoino é um ataque fascista a heróis da liberdade;
  • militares que usaram de violência devem ser publicamente execrados e seus nomes devem ser retirados de todas as ruas e monumentos públicos do país; guerrilheiros que usaram de violência, e com muito mais crueldade, devem ser exaltados e seus nomes devem ser colocados nessas mesmas ruas e monumentos públicos;
  • nações que pregam a liberdade e que respeitam a vida de seus cidadãos devem ser desprezadas e tachadas de imperialistas e anti-democráticas; nações que assassinam cidadãos por motivos de opinião e que são regidas por ditadores implacáveis devem ser exaltadas como modelos de conduta.

Esse sujeito psicopata, o tal de Vagner Freitas, presidente da CUT, é mais um exemplo desse comportamento. Quando a Rachel Sheherazade falou que era compreensível que as pessoas se revoltassem contra um criminoso e o amarrassem num poste, todos os esquerdistas que tinham a possibilidade de emitir uma opinião na mídia a crucificaram; quando esse vagabundo psicopata diz que ele e seus amiguinhos neuróticos irão para a “rua entrincheirados, com armas na mão, se tentarem derrubar a presidente”, a única coisa que vemos são menções nos portais de notícias, e nada além disso.

Apesar de toda a bravata desse vagabundo, que vive às custas de um sistema que só serve para sustentar vagabundos e cuja maior realização foi levar um outro vagabundo à presidência da república, não há o que se temer. Eles não passam de covardes tentando assustar as pessoas de bem que vão para as ruas no dia 16. Ao contrário do pessoal de Cuba, Coréia do Norte e Venezuela, que matam sem dó, nossos esquerdistas têm medo até de barata – as palavras de ameaça são a única coisa que lhes restou. Se o povo tomar as ruas no domingo, é game over para esses parasitas.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor; é autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Vamos boicotar

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Colunistas, edição de 14 de junho de 2015.

De 1985 a 1994 a Kalunga patrocinou o Corinthians. De 1985 a 1994 ninguém da minha família colocou os pés numa loja da Kalunga. Como bons palmeirenses, fizemos nosso boicote ao patrocinador do arquirrival.

O livre mercado, essa coisa tão desprezada e vilipendiada pela esquerda, eleva o cliente a patrão supremo, com base numa regra simples e básica: ninguém é obrigado a comprar o que não quer. E por isso cada cidadão pode fazer e promover o boicote que bem entender.

O recente episódio que ocupou a mídia por vários dias, envolvendo um comercial de O Boticário para o dia dos namorados, traz à tona dois aspectos bastante característicos da linha de pensamento de esquerda: desprezo pela liberdade de expressão e desigualdade de direitos.

Desde que a tropa de choque do politicamente correto começou a ocupar posições de destaque, a liberdade de expressão vem sendo cerceada, e qualquer manifestação contrária ao uso político das minorias para promover a agenda da esquerda é atacada com violência pelos hipócritas que se intitulam defensores da tolerância, mas que não toleram nenhum pensamento contrário ao seu. Em consequência disso são raros, hoje, espaços como este em que escrevo livremente.

Mas o comportamento da esquerda, que gosta de se chamar de progressista, é também o de total desrespeito pela igualdade de direitos. É o comportamento do se-você-faz-é-feio-mas-se-eu-faço-não-é. Boicote de religioso que não concorda com um comercial que faz menção a relacionamentos homossexuais, não pode. Mas boicote aos produtos da grife Dolce & Gabbana por conta da opinião dos estilistas a favor da família tradicional, pode (detalhe: Dolce e Gabbana são gays). Pode também boicote às massas Barilla e à rede de restaurantes Chick-fil-A, pois ambas se posicionaram contra a agenda esquerdista.

Essa mentalidade contamina as pessoas de tal forma que já há minorias desprezadas dentro das minorias. Gays que se declaram de direita, negros que são contra as cotas raciais, pobres que dão uma banana aos programas assistencialistas, são todos difamados e insultados por seus “semelhantes”; afinal, se você faz parte de uma minoria, mas não pensa como um desvalido, você é um pária. Traduzindo: se você se encaixa no estereótipo do vitimizado, mas pensa como um cidadão adulto e responsável, você está errado, é um boçal.

Não é de hoje que a esquerda reivindica o monopólio da virtude, e também não é de hoje que suas contradições são tão descabidas quanto absurdas. A lista de hipócritas é extensa, e inclui milionários pregando o socialismo de cima de suas coberturas tríplex, políticos pregando o desarmamento cercados de seguranças armados, artistas pregando a ecochatice de dentro de jatinhos queimadores de combustível fóssil, músicos pregando o respeito ao conteúdo nacional com os bolsos cheios pela Lei Rouanet, e assim por diante. Essa hipocrisia, que deveria ser enojante, desprezível, acaba encontrando lugar na mente de um povo infantilizado, mergulhado num oceano de vitimismo e falsos direitos.

Termino pedindo: por favor, boicote. Prefira as empresas que representam o seu pensamento, as suas preferências, os seus ideais, e com isso faça girar a máquina extraordinária do livre mercado. E se fulano reclamar do seu boicote, boicote-o também. Boicotemos os chatos e os hipócritas.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Monopólio da cidadania

Artigo publicado no Correio Popular de Campinas, seção Opinião, edição de 22 de novembro de 2014.

A esquerda sempre teve um cacoete muito grave: o de se enxergar como detentora do monopólio das virtudes. Os pensadores e filósofos que construíram o socialismo e suas vertentes o fizeram de suas casas amplas e aristocráticas, amparados pela riqueza de suas famílias. O mundo dos pobres e dos desfavorecidos nunca lhes foi nada além de um mundo imaginado, de uma realidade extremamente distante, razão pela qual suas soluções para os problemas de desigualdade social sempre geraram cada vez mais pobreza em todos os lugares onde foram implementadas.

Mas, a despeito do fracasso prático dessas soluções e ideias, o simples fato de declararem uma preocupação para com os mais pobres parece ser mais que suficiente para inflar o ego de grande parte dos militantes de esquerda. Aqui no Brasil o fenômeno é facilmente identificável entre os membros do partido governista, o PT, desde o seu surgimento até os dias de hoje. Sua fundação foi auto-aclamada como a de uma agremiação até então jamais vista, composta de “salvadores da pátria”, gente que iria injetar uma dose cavalar de ética e honestidade na política brasileira. Muitos que participaram desse início dificilmente poderiam ser considerados representantes dos trabalhadores que se propunham defender; os que o poderiam fazer com alguma legitimidade, caso do próprio Lula, se transformaram, durante os muitos anos no poder, em exemplos máximos da nova aristocracia brasileira, vivendo um estilo de vida que nem os homens mais bilionários do planeta costumam viver. Cruzam o país em jatos particulares, bebem garrafas de vinho mais caras que um automóvel, e continuam dizendo que são do povo, e contra a elite.

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Do alto de sua pseudo-humildade megalômana acusam todos os que não concordam com suas posturas, ideias e ações de serem contra os pobres, transformando-os em bodes expiatórios da nação. Sim, todos aqueles que não querem o governo do PT e que estão se manifestando contra ele nas ruas estão sendo difamados e caluniados pela liderança petista. Manifestantes que marcam suas passeatas no final de semana, pois não podem se dar ao luxo de perder um dia de trabalho, que não vandalizam o patrimônio público e nem o privado, que não colocam máscaras para esconder seus rostos, que não colocam fogo em pneus para bloquear estradas, esses são chamados de golpistas, de antidemocráticos, de elite branca, de burguesia inconformada. A diferença entre o discurso e a realidade é tão gritante que chega a ser ofensiva à inteligência. Quando o MST invade os gramados de Brasília e agride policiais, a presidente da república os chama para dialogar. Quando milhares de pessoas tomam pacificamente as avenidas de São Paulo num sábado à tarde, o partido da presidente da república os chama de golpistas, fascistas e reacionários.

O que nos resta? A quem não faz parte das minorias agraciadas pelo PT foi reservada uma categoria diferente: a de cidadão de segunda classe. Os que não se qualificam para nenhuma bolsa, para nenhuma ajuda governamental, que não se beneficiam por conta de seus antepassados negros ou indígenas, que não são filiados ao partido, que não têm cargos comissionados na máquina estatal petista, esses todos, que compõem a maioria dos brasileiros, não podem sequer exercer seu direito de expressão, pois qualquer opinião ou ação contra o governo é rapidamente classificada como quase criminosa, como um atentado à democracia. Não que isso seja algo espantoso – o PT sempre deixou claro em seus documentos e congressos que tinha como objetivo a hegemonia, e isso significa massacrar toda e qualquer oposição, mesmo a de ideias. O próprio Lula já comemorou em público a ausência de candidatos de direita nas eleições presidenciais, como se isso fosse a coisa mais saudável do mundo. Pluralidade não é uma palavra muito querida por ele e seus companheiros de partido, a não ser quando aplicada a reais, dólares ou euros.

Já passou de hora de desmascarar esses “homens do povo”. É isso que nos resta, expor suas contradições, sua hipocrisia e suas mentiras. Eles têm o poder do estado e do dinheiro farto, mas não têm ao seu lado a verdade. Enquanto houver espaços a ocupar onde se possa falar a verdade, ela acordará pessoas e libertará mentes. Assim eu espero.

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

A dor indissociável da vida

sofrimentos-inevitáveisO ser humano nasce sofrendo. Nosso primeiro contato com o mundo é literalmente de chorar. Depois de tantas semanas no aconchego do ventre materno, a entrada no mundo através das mãos do obstetra ou da parteira vem acompanhada de muito esforço, dor, fluidos, sangue, suor e lágrimas; e me perdoem pelo chavão. A dor da mãe, principalmente no caso de parto natural, pode se estender por horas e horas, e é suportável apenas porque existe algo maior, que muitos de nós consideram o maior bem da humanidade, a vida. Digo muitos, e não todos, porque a humanidade já assistiu à ação de lunáticos poderosos que ceifaram milhões de vidas durante sua existência. Mas, no geral, a vida é e continuará sendo o motor maior do ser humano, e a chegada de uma nova vida é um espetáculo que jamais se torna repetitivo.

Mas divaguei… Minha ideia central é a dor, o sofrimento. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, principalmente as mais jovens, a essência da vida não é ser feliz. Quem vive correndo atrás da felicidade, conceito aliás bastante subjetivo e de difícil medida, não se dá conta de uma verdade absoluta, que atinge todas as pessoas deste mundo: só existem duas certezas na vida de um ser humano, a de sofrer, e a de morrer. A nossa natureza má garante a presença da dor em toda a nossa história de vida – por vezes nós a infligimos a nós mesmos, por vezes aos outros. E sobre a morte não há muito o que dizer: ela é implacável e invencível.

É claro que eu não poderia continuar nesta direção sombria, sem mencionar as possibilidades de alegria que nos surgem. Não é porque vivemos com a certeza da dor e da morte que não podemos viver momentos de alegria. Nossa verdadeira humanidade está em agir ativamente para melhorar nossa vida e tornar os momentos de dor e sofrimento menos frequentes e menos intensos, ainda que enfrentemos o limite inexorável do acaso, ou do destino, como alguns acreditam. Ainda assim, está em nossas mãos o poder de lidar com nossos melhores e piores momentos, e usá-los para moldar o nosso caráter e desenvolver as parte altas da alma. Gosto muito de um texto que o Olavo de Carvalho cita em uma das primeiras aulas de seu Seminário de Filosofia. O texto é do filósofo Louis Lavelle. Ele diz:

“Há na vida momentos privilegiados nos quais parece que o universo se ilumina, que nossa vida nos revela sua significação, que nós queremos o destino mesmo que nos coube, como se nós próprios o tivéssemos escolhido. Depois o universo volta a fechar-se: tornamo-nos novamente solitários e miseráveis, já não caminhamos senão tateando por um caminho obscuro onde tudo se torna obstáculo a nossos passos. A sabedoria consiste em conservar a lembrança desses momentos fugidios, em saber fazê-los reviver, em fazer deles a trama da nossa existência cotidiana e, por assim dizer, a morada habitual do nosso espírito.”

Eu adoro esse texto, adoro mesmo. Já o li centenas de vezes, e tento aplicá-lo no meu cotidiano, todos os dias. A consciência da falibilidade do ser humano e da necessidade de um aprimoramento pessoal é condição sine qua non para uma sociedade funcional – nenhum grupo de pessoas pode buscar justiça, paz, harmonia, ou qualquer outro valor desejável, sem que seus indivíduos realizem esta busca primeiramente por si mesmos, antes de qualquer tentativa de coletivização. E é neste ponto que colidimos com a ideologia de esquerda, sem nenhuma possibilidade de acordo ou sequer de respeito às suas ideias, que trouxeram as maiores desgraças à humanidade.

Desde que Rousseau removeu a responsabilidade individual pelos males praticados, estabelecendo em sua insanidade que o homem nasce bom, e culpando a sociedade pela degradação moral do indivíduo, os intelectuais de esquerda não fizeram nada além de aprofundar essa mentira e levá-la às piores consequências. Ao negar que o estado natural do homem é a miséria, e que a dor é indissociável da vida, eles propuseram soluções absurdas, baseadas em problemas que não existem. Assim, para explicar o sofrimento, propuseram a luta de classes, como se todo o sofrimento humano viesse somente da diferença de riqueza entre as pessoas. Fosse assim e os ricos seriam os mais felizes do mundo, e os milionários acumulariam rugas de tanto rir; e os pobres se matariam de desgosto, amargurados até os ossos por não possuírem uma casa mais bonita ou um relógio de ouro.

Para combater a dor e o sofrimento propuseram sistemas de governo paternalistas, que tratam a todos como crianças incapazes, prometendo algo que nenhuma pessoa na história da humanidade conseguiu prover a alguém: felicidade. Assumiram assim o monopólio da virtude, tão grande a ponto de serem os verdadeiros arautos da bondade, e enquanto o faziam assassinaram civilizações inteiras. Pagaram a fé dos incautos com a morte, e suas promessas de felicidade terminaram enterradas em valas comuns, junto aos corpos carregados de marcas de tortura e sofrimento. Essa é a história do comunismo, do socialismo, do nazismo, e de todos os movimentos de esquerda que assolaram o mundo.

E é isso que vivemos hoje no Brasil: Lula sempre se colocou como o pai dos pobres, ainda que viva no luxo milionário de sua fortuna. Seus discursos são recheados de alusões à felicidade, ao bem-estar e à alegria, conectando na cabeça dos populares sua pessoa e seu governo às benesses que cada vez mais tiram as responsabilidades individuais dos brasileiros. A eleição de Dilma foi fruto direto e único da capacidade genial – sim, Lula é um gênio no trato com os populares – de convencimento que Lula possui sobre o povo. Ele é a antítese de Lavelle, e se soubesse escrever talvez registrasse estas palavras:

Não busque os momentos privilegiados, pois privilegiados são os burgueses capitalistas dominadores; busque sim o coletivo, o ajuntamento burro, e grite com a massa o bordão que pode salvar sua vida: Lula, meu pai, me ajude!

Tire de uma pessoa a certeza da dor, prometa-lhe felicidade, e ela não terá mais instrumentos para evoluir. Confronte uma pessoa com a inexorabilidade da dor, desafie-a à superação, convença-a de suas responsabilidades individuais, e pode ser que ela faça o mesmo com alguém. Quando a soma dessas pessoas for superior a das primeiras, poderemos pensar num mundo um pouco melhor. Até lá, teremos que nos contentar com Lulas, Dilmas e companhia. Se isso não é sofrer, não sei mais o que é.

Chega de ser bonzinho

knockoutDurante as últimas semanas fiz a revisão da tradução de um livro que será em breve publicado, chamado Ponerologia. O autor, Andrew Lobaczewski, viveu na Polônia e passou pela amarga experiência da ditadura Soviética. É uma obra sensacional, daquelas que mudam a vida de quem lê. O título, “Ponerologia”, é o nome que Lobaczewski dá à sua nova ciência, cujo objeto de estudo é a gênese do mal, ou seja, os mecanismos pelos quais as sociedades permitem que psicopatas assassinos cheguem ao poder e de lá comandem as mais terríveis tragédias humanas.

O autor usa como base de seu trabalho um estudo minucioso sobre as doenças da personalidade, causadas tanto por hereditariedade como por danos físicos ao cérebro. O destaque é sempre para os psicopatas, que têm seu modo próprio de pensar e enxergar a vida, totalmente diferente daquele das pessoas normais. O psicopata vê seus semelhantes – os outros psicopatas – como humanos, da mesma espécie, mas vê as pessoas normais como seres inferiores, cuja vida não vale nada a não ser que possa ser útil aos seus propósitos. Infelizmente, esse tipo de gente – pessoas doentes, sem cura – encontra nas sociedades modernas uma estrutura que os catapulta aos cargos de liderança política, de onde podem colocar em prática todos os seus planos de dominação e poder. É o que estamos vivendo hoje no Brasil.

Como lidar com essa gente? Com certeza não é tentando curá-los, pois a psicopatia não tem cura. O ideal, como o próprio autor do livro recomenda, é criar defesas da sociedade contra a ascensão desses tipos ao poder. Mas no nosso caso isso já não é mais possível, pois temos psicopatas nos governando neste momento, nos levando cada vez mais para dentro de seus infernos particulares. E volta a pergunta: como lidar com essa gente? Minha sugestão particular, e título deste artigo: chega de ser bonzinho. Nós somos educados a dar a outra face, a transcender, a relevar, e ao mesmo tempo que o revide é ruim, que responder é falta de educação e que palavrão é a coisa mais feia do mundo. Tudo isso pode ser verdade quando estamos falando de uma relação entre duas pessoas normais, mas não quando estamos lidando com desequilibrados de alma assassina.

Estamos numa guerra cultural com a esquerda, não há como negar. Nesta guerra enfrentamos diariamente oponentes dos mais diversos tipos. Precisamos saber identificá-los e aplicar estratégias de ataque diferentes para cada um deles, tendo sempre como objetivo vencer as batalhas individuais para, quem sabe, daqui trinta anos, vencer a guerra também.

O primeiro tipo que encontramos pela frente é o esquerdista bocó. Ele gosta da esquerda por uma questão meramente de aparências – a esquerda parece legal e justa para ele, já que prega a igualdade social e uma sociedade melhor. Ele nunca parou para ler sobre os regimes de esquerda e suas consequências nefastas, por isso acha confortável e bonito defender essa causa. Por não ter o menor embasamento ideológico e também por não militar ativamente pela causa, este é o tipo mais fácil de libertar. Mas não se engane: você não pode ser bonzinho com ele mesmo assim. A estratégia para este tipo de esquerdista é o uso de fatos incontestáveis que destruam as falácias em que ele acredita. Confronte o bocó com fatos, mostre a ele que toda essa bobagem poética de igualdade não passa de fachada para regimes assassinos, e bata sem dó até o nocaute. Aliás, usando a figura do esporte, o oponente mais forte nunca pode ficar com dó do mais fraco, sob pena de perder o jogo; da mesma forma, não podemos abrir mão da superioridade intelectual sobre o esquerdista bocó.

Seguindo, o segundo tipo com o qual nos deparamos frequentemente é o esquerdista acéfalo. Ele é algo como um esquerdista bocó que perdeu a virgindade intelectual. Explico: quando você confronta o bocó com a realidade, geralmente ele percebe o engodo em que havia caído, e abandona a “fé vermelha”. Mas, em alguns casos, mesmo após a exposição do sujeito à verdade, ele opta por continuar acreditando nas mentiras que o têm mantido cativo. Não sei bem se isso ocorre por falta de inteligência ou por falta de amor próprio, ou ainda por algum trauma psicológico, mas a esses esquerdistas, que escolhem viver em engano mesmo diante da verdade, eu dei o nome de acéfalos. Afinal, se não usam a cabeça para nada de útil, é como se nem a tivessem. No confronto com o esquerdista acéfalo não há muito o que fazer além do uso de xingamentos inteligentes. Afinal, se a verdade e a lógica não resolvem, não é um cafuné que irá fazer efeito.

O terceiro tipo é o esquerdista canalha. Alguém que não é ingênuo o suficiente para acreditar no esquerdismo sem nenhum estudo sobre o mesmo, e não é idiota o suficiente para acreditar no esquerdismo após estudar sobre o mesmo, só pode ser canalha para continuar defendendo algo que só trouxe desgraça para a humanidade. Aqui cabe a cautela de um bom lutador, sempre buscando o ataque. A estratégia com esse tipo de esquerdista é o desmascaramento puro, ou seja, atacar o discurso do canalha com perguntas desconcertantes que o forcem a admitir a maldade e a canalhice do que ele defende, ou que o façam cair em contradição imediata.

O último tipo é o que já mencionei no início do artigo, o esquerdista psicopata. Enquanto a luta for com psicopatas que ainda não têm acesso ao poder, é possível desmascará-los e trabalhar ativamente para que não cheguem a qualquer tipo de posição de liderança, sempre com os olhos bem abertos para possíveis retaliações, já que os psicopatas são extremamente vingativos. Assim como eles nos consideram seres sub-humanos, nós devemos entendê-los como quase não humanos, já que são capazes de atos cruéis que uma pessoa normal jamais aceitaria. Quase sempre os psicopatas, embora tenham uma facilidade muito grande de trabalhar no campo dos sentimentos das pessoas, são portadores de inteligências no máximo medianas, o que torna fácil vencê-los no campo das ideias e da intelectualidade. Infelizmente muitos psicopatas ocupam hoje cargos de poder, que os blindam contra o confronto direto. Contra esses não há nada a fazer a não ser trabalhar contra sua continuidade no poder. Em outras palavras, esses monstros não podem ser reeleitos, de modo algum.

Espero ter aguçado sua curiosidade sobre o assunto. Este blog irá divulgar, com certeza, o lançamento do livro de Lobaczewski no Brasil, oportunidade em que o leitor poderá adquirir tão importante obra. Enquanto isso não acontece, vale a pena praticar o embate com os diversos tipos de esquerdistas que cruzam a nossa frente. Já passou da hora de quebrar essa hegemonia que eles têm no Brasil. E chega de psicopatas no poder.