Gramsci vive

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 15 de dezembro de 2016.

gramsciQuando os militares tomaram o poder, em 1964, a esquerda brasileira lançou mão da estratégia mais inteligente e eficaz possível: ocupar todos os espaços deixados disponíveis e negligenciados pelos generais. Às pessoas com uma visão limitada, focada no curto prazo, a estratégia pareceu nascer fadada ao fracasso, justamente por não ter sido capaz de produzir resultados palpáveis pelos 15 anos seguintes. No Brasil, país onde raramente se vê um governo tomar decisões de longo prazo, a esquerda fez o planejamento mais paciente e cadenciado já visto em nossa história. Seu objetivo: ocupar toda e qualquer posição que tenha a ver com educação, mídia, comunicação e cultura. Sua estratégia: transformar as gerações vindouras em uma massa doutrinada, apta a fornecer tanto políticos como eleitores para a utopia socialista. As décadas que se seguiram testemunharam os resultados concretos da mais bem-sucedida implementação da doutrina de Gramsci já executada no mundo.

Antonio Gramsci foi um filósofo marxista italiano que disse coisas como “Os jornais são aparelhos ideológicos cuja função é transformar uma verdade de classe num senso comum, assimilado pelas demais classes como verdade coletiva – isto é, exerce o papel cultural de propagador de ideologia”. Sua ideia de revolução cultural cativou a esquerda brasileira, que já vinha se mostrando incompetente para pegar em armas e acovardada pela reação militar. Por que arriscar ser preso durante um sequestro ou um atentado quando é bem mais fácil e agradável sentar na frente de uma sala de aula cheia de cabecinhas frescas e enchê-las com as bobagens do marxismo? Por que lutar contra uma máquina militar quando é possível infectar os órgãos de imprensa e educação desde suas menores ramificações, construindo um caminho factível para tomar suas posições de liderança em uma ou duas décadas?

O fim da história nós todos conhecemos. A tartaruga venceu o leão. A sociedade brasileira foi moldada durante meio século para aceitar e repetir toda a pauta ideológica da esquerda. A imprensa brasileira foi perdendo, um a um, seus editores e jornalistas conservadores; as universidades passaram a privilegiar professores e pesquisadores com viés marxista; as escolas se encheram de falsos educadores preocupados apenas em formar a próxima geração de odiadores da elite. Deu no que deu: 21 anos sob governos de esquerda, de FHC a Lula, de Lula à impensável (e impensante) Dilma. E agora, mais uma vez, a esquerda se agarra à sua estratégia vencedora e empurra goela abaixo a obrigatoriedade das disciplinas de Filosofia e Sociologia no ensino médio. Deputados do PT, da Rede e do PSol se movimentaram para incluir essa alteração à proposta original da reforma do ensino médio, e conseguiram o que queriam. Com a bênção da negligência e da concordância tácita de outros partidos, mantiveram intacto um dos pilares da estrutura de influência ideológica que vem sendo usada há mais de 60 anos para gerar massa de manobra marxista.

A prova de que o modelo educacional implementado pela esquerda é extremamente ineficiente e só funciona para gerar mais ignorância é o desempenho dos alunos brasileiros nos testes comparativos internacionais. A preocupação em equipar o aparato educacional com uma vasta gama de disciplinas da área de humanas e relegar as importantes Língua Portuguesa e Matemática a meras coadjuvantes – quando não a figurantes – nos colocou em posições ridículas e inaceitáveis nas classificações mundiais. No Pisa, que avalia justamente os conhecimentos de leitura, matemática e ciências dos alunos, o Brasil ficou em 60.º lugar entre 76 países participantes no ano de 2015, uma posição nada honrosa e certamente indigna de orgulho. Por outro lado, a quantidade de partidos políticos de esquerda em nosso país é inigualável, nossos grêmios estudantis estão repletos de revolucionários mirins e nossas universidades e escolas são frequentemente ocupadas por meninos e meninas que mal sabem escrever um parágrafo coeso de texto em sua língua materna.

Chegamos perto do fim de 2016 com mais um desempenho negativo de nossos parlamentares. Por melhor que tenha sido este ano para o mundo, em termos políticos – nos livramos de Dilma Rousseff, a Grã-Bretanha saiu da União Europeia, Trump foi eleito nos Estados Unidos e Fidel Castro encerrou sua carreira de ditador –, nosso Congresso sempre tem uma carta na manga para impedir os brasileiros de comemorar. É como se tivéssemos um Papai Noel ao contrário. Ho, ho, ho, Brasil.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Brazil Bizarro

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 27 de outubro de 2016.

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O Mundo Bizarro é um lugar bem conhecido daqueles que acompanham os quadrinhos da DC. É um planeta chamado htraE (Earth de trás para frente), quadrado em vez de redondo, onde tudo acontece ao contrário do que aconteceria na Terra: a feiúra é exaltada em vez da beleza, o objetivo dos empresários é perder dinheiro em vez de ganhá-lo, Aquaman não sabe nadar, Flash é o homem mais lento do mundo e Batzarro (o Batman de lá) é o pior detetive do mundo.

Quem quiser conhecer um mundo bizarro fora dos quadrinhos pode vir ao Brasil. Nós somos, sem sombra de dúvida, um país onde as coisas todas acontecem ao contrário. É no Brasil que os cidadãos são proibidos de portar um revólver sequer, enquanto os criminosos fazem uso de armamentos mais poderosos que os do Exército. É no Brasil que uma pessoa de bem, respeitadora da lei, é processada por homicídio por salvar seus familiares das mãos de criminosos, enquanto bandidos condenados e presos são soltos para passar o Natal com a família. É no Brasil que a presidente da República perde seu mandato, mas não perde os direitos políticos.

Mas é na área da educação que o Brasil consegue ser o mais bizarro dos lugares bizarros. Afinal, em que outro lugar o Estado aloca R$ 60 bilhões anualmente para a educação pública e consegue a façanha de ocupar as últimas posições em todos os exames comparativos entre alunos do mundo todo? Em que outro lugar o Estado investe em universidades públicas gratuitas e faz um trabalho porco no ensino básico e médio? Em que outro lugar os alunos saem quase analfabetos da escola, e apenas 8% deles atingem a proficiência na língua portuguesa? Em que outro lugar apenas 16% dos profissionais da educação possuem alto nível de alfabetização?

As ocupações de escolas em protesto contra a PEC são a cereja do bolo de nossa bizarrice. A situação parece até fictícia: alunos semianalfabetos, parte de um sistema educacional falido e ideologizado, ocupam escolas para protestar contra algo que não fazem a mínima ideia do que seja. Como escrevi nesta mesma coluna, na semana passada, a PEC 241 é de uma lógica e coerência ímpares no cenário legislativo brasileiro, e qualquer pessoa dotada de uma capacidade mediana de interpretação de texto, de um conhecimento básico da realidade brasileira e desprovida de uma agenda ideológica chegará à conclusão de que não há nada de errado com a proposta, e de que ela não afetará as verbas alocadas para a área educacional. Mas os nossos alunos, que passaram mais tempo aprendendo a colocar preservativos em pênis do que decorando a tabuada, e que não conseguem escrever um texto de duas linhas sem cometer menos de dez erros, acham que estão aptos a opinar e a agir contra essa rara iniciativa de boa administração pública. Inflamados muitas vezes por professores cujo objetivo único de estar em sala de aula é transmitir sua doutrina política, esses meninos e meninas, na grande maioria incapazes de entender um texto curto de jornal, agem como se fossem especialistas da lei e salvadores da pátria.

No mundo normal, a polícia entraria nas escolas, tiraria os baderneiros e instauraria a ordem. No Brasil Bizarro, ninguém faz nada, nem mesmo quando os alunos se matam dentro das escolas. No mundo normal, os pais ensinariam aos filhos os valores morais e teriam aquela conversa sobre sexo quando achassem apropriado; a escola, por sua vez, daria a base intelectual – a língua materna em sua forma culta e as ciências naturais. No Brasil Bizarro, o Estado quer falar de sexo desde o ensino primário, os alunos passam de um ano para o outro sem saber o que é uma prova ou avaliação, e escrever errado não passa de uma outra realidade cultural.

Todos os países que passaram por grandes surtos de desenvolvimento tiveram uma coisa em comum: um investimento inteligente e efetivo em educação. Quando eu estava na escola, pública por sinal, era a vez dos Tigres Asiáticos. A Coreia do Sul era o caso mais incrível: de país pobre a país desenvolvido em apenas duas décadas. O contrário também é verdadeiro. Os Estados Unidos têm feito as mesmas apostas erradas do Brasil – as universidades americanas são hoje um celeiro de professores marxistas, e têm formado uma geração de jovens extremamente mal preparados e incapazes de ocupar posições produtivas na sociedade. A diferença é que eles têm mais de 80% das melhores universidades do mundo em seu território, e isso funciona como um colchão protetor, que adia a chegada a uma situação de calamidade como a nossa. O nosso colchão já arriou faz muito tempo.

Não há governo neste país que comece um mandato sem dizer que focará seus esforços na educação. Quem parar de mentir sobre isso poderá realmente marcar a nossa história.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Brasil, um país de (?)

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O logotipo oficial do governo petista tem em sua composição a frase “Brasil, um país de todos”. Era de se esperar que as mentiras desse governo começassem logo em seu logotipo, por isso não surpreende que hoje, debaixo das mãos de Lula e Dilma, o Brasil seja um país de qualquer minoria, mas jamais um país de todos.

A palhaçada em que consiste a defesa das minorias baseia-se num conceito absurdo, mas que é defendido pelos esquerdistas como se fosse pura lógica: a dívida histórica – olhar para situações passadas e buscar culpados no futuro, alegando que os mesmos têm o dever de reparar a injustiça feita pelos antigos. Para ilustrar esse enorme engodo eu peço que o leitor imagine uma situação em sua família: você chega a sua casa depois de um dia de trabalho e/ou estudos, ansioso por tomar um banho, sentar no sofá e espairecer um pouco em frente à televisão. Mas logo ao chegar percebe que há uma correspondência timbrada com algum símbolo do judiciário. Você abre o envelope e dentro encontra um aviso de execução: sua casa será tomada para venda em leilão por conta de uma dívida que seu bisavô contraiu e não pagou. A dívida ficou esquecida por duas gerações, mas o bisneto do credor de seu bisavô resolveu cobrá-la agora, e quem vai ter que pagar é você.

Esta situação é absurda, e não encontra respaldo em nossas leis, pois um homem, ao morrer, livra-se de todas as suas dívidas, e ninguém pode ser coagido a assumi-las. No entanto, com o propósito oculto de dividir a sociedade brasileira para assim dominá-la mais facilmente, o governo petista tem promovido a quebra sistemática dessa garantia legal que temos de não sermos cobrados por erros de nossos antepassados, já que cada pessoa é responsável por seu destino, e deverá responder individualmente por suas decisões, sejam elas acertadas ou erradas. Ao estabelecer sistemas de cotas, sejam os critérios quais forem, dividem a sociedade em grupos menores, fomentando o ódio entre eles, que passam então a confiar no “governo bonzinho que cuida de mim” como o único mediador justo para causas que, não fosse esse mediador diabólico, nem existiriam.

Tomemos o caso das cotas no sistema de ensino federal como exemplo. Em reportagem publicada hoje no website do Estadão aborda-se a constatação de desigualdade na competição por vagas em universidades federais entre cotistas. A situação seria ridícula, não fosse tão trágica para nosso futuro. Os gênios que bolaram o sistema de cotas para o ensino superior federal resolveram que separariam os alunos por nível de renda e por terem cursado ou não um colégio público no segundo grau. A reportagem em questão mostra que, ainda assim, dentro do público cotista, o número de candidatos por vaga é muito diferente quando se considera um recorte feito com base racial, e isso mostra um novo foco de desigualdade dentro do sistema. Olhando para esses dados existem duas interpretações possíveis:

Interpretação racional: o sistema não funciona, pois há muitas variáveis envolvidas, tornando impossível chegar a um coeficiente de cotas que reflita a realidade social daquele momento. Os candidatos a vagas no ensino superior podem ser pobres, ricos, brancos, negros, índios, japoneses, mulheres, homens, gays, héteros, podem ter estudado em escola pública ou em escola particular, podem ter tirado boas notas ou ter passado sempre com a média mínima exigida, podem vir de famílias estruturadas ou de lares bagunçados, podem ter sido amados pelos pais ou vítimas de abusos dentro da família etc. Enfim, são tantas as realidades possíveis, que tentar compensar isso através de cotas sempre trará mais injustiça do que justiça. Assim, a melhor maneira de escolher quem vai ganhar uma vaga é através do mérito acadêmico, a única variável realmente mensurável. Afinal, todas as outras dependem de comprovações impossíveis, que acabam se tornando em autodeclaratórias, ou seja, se a pessoa é branca mas se diz descendente de negros, ela concorre na cota para negros, e não há ninguém que possa contestar sua autodeclaração.

Interpretação esquerdista: o sistema só precisa ser ajustado. Se a cota para pobres não funcionou bem, que tal criar dentro dela mais uma cota, desta vez para negros? Se não funcionar ainda, basta criar mais cotas, até que se chegue a um resultado justo.

Cada vez que o governo petista estimula a divisão de nosso povo em minorias, como no caso das cotas, a palavra “brasileiros” perde um pouco mais de significado, até o dia em que não significar mais nada. Ao deixarmos de ser brasileiros para sermos um apanhado de brancos, negros, pobres, ricos, gays, héteros, homens e mulheres, nossa força como povo, que já não é das maiores, reduz-se a nada, e quando não há mais nada no caminho dos déspotas, não há mais um futuro de esperança, mas apenas de lamento. Nesse ponto as diferenças se desfazem, pois quando um governo totalitário se estabelece, ninguém escapa. Pelo contrário, na maioria das vezes os governantes se voltam contra as próprias minorias que tanto “defenderam”. Mas aí será tarde demais para nos unirmos.

Que burro! Dá zero pra ele!

burroPrimeiramente preciso me desculpar com meus leitores pela ausência deste blogueiro nos últimos dias. Os muitos compromissos profissionais de minha vida de engenheiro me tiraram o tempo de tal forma que não consegui escrever algo que fosse suficientemente bom para vocês. Enfim, cá estou novamente.

Ontem pela manhã estava lendo alguns textos do Olavo de Carvalho sobre a realidade funesta do sistema educacional brasileiro, que falavam dos métodos de programação mental que são utilizados com os alunos desse sistema, que passam a agir como cães adestrados. Já faz algum tempo que eu deixei para trás o orgulho que tinha de ter cursado uma universidade pública. Quando me formei em engenharia na Unicamp eu parecia um pavão, me estufando todo, orgulhoso de ter estudado lá. Eu sempre soube do lado mais negro das universidades públicas, os institutos de ciências humanas, mas ainda assim eu tratava o assunto com bastante tolerância, para poder continuar me gabando de ter estudado lá.

Mas as décadas de doutrinação esquerdista nas universidades brasileiras já estão entregando seus frutos há algum tempo, e são frutos que não deixam dúvida sobre o estado de torpor intelectual em que vivemos hoje. Tomemos como exemplo um caso recente: há menos de duas semanas o Rodrigo Constantino publicou em seu blog um artigo sobre o juiz Rubens Casara, que ficou conhecido nas mídias sociais por ter uma foto do Che Guevara em sua sala de trabalho. Dois dias após a publicação do texto em seu blog foi criado um abaixo-assinado no site http://www.peticaopublica,com.br, com o título Desagravo dos Estudantes e Profissionais do Direito ao Juiz Rubens Casara, e que conta com 1.959 assinaturas, repudiando o artigo do Constantino e defendendo o tal juiz.

Uma breve leitura do texto do abaixo-assinado dará ao leitor um bom exemplo do que um estudante brasileiro é capaz de fazer (ou de não fazer, para ser mais preciso). Em todo o texto não há sequer uma tentativa de confrontar o que o Constantino escreveu em forma de debate. Nenhum argumento levantado por ele foi refutado, a não ser por argumentações pueris que evidenciam quão raso é o raciocínio dos estudantes e profissionais de direito que assinaram esse texto ridículo. Vejamos alguns exemplos:

Ao contrário do que vociferou o colunista, o magistrado em questão é admirado pela comunidade jurídica, acadêmica e forense, por sua independência, capacidade técnica, reputação hialina e deferência para com o jurisdicionado. Ridículo! Enquanto o Constantino colocou uma entrevista com o tal juiz onde o mesmo despeja seu falatório esquerdista, defende a censura e ataca o Estado de direito, a resposta dos estudantes é um monte de adulações sem sentido. Adjetivos não têm a capacidade de provar a competência profissional de alguém, a não ser que sejam ditos por alguém mais que suficientemente qualificado para bancar o elogio, como o Pelé a um jogador ou o Stephen Hawking a um físico.

Mas a coisa piora: A afirmação de que “há vários juízes que, em nome desse movimento pela “democracia”, desejam destruir a democracia”, também deve ser rechaçada, por ser despida de qualquer fundamento racional. Vejam o nível de raciocínio elevadíssimo desta turma de gênios: para refutar o que o Constantino disse, basta dizer que aquilo é despido de qualquer fundamento racional. Ora, para acusar alguém de falta de fundamento racional é preciso provar a acusação, explicar o porquê da refutação, e não só dizer isso. Mas na falta de capacidade intelectual para formular uma resposta à altura, ficam mesmo é na resposta mais rasa e imbecil que existe.

Para terminar, um pouco dos clichês que compõem quase a totalidade da comunicação dessa gente. Tivesse o Brasil mais juízes como Rubens Casara, certamente teríamos um Judiciário mais sensível às questões sociais e menos alheio às vozes dos estratos sociais alijados. Um esquerdista irá sempre utilizar a palavra social em todos os lugares que achar que cabe. Está aqui um exemplo real: o Judiciário precisa se ater à justiça, e somente a ela, pelo simples fato de que, perante a lei, todos são iguais. Sensibilidade social (seja lá o que for isso) não tem lugar no Judiciário, mas esses estudantes e profissionais de direito parecem não entender nada de… direito! Eles só entendem os clichês e chavões aos quais suas mentes aprenderam a reagir como um rato reage a um adestramento, e o que passa nelas nunca é objeto de uma análise mais aprofundada, mas permanece no nível mais baixo de sua cognição, grudado aos instintos animais que os tornam os menos humanos de todos os humanos.

A universidade brasileira emburrece, e muito. Salvam-se alguns cursos mais técnicos, onde não há muito espaço para o adestramento esquerdista. Mas no geral a perspectiva é assustadora, e o futuro é negro. Estamos diante de gerações inteiras idiotizadas e programadas a reagir conforme querem os engenheiros sociais da esquerda. Melhor mesmo é estudar em casa…

A arma: Paulo Freire; a munição: Karl Marx; o alvo: nossos filhos.

targetchildrenTrês semanas atrás estive com a coordenadora pedagógica de um colégio renomado do ABC paulista, entregando um trabalho de fotografia que havíamos finalizado. No final da conversa perguntei:

– Qual é a linha de ensino que vocês seguem? Tem algo a ver com Paulo Freire?

Ao que ela me respondeu, com entusiasmo:

– Sim! Nós devemos muito a Paulo Freire! Todo o nosso ensino é baseado na obra dele. Por que a pergunta?

E minha resposta sincera foi:

– É que eu odeio o Paulo Freire.

Nesse momento o rosto da mulher mudou completamente, e o seu olhar de reprovação me deu a certeza de que jamais conseguirei um trabalho deles novamente.

A estratégia da esquerda tem sido, nas últimas três décadas, o ataque direto à juventude através do sistema educacional, com a adoção de um método que destrói o pensamento crítico individual e estimula uma coletividade burra nos jovens brasileiros. Além disso, os conteúdos básicos da formação intelectual foram substituídos por um monte de lixo marxista, cuja “cereja do bolo” são as interpretações distorcidas da história e a demonização do capitalismo e dos valores de direita. E eu nem vou falar da “educação sexual”, porque senão vou passar mal e não conseguirei terminar essa postagem.

O pior é que muitos pais, provavelmente a maioria, acha que livrou seus filhos dessa doutrinação comunista ao matriculá-los em bons colégios particulares. E esses mesmos pais não veem mal algum em um colégio adotar Paulo Freire como sua linha mestra. Se você é um deles, saiba que seus filhos não estão sendo preparados para um dia ocuparem lugares de destaque na sociedade, e sim para se alinharem nas fileiras de “idiotas úteis” que servem tão bem aos governos de esquerda.

Se alguém ainda não conhece a “obra” deste senhor, não bastará para isso procurar seu nome na Wikipedia. A patrulha esquerdista já se apoderou há tempos dos verbetes que tem qualquer relação com sua ideologia, e em especial dos que falam sobre seus ídolos. Mas um estudo do que é chamado “Método Paulo Freire”, que nada mais é do que uma versão marxista da cartilha do missionário norte-americano Frank Charles Laubach (esse sim um grande educador), mostrará que o patrono da educação brasileira (lei 12.612/2012) estava interessado apenas em ensinar a luta de classes e o engodo da opressão capitalista disfarçados em alfabetização. Dessa forma, em duas ou três gerações a esquerda teria uma massa adestrada grande o suficiente para tomar o poder.

O resultado de tal estratégia está a nossa vista, ao nosso redor: um país governado pelo governo mais corrupto e cruel da história, eleito por adultos que não conseguem escrever um parágrafo em português correto, por universitários que não fazem ideia do que seja tabuada e por jovens completamente alienados, mesmo diante da maior quantidade de informação que uma geração já teve ao seu dispor. E todos, de mãos dadas na ciranda de celebração da mediocridade, seguem acreditando que o Brasil é bom, que o PT é legal e que no final tudo vai dar certo. Afinal, é assim que sempre acontece na TV.