Lula, o chulo solitário

Artigo publicado no Senso Incomum em 21 de março de 2016.

Todo político eleito para um cargo do Executivo tem em suas mãos diversos cargos de confiança que frequentemente (estou sendo otimista com o frequentemente) são usados como moeda de troca. O mais alto cargo executivo do Brasil é a Presidência da República, e o presidente eleito possui uma quantidade imensa de indicações e nomeações ao seu dispor. É gente demais para ser “comprada” e “mantida refém”: eu lhe dou um emprego com um belo salário e uma boa dose de poder, e você fica na minha mão até o último dia do meu mandato.

Mas, uma das indicações que o presidente da república faz é bem diferente de todas as outras, e é justamente a indicação de ministro do Supremo Tribunal Federal. Esta é a única indicação para um cargo cujo mandato ultrapassa o da presidência – é para um mandato vitalício. Sendo assim, é a que tem a moeda de troca mais fraca. O presidente não pode ameaçar um ministro do STF com perda de mandato, e esta é justamente uma das características-chave de uma suprema corte, a de que seus componentes podem julgar qualquer assunto e qualquer pessoa sem influências externas, sejam elas de políticos, de partidos, de outras instituições ou do povo. É por isso que a escolha de ministros do STF com orientação ideológica semelhante à do presidente em exercício não é uma jogada de sucesso garantido. Exemplo disso foi o próprio Joaquim Barbosa, indicado por Lula em 2003, que em inúmeras oportunidades votou e julgou de forma completamente contrária ao esperado pelo governo petista.

lula-STF-totalmente-acovardadoLula, é claro, não é capaz de enxergar sua arrogância, torpeza e desprezo pelas outras pessoas. Seu ego gigantescamente inflado o impede de perceber que há pessoas no Brasil cujo poder é mais fundamentado e mais duradouro que o dele. O vilão clássico da literatura e do cinema sempre cai por causa do exagero de autoconfiança. Lula não foge à regra. Quem tudo pode, nada teme, e esse nada inclui investigações, grampos e vinganças. De guarda baixa, Lula foi pego em sua forma mais natural, a de ser desprezível e incrivelmente chulo em tudo o que diz. E, graças à inteligência de Sérgio Moro, os brasileiros puderam ouvir, no conforto de suas casas, as gravações em que Lula chama os magistrados do Supremo de covardes.

Eu não sei você, mas se eu tivesse um cargo vitalício, não respondesse para ninguém e fosse chamado de covarde publicamente por alguém, eu faria questão de aplicar a lei no limite mais rigoroso da letra a esse sujeito, caso algum de seus processos caísse em minhas mãos. Mas, como nem sempre o mal anda de braços dados com a sorte, as liminares pedindo a suspensão da nomeação de Lula como ministro foram cair justamente nas mãos de Gilmar Mendes, desafeto bem conhecido do ex-presidente. E Mendes não desapontou 97% dos brasileiros ao julgar a liminar procedente, frustrando os planos petistas e deixando Lula à mercê da operação Lava Jato.

Logo depois de sua decisão, Gilmar Mendes informou que levará a discussão voluntariamente ao plenário do STF. Muita gente recebeu esta afirmação como um sinal de que Lula está agindo por trás dos bastidores para que o colegiado do STF reverta a decisão de Mendes e ele possa tomar posse em definitivo como ministro. Eu não acredito nisso, e arrisco dizer que Gilmar Mendes adiantará a discussão em plenário porque tem certeza de que sua decisão será corroborada pelos colegas de tribunal, por um simples motivo: Lula passou dos limites e ofendeu todos eles. Não haverá misericórdia para o protoditador da Banânia, muito menos quando misericórdia significaria passar por cima das leis e permitir uma fraude que já virou piada internacional.

Enquanto isso, Dilma segue cada dia mais isolada, com olheiras cada vez mais profundas, sem ter mais nenhuma carta na manga. Boatos dizem que ela pensa em renunciar e uma vidente diz que ela tentará se matar. Qualquer que seja sua decisão, não mudará o fato de que seu governo acabou, junto com seu partido e seu mentor. Vão-se os presidentes, ficam os magistrados. Essa é a lição que Lula deveria ter aprendido e que, para nossa sorte, não aprendeu.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Nós somos os ratos

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 17 de março de 2016.

Laboratory rat
O brasileiro

Está confirmado, demonstrado e sacramentado: o Brasil é um grande laboratório e as cobaias somos nós. Vivemos debaixo de um experimento social macabro – no qual fomos colocados por nós mesmos através do sufrágio universal – em que somos testados dia após dia, em que nossos limites são avaliados e distendidos, em que nossa tolerância é provada com doses pequenas, mas crescentes, do veneno político.

Se um dia esse experimento tiver fim, é bem possível que o resultado seja a comprovação de que somos o povo mais covarde e bovino do planeta. O “cientista” da vez, o governo petista, não tem medido esforços para provar essa tese, que o beneficiará por muitas décadas ainda.

Tudo começou no governo Lula, o mentor do maior esquema de compra de poder da história brasileira, conhecido como mensalão. Sim, o mensalão foi mostrado, provado, julgado e condenado, e nenhum de seus principais operadores – todos criminosos condenados – permanece preso. Os meandros da lei, as manobras bandidas dos advogados de defesa e uma suprema corte majoritariamente vassala do Executivo levaram, em conjunto, ao mais absurdo dos resultados: a total e completa impunidade.

Lula não só escapou de ser investigado ou punido; ele ganhou um segundo mandato e depois elegeu sua sucessora, ou seja, ganhou um terceiro e um quarto mandatos (nota: aos que, por algum motivo inexplicável, ainda acham que o PSDB faz bem ao Brasil, lembro que foi Fernando Henrique Cardoso quem colocou panos quentes sobre o mensalão, entregando a eleição de 2006 de bandeja a Lula. Coisa de amigos, é claro).

Com o governo Dilma veio um novo recorde: o maior escândalo de corrupção da história mundial, o petrolão. Era o aumento da dose em nosso experimento. Se os ratinhos brancos aguentaram um mensalão inteiro sem maiores reações, por que não partir para algo inédito, algo marcante e “digno” de ser lembrado por gerações? Dilma Rousseff, seguindo os passos de seu antecessor, passou incólume pelas eleições de 2014 – assumindo, é claro, que o processo não tenha sido fraudado eletronicamenrte – e foi reeleita mesmo diante de todos os indícios de sua participação na grande trapaça que foi a compra da refinaria de Pasadena. Enquanto isso, a maioria dos ratinhos pulava feliz ao receber mais um pedaço de queijo bolorento.

Depois de 12 anos pilhando o país, é claro que chegou o momento da crise econômica. Nem o rei Midas seria capaz de fabricar ouro suficiente para compensar a ladroagem do petismo. O Brasil parou, e até os ratinhos mais bobinhos perceberam que estavam recebendo menos queijo no fim do dia. Será que finalmente fariam um motim no laboratório? Romperiam as gaiolas e partiriam para o ataque ao cientista louco? Afinal, são mais de 200 milhões de ratinhos e apenas alguns milhares de criminosos. Parecia que sim, mas não passava de mais um experimento. No dia 16 de março de 2016 foi aumentada a dose de teste mais uma vez, num nível que até então ninguém imaginava ser possível. Com a ida de Lula – um sujeito agraciado com um pedido de prisão preventiva e investigado por diversos crimes – para um ministério do governo, o Brasil rompeu a barreira que separa as democracias dos regimes totalitários. O golpe será completo se a emenda constitucional de autoria do senador Aloysio Nunes (ex-motorista de assalto e atual amiguinho tucano), que cria uma excrescência chamada semiparlamentarismo, for votada e aprovada nos próximos meses. Lula, que já teve dois mandatos como presidente e um como titereiro-mestre, completaria sua ascendência a ditador com uma possível nomeação a primeiro-ministro não eleito pelo povo. Ele seria o Stalin da Banânia, o Hitler carnavalesco, o Mao da cachaça, o semideus encapetado do agreste, o líder supremo que conduzirá o Brasil à miséria, mas sempre do conforto de um rei.

Enquanto isso, muitos… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Uma chinelada só

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 10 de março de 2016.

É bem provável que você já tenha pensado, depois de ser picado por algum pernilongo sanguinário, algo como “mas por que esse bicho existe, se a única coisa que ele faz é parasitar e causar doenças?” Ou então, ao descobrir que teria de passar por uma cirurgia às pressas para remover um apêndice supurado, lhe passou pela mente “que troço inútil é esse, que ou não faz nada de bom ou me leva logo para a sala de cirurgia?” A lista de mancadas da natureza não para por aí: vermes, moscas, vírus, câncer, raios solares UV, ervas daninhas, fungo de unha e bactéria da cárie são apenas alguns exemplos de coisas sem as quais nossas vidas seriam muito melhores, e das quais nenhum ser vivo do planeta sentiria falta. Mas, sendo o homem um imitador da natureza, ele também produz suas inutilidades daninhas, e uma de suas obras-primas nessa categoria é o PT.

Depois de 13 anos no comando do país, está evidente que a agremiação que se diz “dos trabalhadores” não serve para nada que preste. À política brasileira, em geral, já é difícil atribuir resultados bons de qualquer tipo, mas o PT é o grande campeão do Framboesa de Ouro da política nacional, levando as estatuetas de pior partido, pior político principal, pior político coadjuvante, pior gestão pública, pior plano de governo, pior diplomacia, pior ideologia e pior escândalo de corrupção. Esse desempenho “majestoso” é resultado de um verdadeiro trabalho de equipe, no qual cada membro consegue fazer pior que o anterior, superando consistentemente as expectativas (negativas) de todos nós. O diretor desse filme de terror é Lula, o pobre mais milionário do mundo. Este senhor etílico sempre esteve por trás de toda a conduta petista; ele é, por assim dizer, o titereiro do partido, desde sua fundação até hoje.

barataasO nível de mediocridade do PT é tamanho que o partido não consegue nem sequer ser um vilão de verdade. Outras nações tiveram suas desgraças comandadas pelas mãos de políticos maus, de ditadores sanguinários, de genocidas e de loucos como Stálin, Hitler, Fidel e Pol Pot. Esses psicopatas deixaram um legado de morte, escravidão e destruição, e colocaram seus nomes entre os mais famosos da história da humanidade, ainda que pela mais vil das razões. Mas, enquanto russos, alemães, cubanos e cambojanos tiveram seus Darth Vaders, nós vivemos sob o governo de um Dick Vigarista. Lula, no fim das contas, não passa de um ladrão e de um projeto mal-sucedido de ditador. Seu sítio, sua cobertura no Guarujá, suas palestras milionárias, seus laços com empreiteiras corruptas, seus esquemas para enriquecer os filhos, tudo isso mostra que seu grande projeto de poder acabou se atrofiando para algo bem menos grandioso: enriquecer. É claro que, sendo um homem com um dos maiores egos deste lado da galáxia, ele sempre soube aproveitar muito bem os benefícios de ser líder, e sempre desfrutou dos prazeres megalomaníacos que somente quem está no comando sabe descrever.

Eu mesmo sempre disse que Lula tinha um projeto grandioso para tomar a América Latina de assalto e estabelecer por aqui a nova União Soviética. Mas, como todo gerente de projetos bem sabe, existem alguns requisitos para se transformar algo planejado em algo executado. Quando o projeto é o estabelecimento de um regime autoritário, uma condição sine qua non é a coragem, qualidade que nem Lula e nem ninguém do PT jamais teve. Lula sempre foi um covarde; a esquerda brasileira inteira sempre foi covarde, e foi fundada em cima da covardia. Esta geração que hoje está no poder, devemos lembrar, é a mesma que tentou ser terrorista na década de 1960, que fugiu feito barata acuada quando os militares tomaram o poder e que continuou agindo à moda das baratas, ocupando espaços obscuros e se multiplicando fora da vista de todos. Não deveria ser surpresa, portanto, que mesmo ficando 13 anos no poder o PT não tenha conseguido fechar a imprensa, assassinar opositores e estabelecer uma ditadura. Baratas não fazem isso, para nossa boa sorte.

Com a covardia dos petistas e um pouco de coragem de cada um de nós, não será… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Conselhos para Dilma

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 31 de dezembro de 2015.

Pensei muito sobre o que escrever na última coluna de 2015. Pensei em ignorar o tema óbvio de fim de ano e introduzir um assunto completamente diverso das retrospectivas e análises tão comuns desta época. Não consegui – parece que a proximidade com o fim de um ciclo traz consigo a necessidade de relembrar o que aconteceu, reforçar o que deu certo e aprender com o que deu errado.

Sendo assim, preparei uma lista de sugestões para a presidente da República, já que os erros dela são os que afetam mais gente ao mesmo tempo.

Para Dilma Rousseff:

dilma-óculosNão confie mais no Lula – eu sei que foi ele que a colocou aí na Presidência, e que sem ele você não seria nada além de uma empresária mal sucedida do 1,99. Mas o fato é que ele não gosta de você de verdade. Se ainda não percebeu, ele passou a jogar contra você. Na verdade, ele nunca jogou a favor – Lula é o tipo de pessoa que só faz as coisas por interesse próprio, um grande egoísta. Faça como os brasileiros de caráter e evite esse tipo de amizade. Não faz bem andar por aí na companhia de gente desse tipo.

Não escolha novos ministros do STF – suas escolhas são muito ruins. Sei que lhe parecem boas, mas você tem de entender que o que é bom para você geralmente é ruim para os brasileiros. Evite escolher novos ministros no futuro. Quando chegar a hora de escolher algum, invente alguma história, diga que está com dor de barriga ou que sua avó morreu. Faça o que for preciso para não cometer esse erro de novo.

Não escolha ministros de governo – quem não sabe escolher para o STF também não sabe escolher para o governo. É hora de se conformar com isso e deixar esse tipo de decisão para pessoas competentes. Tudo bem, sei que vai dizer que não tem ninguém competente em seu governo para tomar essas decisões. Mesmo assim, é melhor não decidir nada do que decidir errado.

Não fale mais em público – você não tem capacidade para discursar, muito menos de improviso. Evite entrevistas, aparições em eventos, palanques, púlpitos, microfones, câmeras de televisão e situações similares. Quando sentir aquela necessidade incontrolável de falar sobre coisas sem sentido como a importância da mandioca e os cachorros ocultos, tampe os dois ouvidos com os dedos e repita, baixinho, “mandioca, cachorro, mandioca, cachorro, mandioca, cachorro” até passar a vontade.

Não se comunique – toda vez que você usa telefone, e-mail, correio, WhatsApp, bilhetinho, Skype ou sinais de fumaça, alguma coisa ruim acontece. Evite se comunicar. Pense na possibilidade de uma temporada monástica no Himalaia, uma experiência única em que você poderia aprender a comunicar-se consigo mesma e a crescer interiormente. Lembre-se de que esse tipo de experiência não costuma funcionar a menos que dure quatro ou cinco anos. É importante ter perseverança nessas horas e não desistir. Na dúvida, rasgue o passaporte.

Não assine mais nada – tudo o que você assinou prejudicou os brasileiros e piorou suas vidas. Evite canetas, lápis, carimbos, teclados, mouses e outros dispositivos que possam transformar o que lhe vem à mente em ações concretas. Se colocarem algo em sua frente para assinar, finja que não viu, derrame café em cima da folha ou faça aviõezinhos e jogue-os pela janela. Só não assine nada.

Não presida mais nada – sua experiência presidindo as coisas só causou transtorno e falência. Você conseguiu afundar uma das maiores economias do mundo e transformar um país como o Brasil em motivo de lamento. Evite ficar em Brasília. Na verdade, evite o Brasil. Evite-o como o alcóolatra deve evitar a bebida, como o viciado deve evitar as drogas. Sugiro China, Japão, Austrália ou Nova Zelândia como locais para passar uma longa temporada. Sei que gosta de Cuba, mas é perto demais.

Tenho certeza de que, se seguir os meus conselhos, o Brasil terá um 2016 muito melhor. Feliz ano novo.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Deboche presidencial

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 22 de outubro de 2015.

As mulheres – ao menos as que eu conheço – costumam dizer que só é possível manter um marido fiel no casamento se o sujeito tiver algum medo de perder a esposa. Ou seja, quem perdoa todo e qualquer deslize tem grandes chances de acumular uma verdadeira galhada na cabeça.

No casamento da sociedade com os políticos, esse que dura no mínimo quatro anos, os brasileiros são o caso clássico da “mulher de malandro”. Só assim para explicar o comportamento irracional de eleger e reeleger gente mentirosa e traidora de nossa confiança. Para as mulheres que sofrem nas mãos de parceiros canalhas e têm dificuldades de terminar o relacionamento, há instituições como o Mada – Mulheres que Amam Demais Anônimas –, onde o compartilhar coletivo das experiências ruins abre espaço para a cura individual. Pena que não exista o AGA (Adoradores do Governo Anônimos) e nem o Cerca (Cidadãos Enganados que Reelegem Corruptos Anônimos) para tratar nosso povo.

Uma das mentiras mais famosas e lendárias da política brasileira recente foi dita por Paulo Maluf, quando, em meio a investigações sobre suas contas bancárias no exterior, disse a pérola “a assinatura é minha, mas não fui eu quem assinou”. A presidente Dilma Rousseff, reeleita mesmo depois de contar a maior sequência de mentiras já registradas numa campanha eleitoral, segue firme em sua sanha falsária, e finalmente conseguiu superar o feito de Maluf ao dizer que “o meu governo não está envolvido em nenhum escândalo de corrupção”.

Se não estivéssemos falando do governo que proporcionou ao Brasil o recorde de maior escândalo de corrupção entre todas as democracias mundiais, de todos os tempos, a situação poderia até ser cômica. Não é o caso. As quantias roubadas durante os governos do PT seriam suficientes para alavancar a economia brasileira; é dinheiro que saiu de cidadãos e empresas para o ralo do governo, e de lá foi redistribuído para os ratos que vivem de parasitar o Estado. Dinheiro que seria gasto em máquinas, produção, diversão, comida, imóveis, automóveis, roupas, propaganda, cultura, educação, e que em vez disso 22102015-ILUSTRA-Quintelaestá guardado em contas secretas no exterior, das quais apenas uma pequena minoria foi descoberta pela Polícia Federal em suas operações. E, como boa mulher de malandro que é o povo brasileiro, os ratos continuam saqueando nossas dispensas com a bênção do voto popular.

Não bastasse a natureza criminosa da corrupção e suas consequências funestas para a vida de cada brasileiro honesto, a atitude da presidente é também um deboche, um verdadeiro bullying estatal. Se estivéssemos num filme de adolescentes americanos, seria o equivalente a termos a cueca puxada até a cabeça e depois sermos trancados no armário. Deixamos que o governo se tornasse um valentão covarde, e ele nos tira quase metade da merenda. E ainda por cima senta-se na cadeira do diretor.

O que fazer? A nova geração de adultos, aqueles que agora entraram na terceira década de vida, é formada por uma maioria de jovens intelectualmente paupérrimos, “educados” por um sistema que coloca seus estudantes entre os piores do mundo. A escola brasileira contemporânea ocupa-se mais em perverter menores sexualmente e ideologicamente do que em ensinar Língua Portuguesa, Matemática e Ciências. São eles que ocuparão as vagas de trabalho (as poucas que ainda sobrarem) e as filas do assistencialismo estatal. São eles que votarão, são eles que formarão a nova massa não pensante. Precisamos urgentemente de uma revolução intelectual. Que comece por mim e por você.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Perdeu, PT

Artigo publicado no jornal O Coyote, edição de março/abril de 2015, página 6.

Quando se diz a palavra vida, algumas coisas costumam vir à mente: movimento, dinamismo, mudança constante. Algo que não combina muito com a vida é a estagnação. Temos uma certa repulsa por ela, pois o que está parado, acomodado, imóvel, parece não combinar com a dinâmica que esperamos viver. E é fato que os que se acomodam vão morrendo lentamente, qualquer que seja o foco da acomodação. Se nos acomodamos no emprego, acabamos ficando para trás e, eventualmente, trocados por alguém mais dinâmico. Se nos acomodamos em nosso casamento, as coisas ficam sem graça, o relacionamento vai murchando, e corremos o risco de passar por uma separação ou divórcio. Se nos acomodamos em nosso físico, o corpo vai engordando, ficando lento, os músculos ficam flácidos, e tudo se torna mais difícil.

No âmbito governamental a acomodação também tem resultados muito ruins. Nós mesmos vivemos hoje sob um governo de esquerda porque houve uma acomodação excessiva por parte dos governos militares, que “empurraram com a barriga” a questão do aparelhamento cultural, e uma acomodação sem precedentes da elite intelectual brasileira, que desengajou-se politicamente, deixando caminho livre para que chegássemos à situação de hoje, onde não há sequer um partido de direita disputando eleições no Brasil.

perdeuPTFelizmente, a acomodação não é exclusividade de ninguém. E doze anos no poder foram suficientes para que o PT e seus militantes se acomodassem também. Isso ficou muito claro nos dias 13 e 15 de março de 2015, quando duas manifestações opostas aconteceram em todo o território brasileiro. Diante de uma mobilização sem precedentes nas redes sociais, que chamavam as pessoas descontentes com o governo atual para um grande e pacífico protesto no dia 15, a militância petista tentou se articular rapidamente para produzir um contra-movimento dois dias antes. A tentativa não poderia ter dado mais errado, e ter sido mais ridícula: mesmo dando comida, transporte, roupa, balões e dinheiro para seus “manifestantes”, o total de pessoas presentes em todo o Brasil não chegou a 40 mil. Dois dias depois, 2 milhões de pessoas (mais de 50 vezes o público do dia 13) tomaram as ruas de dezenas de cidades brasileiras para mostrar que o PT não tem mais o monopólio da mobilização popular.

A acomodação da militância petista chegou a tal ponto que transformou-se em arrogância cega: seus manifestantes mercenários saem vestidos de vermelho dos pés à cabeça, com bandeiras e balões também vermelhos, ignorando que nossa pátria jamais adotou essa cor. Estão tão cegados por seu projeto de poder que já não percebem mais o patriotismo do brasileiro: quando vestimos o verde e amarelo ao lado de nossos irmãos de pátria, nosso coração bate mais forte e as esperanças de mudança são renovadas. O vermelho opressor do comunismo só traz incômodo e desespero, e é repudiado por mais de 90 por cento da população. Aliás, é repudiado até mesmo pelos que empunharam as bandeiras da CUT e do PT, já que uma pesquisa feita pelo Datafolha com os “manifestantes” do dia 13 mostraram que a maioria acredita que Dilma Rousseff sabia de tudo o que estava acontecendo na Petrobrás, e apenas um terço deles acha que ela está fazendo um bom governo.

Dilma Rousseff é praticamente uma unanimidade no Brasil de hoje. Seu governo tem destruído o pouco que havíamos construído no início da Nova República, e sua capacidade de mentir não tem mais lastro na ingenuidade do povo. Os poucos apoiadores que ainda restam dividem-se em dois grupos, o dos corruptos, que se beneficiam pessoalmente com o governo, e o dos seguidores irracionais, que se assemelham aos fanáticos religiosos, dispostos a se explodir em troca de benesses no além. A diferença é que os fanáticos religiosos têm coragem; os fanáticos petistas são covardes.

Perdeu, PT.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Desmentidos pelo Tempo

Artigo publicado no Correio Popular de Campinas, seção Opinião, edição de 28 de janeiro de 2015.

Muitas pessoas sofrem com um hábito difícil de se vencer, a procrastinação. Quem deixa para amanhã as obrigações de hoje está se apossando de um tempo que não lhe pertence, por assim dizer. A partir do momento em que assumimos responsabilidades em nossas micro-comunidades – a família, o lugar onde trabalhamos, a igreja que frequentamos, a instituição onde nos dispomos a contribuir – estamos doando parte de nosso tempo para cada uma das pessoas que conosco se relacionam, sempre em busca de um resultado que seja benéfico a todos os envolvidos.

A procrastinação também costuma ser muito comum na esfera governamental, tanto individualmente como numa forma mais coletiva, onde o chefe do executivo encabeça as responsabilidades, não podendo culpar ninguém abaixo de si por faltas ou falhas, já que a premissa de se presidir qualquer empreendimento é justamente ter a capacidade de gerenciar equipes e garantir que seus esforços estejam dentro das metas.

Os procrastinadores conseguem se dar bem por um tempo, enquanto for possível ludibriar seu “supervisor” imediato. Refiro-me aqui tanto ao supervisor no trabalho, que pode ser um gerente, diretor ou presidente, como ao supervisor na família, como um cônjuge que cobra do outro algo que havia sido prometido ou um pai que cobra o filho de sua lição de casa; mas também ao supervisor maior de todos os políticos, que é o pBroken-hourglassovo. Ora, a procrastinação só pode acontecer dentro de um governo se for possível ludibriar e enganar o povo por algum tempo. E depois desse tempo há apenas duas possibilidades de acontecimento:

  1. O procrastinador resolve se mexer: faz suas “horas-extras”, deixa de dormir, corre o quanto for preciso, e dá um jeito de entregar o prometido; ou
  2. O procrastinador é desmascarado.

Estamos diante da segunda situação no tocante ao governo federal brasileiro. Num curto espaço de tempo, de pouco mais de uma década, conseguiram deixar de cumprir quase todas as responsabilidades que se espera de um governo minimamente competente. Os comportamentos irresponsáveis de Lula e de Dilma nos trouxeram à situação calamitosa de hoje: dívida pública galopante, balança comercial deficitária, Petrobrás em descrédito, escândalos de corrupção sem precedentes, achatamento da classe média, aumento da carga tributária, crise energética, descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, fuga em massa de investimentos externos, inflação alta e camuflada por congelamentos artificiais de alguns preços, aumento acentuado da máquina estatal, falta de investimentos em infraestrutura etc., e a lista poderia continuar.

Enquanto a situação de seu entorno é favorável, o procrastinador consegue ganhar tempo; mas quando as coisas pioram para todo mundo, seu relaxo e sua falta de responsabilidade saltam aos olhos. Os governos petistas aproveitaram-se de um momento único na história mundial, de crescimento econômico acentuado, e de um país que lhes foi entregue com boa parte das contas em dia, pronto para qualquer governo que estivesse disposto a fazer um trabalho apenas mediano – não era preciso o maior estadista da história para continuar o trabalho anterior, mas apenas um estadista. Quando os brasileiros optaram por um político inescrupuloso como Lula, e depois por uma incompetente desconhecida como Dilma, abriram mão de ter alguém qualificado para lidar com as necessidades que tínhamos.

O tempo, grande vilão dos procrastinadores, está agora cobrando seu preço. O país ainda pode piorar muito e, a julgar pelos feitos do primeiro governo de Dilma Rousseff, essa possibilidade está entre as mais prováveis. As reformas necessárias para levar o Brasil de volta à normalidade são completamente incompatíveis com o tipo de governo que o PT consegue fazer. Esperar desse partido algo tão diferente é como esperar colher limões de mangueiras, é algo que não vai acontecer.

O povo brasileiro tem sido o pior supervisor possível. Deixou de demitir quando era preciso, e agora não sabe o que fazer. Mais quatro anos dessa administração pautada pela incompetência trarão resultados cada vez piores para o país. Resta saber se até lá não estaremos completamente mesmerizados por esse faz-de-conta mentiroso, ou se restará algum sangue correndo em nossas veias para quebrarmos o ciclo vicioso que está afundando o Brasil.

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.