Os cavaleiros do Trumpocalipse

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 18 de maio de 2017.

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Está em curso, nos Estados Unidos, um ataque sem precedentes ao presidente da nação. Quatro cavaleiros do apocalipse trumpista juntaram forças para tentar dar um fim ao seu mandato: os democratas, a mídia esquerdista, o Estado ocupado e a banda podre do Partido Republicano. Todos têm lançado mão de estratagemas desleais e frequentemente ilegais para destruir Donald Trump.

Os democratas ainda não conseguiram assimilar a derrota eleitoral gigantesca que sofreram. O partido perdeu quase tudo o que disputou nos últimos anos: no Senado, caíram de 55 para 46 cadeiras, perdendo a maioria; no Congresso, caíram vertiginosamente de 256 para 194 cadeiras, também perdendo a maioria; nos governos estaduais, caíram de 28 para 16 estados, menos de um terço da federação; nas assembleias legislativas estaduais, perderam 958 cadeiras em todo o país; e, no Executivo, perderam a presidência. Diante de tantas derrotas, o partido tem se mostrado atordoado e incapaz de reagir com equilíbrio. Parece bastante óbvio que o povo americano não tem respondido positivamente às propostas e à ideologia de seus políticos; mas, como a grande maioria dos partidos de esquerda, os democratas optaram por jogar o jogo mais sujo possível, dar uma banana ao povo e tentar voltar ao poder por vias escusas.

Sobre a mídia americana há pouco a se dizer. Com exceção da Fox News e de alguns poucos jornais, o que se vê desde o primeiro dia em que Donald Trump anunciou que disputaria a indicação republicana são ataques de todos os tipos, quase sempre através de notícias fabricadas – as famosas fake news – e com uma parcialidade jamais vista desde que Gutenberg imprimiu a primeira folha em sua recém-inventada prensa móvel, quase seis séculos atrás. O bombardeio midiático é diário e inclui desde notícias falsas e manipuladas até reportagens ridículas, como fez recentemente a CNN, informando que o presidente Donald Trump tinha recebido duas bolas de sorvete enquanto o resto das pessoas em um determinado evento recebeu apenas uma. O jornalista típico de esquerda, seja nos Estados Unidos ou no Brasil, não pensa em informar ninguém; seu único objetivo é transformar a opinião das pessoas naquilo que ele acredita que é certo, por quaisquer meios que sejam necessários.

Eu chamo de Estado ocupado aquela parte do Poder Executivo que ainda é operada por gente da administração anterior. Barack Obama fez o que todo esquerdista faz no poder: aparelhou o Estado. No caso dos Estados Unidos, as consequências desse tipo de ação são potencialmente mais danosas que no Brasil, por exemplo, pois o aparelhamento se dá também em órgãos de inteligência e espionagem como a NSA, a CIA e outras 14 agências menos conhecidas. A esse corpo de inteligência e espionagem tem-se dado o nome de Deep State, aquela parte do Estado que age nos porões da nação, em grande parte das vezes sem nenhuma publicidade de seus atos. Parte do Deep State trabalha hoje contra Trump e é, sem dúvida, uma das maiores ameaças ao seu governo.

Por último, resta falar da banda podre dos republicanos. Esse pessoal lembra um pouco os tucanos brasileiros. Quando Geraldo Alckmin disputou o segundo turno com Lula, em 2006, o PSDB o abandonou numa disputa em que ele tinha reais condições de sair vitorioso, tudo por conta de rixas internas. No caso americano, os republicanos não conseguiram impedir Trump de receber a indicação e nem de vencer a eleição, mas não é por isso que desistiram de tirá-lo de lá. Fazendo uma oposição velada, desleal e covarde, gente como John McCain e Lindsey Graham tem trabalhado mais que muitos democratas para derrubar Trump.

Quais as chances do presidente contra esses cavaleiros apocalípticos? Uma de suas maiores vantagens é justamente não ter vindo da política. Trump é um bicho de hábitos pouco compreendidos por seus oponentes, acostumados a enfrentar políticos de carreira – seus semelhantes e coabitantes daquela dimensão paralela chamada Washington, DC. Além disso, o homem é um empresário e negociador hábil, e tem se cercado de conselheiros e estrategistas de primeira linha como Steve Bannon e Kellyanne Conway – tudo o que estou escrevendo aqui já deve ter sido previsto por esses dois há muito tempo. Enfim, não lhe faltam armas para vencer essa guerra interna.

Para o público brasileiro, que costuma acompanhar a política americana pelo Jornal Nacional e pela grande imprensa, pode parecer que há uma grande crise na Casa Branca e que Trump está isolado no Salão Oval, encurralado pelos sucessivos “escândalos” que a mídia vaza diariamente. A realidade, no entanto, é… (para ler o restante deste artigo, clique aqui).

Entre insights e catimbas

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 6 de abril de 2017.

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Existe uma palavra na língua inglesa que não tem uma tradução perfeita para o português. É a palavra insight. Se você perguntar ao Google Tradutor, ele responderá com as opções “discernimento”, “introspecção”, “compreensão” e “perspicácia”. O Michaelis também aposta em “discernimento” como a melhor tradução. Mas nenhuma dessas opções comunica com perfeição o real sentido da palavra: uma compreensão clara, profunda e por vezes repentina de um determinado problema ou situação, nas palavras do Dicionário Cambridge da língua inglesa.

O maior insight que a esquerda já teve em sua história foi entender que a Suprema Corte de um país com regras democráticas é o caminho mais direto para a consolidação legal de novos paradigmas ideológicos em uma sociedade, independentemente de esses paradigmas estarem consolidados de fato nas interações humanas entre aqueles que vivem sob esse mesmo aparato de leis. Em outras palavras, ainda que não seja majoritariamente aceito pelo povo, um determinado argumento ideológico torna-se norma legal através da caneta de meia dúzia de togados.

Daí o motivo de as esquerdas darem tanta importância à ocupação de espaços nessas cortes. Em alguns lugares, como na Venezuela, o processo avançou a ponto de a corte mais alta do país não passar de um mero apêndice de um Poder Executivo autoritário e despótico. Em outros, como no Brasil, a corte apresenta uma maioria clara e consistente de juízes ideologicamente alinhados à esquerda, mas que conservam um nível de independência em relação ao Executivo. Nos Estados Unidos, a Suprema Corte historicamente alterna momentos mais conservadores com momentos mais liberais – não confundir aqui o liberalismo político americano, que nada mais é do que a esquerda neste país, com o liberalismo econômico –, e se encontra atualmente num movimento em direção ao conservadorismo.

A mais alta corte americana é composta de nove juízes, bastando a presença de seis deles para que haja quórum. Até o início de 2016, cinco deles tinham sido apontados por presidentes republicanos – dois por Reagan, um por Bush pai e dois por Bush filho – e quatro, por presidentes democratas – dois por Clinton e dois por Obama. O fato de um juiz ser indicado por um presidente republicano ou democrata diz muito a seu respeito. Por exemplo, nas votações com respeito a direitos de minorias, uma pauta ideológica clássica da esquerda, juízes “republicanos” votam a favor da manutenção dos direitos individuais, enquanto juízes “democratas” votam a favor da intervenção do Estado em favor de grupos minoritários. O mesmo acontece quando o assunto é sindicalismo ou liberdade de expressão. Para melhor ilustrar esse abismo entre os juízes, deixo os números a seguir, todos calculados com base nas votações dos juízes atuais:

Quando o tema é ligado a direitos de minorias, “republicanos” votam em média 35% das vezes em favor das minorias e 65% em favor do indivíduo. “Democratas” votam em média 66% das vezes em favor das minorias e 34% em favor do indivíduo. Se o assunto é sindicalismo, “republicanos” votam em média 41% das vezes em favor dos sindicatos e 59% em favor do empregador. “Democratas” votam em média 81% das vezes em favor dos sindicatos e 19% em favor do empregador. Em julgamentos sobre liberdade de expressão, “republicanos” votam em média 68% das vezes em favor da liberdade de expressão e 32% em favor de alguma restrição a ela. “Democratas” votam em média 35% das vezes em favor da liberdade de expressão e 65% em favor de alguma restrição.

Quando Donald Trump indicou Neil Gorsuch para o lugar de Antonin Scalia, todos os democratas americanos tremeram e temeram. Em termos de ideologia política, Gorsuch é tão conservador quanto o mais conservador dos juízes atuais, Clarence Thomas. Sua idade – completará 50 anos em agosto deste ano – lhe permitirá julgar por mais três décadas, equivalentes a oito mandatos presidenciais, se permanecer na média atual da corte. Diante de uma derrota tão avassaladora, os senadores democratas decidiram usar uma técnica bem conhecida nos campos de futebol de nosso Brasil: a catimba.

Usando da prerrogativa de que um senador tem direito a expor suas considerações antes do voto a favor ou contra uma indicação para a Suprema Corte, os senadores democratas têm se revezado na maior procrastinação legislativa da história da América. Na última terça-feira houve até quebra de recorde. Jeff Merkeley, senador pelo estado do Oregon, fez um discurso com duração de mais de 15 horas, começando sua fala às 19 horas da terça-feira já com o aviso de que “falaria tanto quanto conseguisse”. Em resposta a toda a catimba democrata, o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, disse que não hesitará em mudar o regimento interno para permitir a aprovação de Gorsuch com uma maioria simples, manobra conhecida como “opção nuclear”. No entanto, caso isso aconteça, as regras ficarão alteradas para as próximas eventuais nomeações sob o governo Trump, assumindo que os republicanos manterão a maioria no Senado durante seu governo. Ou seja, no caso provável de mais um juiz atual abotoar o paletó de madeira ou se aposentar, Trump nomeará o juiz que realmente desequilibrará a corte a favor dos conservadores, e valerá a regra da maioria mínima.

Assim, os democratas estão com um pepino gigantesco nas mãos. Neil Gorsuch é altamente respeitado, inclusive por alguns políticos democratas. Não bastasse isso, senadores de estados em que Trump saiu vencedor – Joe Manchin (Virgínia Ocidental), Heidi Heitkamp (Dakota do Norte) e Joe Donnelly (Indiana) – já declararam que votarão pela aprovação do novo juiz a fim de agradar seu eleitorado. Se, mesmo assim, a minoria democrata no Senado decidir por obstruir esta indicação, gastará a única bala que têm com um homem que foi aprovado por unanimidade para sua posição atual na corte de apelação, e abrirá caminho para que Trump escolha alguém ainda mais conservador na próxima oportunidade.

Vale lembrar que os democratas mudaram a regra da supermaioria para… (para ler o restante deste artigo, clique aqui).

A opção nuclear

Como funciona a aprovação do indicado de Trump para a Suprema Corte?

Funciona assim: como os republicanos têm maioria simples no Senado (52 de 100), basta que a indicação do novo juiz seja votada para que seja aprovada. No entanto, para que haja a votação, é necessária uma supermaioria, ou seja, 60 senadores.

Se os democratas quiserem jogar duro, obstruindo a votação, os repnuclearublicanos podem usar a chamada “opção nuclear”. Nesse caso, eles votariam uma mudança nas regras, permitindo que uma maioria simples remova a obstrução à votação do novo juiz.

No entanto, caso isso aconteça, as regras ficarão alteradas para as próximas eventuais nomeações sob o governo Trump (assumindo que os republicanos manterão a maioria no Senado durante seu governo). Ou seja, no caso provável de mais um juiz atual bater as botas ou se aposentar, Trump nomeará o juiz que realmente desequilibrará a corte a favor dos conservadores, e valerá a regra da maioria mínima.

Assim, os democratas estão com um pepino gigantesco na mão. Neil Gorsuch é altamente respeitado, inclusive por alguns senadores democratas. Se decidirem obstruir esta indicação, gastarão a única bala que têm com um cara que foi aprovado por unanimidade para sua posição atual na corte se apelação, e abrirão caminho para que Trump escolha alguém ainda mais conservador na próxima oportunidade. Se concordarem em votar logo, guardarão a carta da obstrução para uma próxima oportunidade, mantendo a regra da supermaioria para juízes da Suprema Corte.

Enfim, será uma batalha interessante no Senado americano, mas com final já definido. O líder da maioria, Mitch McConnell, já indicou que fará uso da opção nuclear se for preciso. Vale lembrar que os democratas mudaram a regra da supermaioria para indicações de juízes de instâncias inferiores, e quando o fizeram tiveram de ouvir do próprio McConnell que aquilo os morderia no calcanhar antes mesmo que eles esperassem.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

A cartilha dos canalhas

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 8 de setembro de 2016.

Sabe por que os partidos de esquerda da Austrália são melhores que os brasileiros ou americanos? Porque estão muito mais longe. Sim, é uma piadinha, mas que carrega consigo uma grande verdade: partidos de esquerda são todos iguais; só muda o endereço, parafraseando o dito popular.

Alguns dias atrás, aqui nos Estados Unidos, o vazamento de um certo e-mail da coordenação de campanha democrata não virou notícia no Brasil, mas causou um rebuliço nos noticiários americanos. Vale a pena conhecer o caso, que mostra o comportamento típico da esquerda diante das minorias que ela diz defender, mas que na verdade apenas utiliza como massa de manobra para se eleger.

O comunicado em questão foi escrito em novembro de 2015, e o assunto principal é o grupo BLM (Black Lives Matter, ou “Vidas negras são importantes”, em tradução livre), um movimento racial adepto do radicalismo e seguidor da agenda vitimista, aquela que usa mentiras como a da dívida histórica para justificar atos de violência. O grupo sempre apoiou candidatos democratas, tradicionais defensores do sistema de cotas, da inculpabilidade de criminosos por causa de seu perfil racial e social, da divisão da sociedade em minorias beligerantes etc. O que o pessoal do BLM não sabia, até alguns dias atrás, era que os democratas não gostam nem um pouco deles.

A mensagem contém revelações de como agem os democratas para ganhar votos de gente cegada pela narrativa de esquerda. Ela é enviada por Troy Perry, diretor de Diversidade do Comitê de Campanha Democrata (DCCC), a toda a equipe do comitê. O e-mail começa com o seguinte parágrafo (o destaque é original da mensagem, e a tradução é minha):

“Os candidatos presidenciais têm tido dificuldades para responder às táticas do movimento Black Lives Matter. Embora tenha havido pouco engajamento por parte dos candidatos ao Congresso, candidatos e equipes de campanha devem estar preparados. Este documento não deve ser enviado por e-mail ou entregue a ninguém de fora do prédio. Por favor, passe estas melhores práticas à equipe de campanha apenas em reuniões ou por telefone.”

Segue-se um parágrafo explicando o que é o BLM, seu objetivo como grupo e o que querem em termos de mudanças de legislação. Logo em seguida vem a parte que azedou o relacionamento entre BLM e democratas:

“Se for abordada por ativistas do BLM, a equipe de campanha deve se oferecer para um encontro com ativistas locais. O número de convidados do BLM deve ser limitado. Por favor, procure fazer encontros individuais ou reuniões com grupos pequenos: ouça o que eles têm a dizer; não ofereça apoio a posições políticas concretas.”

O documento também pede que não se mencione, em hipótese nenhuma, os termos “crimes de negros contra negros” e “todas as vidas são importantes”, pois isso só fará enfurecer os ativistas (ainda que sejam a mais pura verdade).

A qual conclusão se pode chegar? Para mim, é bastante óbvio. A esquerda sempre tratou e continua tratando as pessoas como crianças ingênuas. Ao usar táticas do tipo “finja que se importa, mas não se comprometa” ou “não fale a verdade para não irritá-los”, o Partido Democrata americano segue à risca a cartilha dos canalhas, a mesma usada pela esquerda brasileira e por todas as outras. E uma das grandes provas de que suas bandeiras não passam de fachada para a tomada e manutenção do poder é o fato de que os conflitos raciais nos Estados Unidos de hoje se resumem, quase que exclusivamente, a cidades governadas há décadas pelos democratas. Seus modelos de gestão não funcionam, e eles não têm o menor interesse em ajudar negros, pobres, indígenas, gays ou mulheres; a única coisa que querem é o voto dessas pessoas. Qualquer semelhança com PT, PSOL, PCdoB et caterva não é mera coincidência.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Democracia para inglês ver

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 11 de fevereiro de 2016.

caucusOcorreu na terça-feira, dia 9, a primeira das eleições primárias nos Estados Unidos. Cerca de 500 mil eleitores do estado de New Hampshire foram às urnas para escolher o representante de seu partido que concorrerá à presidência no fim deste ano. Pouco antes desta primária houve o caucus de Iowa, um evento que não tem equivalente próximo – e nem distante – no Brasil. O caucus é o exemplo máximo da democracia americana: eleitores se reúnem em diversos locais para debater entre si as candidaturas disponíveis, sem mortadela nem qualquer outro tipo de gratificação, e depois votam para eleger os delegados do partido que participarão do processo de nomeação do candidato à presidência. Até o dia da nomeação por republicanos e democratas, outros caucuses e outras primárias ocorrerão, em estados e circunstâncias diferentes. A conquista da nomeação pelo partido é, assim, uma maratona em que cada candidato precisa se sair bem no geral e brilhar nos estados onde tem mais força ou mais recursos.

A diferença entre a democracia americana e a nossa é gritante. Antes de mais nada, os americanos estão acostumados a eleições muito mais frequentes e abrangentes do que os brasileiros. Eles elegem seus vereadores, prefeitos, xerifes, promotores de Justiça, deputados estaduais, senadores estaduais, governadores, deputados federais e senadores federais. A participação da população nos assuntos locais é forte e constante, e o sistema distrital de votos aproxima o eleitor de seu representante e torna as campanhas em nível estadual e federal muito mais lógicas e conectadas com a realidade das pessoas.

Como menciono em meu primeiro livro, a festa de democracia brasileira está mais para piada de mau gosto. Você é obrigado a votar, o número de candidatos é extremamente alto e, nas eleições para cargos legislativos, a regra de proporcionalidade faz com que seu voto seja usado pelo partido para eleger outros candidatos, muitas vezes com plataformas e propostas diametralmente opostas às de quem você escolheu. Quem não se lembra das eleições de 2008, em que Jean Wyllys foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com menos votos que um vereador local? Ele foi levado a reboque do puxador de votos de seu partido e tornou-se uma aberração representativa. Outros candidatos com votação uma dezena de vezes maior ficaram de fora daquela legislatura e seus eleitores foram tapeados por uma regra intrincada e sem sentido.

O processo de escolha de candidatos também fica muito aquém do ideal de uma democracia representativa. São as convenções partidárias que decidem os candidatos, e quem dá o tom nessas reuniões são os caciques políticos, e não a população ou os filiados. A política brasileira é predominantemente uma política de caciques, de uma minoria que já adquiriu poder suficiente para domar as instituições partidárias e o sistema eleitoral em seu favor. Nem com a mais míope das visões seria possível chamar algo assim de processo democrático. É, na melhor das hipóteses, a democracia para inglês ver.

Por mais que os democratas queiram transformar os Estados Unidos num Brasil, tentando… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.