Danilo Gentili entrevista Aloysio Nunes

Danilo Gentili entrevistou Aloysio Nunes ontem. Achei a entrevista muito boa, de modo geral, e vejo com bons olhos a presença de um senador da república num programa com a audiência do The Noite falando algumas coisas inimagináveis até algum tempo atrás.

PONTOS POSITIVOS

  • Aloysio deixou bem clara a natureza autoritária do PT;
  • Também pegou pesado na questão das mentiras de campanha, e do nível de sujeira e podridão que o PT imprimiu à disputa presidencial;
  • Falou do Foro de São Paulo, ainda que de forma tímida;
  • Falou que o Brasil precisa de uma direita atuante, que defenda suas posições democraticamente;
  • Elogiou as manifestações democráticas e, de forma sutil, elogiou o Eduardo Bolsonaro por sua participação no mesmo programa;
  • Assumiu que o PSDB foi ingênuo em relação ao PT, e que subestimou o partido no passado;
  • Falou dos governos bolivarianos ao nosso redor e do alinhamento do PT a todos eles;
    Deixou bem claro que Democratização da Mídia é o mesmo que censura e controle governamental;
  • Falou dos MAVs e de seu patrocínio pelo governo federal;
  • O Danilo colocou um vídeo muito bom do Aloysio no plenário do Senado, coisa que pouca gente costuma ver.

PONTOS NEGATIVOS

  • Como bom esquerdista, Aloysio tentou dissociar o PT da esquerda, dizendo que o PT não é de esquerda, e que o PSDB é mais esquerda que o PT;
  • Disse que as urnas eletrônicas são confiáveis e que não representam um problema no sistema eleitoral brasileiro;
  • Falou besteira sobre a eleição de Bush na Flórida, dizendo que houve fraude – levantar a hipótese da fraude na nossa eleição ele não teve coragem de fazer;
  • Ligou o que ele chama de direita brasileira (Maluf e Collor foram os exemplos que ele deu) ao PT, dizendo que essa direita está mamando no governo petista – o ponto negativo fica por conta de que isso pode bagunçar a cabeça de quem não sabe o que é esquerda e direita na política, ou seja, a maioria das pessoas;
  • Diminuiu demais o papel do Foro de SP – ficou parecendo que é apenas um clubinho onde a galera de esquerda se encontra pra fazer um churrasco de vez em quando;
  • Falou da Comissão da Verdade como se fosse uma coisa boa;
  • Foi otimista demais em relação às instituições brasileiras, minimizando os perigos do próximo mandato de Dilma (que em minha opinião incluem a tentativa de uma constituinte, as indicações ao STF, o controle da mídia e a concessão de poder aos movimentos violentos como o MST).

Enfim, é sempre positivo ter alguém metendo o pau no PT na televisão aberta, e eu considero que os pontos positivos da entrevista foram bem maiores do que os pontos negativos. Parabéns ao Danilo por ocupar um espaço tão importante com tanta competência.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

Momentos finais de 2013

bye-bye-2013-and-welcome-2014-year

Tenho menos de oito horas de 2013 pela frente, e agora que já saí de casa, atravessei uma São Paulo vazia, uma rodovia dos Bandeirantes super tranquila, e cheguei a Piracicaba, onde vamos passar o reveillon com a família, chegou a hora de escrever o último post de 2013, de um blog que começou pouco tempo atrás, e que pretende fazer alguma diferença positiva em 2014.

Para permanecer dentro dos propósitos deste blog, quero apenas compartilhar uma opinião, ou melhor, uma percepção minha sobre o ano que passou. 2013 foi o ano em que dois processos históricos que estavam em curso se aceleraram de uma forma acentuada, e 2014 promete ser o ano em que esses dois combatentes enfrentarão uma luta difícil. Acusem-me de maniqueísmo, de simplismo, de ingenuidade ou mesmo de ignorância, mas eu realmente acredito que esses combatentes representam lados opostos, bem e mal, virtude e vício, e que nosso futuro como nação democrática depende do resultado deste embate.

De um lado, vestindo o calção vermelho com estrela, foice e martelo, está o PT. Pesando toneladas, é o lastro que afunda o país em direção ao inferno futuro da ditadura esquerdista. Em 2013 o PT radicalizou seus ataques aos valores fundamentais da democracia, tomando uma posição cada vez mais beligerante contra a liberdade de expressão, contra as instituições democráticas, contra as liberdades individuais, contra o direito à vida e contra a família. Jamais se viu, na história brasileira, um período em que se concentraram tantos esforços, em um só partido, para solapar a democracia e instaurar um regime autoritário. O treinador do PT, o Foro de São Paulo, vem fazendo seu trabalho há mais de uma década, e resolveu cobrar resultados. Não foi fácil e nem agradável ler, diariamente, notícias que revelavam a corrosão progressiva de nossas liberdades. Processos judiciais absurdos, proibição de publicações, censura, mentiras de toda espécie, impunidade, crimes e canalhices que dão desgosto à alma e diminuem a cada dia nossa vontade de permanecer aqui neste Brasil. Em 2013 o PT veio para tentar o nocaute. Ainda bem que não conseguiu, ainda.

No canto oposto, vestindo o calção verde e amarelo, está a direita brasileira. Pesando muito menos do que sua categoria exige, ela começou o ano tentando ganhar massa, buscando se fortalecer, agregando gente à equipe, procurando por um técnico. Por menos poderosa e sem representatividade política que ela seja, 2013 foi um ano em que a direita brasileira respirou novamente em consciência, saiu do coma. Ainda em busca de agregar suas tão variadas matizes, ela se destacou por seus componentes individuais, gente que se colocou na brecha e resolveu brigar, ainda que com um Golias vermelho, mas com muitas pedras de qualidade no alforje. Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino, Reinaldo Azevedo, Danilo Gentili, Felipe Moura Brasil, Lobão, Paulo Eduardo Martins, Rachel Sheherazade, Luciano Ayan, Flavio Morgenstern – estes são alguns nomes que fizeram de 2013 um ano especial para nossa direita. Com inteligência, integridade, sinceridade e muita paciência, enfrentaram ataques esquerdistas de todo tipo: jabs, cruzados, diretos, uppers.

Os rounds aos quais assistimos consistiram em pancadaria pura de um lado, elegância e inteligência do outro. Enquanto a esquerda partiu para cima com sua militância gigantesca, patrocinada pelo dinheiro farto do Estado, a direita teve que lutar de uma forma praticamente cirúrgica, com intervenções planejadas e estruturadas, pois nenhum recurso poderia ser desperdiçado. Quando se está em minoria é que preparação e planejamento mais contam. E se, em meados de março lembro ter dito a um amigo que o PT acabaria com nossas liberdades ainda neste ano, hoje posso dizer que vejo uma reação legítima e que me dá uma esperança, ainda que mínima, de que as coisas possam caminhar para um futuro menos vermelho, menos autoritário e menos petista.

Meus votos para 2014: que Dilma perca a eleição, que o PT diminua, que os “reaças” se multipliquem e que a democracia brasileira suporte mais um ano.

Abraços a todos!