Dividir para conquistar

A esquerda é expert na fabricação de divisões e na incitação de ódio entre os diversos grupos que compõem a população brasileira. Já abordei esse assunto no meu primeiro livro, onde mostrei que o ativismo político montado sobre as minorias é sempre fruto do trabalho de pilantras e engenheiros sociais que não pertencem a minoria alguma, e que têm como objetivo único manipular a população e a opinião pública para satisfazer sua agenda. Embora esta estratégia, o dividir para conquistar, seja mais antiga do que a prostituição, a maioria das pessoas simplesmente não percebe o que está acontecendo e morde direitinho as iscas que são jogadas em nossa mídia.

A bola da vez é a promoção de uma suposta intolerância religiosa, como se o Brasil fosse a Irlanda do Norte do último quarto do século passado, e como se tivéssemos milícias de religiosos armados atacando-se mutuamente e perpetrando atos de terrorismo para marcar suas posições. O jornalismo porco e mentiroso de esquerda, que predomina na mídia nacional, adora usar comparações desproporcionais para tachar qualquer opinião contrária aos ideais marxistas como alguma-coisa-fobia, ou como intolerância-a-não-sei-o-que-lá. É uma tática facilmente perceptível, mas que parece passar incólume pela peneira crítica das pessoas. O exemplo mais comum que temos visto é o uso da palavra homofobia, que tem sua origem na agressão e morte de homossexuais por causa somente de sua orientação sexual, e que hoje é usada para qualquer manifestação minimamente oposta à corrente de pensamento imposta pela militância política da causa gay. Homofobia é matar ou ferir um homossexual porque ele é um homossexual. No Brasil de hoje, homofobia é chamar o juiz de viado.

Mas, como já disse acima, a bola da vez é a religião. Depois que Silas Malafaia conclamou o boicote dos fiéis de sua igreja aos produtos de O Boticário (assunto que rendeu um artigo meu na Gazeta do Povo), parece que a mídia resolveu enfatizar notícias que normalmente nem seriam publicadas, mas que agora, no conjunto, parecem dar a ideia de que o Brasil tem sua própria guerra religiosa acontecendo. isisAs notícias vão sendo publicadas com um viés planejado, e a sugestão de que os crimes foram cometidos por religiosos intolerantes é dada de maneira clara, sem que investigação nenhuma tenha apresentado tal conclusão, sem evidências comprobatórias e sem nada de concreto para sustentar a tese. O apedrejamento da menina do candomblé, o vandalismo ao túmulo de Chico Xavier, a morte do diretor de um centro espírita, e outras notícias que têm pipocado na mídia com muito mais ênfase do que em outras épocas – tudo parece indicar que o bode foi colocado no meio da sala, e o nome dele é cristianismo.

No ano passado, 60 mil brasileiros morreram assassinados, vítimas de uma política pública de segurança irresponsável e de um governo comprometido com o bem-estar dos criminosos. Morrem no Brasil, em um ano, mais pessoas do que durante todo o conflito entre israelenses e palestinos, mas quando morre um religioso os “experts” investigativos da mídia concluem rapidamente que a motivação é religiosa. Afinal, a chance de alguém morrer assassinado no Brasil é tão pequena, não é mesmo? E de notícia em notícia os cristãos brasileiros vão ganhando uma imagem de guerrilheiros do ISIS, como se estivessem prontos a decapitar fileiras de infiéis e postar seus vídeos na internet.

A continuar assim o Brasil tem tudo para ser um país realmente comunista, no sentido mais macabro da palavra. Remova-se toda a caridade feita pelas muitas instituições religiosas que ainda se comprazem dos pobres e desvalidos, e restarão apenas os programas de compra de votos que o governo petista tenta vender como solução para a miséria do povo. Elimine-se todas as igrejas do país, e restará apenas a devoção a um partido bandido como único preenchimento para o vazio da alma das pessoas.

Num país onde o único deus é o estado, o inferno é a realidade de cada dia.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Babilônia

Já faz mais de 15 anos que eu não vejo um capítulo sequer de novela. Aliás, hoje em dia nem tenho a Globo como opção na minha grade de canais, o que já é um tremendo de um privilégio. Minha opinião pessoal sobre a programação da Globo é a pior possível: acho uma grande merda.

Babilónia-Beijo-Lésbico-798x350Mas, de vez em quando, alguma coisa que eles colocam no ar chega às redes sociais causando polêmica, como é o caso da tal novela Babilônia, cujo nome já deixa bem claras as intenções de seus autores, que não têm nada de nobres e nem têm propósitos comerciais. Explico: Babilônia, no simbolismo bíblico, é o sinônimo do homem sem Deus. Mais do que isso, Babilônia representa o esforço coletivo de humanidade em agir conforme suas próprias paixões e afrontar a figura divina a qualquer custo. Ora, quando se faz uma obra, como eu com meus livros, o momento de criar o título é dos mais importantes, pois o título é o resumo máximo do conteúdo da mesma. Se os autores escolheram Babilônia como nome, não é surpresa alguma que tenham optado por pautar a novela por temas de confronto direto ao cristianismo.

As pessoas lobotomizadas pelo discurso do politicamente correto (e imbecil) de nossos dias vêem nisso a nobreza de quem está a defender os direitos dos homossexuais. Essas mesmas pessoas não fazem ideia do que é lutar por direitos de uma forma legítima. Grandes homens na história da humanidade lutaram por causas nobres e deixaram suas marcas exemplares. Um traço comum entre eles é a abnegação e a disposição de dar a vida em prol dos outros, sendo que muitos acabaram mortos antes de ver os resultados de sua luta. Os autores de Babilônia não são nobres lutadores da liberdade; eles são apenas manipuladores investidos com o poder da mídia Global e com uma agenda revolucionária na cabeça. Seu objetivo não é ser a favor, e sim contra, e isso faz toda a diferença.

O segundo ponto que levantei corrobora o primeiro. O viés ideológico e o objetivo de confronto são tão importantes que sobrepujam a atividade econômica, como sempre acontece com os empreendimentos esquerdistas. O público brasileiro é majoritariamente conservador e cristão, e ainda assim a maior rede de televisão do Brasil resolve colocar no ar uma novela diametralmente contrária às convicções desse público. O resultado é que a audiência da mesma está despencando. Novamente, os lobotomizados dirão que é um absurdo que padres, pastores e outros líderes religiosos façam campanha contra a novela, aconselhando que seus fiéis deixem de vê-la. Ora, se estamos num país democrático, onde um cliente ou consumidor é livre para escolher seu produto, e onde há liberdade de expressão, nada mais justo que esses consumidores se organizem para boicotar um produto que achem uma porcaria.

O futuro de Babilônia, a novela, dependerá de quanto a Globo está disposta a investir na sua tentativa de demolição dos valores judaico-cristãos. Embora muitos deixem de vê-la por considerarem-na incompatível com seus princípios, outros continuarão, e é neste grupo que ocorrerão as mudanças almejadas pelos autores – este grupo é a matéria prima de trabalho do ofício verdadeiro de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes: a engenharia social.

A pergunta que resume tudo o que estou tentando dizer é: quanto a Globo está disposta a pagar por uma “alma”? Se for muito, a novela continuará na mesma toada, ainda que com a audiência caindo. Se for menos, os autores terão que trabalhar um pouco mais sutilmente, o que não significa que deixarão sua agenda de lado, mas apenas que a tornarão mais palatável e dissimulada.

Eu sigo achando a Globo uma merda. O Brasil seria um país muito melhor se as pessoas trocassem um episódio dessas porcarias por uma hora de leitura. Menos Braga, mais Machado de Assis.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento“.

Trocar o Cristianismo pelo Islamismo é um bom negócio?

religiaoCristianismo e Islamismo são sistemas religiosos com muitos pontos em comum: um deus único, onipotente, onipresente e onisciente, um rígido arcabouço moral, a crença da vida após a morte e de que as decisões da vida presente definem a vida pós-morte, entre outros. Dentro do arcabouço moral as similitudes continuam, e ambos condenam o aborto, a prática homossexual, a fornicação, o adultério, a eutanásia etc. Um estudo mais aprofundado revelará muitas outras semelhanças, mas também deixará claras as diferenças, das quais eu quero destacar duas de grande importância.

A primeira grande diferença entre o islamismo e o cristianismo, hoje, é a Jihad, ou guerra santa. Enquanto cristãos de todo o mundo professam sua fé sem pegar em armas, milhares de muçulmanos são membros ativos de grupos terroristas cujo único propósito de existência é assassinar os que trabalham contra sua fé, atacando pessoas inocentes para ferir seus “governos hereges” (como se isso fosse possível). Desafio o leitor a encontrar um grupo extremista cristão agindo hoje, em qualquer lugar do mundo, e logo depois tentar achar todos os grupos extremistas muçulmanos – nenhum dos desafios terá sucesso, o primeiro pela ausência desses grupos, e o segundo pela abundância dos mesmos.

A segunda grande diferença está na tolerância aos dissidentes de toda espécie. Em países de maioria cristã você pode não ser cristão e não respeitar os princípios do cristianismo, e nem mesmo o próprio cristianismo, sem nenhum medo de ser morto por isso. Assim, qualquer um pode ficar à vontade para falar mal do cristianismo, fazer piadas com Jesus e satirizar seus ritos e costumes, bem como para ser a favor do aborto, praticar atos homossexuais e professar outra religião. Experimente fazer qualquer destas coisas em um país de leis muçulmanas, e a questão da tolerância virá à tona imediatamente. Não se faz humor com o islamismo, nem piadas com Maomé, nem mesmo simples críticas à religião, e se sai impune. Quem não lembra de Salman Rushdie, escritor britânico que, após publicar o livro Versos Satânicos, foi acusado de blasfêmia pelos muçulmanos, a ponto de ter uma ordem de morte assinada pelo Aiatolá Khomeini, do Irã. Salman não morava em nenhum país muçulmano, mas mesmo assim teve que passar um bom tempo escondido para escapar da fúria assassina dos religiosos.

Mas enfim, qual é a razão de eu ter abordado esse assunto, neste blog? Se nosso tema principal é o desmascaramento da esquerda, por que falar sobre religião? Por um simples motivo: a esquerda tem sido constante e sistematicamente contra o cristianismo, bem como todas as minorias ativistas que lhe servem como massa de manobra, como feministas, gayzistas e abortistas. Eles retratam o cristianismo como um grande inimigo opressor, que os proíbe de ser felizes e plenos, e dedicam suas vidas a lutar contra esse “monstro terrível”, que em troca não lhes faz absolutamente nada. E é justamente por isso que é tão fácil bater nos cristãos: eles não revidam.

Alguns dias atrás uma mulher, ativista do Femen, entrou em uma igreja católica na França, com os seios descobertos, simulou um aborto e urinou no altar (veja artigo no G1). O padre fez somente o que a lei lhe permitia: registrar a ocorrência criminosa. Não houve retaliação por parte de nenhum grupo extremista cristão e nenhuma ameaça de morte. Aqui no Brasil houve alguma polêmica com o vídeo de natal do grupo humorístico Porta dos Fundos, onde toda a história do nascimento de Jesus é satirizada, e que causou indignação por parte de cristãos devotos, que no entanto não fizeram nada além de reclamar nas mídias sociais e em seus grupos de discussão.

Eu gostaria muito de ver a ativista do Femen entrando sem roupa numa mesquita para simular um aborto – ela não teria nem tempo de urinar, pois já teria sido impedida, e a caminho de um julgamento cujo resultado mais provável seria sua morte. Também gostaria muito de ver os comediantes do Porta dos Fundos fazendo um especial satirizando Maomé – passariam o resto de suas vidas se escondendo para continuarem vivos. É muito fácil protestar, agredir e satirizar quem não revida. Mas onde está a coragem da ativista do Femen e a independência humorística do Porta dos Fundos, quando o assunto é islamismo? Simplesmente não estão, não existem. E o mesmo se aplica aos gayzistas que investem contra as igrejas e às feministas que enfiam imagens de santos católicos em suas vaginas – estariam todos condenados se fizessem o mesmo contra os seguidores de Maomé.

Que as pessoas não se enganem: o mundo está muito longe de ser um lugar avesso à religião. Com a perseguição e destruição do cristianismo, o mais provável é que o islamismo tome cada vez mais seu lugar. E aí as liberdades individuais que tanto prezamos, e que permitem a esses “istas” sem noção se expressarem da maneira que bem entendem, serão suprimidas por algo muito mais rígido. O mundo do futuro próximo não parece nada desejável: ditaduras esquerdistas versus teocracias muçulmanas, ou, ser escravo do partido versus ser escravo da religião. É triste e trágico ver que os idiotas úteis que compõem a grande massa popular que nos cerca prefere destruir a religião mesma que lhes garante a liberdade, para então cair nas mãos de quem a odeia. Se isso não é ser muito burro, não sei o que é.