Entre insights e catimbas

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 6 de abril de 2017.

88029FPIF9-0504033

Existe uma palavra na língua inglesa que não tem uma tradução perfeita para o português. É a palavra insight. Se você perguntar ao Google Tradutor, ele responderá com as opções “discernimento”, “introspecção”, “compreensão” e “perspicácia”. O Michaelis também aposta em “discernimento” como a melhor tradução. Mas nenhuma dessas opções comunica com perfeição o real sentido da palavra: uma compreensão clara, profunda e por vezes repentina de um determinado problema ou situação, nas palavras do Dicionário Cambridge da língua inglesa.

O maior insight que a esquerda já teve em sua história foi entender que a Suprema Corte de um país com regras democráticas é o caminho mais direto para a consolidação legal de novos paradigmas ideológicos em uma sociedade, independentemente de esses paradigmas estarem consolidados de fato nas interações humanas entre aqueles que vivem sob esse mesmo aparato de leis. Em outras palavras, ainda que não seja majoritariamente aceito pelo povo, um determinado argumento ideológico torna-se norma legal através da caneta de meia dúzia de togados.

Daí o motivo de as esquerdas darem tanta importância à ocupação de espaços nessas cortes. Em alguns lugares, como na Venezuela, o processo avançou a ponto de a corte mais alta do país não passar de um mero apêndice de um Poder Executivo autoritário e despótico. Em outros, como no Brasil, a corte apresenta uma maioria clara e consistente de juízes ideologicamente alinhados à esquerda, mas que conservam um nível de independência em relação ao Executivo. Nos Estados Unidos, a Suprema Corte historicamente alterna momentos mais conservadores com momentos mais liberais – não confundir aqui o liberalismo político americano, que nada mais é do que a esquerda neste país, com o liberalismo econômico –, e se encontra atualmente num movimento em direção ao conservadorismo.

A mais alta corte americana é composta de nove juízes, bastando a presença de seis deles para que haja quórum. Até o início de 2016, cinco deles tinham sido apontados por presidentes republicanos – dois por Reagan, um por Bush pai e dois por Bush filho – e quatro, por presidentes democratas – dois por Clinton e dois por Obama. O fato de um juiz ser indicado por um presidente republicano ou democrata diz muito a seu respeito. Por exemplo, nas votações com respeito a direitos de minorias, uma pauta ideológica clássica da esquerda, juízes “republicanos” votam a favor da manutenção dos direitos individuais, enquanto juízes “democratas” votam a favor da intervenção do Estado em favor de grupos minoritários. O mesmo acontece quando o assunto é sindicalismo ou liberdade de expressão. Para melhor ilustrar esse abismo entre os juízes, deixo os números a seguir, todos calculados com base nas votações dos juízes atuais:

Quando o tema é ligado a direitos de minorias, “republicanos” votam em média 35% das vezes em favor das minorias e 65% em favor do indivíduo. “Democratas” votam em média 66% das vezes em favor das minorias e 34% em favor do indivíduo. Se o assunto é sindicalismo, “republicanos” votam em média 41% das vezes em favor dos sindicatos e 59% em favor do empregador. “Democratas” votam em média 81% das vezes em favor dos sindicatos e 19% em favor do empregador. Em julgamentos sobre liberdade de expressão, “republicanos” votam em média 68% das vezes em favor da liberdade de expressão e 32% em favor de alguma restrição a ela. “Democratas” votam em média 35% das vezes em favor da liberdade de expressão e 65% em favor de alguma restrição.

Quando Donald Trump indicou Neil Gorsuch para o lugar de Antonin Scalia, todos os democratas americanos tremeram e temeram. Em termos de ideologia política, Gorsuch é tão conservador quanto o mais conservador dos juízes atuais, Clarence Thomas. Sua idade – completará 50 anos em agosto deste ano – lhe permitirá julgar por mais três décadas, equivalentes a oito mandatos presidenciais, se permanecer na média atual da corte. Diante de uma derrota tão avassaladora, os senadores democratas decidiram usar uma técnica bem conhecida nos campos de futebol de nosso Brasil: a catimba.

Usando da prerrogativa de que um senador tem direito a expor suas considerações antes do voto a favor ou contra uma indicação para a Suprema Corte, os senadores democratas têm se revezado na maior procrastinação legislativa da história da América. Na última terça-feira houve até quebra de recorde. Jeff Merkeley, senador pelo estado do Oregon, fez um discurso com duração de mais de 15 horas, começando sua fala às 19 horas da terça-feira já com o aviso de que “falaria tanto quanto conseguisse”. Em resposta a toda a catimba democrata, o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, disse que não hesitará em mudar o regimento interno para permitir a aprovação de Gorsuch com uma maioria simples, manobra conhecida como “opção nuclear”. No entanto, caso isso aconteça, as regras ficarão alteradas para as próximas eventuais nomeações sob o governo Trump, assumindo que os republicanos manterão a maioria no Senado durante seu governo. Ou seja, no caso provável de mais um juiz atual abotoar o paletó de madeira ou se aposentar, Trump nomeará o juiz que realmente desequilibrará a corte a favor dos conservadores, e valerá a regra da maioria mínima.

Assim, os democratas estão com um pepino gigantesco nas mãos. Neil Gorsuch é altamente respeitado, inclusive por alguns políticos democratas. Não bastasse isso, senadores de estados em que Trump saiu vencedor – Joe Manchin (Virgínia Ocidental), Heidi Heitkamp (Dakota do Norte) e Joe Donnelly (Indiana) – já declararam que votarão pela aprovação do novo juiz a fim de agradar seu eleitorado. Se, mesmo assim, a minoria democrata no Senado decidir por obstruir esta indicação, gastará a única bala que têm com um homem que foi aprovado por unanimidade para sua posição atual na corte de apelação, e abrirá caminho para que Trump escolha alguém ainda mais conservador na próxima oportunidade.

Vale lembrar que os democratas mudaram a regra da supermaioria para… (para ler o restante deste artigo, clique aqui).

Temeroso ou destemido, o que vai ser?

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 2 de fevereiro de 2017.

ivesgandraMichel Temer assumiu a Presidência com a aprovação de uma nação cansada do petismo, mas logo de início mostrou que governaria pautado por aqueles que o odeiam e que querem o seu fim. Foi o que aconteceu quando ele acertadamente extinguiu o Ministério da Cultura. A medida, apoiada por grande parte da população, foi bombardeada incansavelmente por artistas e jornalistas de esquerda, os mesmos que dias antes adotavam o “fora Temer” como frase de parachoque. Em vez de manter seu pulso, agradar o povo e economizar dinheiro de impostos, Temer optou por ceder terreno aos seus inimigos.

A decisão que paira sobre o presidente hoje é muito mais importante e impactante para o Brasil do que a existência ou não de um ministério. A indicação de um ministro para o lugar de Teori Zavascki é daquelas que ecoam por décadas, muitas vezes além do período de vida do próprio presidente. Foi o caso de Dias Toffoli, nomeado por Lula quando tinha apenas 42 anos de idade, e que poderá exercer seu cargo até 2042. Na composição atual, o Supremo Tribunal Federal tem nada menos que sete ministros indicados pelos petistas Lula e Dilma, e a atuação de alguns deles, em diversas oportunidades, deixou bem clara sua orientação ideológica de esquerda. Temer tem em mãos, portanto, a chance de devolver um pouco do equilíbrio ao STF.

Nos últimos dias, o nome de Ives Gandra Filho surgiu como possível indicação de Temer para a corte suprema. A quase totalidade da imprensa brasileira, ao se deparar com o currículo e com as posições de Gandra Filho sobre temas importantes – ele é favorável à revisão das atrasadíssimas leis trabalhistas brasileiras, é um crítico do excesso de tributos e do Estado inchado, é contra o ativismo judicial e, de quebra, é um cristão declarado –, entrou em estado de pânico com a possibilidade de que um conservador ocupe a vaga de Zavascki. Deu-se início, então, a uma campanha extremamente desonesta de difamação e desqualificação de Ives Gandra Filho e, ao mesmo tempo, a promoção incondicional de Alexandre de Moraes como a melhor opção para a vaga.

Dentre as táticas sujas utilizadas para denegrir Gandra Filho está a citação de trechos isolados de seus artigos, pinçados completamente fora de contexto e com o único propósito de criar uma impressão mentirosa sobre a linha de pensamento do jurista. Não colocarei aqui a prova completa da canalhice, porque alguém com muito mais conhecimento na área já o fez – o advogado e jornalista Taiguara Fernandes explicitou cada uma das citações pinçadas em excelente artigo publicado no portal Senso Incomum, no dia 26 de janeiro. Mas, a título de esclarecimento, farei um paralelo para você, leitor. Imagine o seguinte texto: “A noção de superioridade racial já variou bastante no decorrer da história humana. O homem branco é superior intelectualmente ao negro, acreditavam os nazistas. Mas, graças à evolução da ciência e aos avanços na área dos direitos humanos, esse tipo de discriminação sem fundamento faz parte de um passado já remoto”. Agora, imagine que alguém pinçou desse texto somente este pedaço: “O homem branco é superior intelectualmente ao negro”, e saiu falando por aí que o autor do texto é racista e que defende a mesma coisa que os nazistas. É exatamente isso que está sendo feito com Ives Gandra Filho. Note-se que esse tipo de atuação não é só moralmente reprovável, como também é crime previsto pelo Código Penal.

A melhor coisa que Michel Temer pode fazer é se espelhar em Donald Trump neste assunto. Trump anunciou na última terça-feira, 31 de janeiro, sua indicação para a vaga de Antonin Scalia: o conservador Neil Gorsuch. Respeitadas as proporções, Gorsuch é o Gandra Filho dos americanos. Fiel defensor da Constituição americana, ele tem um histórico de decisões favoráveis à vida, à propriedade privada, à liberdade de expressão e às liberdades individuais. Trump sabe que não pode governar para os que o odeiam, para os que o querem longe da Casa Branca; se fizer isso, será defenestrado rapidamente. Michel Temer parece não ter percebido isso; ou, pior, parece não ter a coragem necessária para governar em prol do povo brasileiro. Esse povo precisa de menos Estado em sua vida, menos regulação das relações de trabalho, menos interferência do governo nas empresas, menos impostos, menos leniência com criminosos etc. Indicar Alexandre de Moraes será apenas mais do mesmo. Se o presidente quiser deixar alguma marca positiva em seu governo, precisará de reformas profundas, e essas reformas precisarão de respaldo judiciário. Abrir mão de Ives Gandra Filho é abrir mão de um legado. Nesse caso, era melhor ter permanecido apenas como vice de Dilma. Afinal, do vice a gente não espera nada mesmo.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

A Esquerda Infiltrada – Assassinato de Bebês

startsatsixty-rotten-strawberryDesde 1988 a esquerda tem agido ativamente para tornar o aborto em algo comum e legalmente permitido. E em 2013, 25 anos depois, esse objetivo foi atingido no Brasil com a aprovação da Lei 12.845/2013, conhecida nos movimentos pró-vida como Lei Cavalo de Troia. Para quem quiser acessar o conteúdo completo sobre essa atrocidade, há um link muito bom disponível, http://www.documentosepesquisas.com/cavalodetroia.pdf.

Eu não vou focar o texto de hoje na lei em si. Para nossos propósitos basta sabermos que essa lei torna o aborto não só permitido, mas também uma obrigação do Estado, nos casos em que mulheres que se declarem vítimas de violência sexual o solicitarem. Fica muito claro para mim, e para todos que conheço que lutam pela vida e contra o aborto, que isso é pura e simplesmente uma autorização para o aborto gratuito e fácil no Brasil. Afinal, basta que a mulher chegue a um hospital público e diga que foi estuprada (ela pode inclusive alegar que não conhece o estuprador) e que quer tomar medidas abortivas. Como o estupro não pressupõe necessariamente agressão física, basta que o sexo tenha sido alegadamente não consensual para que esta mulher tenha o direito ao aborto.

Mas o nosso tema hoje é A Esquerda Inflitrada. Qual a relação com a lei acima citada?

Tenho acompanhado uma discussão no Facebook, iniciada em postagens de um grupo pró-vida que busca a revogação dessa lei insana. E eis que surge, de dentro do grupo, uma voz esquerdista, a dizer que “considero totalmente contraproducente essa iniciativa, como outras que vêm sendo tomadas nesse assunto. Em primeiro lugar, ela relata de modo errado a lei aprovada, que não permite o aborto em qualquer situação, como se diz no texto. Somente uma interpretação totalmente distorcida poderia levar a pensar assim, e penso que fazemos um péssimo trabalho ao endossar essa interpretação, que nem o governo (sic) pretende fazer. Que vantagem temos em ficar dizendo que o aborto no Brasil está aprovado?“.

O agente infiltrado (neste caso uma agente) tenta apelar primeiramente para o texto em sua interpretação mais ingênua possível (a lei aprovada, que não permite o aborto em qualquer situação”)Depois passa para o ataque direto às pessoas que, até aquele momento, eram suas companheiras de causa (“Somente uma interpretação totalmente distorcida poderia levar a pensar assim”). Em seguida coloca-se como autoridade e juiz sobre o grupo, emitindo seu parecer (penso que fazemos um péssimo trabalho ao endossar essa interpretação”) e deposita a confiança no Governo, o mesmo que até aquele momento a agente esquerdista dizia combater (“que nem o governo (sic) pretende fazer”). Para finalizar coloca uma questão “bolinha de fumaça Ninja” e sai correndo do debate (“Que vantagem temos em ficar dizendo que o aborto no Brasil está aprovado?”).

Veja como a esquerda trabalha infiltrada em grupos de direita conservadora. Seus agentes trabalham às vezes por anos em disfarces conservadores, participando ativamente de movimentos contrários às suas orientações políticas, para no momento exato interferir cirurgicamente e fazer o que todo agente infiltrado é treinado para fazer: sabotagem.

A grande vantagem da esquerda na guerra ideológica é justamente essa: ela consegue fazer a infiltração e a sabotagem tão bem, porque é muito fácil apodrecer algo que esteja saudável, mas impossível tornar saudável algo que esteja podre. Imagine a situação oposta, onde um agente infiltrado da direita tentasse promover a agenda pró-vida no meio de abortistas – é como colocar uma zebra no meio de leões para que ela os convença a adotar o vegetarianismo. Por isso a esquerda tem sido bem sucedida em sua agenda assassina, porque ela dá vazão às psicopatias e à vileza do homem, e não exige nenhum sacrifício, nenhuma trava moral, nenhuma reflexão intimista. Ao contrário, o esquerdismo estimula o homem a ser tudo de pior que ele pode ser, sem restrições.

Todo grupo ou organização que lute contra o esquerdismo e todas as suas vertentes assassinas precisa estar em constante vigilância, para não permitir que esses infiltrados ocupem espaços e posições de destaque. Como em toda a guerra, é muito mais eficiente conter a sabotagem do que lidar com os efeitos da mesma.

Hora de arregaçar as mangas

Todo blog tem seu primeiro post, e esse é o meu.

Depois de buzinar incessantemente nos ouvidos de minha esposa a minha indignação com os rumos que o Brasil tem tomado, principalmente na era PT, ela me disse: se você tem tanta coisa assim para dizer, por que não faz um Blog e compartilha suas ideias? Eu até gostei da sugestão, mas fiquei um bom tempo pensando no assunto, pois um Blog é como uma planta: exige algum cuidado – se não “regar” todo dia ele morre. E isso implicaria em escrever ao menos um artigo por dia, para manter o negócio ativo.

E não é que depois de alguns meses eu me deparei com a situação em que eu já estava escrevendo diariamente no Facebook, bradando contra as canalhices da esquerda que tanto me dão desgosto, e aí me pareceu lógico fazer esse Blog. Mas existia algo no caminho que ainda me impedia de começar: a preguiça.

Mas a preguiça foi chutada na bunda ontem à tarde, na cama, após um belo almoço no Lia Giorno lá do Shopping Jardim Sul (quem conhece sabe que você sai muito satisfeito de lá), quando assisti, junto com minha esposa, ao documentário AGENDA: Grinding America Down (http://www.youtube.com/watch?v=uDo8xAQGrI8). Depois de uma hora e meia eu vi que precisava me juntar a tantos outros que estão lutando contra aquilo que ameaça acabar com a liberdade de todos os homens, o comunismo.

Eu poderia usar outras palavras aqui, pois muita gente pensa que o comunismo acabou quando a União Soviética se desmantelou. Mas seria irresponsável de minha parte, pois não existe outra palavra para descrever o comunismo, senão essa: COMUNISMO. É o que está por trás de toda a agenda esquerdista, é o estágio final de toda e qualquer estratégia socialista, social-democrata, progressista, pragmatista, coletivista e outros nomes bonitinhos que a esquerda tenta colar, só para não usar o que realmente é: o mau e velho comunismo.

Enfim, a tarefa que me cabe nesta luta é publicar, denunciar e expor as canalhices da esquerda, na esperança de que aquele que vier a ler este Blog, caso ainda esteja cegado pela esquerda, achando que vive numa democracia e que as coisas no Brasil “ainda não estão tão ruins”, possa finalmente enxergar por trás das maquiagens e cenários, e com isso decidir-se por entrar nesta guerra ideológica que vivemos. Precisamos de mais blogueiros, professores, políticos, intelectuais, líderes religiosos, formadores de opinião, enfim, de muito mais gente que abrace a ideologia da direita e do conservadorismo, para então fazer um contraponto à maquina esquerdista, que hoje ocupa todos os postos de influência: os sindicatos, as universidades, os partidos políticos, as agências governamentais e o sistema educacional como um todo.

A esquerda se preparou durante décadas, se infiltrando, dominando de dentro para fora, e semelhante ação nos é requerida, ainda que leve décadas. Enquanto tivermos liberdade para escrever abertamente na internet, como faço agora através deste Blog, escrevamos, pois a continuarem as ações do atual governo, essa liberdade está com os dias contados. E aí a guerra entrará num nível que exigirá um compromisso muito maior do que simplesmente escrever, debater e agir na normalidade. Quando o comunismo realmente é implantado em uma nação, as pessoas passam a pagar com suas vidas pela liberdade.