O Brasil ainda não é Sodoma e Gomorra

Uma das histórias mais conhecidas da Bíblia é a de Sodoma e Gomorra. Dizem as escrituras que essas duas cidades chegaram a um nível tão grande de depravação moral, maldade e vileza que Deus resolveu destruí-las por completo. Antes, porém, de concretizar seus planos, Ele avisa a Abraão para que este tenha tempo de tirar de lá sua família – seu sobrinho Ló, sua esposa e filhas.

Uma parte muito interessante da narrativa bíblica é a conversa entre Deus e Abraão. Este, movido de compaixão pela iminente destruição das cidades, começa a indagar a Deus se Ele pouparia as cidades caso houvesse 50 justos morando nelas. Deus diz que sim, que as pouparia pelos 50. Abraão continua, e reformula a pergunta, agora com 30 justos. A resposta de Deus continua a mesma. Ele insiste mais uma vez, baixando o número para 20, e obtém a mesma resposta. Por último, já se desculpando por ser tão chato, ele pergunta a Deus se Ele pouparia as cidades caso houvesse 10 justos nelas. Deus responde novamente que sim, que não as destruiria por causa desses dez. A narrativa deixa claro que não havia nem dez justos em Sodoma e Gomorra – depois que Abraão tira Ló e sua família de lá as cidades são destruídas com fogo que cai dos céus, e todos ali perecem.

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O Brasil não está longe de ser Sodoma e Gomorra. A maldade e a corrupção tomaram o país de uma forma tão completa e avassaladora que as pessoas de bem, as que lutam por princípios de justiça e verdade, sentem-se presas, sufocadas, desesperadas em meio a tantos escândalos, mortes, assassinatos, injustiças e mentiras. O sentimento geral é de desânimo e cansaço, de basta, de chega, de não aguentamos mais. Sim, estamos perto de uma falência completa, tanto financeira como moral, estamos por um fio. Vemos a nossa pátria sendo afundada e destruída por esse partido canalha que se apossou do poder, e lutamos do jeito que podemos para tentar salvar nossa terra.

Mas o Brasil ainda não é Sodoma e Gomorra! Longe de mim dizer que sou um justo, na concepção de justiça divina. Não, não sou. Sou um homem que falha e erra, como todos os outros. Mas de forma alguma sou como esses psicopatas e criminosos que ocupam desde a Presidência da República até os cargos mais baixos do governo petista. Eles são o que já vimos de pior num ser humano: vis, invejosos, assassinos, ladrões, mentirosos, cheios de ódio; lutam ao lado da injustiça, não se cansam de fazer o mal e de faltar com a verdade. Se o Brasil fosse inteiro como eles, já teríamos deixado Sodoma e Gomorra para trás há muito tempo.

Hoje é um dia histórico. O povo brasileiro que ainda acredita no Brasil está nas ruas neste momento. Mais de um milhão de pessoas já estão na Av. Paulista, em São Paulo, onde acontece o maior de todos os movimentos marcados para 15 de março. Em outros lugares a coisa aconteceu de forma semelhante, em menor volume, mas com a mesma mensagem: não suportamos mais o PT e Dilma Rousseff. É o clamor das pessoas de bem, dos trabalhadores verdadeiros, das famílias; é o clamor de brasileiros e brasileiras que vestem o verde, o amarelo, o azul e o branco, e repudiam com todas as suas forças o vermelho do PT, do comunismo e da morte. Nossa cor é a da bandeira, nossa inspiração é a Pátria, nossa voz é a do povo.

Não queremos ser Sodoma e Gomorra, nem Venezuela, e nem PT. Queremos ser Brasil. E, ainda que Deus não seja brasileiro, queremos mostrar para Ele que somos milhões de razões para que Ele nos poupe do pior dos destinos.

À luta, Brasil!

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento“.

 

 

Distopia é nosso sobrenome

utopia-distopiaA definição mais fácil de distopia é uma utopia negativa. É claro que, para entender tal definição, é necessário saber o que é uma utopia, que é nada mais do que a ideia de um mundo ideal e perfeito (e inexistente, por consequência). Há distopias famosas, como 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, obras em que os autores imaginaram um mundo onde a liberdade e a privacidade são nada mais do que lembranças de tempos remotos, e onde o coletivismo burro e o autoritarismo estão praticamente onipresentes em toda a sociedade.

Quem tem um mínimo de apreço pelas liberdades individuais termina de ler essas obras com um frio na barriga, um arrepio só de pensar que o mundo pode caminhar para um futuro assim. O arrepio é justificado, pois não só o mundo caminha para esse tipo de realidade distópica, como há um lugar em que ela já foi plenamente estabelecida: o Brasil. Acha um exagero dizer isso? Então continue comigo por mais alguns parágrafos; acompanhe meu raciocínio.

Quando penso numa sociedade ideal, utópica, vejo as pessoas podendo exercer suas liberdades sem medo. Vejo gente se expressando livremente, sem ninguém para censurá-las. Vejo os criminosos sendo presos, julgados e condenados. Vejo um governo que não interfere nas decisões e nas vidas das pessoas. Vejo cidadãos responsáveis por seus destinos. Vejo a proteção à privacidade e às escolhas individuais. Vejo o cultivo da verdade e da honestidade como um princípio dos mais elevados. Vejo a valorização do pensamento crítico e o uso da racionalidade. Vejo a busca pelo ideal limitada ao divino, e a certeza de que sozinhos não somos capazes de traçar padrões de conduta suficientemente bons para pautarem a humanidade.

Quando olho para o Brasil não vejo nada disso. Vejo as liberdades sendo removidas dia após dia. Vejo que não podemos mais nos expressar livremente, pois algum “policial” do politicamente correto virá com sua condenação pronta, endossada por uma mídia tacanha e mal intencionada. Vejo que a maioria dos criminosos está livre, os que são julgados não são presos, e os que são presos acabam soltos. Vejo um governo que muda as regras do jogo a cada momento, que brinca com a vida das pessoas, que rastreia cada centavo gasto por elas, que busca saber tudo sobre cada um de nós, ao mesmo tempo que esconde o máximo que pode sobre si. Vejo cidadãos desprovidos de responsabilidade, encostados em programas sociais, dependentes de esmolas oficiais, irresponsáveis e acostumados a jogar a culpa por seus atos falhos em qualquer pessoa que não eles mesmos. Vejo a privacidade se extinguindo, o olho do Estado em todos os lugares, a interferência das pessoas nas vidas das outras, a vigilância mútua incentivada pelo governo, a condenação das conquistas individuais em nome do coletivismo medíocre e o combate irracional a tudo o que não tem a grife “social” no nome, como se a sociedade não fosse composta de indivíduos. Vejo a valorização e a oficialização da mentira, despejada pelos mandatários da nação em programas de rádio e televisão, contadas sem nenhuma vergonha ou constrangimento, ditas num dia e desmentidas logo depois; e vejo essa cultura mentirosa arraigada na sociedade brasileira, no jeitinho, no tirar vantagem, no amigo que conhece um amigo. Vejo a perseguição ao pensamento crítico, o desprezo pela virtude, o ódio ao mérito, o culto aos prazeres mais animais e carnais, o desdém pela intelectualidade, a exaltação da ignorância e a coroação dos medíocres. Vejo a busca por tudo o que existe de mais baixo na alma humana, e a ridicularização do divino como conduta padrão de todos os que se dizem progressistas e a favor de um suposto e inexistente bem maior.

Fomos reduzidos a selvagens, cuja maior expressão de individualidade é lamber a própria bunda. Nosso intelecto foi subjugado por nossas perversões, e nos tornamos um povo sem princípios, sem respeito e sem memória. Parece realmente que decidimos reverter o processo evolutivo e caminhar de volta aos tempos do paleolítico, deixando para trás qualquer traço de civilização que um dia tivemos. Como dizem por aí, nas redes sociais, o Brasil não corre nenhum risco de dar certo. Infelizmente.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

Era Eva brasileira?

Existe uma expressão muito comum entre os juízes e promotores de justiça americanos, empregada quando a acusação tenta usar provas obtidas de forma ilegal. Por exemplo, se um policial consegue apreender a arma utilizada num crime através de uma busca e apreensão sem mandado judicial, esta arma não poderá ser usada pelos promotores para compor o caso de acusação, pois isso seria comer do fruto proibido.

frutoEste conceito diz muito sobre o modo com que um povo faz suas coisas. Afinal, ele é justamente o oposto do terrível “os fins justificam os meios”. Comer do fruto proibido é negar o conjunto de regulamentos que torna a sociedade um lugar minimamente decente de se viver. Quando os fins justificam os meios, tudo é possível, e todas as atrocidades são permitidas em nome de um bem maior. Foi assim que Stálin, Mao, Hitler e tantos outros conseguiram assassinar tanta gente, convencendo as pessoas de que em prol de um “bem maior” tudo é justificável, até mesmo a morte de milhões de pessoas.

O Brasil, infelizmente, não é um país onde se evita o fruto proibido. Na verdade, parece que quanto mais proibido, mais se come dele. A declaração do sambista Neguinho da Beija-Flor, dada ontem à Rádio Gaúcha de Porto Alegre, exemplifica muito bem o que estou dizendo. Disse ele:

Se hoje temos o maior espetáculo audiovisual do planeta, agradeça à contravenção.

Ele se refere à história dos desfiles cariocas, que na época em que eram organizados pelo poder público eram extremamente desorganizados (como quase tudo o que o poder público faz no Brasil), mas que passaram a ser o espetáculo que são depois que os contraventores se juntaram e assumiram a organização da festa. Mas, afinal de contas, o que é uma contravenção quando o resultado é tão espetacular, não é mesmo? Uma escapada aqui, um “debaixo dos panos” ali, e de fruto proibido em fruto proibido nós construímos um país de bandidos, onde qualquer fim, por mais banal que seja, justifica todos os meios. E assim vamos criando e elegendo Lulas, Dilmas, Sarneys, Renans e Collors, e afundando cada vez mais em nossa falta de princípios e moral.

Nunca acreditei que Deus fosse brasileiro, como dizem. Já Eva…

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

Brasil x Botswana

O senso comum esquerdista costuma colocar os países desenvolvidos e capitalistas como exploradores, uma boa parte do restante do mundo como explorados, e a maioria dos países da África como pobres-nações-mega-exploradas-e-sem-esperanças. É a velha mentira da economia de soma zero, onde afirma-se que para alguém ser rico outro alguém tem que ser pobre.

Já o senso comum conservador é o de que qualquer nação que abrace certos princípios de liberdade individual e econômica, e opte por uma forma democrática e estável de governo, estará no caminho para o desenvolvimento e para a superação da pobreza. Um caso emblemático deste tipo de abordagem ficou famoso duas décadas atrás, com os chamados “Tigres Asiáticos”, que conseguiram um salto de desenvolvimento e de criação de riquezas sem precedentes na história recente.

Mas seria possível que algo assim acontecesse num lugar como a África, um continente que de acordo com todos os socialistas, comunistas e esquerdistas que conheço, foi destruído pela exploração conduzida por homens brancos malvadões? E mais, se tal lugar existisse, seria possível compará-lo ao Brasil, país que caiu nas mãos da esquerda há mais de duas décadas e que, portanto, não pode alegar estar sendo explorado por governantes capitalistas diabólicos?

A resposta é sim, e eu sugiro compararmos Brasil e Botswana.

O Brasil tem mais de 8 milhões e meio de quilômetros quadrados, e uma linha costeira das maiores do mundo. É também abundante em água doce, tem poucas zonas desérticas, e uma das maiores áreas cultiváveis do planeta. Além disso, desde o meio do século passado conta com um parque industrial e com uma infra-estrutura de energia e transporte que, se não é a ideal, está longe de ser desprezível. Independente desde 1822, o país já teve sete constituições e algumas rupturas da ordem democrática.

Botswana tem apenas 580 mil quilômetros quadrados, quase do tamanho do estado de Minas Gerais, e não possui acesso a nenhum oceano; pelo contrário, grande parte de suas terras é árida. Sua independência se deu em 1966, menos de 50 anos atrás. No passado foi um protetorado britânico (parece que onde esses ingleses malvados colocaram a mão as coisas andam direito) e desde sua independência não passou por nenhum tipo de instabilidade democrática, ou seja, nenhum golpe de estado ou revolução. A constituição do país data de 1966, e é a mesma até hoje.

gaborone-03-ciudad-verdeVista da cidade de Gaborone, em Botswana.

O Brasil possui um PIB per capita de US$ 11.900,00 (2011; em 1999 era de US$ 6.150,00), IDH de 0,744 e coeficiente de Gini de 51,9. Botswana possui um PIB per capita de US$ 16.200,00 (2011; em 1999 era de US$ 3.900,00), IDH de 0,683 e coeficiente de Gini de 63,0. E quanto ao índice de liberdade econômica? A nação africana ocupa uma honrosa 36a  posição, enquanto o Brasil amarga o 118o lugar – horroroso, em vez de honroso. Já sobre a liberdade de imprensa, Botswana tem um índice melhor até do que Estados Unidos e Itália, na ponta de cima da tabela, enquanto o Brasil faz companhia a países com ditaduras e governos autoritários, no extremo inferior.

O Brasil teve um surto de lucidez econômica nos governos Itamar e FHC, optando na época pela ortodoxia na condução da economia, o que nos levou à estabilidade e ao crescimento por diversos anos. Não preciso dizer que toda essa herança foi jogada no lixo pelos governos petistas, que levaram o país de volta à inflação, ao endividamento e à falta de confiança internacional. Botswana, por outro lado, tem mantido uma das mais altas taxas de crescimento econômico do mundo, com média acima de 9% ao ano, graças a uma política fiscal prudente e a um ótimo uso dos recursos naturais do país, rico em diamantes. Os sucessivos governos desde a independência jamais abandonaram as práticas de responsabilidade fiscal e o bom relacionamento com parceiros internacionais. Além disso, o ambiente para quem quer fazer negócios é excelente, com impostos baixos e incentivos reais e concretos ao empreendedorismo.

Resumindo, dentre esses dois países, aquele que optou pela ortodoxia econômica e pelos princípios conservadores está crescendo e tirando sua população da miséria, sem o emprego de programas de esmola pública. O outro, que optou pela heterodoxia (sem falar na pilantragem) econômica e pelos princípios socialistas, está estagnado, endividado e em meio a uma crise hídrica e energética, que só não será pior justamente pelo fato da economia estar parando. Os petistas alegam que trouxeram a justiça social ao Brasil, e que livraram o país de séculos de exploração; na verdade eles encheram os bolsos próprios e do partido e quebraram o país. A pequena Botswana permaneceu imune aos apelos revolucionários marxistas, mesmo incrustada numa região dita explorada, e vem gerando riqueza num ritmo muito forte, mostrando que não há herança histórica que resista a bons princípios de governança.

O tempo em que podíamos comparar o Brasil à Inglaterra ou à Rússia já ficou para trás. O que nos resta agora é tentar alcançar Botswana, torcendo para não virarmos uma Venezuela antes…

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

Brasileiros, armai-vos!

Artigo publicado no Correio Popular de Campinas, seção Opinião, edição de 9 de dezembro de 2014.

Muitos brasileiros têm pavor de armas, como se fossem uma coisa do mal. Infelizmente, nos últimos 25 anos o estado e a mídia conseguiram colar nas armas a culpa pela violência, quando na verdade foi o banimento delas que deixou os brasileiros indefesos e à mercê de criminosos que atacam com a certeza de que não haverá resistência da vítima. Quando eu tinha meus dez anos de idade lembro muito bem que meu tio andava armado, e meu pai sempre falava em comprar a dele. Lembro de ter entrado numa loja com ele e ver as armas expostas, armas que podiam ser compradas por cidadãos obedientes à lei. Isso soa hoje como fantasia no Brasil, depois que o governo conseguiu desarmar grande parte da população, e não tirou uma pistola sequer das mãos dos criminosos.

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Eu tenho estudado o assunto a fundo, pois nos últimos meses traduzi alguns livros excelentes e extremamente bem fundamentados sobre armas e suas consequências para a sociedade. Quando escrevo aqui, não é com o achismo desses grupos de “defesa dos direitos humanos”, que pegam meia dúzia de reportagens e acham que têm informação suficiente para tentar educar as pessoas. Não, estou falando baseado em centenas de tabelas estatísticas, de dados dos últimos 400 anos, de países diferentes, de estudos sérios feitos por professores de grandes universidades. Eu entendo que essa é a maneira correta de alguém se informar sobre um assunto, e não lendo três reportagens tendenciosas num jornal qualquer.

A mídia engana demais. Como exemplo posso citar os casos de tiroteios em escolas americanas, que são tratados como a coisa mais absurda do mundo. Pois bem, se você pegar qualquer ano como exemplo, de 1995 até hoje, o número de estudantes mortos em ataques como esse é menor do que o número de estudantes mortos por esforço excessivo nas práticas de educação física. Mas ninguém vai ver uma reportagem sobre isso, porque o que interessa é pintar as armas como vilãs supremas. Em casa é a mesma coisa: quando uma criança morre por um disparo acidental da arma de seus pais, vira notícia no mundo inteiro; mas não há uma menção sequer às mortes por ingestão de produtos de limpeza, que acontecem NOVENTA vezes mais do que as mortes com armas. E aí? O que pensar sobre isso?

Para mim é bastante óbvio. Se existisse um interesse do governo e da mídia de evitar mortes infantis, por exemplo, eles deveriam se preocupar muito mais em instruir os pais sobre como guardar seus produtos de limpeza do que tentar tirar o instrumento de defesa de suas mãos. Deveriam alardear os riscos de se andar de bicicleta, atividade que mata mais jovens do que todos os atiradores dementes juntos. Mais do que isso, deveriam mostrar os inúmeros casos documentados de pessoas que estão vivas hoje porque alguém próximo, ou elas mesmas, tinha uma arma numa situação de confronto com um criminoso.

Perceba a diferença: muitas pessoas morrem de bicicleta, mas não se tem notícia de que uma bicicleta tenha salvo uma vida, e ninguém sai por aí pedindo o banimento das bicicletas. Muitas pessoas morrem pelo uso de armas, mas muitas mais vivem por causa delas; as armas que matam são as que estão nas mãos de criminosos, que as obtêm diretamente do contrabando, e todo mundo sai pedindo seu banimento generalizado. Um estudo recente da Universidade de Chicago, sobre o uso defensivo de armas, mostrou que em 99% dos confrontos com criminosos a pessoa só precisa sacar a arma para assustar o bandido e impedir o crime, e que menos de 0,1% dos crimes com armas de fogo foram cometidos por cidadãos que possuem uma arma legalizada.

A quem tem um preconceito infundado sobre as armas de fogo, convido a conhecer mais sobre o assunto. Ainda que você nunca compre uma arma para si, é importante saber que o direito de tê-las deve ser garantido a todos os cidadãos de bem, e que seu bairro será mais seguro se você ou alguns dos seus vizinhos tiverem uma arma em casa. Lembre-se que a polícia chega, quase sempre, depois do crime. Está na hora de apoiar os esforços que estão sendo feitos para a derrubada do estatuto do desarmamento, uma excrescência que ajudou o Brasil a atingir o recorde de 60 mil mortes violentas por ano, nos dando uma taxa per capita maior do que a de muitos países em guerra.

Brasileiros, armai-vos!

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”. É também membro da NRA, National Rifle Association e praticante de tiro.

 

Abaixo algumas sugestões de material caso você queira se informar mais sobre o assunto:

Movimento Viva Brasil – a mais séria organização brasileira na abordagem ao armamento civil e suas consequências.
– Livro – Mentiram e muito para mim – meu livro, que explica, entre outras coisas, de onde vem essa mídia mentirosa que temos.
– Livro – Violência e Armas – da professora Joyce Lee Malcolm, obra esclarecedora sobre o uso de armas na Inglaterra e EUA.
Blog do Prof. John Lott – autor de dois livros sobre controle das armas, um deles a ser lançado em breve no Brasil. (em inglês somente)

 

República

lindissima-bandeira-do-brasil-147-x-090-cm-imperdivel-505-MLB4698382047_072013-FQuinze de novembro é a data em que comemoramos a proclamação da república. Mas 15 de novembro de 2014 é a data que ficará marcada com a indignação dos brasileiros contra o governo que mais afrontou a república. O governo petista desrespeitou TODOS os valores republicanos, e é por isso que precisa ser investigado, condenado, e terminado.

Ser republicano é respeitar as leis – não preciso escrever muito para mostrar que esse governo e seu partido não têm o menor respeito pelas leis. A prova máxima disso é a postura que assumiram para com os criminosos do mensalão, que mesmo condenados e presos são tratados como heróis. O petrolão trará mais uma leva desses “heróis” à tona, e podemos esperar mais desse comportamento bandido por vir.

Ser republicano é respeitar o bem público – o que o PT fez com as instituições públicas brasileiras é algo único e provavelmente jamais superável na história brasileira. A destruição da Petrobrás coroa o modo de operação do governo mais corrupto e cruel da república brasileira. Nunca o bem público foi tão desrespeitado e vilipendiado como no governo petista.

Ser republicano é prestar contas responsavelmente – vivemos num tempo em que o acesso à informação é incomparavelmente maior do que em qualquer outra época. Mas com o PT isso não se aplica, pois a transparência do governo só tem diminuído, e a prestação de contas tem sido ignorada ou maquiada pelo governo de Dilma Rousseff. Gastam irresponsavelmente e mentem quando perguntados sobre como gastaram. Esse é o jeito petista de governar.

Ser republicano é respeitar a máxima de que governados e governantes são iguais perante a lei – esse valor, que nunca foi o forte da república brasileira, encontra-se ainda mais soterrado debaixo da empáfia petista. Lula, Dilma e seus companheiros de partido são o exemplo máximo de desprezo pelo cidadão. Nenhum de nossos direitos e deveres parece se aplicar a eles. Na verdade, parece que a nós só cabem os deveres, e a eles os direitos.

O Brasil é maior do que esse partido, é maior do que Lula e Dilma. O Brasil é verde e amarelo, e nunca vermelho. O Brasil é república, e não ditadura. A hora é agora, o dia é hoje, a ação é nossa. Que seja um dia que entre para a história, e que o 15 de novembro ganhe mais um motivo para ser comemorado: o dia em que a República Brasileira voltou a existir.

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

A goleada das goleadas

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Artigo publicado no Correio Popular de Campinas, seção Opinião, edição de 10 de julho de 2014.

Nossa decadência parece não ter limites. A última fronteira foi cruzada – fomos humilhados no que éramos considerados deuses, e o país do futebol assistiu à goleada das goleadas. Tudo parece culminar para a aniquilação completa das virtudes no Brasil.

Este é o castigo final para o país que não se prepara para nada. No período de uma década algumas nações do mundo foram capazes de gerar mudanças profundas e positivas em suas histórias. Em quase doze anos o PT não só paralisou o Brasil, mas empurrou-o para trás. Os governos petistas foram tão competentes como nossa seleção, e temos tomado gol atrás de gol.

1 x 0 – Educação

Quando o PT começou a governar o Brasil éramos o último colocado no exame PISA, ocupando o 40o lugar. Durante esses doze anos vários países foram adicionados à lista de participantes, e o Brasil conseguiu se manter nas últimas colocações, sempre próximo à 60a posição. Não houve melhoras, nem conquistas, nem planos, nem ações, nem nada. A educação brasileira foi tratada pelos governos petistas com o maior descaso possível.

2 x 0 – Inflação

O país que havia enfrentado uma inflação absurda e que conseguiu estabilizar a moeda através do Real viu a demolição sistemática dos pilares que sustentavam nossa economia. Se na área da educação houve abandono, aqui foi pior: houve a ação do pior tipo, com as piores consequências. Os governos petistas, especialmente o de Dilma Rousseff, abandonaram as práticas econômicas saudáveis, e hoje temos uma inflação anual que caminha novamente para dois dígitos.

3 x 0 – Liberdade de Expressão

Por trás do governo existe um partido que tem em seu DNA a censura e o desrespeito à única garantia contra governos despóticos. Por mais que Lula e Dilma falem em respeito à imprensa, o PNDH, o Marco Civil da Internet e as tentativas de regulação da mídia mostram que o discurso presidencial é nada além de vazio.

4 x 0 – Propriedade Privada

Quilombolas, indígenas, MST e MTST são alguns exemplos de como a propriedade privada no Brasil está deixando de ser algo concreto para se tornar um conceito difuso e circunstancial. Muitos proprietários rurais estão perdendo suas terras injustamente, num verdadeiro gol contra do PT, que escolheu mimar os ditos movimentos sociais que formam hoje a maior força civil armada do Brasil.

5 x 0 – Diplomacia

O Itamaraty já foi considerado exemplo mundial de excelência em diplomacia. Por questões ideológicas os governos petistas abandonaram esta excelência e passaram a flertar com tiranos e déspotas de todos os tipos. As relações com as nações europeias e com os EUA foram mantidas em fogo brando, enquanto Irã, Cuba e Venezuela foram contemplados com nossos maiores esforços e nossa maior atenção. Em vez de fortalecer o Brasil diante dos grandes optaram por tentar nos alçar à liderança dos párias.

6 x 0 – Segurança

O Brasil chega a 2014 com a marca impressionante de 56.000 assassinatos por ano. Somos responsáveis por 10% de todas as mortes violentas do planeta. Morrem no Brasil, em um ano, mais pessoas do que em guerras inteiras. Chechênia, Angola, Iraque, Israel-Palestina – nada é páreo para o Brasil petista. A leniência na aplicação das leis, o desarmamento da população e o sentimento geral de impunidade foram o solo perfeito para essa experiência macabra.

7 x 0 – Corrupção

O partido que pregava a virtude conseguiu fazer tudo de forma oposta ao que se propunha. Não só se aliou a diversos inimigos políticos antigos, que de abomináveis passaram a excelentíssimos, como implementou o Mensalão. Mas isso não seria suficiente. Em vez de expulsar os criminosos de sua estrutura, o PT defendeu e ainda defende seus membros condenados, afrontando a mais alta corte judicial do país e, por extensão, todos os brasileiros que ansiavam por justiça.

7 x 1 – ?

Esta seleção manchou uma história de glória com a maior das vergonhas. Em vez de apenas perder, conseguiu entrar para a história pela porta de trás, batendo recordes negativos. Fizeram com a camisa amarela de cinco estrelas o que o governo atual faz com nossa democracia: mancharam para sempre. Somente muitos anos de trabalho sério poderão reverter um resultado tão ruim, na política e no futebol.

Fica a pergunta: será que marcaremos nosso gol em outubro, e demitiremos toda a “comissão técnica”?

 

Flavio Quintela é bacharel em Engenharia Elétrica, escritor, tradutor de obras sobre política, filosofia e história, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim

Igualdade? Só com oportunidade

Até hoje não publiquei textos neste blog que não fossem meus. Mas estou abrindo uma exceção hoje para o excelente texto que minha esposa me mandou hoje à tarde. Vale a pena ler sua análise bastante lúcida sobre o que é igualdade na vida real, bem diferente do monte de mentiras e baboseiras disseminadas pela esquerda. Segue na íntegra:

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Antes de qualquer coisa eu gostaria de deixar claro que nunca fui “paga pau” desse país. Aliás, até vir para cá, e quando eu ainda acreditava nas mentiras do aquecimento global, eu nutria um certo desprezo por saber que os Estados Unidos não tinham assinado o tratado de Kyoto e, por ter estudado biologia, sempre achei isso um absurdo. Enquanto o mundo todo lutava para reduzir as emissões de gases na atmosfera, os americanos só pensavam em dinheiro.

Bastaram duas visitas para eu decidir por me mudar com meu marido para cá. E hoje, vivendo aqui há quase 30 dias, minha percepção mudou bastante, e posso dizer que a adaptação não tem sido uma das coisas mais fáceis, mas que estamos conseguindo evoluir a cada dia.

Se eu resolvesse enumerar as coisas boas me faltaria memória para colocar todas em um único texto, mas também poderia dizer que algumas coisas não são legais. Não, não é o lugar mais perfeito do mundo, mas está longe de ser o monstro que muita gente pinta no Brasil.

Muitos, só de ter ouvido falar, acham mesmo que os americanos têm o rei na barriga e que são antipáticos. Algumas pessoas vieram me perguntar e outras até insinuaram que eu poderia ser hostilizada de alguma maneira por ser imigrante. MENTIRA! Todos com quem me relacionei, desde as pessoas nos comércios até o nosso vizinho são extremamente simpáticos e solícitos – transbordam simpatia. O ambiente não é nem um pouco hostil, é na verdade bem convidativo a permanecer, de tão confortável que é.

Quando você vive a vida comum aqui, frequentando os lugares que os residentes frequentam como escola, mercado, academia, lojas, restaurantes e até clinica de pronto-atendimento, você percebe quanta desigualdade existe no Brasil e que por mais que se discuta sobre inclusão social estamos longe de trilhar o caminho certo. Aliás, o que estamos assistindo é a luta de classes cada vez mais acirrada e as pessoas odiando cada vez mais as diferenças. O negro sempre se sentindo preterido, o branco se sentindo hostilizado, as mulheres lutando por “igualdade” e os homens sendo culpados de terem nascido homens, pobres contra ricos e ricos contra pobres. É uma discussão sem fim que nunca chega a lugar algum, provavelmente porque estamos fazendo isso errado.

Queria dividir com vocês algumas das “primeiras” impressões que venho tendo e que têm me gerado reflexões sobre o tema: o que é igualdade na vida real.

Uma das primeiras coisas que fui buscar aqui foi a academia. Quem me acompanha no Facebook sabe que tenho hérnia de disco e preciso cuidar dela com atenção e carinho. Essa academia é a LA Fitness, uma rede que está presente em todos os Estados Unidos. Sua infraestrutura equivale a uma Companhia Atlética, mas o preço, pasmem: US$20 por mês. Por esse valor eu posso fazer todas as modalidades de treinos disponíveis, jogar basquete, jogar squash em salinhas particulares e fazer hidroginástica todos os dias, em qualquer horário. E o que me gera reflexão são as pessoas que vejo lá. São americanos, indianos, latinos, brasileiros (eu e o Flavio), chineses, japoneses e outras nacionalidades. Tem brancos e negros na mesma proporção. Tem mulheres, homens e homossexuais. Donas de casa, jovens moças e idosas, todas puxando ferro. Tem deficientes físicos. Tem obesos e malhados. Todos tendo acesso à mesma infraestrutura porque o preço é acessível a qualquer classe social.

No mercado que frequentamos, como o Wal Mart, o Publix ou mesmo o Target, tem americanos brancos e negros e tem todo o tipo de gente, de todos os lugares do mundo (mesmo estando em uma cidade menor), todos consumindo os mesmos produtos, já que os preços são acessíveis. Além disso os caixas são sempre sorridentes, são loiros, negros, jovens, idosos, mulheres, homens, americanos ou imigrantes, mas sempre solícitos.

Aliás eu nunca vi tantos idosos trabalhando. Ontem mesmo estive na Apple Store e entre jovens brancos clássicos ou com dread no cabelo, negros, orientais, mulheres, homens e gays tinha uma parcela de atendentes da terceira idade, cabelos brancos, olhos azuis e pele rosada (aqueles que um certo Lula já culpou pelas crises mundiais). Todos comprometidos e trabalhando. Estar na Apple Store aqui não é privilégio de uma única classe. Todo mundo tem iPhone. Além disso, não são poucas as escolas públicas que são patrocinadas pela Apple e assim que você matricula seu filho ele sai com um Mac Book Pro para usar durante o ano letivo.

Outra coisa legal é que aqui quase não vemos criança na rua, só quando estão esperando pelo ônibus escolar gratuito, porque crianças e adolescentes aqui estão na escola. Vão pela manhã e chegam em casa às 14h, 15h e até às 16h. As escolas públicas são boas, e não existe a necessidade de pagar escola para ninguém por conta do ensino fraco ou pelo risco de traficantes ficarem na porta como moscas de padaria em cima dos pequenos e dos adolescentes.

A quantidade de deficientes físicos (acho que por causa das guerras muitos homens voltam literalmente sem algum membro do corpo) vivendo uma vida normal, frequentando os shoppings e mercados, praticando esportes e jantando em restaurantes é enorme. Aqui todos os lugares são construídos com acesso para deficientes.

Mais uma coisa que me chamou a atenção é que qualquer pessoa, independente de etnia e condição social, tem carro. Primeiro porque carro custa barato demais. Segundo porque se você for cidadão você compra um carro muito bom (um Toyota Camry, por exemplo) por míseros US$150 mensais. Ontem mesmo vi uma senhora idosa andando de Camaro (achei incomum porque é diferente vê-lo sendo dirigido por uma idosa), e vejo centenas ou milhares de negros de BMW novo. Vi brancos de carro velho e também de carros novos. E vejo as pessoas que prestam serviço para nós aqui em casa chegando em seus carros gigantes e fazendo um serviço que nós no Brasil consideramos “braçal”, como pintar paredes ou instalar papel. Alguns são americanos e outros são imigrantes. Mas todos trabalham sem preguiça.

E posso continuar falando de muitas outras coisas, como jogar tênis, por exemplo, não ser uma atividade exclusiva dos mais abastados. Aqui tem quadras espalhadas pelas cidades e basta você chegar, entrar e usar. E já vi brasileiros, colombianos, americanos, brancos, negros e amarelos jogando lado a lado. Ou o cara que estaciona um Mustang no estacionamento grátis e o outro que estaciona seu carro mais simples no Valet, curtindo as coisas boas da vida juntos.

Isso tudo tem me feito pensar sobre todo o mal estar que vivemos no Brasil. E está me fazendo entender que igualdade e inclusão não se fazem com favores do governo, com bolsa família, com ajudinha temporária. Inclusão e igualdade se fazem com oportunidade de emprego, com salários dignos e preços acessíveis.

Se o governo no Brasil tivesse como iniciativa estimular os empresários a crescer e o mercado a expandir as coisas seriam sim muito diferentes. Só vivendo aqui consegui entender como o plano Real conseguiu levar tantas pessoas para a classe média e nivelar tanta gente. Imagine como é bom você trabalhar em um local que te paga o suficiente para você consumir como qualquer outra pessoa, dar do bom e do melhor para sua família e se possível ainda doar seu tempo e algum dinheiro para trabalhos voluntários e projetos da escola de seus filhos?

Estou aqui há muito pouco tempo, e me considero leiga em muitos assuntos, mas o que vejo como maior indicativo de inclusão é uma economia estável. Aqui não são só brancos e negros, magros e gordos, mulheres, homens e homossexuais. Esse país abre oportunidades para gente do mundo todo que está disposta a arregaçar as mangas e trabalhar.

A solução para o Brasil está longe de ser tantos projetos de leis favorecendo uns ou outros. Se leis resolvessem de fato, 80% dos nossos políticos estariam no mínimo cassados, para não dizer presos. Precisamos de gente menos dodói, que consiga olhar o povo brasileiro como um só e não de uma maneira tão segmentada. Precisamos de um governo que aja para o aquecimento do mercado, da nossa economia, que cobre menos impostos, e de empresários que estejam dispostos a lucrar um pouco menos para vender mais. Isso tudo junto daria às pessoas mais acesso a produtos e serviços que hoje no Brasil são exclusivos de classes mais altas.

Estou com saudade do meu país. Sinto falta de ouvir as pessoas falando no meu idioma e gosto de muitas coisas de onde eu vim. Mas estamos em uma rota suicida e quase sem volta. Deus nos ajude nas próximas eleições e espero de verdade que nos próximos anos a direita brasileira retome a atividade de uma maneira mais efetiva para gerar mais discussão e um outro tipo de mentalidade para o povo.

Como disse Abraham Lincoln um dia, eu quero um governo “do povo, pelo povo e para o povo”, para todo o povo, com menos exceções. Quero um governo que não atrapalhe e que se meta menos em nossas vidas. E que as leis e as oportunidades sejam iguais para todos. É pedir muito?

Alê Quintela

O dia D do Brasil

Ontem resolvi escrever um texto rápido, e acabei fazendo na minha linha do tempo do Facebook mesmo, sem muitas pretensões. Qual foi minha surpresa quando vi que o texto chegou a quase 300 curtidas (até esse momento em que estou escrevendo) e já passou de 100 compartilhamentos. E de quebra teve 68 comentários até agora.

Como o texto foi muito certeiro no Facebook, decidi postá-lo aqui, para que faça parte do acervo do Maldade Destilada. Espero que seja uma boa leitura para você que acompanha este blog.

Muita gente acha que os Estados Unidos são o paraíso, e um outro tanto acha que aqui é o império do mal. Estes geralmente tiram suas ideias da mídia brasileira, que não consegue publicar uma notícia sequer que não siga o manual esquerdista de doutrinação jornalística. Já os primeiros conhecem o país superficialmente, ou porque só vieram para cá passar férias ou porque nunca vieram e têm uma visão muito idealizada.

Eu vim para cá depois de já ter morado anteriormente, de ter trabalhado aqui e conhecido praticamente o país todo em viagens anteriores. Cheguei sabendo muito bem o que iria enfrentar, e mesmo assim tive algumas surpresas, situações que não havia passado antes, o que aliás é bastante normal em qualquer processo de mudança.

Mas enfim, tem uma comparação que me veio hoje à mente, e que caiu muito bem para mim: mudar para cá tem sido muito semelhante a uma mudança de relacionamento. Imagine-se num relacionamento que não tem futuro, e que apesar disso te supre parcialmente as necessidades de carinho e afeto. Mas está claro que a coisa não é amor, que não é “a pessoa certa”. Apesar de ter tentado tudo, você sente que as mudanças que você deseja na outra pessoa são tão profundas que ela deixaria de ser quem é caso conseguisse concretizá-las. É assim que me sinto em relação ao Brasil. É minha casa, minha pátria, mas seus defeitos e dificuldades se tornaram tão grandes a ponto de ofuscar suas qualidades. E quando isso acontece você acorda todos os dias pensando somente em uma coisa: divórcio.

Já os Estados Unidos são o novo amor. Exatamente como acontece quando você se apaixona por alguém, tudo parece muitíssimo melhor, incomparavelmente superior, e nenhum defeito consegue ser percebido em meio a sentimentos tão fortes. Se você tiver a sorte, como eu, de que essa pessoa seja o grande amor da sua vida, você perceberá com o tempo que é possível sim enxergar defeitos dela, pelo simples fato de que todos os seres humanos possuem falhas e têm seu lado mais escuro. Só que nesse caso parece que essas falhas não têm o poder de ofuscar a essência da pessoa, uma essência que nos faz querer ficar ao seu lado por todos os dias de nossas vidas.

E é por isso que, voltando agora da metáfora do relacionamento para a questão de viver fora do Brasil, mesmo enxergando os defeitos deste lugar, mesmo sabendo que aqui não é o paraíso, que tem coisas ruins, não dá para negar, sem sombra de dúvida: viver nos Estados Unidos é muito melhor que viver no Brasil. Sem romantismo, sem ignorar que aqui a esquerda pega pesado também, sem fechar os olhos para os esquisitices que encontramos no cotidiano, cada vez menos pessoas conseguem dizer, de peito estufado, que o Brasil é o melhor lugar do mundo. Até hoje não ouvi de ninguém uma palavra que não fosse de incentivo por estarmos nesse projeto e de termos mudado para cá. Nenhuma pessoa sequer mostrou reprovação; muito pelo contrário, uma grande parte veio pedir dicas para fazer o mesmo, pois não conseguem vislumbrar um futuro melhor para si e para seus filhos no Brasil do PT.

As eleições deste ano serão a última esperança para o Brasil. A corda que sustenta a democracia está toda roída pelos ratos petistas, que se preparam para cortá-la por completo. Eles só precisam de mais um mandato para isso. A hora está próxima para o nosso dia D. Que seja um D de Derrota para a Dilma.

Para quem quiser acompanhar o post original no Facebook, basta clicar aqui.

Flavio Quintela é autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”

Vergonha? Muito pelo contrário.

200470473-001Faz exatamente uma semana que escrevi um artigo que mudou o curso deste blog. Foram mais de 10 mil visualizações e dezenas de comentários, todos de pessoas que se identificaram com um sentimento comum: a solidão resultante da busca pela verdade. Mas o que eu não incluí naquele artigo foi um outro efeito colateral bastante comum, ainda mais em épocas de mídias sociais, onde nossas opiniões chegam a tantas pessoas em tão pouco tempo: a perda de amigos e conhecidos única e exclusivamente por conta de nossas opiniões manifestas publicamente.

Aqui em casa o fenômeno não é incomum. Já fomos eliminados do círculo social de inúmeras pessoas por causa de nossas opiniões, incluindo parentes, colegas de trabalho e “amigos” – entre aspas porque, para mim, um amigo verdadeiro não corta relações por causa de opiniões divergentes. Enfim, quem diz o que pensa, ainda mais quando pensa fora do ordinário ruminado pelas massas, acaba colhendo inimizades.

Mas aonde quero chegar? A um post que um bom amigo, sem aspas, publicou ontem. Disse ele assim:

Meu sincero agradecimento à “jornalista” Sheherazade e aos “justiceiros” do Flamengo. Nunca li tanta idiotice e hipocrisia no facebook desde os últimos acontecimentos.

Ser contra um partido corrupto é comigo mesmo. Ser contra a violência urbana, eu também sou. Mas ler amigos meus, com formação e educação, defendendo tipos como Ratinho e Bolsonaro, sendo a favor da tortura e conclamando os “bons tempos da ditadura” é demais! Há inúmeros problemas no nosso país e NENHUM deles será resolvido com barbárie e ignorância. Sinto muito, caros amigos, mas o comportamento de vocês (não é uma indireta, é uma DIRETA a todos que postaram apoio a tais atos e indivíduos) é VERGONHOSO.

Um pouquinho mais de consciência, por favor…

Embora ele não tenha me marcado no post, tenho certeza de que a direta foi para mim também. Afinal, quem olhar a linha do tempo de meu facebook vai encontrar todas as referências que ele fez: Rachel Sheherazade, Ratinho e Bolsonaro. Eu poderia responder a meu amigo ali mesmo no post dele, mas achei que seria muito oportuno escrever um artigo inteiro, dado que muitos dos leitores deste blog poderão tirar proveito desta experiência. E é sem nenhuma vergonha que o faço, muito pelo contrário.

  • Vergonhoso não é apoiar Rachel, e sim deixá-la sozinha sob uma torrente de críticos canalhas. Chamá-la de jornalista entre aspas, como se ela não o fosse, é unir forças com a mídia esquerdista, que trata Rachel como se ela fosse uma leprosa. A resistência aos ímpetos autoritários esquerdistas presentes hoje na imprensa brasileira está sendo feita, na televisão, por pouquíssimas pessoas, dentre elas a referida jornalista e Paulo Eduardo Martins, os que mais sofrem ataques. Além do mais, não deveria ser preciso repetir tantas vezes que ela jamais disse que os atos ocorridos no Rio eram justificáveis, mas sim compreensíveis. Tomar tal declaração como incitação ao crime configura ou falta de capacidade de interpretação ou intenção deliberada de sujar a imagem da mesma.
  • Vergonhoso não é aplaudir o senhor Carlos Roberto Massa por sua fala inspirada, onde prega em rede nacional que a polícia tome as rédeas contra os criminosos. Vergonhoso é descartar qualquer manifestação de uma pessoa simplesmente por achar que a mesma não é digna de ser ouvida. Ninguém é passível de ser julgado somente por seus atos maus. Se fosse assim, não poderíamos tirar proveito de nada do que foi dito ou escrito na história humana, pois mesmo os grandes filósofos também usaram sua cota de besteiras. Por outro lado, mesmo assassinos psicopatas como Lênin tiveram algo positivo na vida. Este, por exemplo, não pode ser recriminado por não ter se aproveitado, pessoalmente, das riquezas materiais que sua posição proporcionava, como o fazem nossos governantes, que se locupletam com o dinheiro público. Da mesma forma, seriam as palavras do Ratinho desprezíveis, somente porque em outras oportunidades ele possa ter agido fora do esperado? Não, se ele usou de sua influência, audiência e poder midiático para passar uma mensagem correta, eu o aplaudo. E quando ele diz em seu programa que “tem que baixar o pau nesses baderneiros”, não poderia ser mais correto: a polícia não pode, em hipótese alguma, tratar criminosos como gente do bem. É impossível combater o crime sem repressão, ainda mais em nosso Brasil de 50 mil mortes violentas por ano. Violência não se combate com amor e carinho.
  • Vergonha não é apoiar Jair Bolsonaro, uma das pouquíssimas vozes que se colocam abertamente contra o governo autoritário do PT. Vergonha é tachá-lo de torturador, sendo que o mesmo jamais participou de tais práticas, e tentar colar sua imagem à ditadura, como se a mesma tivesse sido o pior dos males da história brasileira. Bolsonaro é contra as cotas raciais? Eu também. Bolsonaro é contra a histeria e o circo montados sobre a homofobia? Eu também. A esquerda brasileira cumpre à risca todas as estratégias de desestabilização social, sendo a mais eficiente delas a divisão da população em grupos que se odeiem mutuamente – negros e brancos, gays e héteros, índios e colonizadores, pobres e ricos, sem terra e com terra, e assim por diante. Bolsonaro é contra isso? Eu também. Por isso não tenho vergonha de postar seus vídeos, especialmente este em questão, onde ele ataca o PT e defende a médica cubana que desertou do regime assassino Castrista. E por fim, vergonha é ter Jean Wyllys, atual nêmesis de Bolsonaro, como deputado; esse sim um canalha incitador de ódio, eleito com uma votação menor que a de um vereador de cidade pequena, devido à aberração que é o sistema político brasileiro.

Em qual país as pessoas pensam que estão vivendo? Falam da ditadura com o ranço esquerdista, se esquecendo que os mesmos vagabundos covardes que fugiram daqui fazem de tudo, nos dias de hoje, para tolher a liberdade de expressão, e se colocam ao lado de bandidos. Não é assim que faz Chico Buarque, quando luta contra a livre direito de se publicar biografias, e se veste de Black Bloc em flagrante apoio a tal “movimento”? Não houve, durante o período militar, um caso sequer de censura que chegasse aos pés do que vivemos hoje no Brasil. Hoje a situação é muito pior – naquela época as regras da censura eram claras, e hoje a censura se dá por meio de juízes esquerdistas que interpretam a lei a seu bel-prazer, certos de que, ao tomarem uma decisão anti-democrática, mas que vá ao encontro da ânsia petista por controle, manterão seus cargos vitalícios, e ainda serão aplaudidos e reconhecidos. Isso significa que eu seja a favor da censura? Jamais! Significa somente que não adianta ficar olhando para o acidente pelo vidro de trás do carro, e se esquecer da tragédia que se mostra à frente. O que vem por aí é muito pior do que qualquer coisa que tenhamos passado em nossa curta história como país independente.

Uma outra observação interessante é a de que os militares jamais aparelharam os órgãos públicos e a imprensa com os seus pares. Pelo contrário, deixaram abertas as posições mais importantes, as do setor educacional e midiático, para serem ocupadas por esquerdistas, que então montaram durante três décadas o que vivemos hoje. Esse foi um erro monumental, que deixou todo o aparato cultural brasileiro nas mãos da esquerda. Não preciso falar dos resultados dessa política suicida do general Golbery – estamos na maior crise intelectual e moral da história brasileira.

Para terminar a argumentação, quero citar Sófocles, sobre a consciência:

Não existe testemunha mais terrível – acusador mais poderoso – do que a consciência que habita em nós.

Não me envergonho de nada que escrevi, tanto que tudo continua no mesmo lugar, com os mesmos links, pelo menos até que a ditadura petista resolva começar a tirar os blogueiros e colunistas de direita do ar. Minha consciência não me acusou, mesmo tendo testemunhado, lido e relido tudo o que escrevi. Não creio que tenha perdido mais um amigo, pois já tive muitas discussões com esse que escreveu o texto lá de cima, e sempre conservamos a boa amizade. Mas a oportunidade que ele me deu de me questionar e escrever tudo isso é tal que cabe o agradecimento.

Merci, mon ami.