Medindo resultados (ou não)

Como se mede o resultado de alguma coisa? Depende.

Quando falamos de gente que usa seus próprios recursos para fazer as coisas – leia-se empreendimentos privados – a coisa é bem simples: mede-se o resultado de um projeto da maneira mais direta possível, ou seja, perguntando-se se os objetivos propostos foram alcançados ou não, e decidemiss_ode-se pela manutenção ou extinção do tal projeto com base na resposta a essa pergunta. Trocando em miúdos: não deu certo, está demitido/cancelado/suspenso.

Quando falamos de gente que usa os recursos dos outros para não fazer as coisas – leia-se governo brasileiro – a coisa é incompreensível: não se mede nada, e quando alguém de fora resolve medir e mostrar o fracasso de algum projeto, não acontece nada. Trocando em miúdos: não deu certo, foda-se, vamos continuar fazendo do mesmo jeito.

Um caso ocorrido ontem em SP (veja matéria do G1 em http://goo.gl/xcaGyi) exemplifica muito bem esse comportamento em relação à segurança pública. Dois adolescentes armados fizeram arrastão num vagão de metrô e acabaram atirando em um padre. É a falência completa de duas políticas defendidas a todo custo por petistas, tucanos e outros lixos de esquerda: o desarmamento e a maioridade penal. Os resultados ruins aparecem dia após dia, e nada é feito para mudá-los. Ninguém é demitido, nenhuma lei é modificada, nenhum projeto é cancelado – tudo continua da mesma maneira, e o processo se retroalimenta negativamente.

Espero realmente que a única iniciativa atualmente em andamento para mudar alguma coisa nessa falência toda, o PL 3722, seja aprovado na Câmara. O trabalho de reunir as evidências desses resultados negativos eu já fiz com o Bene​, e nosso livro tem aparecido nas mãos de diversos políticos ultimamente. O seu deputado, aquele em que você votou no ano passado, precisa saber que vai perder o seu voto caso seja contra esse projeto de lei. A hora de mudar já passou faz muito tempo. Se você concorda com isso, faça sua parte: encha o saco dele(a) incansavelmente.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Brasileiros, armai-vos!

Artigo publicado no Correio Popular de Campinas, seção Opinião, edição de 9 de dezembro de 2014.

Muitos brasileiros têm pavor de armas, como se fossem uma coisa do mal. Infelizmente, nos últimos 25 anos o estado e a mídia conseguiram colar nas armas a culpa pela violência, quando na verdade foi o banimento delas que deixou os brasileiros indefesos e à mercê de criminosos que atacam com a certeza de que não haverá resistência da vítima. Quando eu tinha meus dez anos de idade lembro muito bem que meu tio andava armado, e meu pai sempre falava em comprar a dele. Lembro de ter entrado numa loja com ele e ver as armas expostas, armas que podiam ser compradas por cidadãos obedientes à lei. Isso soa hoje como fantasia no Brasil, depois que o governo conseguiu desarmar grande parte da população, e não tirou uma pistola sequer das mãos dos criminosos.

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Eu tenho estudado o assunto a fundo, pois nos últimos meses traduzi alguns livros excelentes e extremamente bem fundamentados sobre armas e suas consequências para a sociedade. Quando escrevo aqui, não é com o achismo desses grupos de “defesa dos direitos humanos”, que pegam meia dúzia de reportagens e acham que têm informação suficiente para tentar educar as pessoas. Não, estou falando baseado em centenas de tabelas estatísticas, de dados dos últimos 400 anos, de países diferentes, de estudos sérios feitos por professores de grandes universidades. Eu entendo que essa é a maneira correta de alguém se informar sobre um assunto, e não lendo três reportagens tendenciosas num jornal qualquer.

A mídia engana demais. Como exemplo posso citar os casos de tiroteios em escolas americanas, que são tratados como a coisa mais absurda do mundo. Pois bem, se você pegar qualquer ano como exemplo, de 1995 até hoje, o número de estudantes mortos em ataques como esse é menor do que o número de estudantes mortos por esforço excessivo nas práticas de educação física. Mas ninguém vai ver uma reportagem sobre isso, porque o que interessa é pintar as armas como vilãs supremas. Em casa é a mesma coisa: quando uma criança morre por um disparo acidental da arma de seus pais, vira notícia no mundo inteiro; mas não há uma menção sequer às mortes por ingestão de produtos de limpeza, que acontecem NOVENTA vezes mais do que as mortes com armas. E aí? O que pensar sobre isso?

Para mim é bastante óbvio. Se existisse um interesse do governo e da mídia de evitar mortes infantis, por exemplo, eles deveriam se preocupar muito mais em instruir os pais sobre como guardar seus produtos de limpeza do que tentar tirar o instrumento de defesa de suas mãos. Deveriam alardear os riscos de se andar de bicicleta, atividade que mata mais jovens do que todos os atiradores dementes juntos. Mais do que isso, deveriam mostrar os inúmeros casos documentados de pessoas que estão vivas hoje porque alguém próximo, ou elas mesmas, tinha uma arma numa situação de confronto com um criminoso.

Perceba a diferença: muitas pessoas morrem de bicicleta, mas não se tem notícia de que uma bicicleta tenha salvo uma vida, e ninguém sai por aí pedindo o banimento das bicicletas. Muitas pessoas morrem pelo uso de armas, mas muitas mais vivem por causa delas; as armas que matam são as que estão nas mãos de criminosos, que as obtêm diretamente do contrabando, e todo mundo sai pedindo seu banimento generalizado. Um estudo recente da Universidade de Chicago, sobre o uso defensivo de armas, mostrou que em 99% dos confrontos com criminosos a pessoa só precisa sacar a arma para assustar o bandido e impedir o crime, e que menos de 0,1% dos crimes com armas de fogo foram cometidos por cidadãos que possuem uma arma legalizada.

A quem tem um preconceito infundado sobre as armas de fogo, convido a conhecer mais sobre o assunto. Ainda que você nunca compre uma arma para si, é importante saber que o direito de tê-las deve ser garantido a todos os cidadãos de bem, e que seu bairro será mais seguro se você ou alguns dos seus vizinhos tiverem uma arma em casa. Lembre-se que a polícia chega, quase sempre, depois do crime. Está na hora de apoiar os esforços que estão sendo feitos para a derrubada do estatuto do desarmamento, uma excrescência que ajudou o Brasil a atingir o recorde de 60 mil mortes violentas por ano, nos dando uma taxa per capita maior do que a de muitos países em guerra.

Brasileiros, armai-vos!

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”. É também membro da NRA, National Rifle Association e praticante de tiro.

 

Abaixo algumas sugestões de material caso você queira se informar mais sobre o assunto:

Movimento Viva Brasil – a mais séria organização brasileira na abordagem ao armamento civil e suas consequências.
– Livro – Mentiram e muito para mim – meu livro, que explica, entre outras coisas, de onde vem essa mídia mentirosa que temos.
– Livro – Violência e Armas – da professora Joyce Lee Malcolm, obra esclarecedora sobre o uso de armas na Inglaterra e EUA.
Blog do Prof. John Lott – autor de dois livros sobre controle das armas, um deles a ser lançado em breve no Brasil. (em inglês somente)