A Europa salvará o mundo

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 7 de janeiro de 2016.

Muitas vezes, tudo de que precisamos para tomar uma atitude mais concreta e enérgica é que o perigo chegue bem perto de nós. Você posterga a instalação daquele sistema de alarme até o dia em que seu vizinho é assaltado; ou resolve começar a se cuidar depois que um infarto manda seu amigo querido e sedentário para a sala de cirurgia. A desgraça alheia, quando próxima o suficiente, pode servir de conscientização e motivação, tanto individualmente como coletivamente.

Quando falamos de desgraças, logo vêm à mente esclarecida as ideologias de esquerda. Os mais de 100 milhões de mortos em regimes socialistas e comunistas dos últimos 100 anos corroboram o poder destruidor das ideias plantadas por pensadores como Rousseau, Comte e Marx. Certas ideias e padrões mentais funcionam como uma droga, sequestrando a capacidade da pessoa de tomar decisões fundamentadas e equilibradas. O psiquiatra Lyle H. Rossiter, em seu excelente The liberal mind, esclarece que a mente esquerdista radical é fruto de uma patologia cujo resultado é a destruição de características importantes para a vida competente em sociedade, tais como confiança, autonomia e iniciativa.

german-girlsA Europa, mãe de todos os filósofos e pensadores de esquerda, vive hoje as consequências mais nefastas de algumas décadas de governos sociais-democratas e progressistas. O continente caiu de joelhos diante das demandas igualitárias e politicamente corretas, abandonou a moral judaico-cristã e abraçou o multiculturalismo, acreditando – como o drogado acredita que vai se sentir melhor depois da próxima carreira – que o mundo seria melhor desse jeito, e que todos seriam felizes. A abertura das fronteiras para os refugiados sírios, no ano passado, foi apenas o último episódio de uma longa história de concessões absurdas, que acabarão por criar um grande califado no Hemisfério Norte.

Mas, como disse no começo deste texto, o infortúnio de meu vizinho é minha última chance de me consertar para evitar o mesmo destino. Os ataques e estupros perpetrados por homens muçulmanos na Alemanha, na virada do ano, são o prenúncio claro do que os países europeus enfrentarão nos próximos anos: imigrantes que levam consigo uma cultura bárbara e que, por inação e palermice de governos covardes, conseguem impô-la a toda uma nação. Se o povo americano olhar para o leste e entender o que está acontecendo com os vizinhos europeus, se ligar os pontos e enxergar que Barack Obama e a maioria dos democratas seguem a mesma agenda e perseguem os mesmos resultados, os Estados Unidos terão uma chance… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

A goleada das goleadas

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Artigo publicado no Correio Popular de Campinas, seção Opinião, edição de 10 de julho de 2014.

Nossa decadência parece não ter limites. A última fronteira foi cruzada – fomos humilhados no que éramos considerados deuses, e o país do futebol assistiu à goleada das goleadas. Tudo parece culminar para a aniquilação completa das virtudes no Brasil.

Este é o castigo final para o país que não se prepara para nada. No período de uma década algumas nações do mundo foram capazes de gerar mudanças profundas e positivas em suas histórias. Em quase doze anos o PT não só paralisou o Brasil, mas empurrou-o para trás. Os governos petistas foram tão competentes como nossa seleção, e temos tomado gol atrás de gol.

1 x 0 – Educação

Quando o PT começou a governar o Brasil éramos o último colocado no exame PISA, ocupando o 40o lugar. Durante esses doze anos vários países foram adicionados à lista de participantes, e o Brasil conseguiu se manter nas últimas colocações, sempre próximo à 60a posição. Não houve melhoras, nem conquistas, nem planos, nem ações, nem nada. A educação brasileira foi tratada pelos governos petistas com o maior descaso possível.

2 x 0 – Inflação

O país que havia enfrentado uma inflação absurda e que conseguiu estabilizar a moeda através do Real viu a demolição sistemática dos pilares que sustentavam nossa economia. Se na área da educação houve abandono, aqui foi pior: houve a ação do pior tipo, com as piores consequências. Os governos petistas, especialmente o de Dilma Rousseff, abandonaram as práticas econômicas saudáveis, e hoje temos uma inflação anual que caminha novamente para dois dígitos.

3 x 0 – Liberdade de Expressão

Por trás do governo existe um partido que tem em seu DNA a censura e o desrespeito à única garantia contra governos despóticos. Por mais que Lula e Dilma falem em respeito à imprensa, o PNDH, o Marco Civil da Internet e as tentativas de regulação da mídia mostram que o discurso presidencial é nada além de vazio.

4 x 0 – Propriedade Privada

Quilombolas, indígenas, MST e MTST são alguns exemplos de como a propriedade privada no Brasil está deixando de ser algo concreto para se tornar um conceito difuso e circunstancial. Muitos proprietários rurais estão perdendo suas terras injustamente, num verdadeiro gol contra do PT, que escolheu mimar os ditos movimentos sociais que formam hoje a maior força civil armada do Brasil.

5 x 0 – Diplomacia

O Itamaraty já foi considerado exemplo mundial de excelência em diplomacia. Por questões ideológicas os governos petistas abandonaram esta excelência e passaram a flertar com tiranos e déspotas de todos os tipos. As relações com as nações europeias e com os EUA foram mantidas em fogo brando, enquanto Irã, Cuba e Venezuela foram contemplados com nossos maiores esforços e nossa maior atenção. Em vez de fortalecer o Brasil diante dos grandes optaram por tentar nos alçar à liderança dos párias.

6 x 0 – Segurança

O Brasil chega a 2014 com a marca impressionante de 56.000 assassinatos por ano. Somos responsáveis por 10% de todas as mortes violentas do planeta. Morrem no Brasil, em um ano, mais pessoas do que em guerras inteiras. Chechênia, Angola, Iraque, Israel-Palestina – nada é páreo para o Brasil petista. A leniência na aplicação das leis, o desarmamento da população e o sentimento geral de impunidade foram o solo perfeito para essa experiência macabra.

7 x 0 – Corrupção

O partido que pregava a virtude conseguiu fazer tudo de forma oposta ao que se propunha. Não só se aliou a diversos inimigos políticos antigos, que de abomináveis passaram a excelentíssimos, como implementou o Mensalão. Mas isso não seria suficiente. Em vez de expulsar os criminosos de sua estrutura, o PT defendeu e ainda defende seus membros condenados, afrontando a mais alta corte judicial do país e, por extensão, todos os brasileiros que ansiavam por justiça.

7 x 1 – ?

Esta seleção manchou uma história de glória com a maior das vergonhas. Em vez de apenas perder, conseguiu entrar para a história pela porta de trás, batendo recordes negativos. Fizeram com a camisa amarela de cinco estrelas o que o governo atual faz com nossa democracia: mancharam para sempre. Somente muitos anos de trabalho sério poderão reverter um resultado tão ruim, na política e no futebol.

Fica a pergunta: será que marcaremos nosso gol em outubro, e demitiremos toda a “comissão técnica”?

 

Flavio Quintela é bacharel em Engenharia Elétrica, escritor, tradutor de obras sobre política, filosofia e história, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim