Precogs do ventre alheio

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 8 de dezembro de 2016.

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Desde o dia 29 de novembro passado, quando o STF legislou sobre o aborto até o terceiro mês de gravidez, o assunto tem estado entre os mais discutidos nas redes sociais e nas seções de comentários de diversos portais de notícias, incluindo o desta Gazeta do Povo. Os defensores dessa crueldade o fazem apoiados nas mais esdrúxulas argumentações, sobre as quais falo um pouco aqui.

Uma parte dos abortistas – usarei este termo aqui com o sentido de qualquer pessoa que acredite que o aborto é moralmente justificável – defende a prática dentro do prisma da saúde pública. Dizem eles que, já que a mãe vai abortar de qualquer maneira, que o faça legalmente, amparada pelo Estado, para minimizar o seu risco de morte. Para justificar essa lógica absurda, eles invocam estatísticas mentirosas e números simplesmente impossíveis de se comprovar. É claro que, se não se prestam nem ao serviço de utilizar dados verdadeiros, por que deveriam ser levados a sério quando o assunto é a vida de um ser indefeso? E ainda, se não são capazes de medir um evento factual como a quantidade de abortos terminados em morte da mãe, como podem definir o momento em que a vida passa a ser vida?

Uma outra parte dos abortistas defende a morte de bebês no útero com base no direito da mãe sobre seu corpo. Essa parte geralmente inclui feministas radicais que gritam “se não tem útero, não opine” para qualquer homem que, como eu, resolva opinar sobre o assunto. Fazem isso como se fosse necessário viver uma situação para se ter uma opinião balizada e fundamentada sobre a mesma. E defendem sua autonomia corporal como se um bebê dentro do útero não tivesse um DNA distinto do da mãe, ou seja, como se não fosse um ser completamente único. O bebê é tão distinto da mãe no início da gravidez quanto no dia de seu nascimento, ou mesmo no seu primeiro aniversário, e jamais pode ser tratado como um apêndice de outro corpo. Autonomia corporal é poder fazer lipo, é poder aumentar os seios, é poder trocar de sexo. Matar um bebê é assassinato.

Uma terceira parte dos abortistas, e desses vem o título deste artigo, gosta de brincar de prever o futuro. Em 2002, o filme Minority Report foi lançado, com Tom Cruise em seu papel principal. A história do filme é muito interessante: três jovenzinhos com faculdades sensoriais elevadas – os precogs – são mantidos numa espécie de transe utilitarista pelo órgão policial-judiciário da época (o filme se passa em 2054), e suas capacidades preditivas são usadas para prender criminosos pouco antes de cometerem um crime. No filme, essa divisão da polícia é conhecida como “pré-crime”. Mesmo na ficção de Hollywood, o aviso de que alguém estava prestes a cometer um delito grave chegava minutos antes da ocorrência do mesmo, e era comum o pré-criminoso ser pego já na cena em que cumpriria seu destino.

No nosso Brasil, e no resto do mundo também, os precogs do ventre alheio conseguem prever a desgraça de uma vida desde seu primeiro mês de gestação. Dizem eles que, se uma mãe optar por rejeitar seu bebê, melhor mesmo será matá-lo antes de nascer, porque do contrário o seu futuro certamente se resumirá a crimes e a uma vida à margem da sociedade. Ignoram a bondade e a caridade, ignoram todas as histórias de órfãos que superaram dificuldades e venceram, ignoram a vida humana no que ela tem de mais belo. Seu fatalismo cruel ecoa nos ventres defraudados e ocos das milhões de mulheres que abortam a cada ano em todo o mundo. Futuros médicos, garçons, engenheiros, atores, músicos, dentistas, aviadores, atendentes, enfermeiros e advogados, entre outros, são reduzidos a um amontoado mórbido de minicadáveres de pretensos futuros criminosos. Vidas que seriam vividas, desfrutadas e abençoadas são jogadas no lixo e apagadas antes de seu início em nome de uma prevenção socioeugênica digna do Terceiro Reich.

Aliás, a única coisa que separa os abortistas do nazismo das décadas de 1930 e 1940 são algumas décadas. A crueldade é a mesma, o desprezo para com a vida é o mesmo, a pretensão de julgar o valor alheio é o mesmo. Em uma coisa são piores, no entanto: os nazistas daquela época levantavam suas mãos inflamados pelo discurso apaixonado de seu líder; os abortistas de hoje defendem o indefensável por si mesmos, sem Hitler, sem SS e sem coação. Não poderão nem sequer alegar ignorância se um dia forem confrontados por conta de seu pecado diante de um tribunal divino de cuja existência duvidam e fazem troça. Não há nada que leiam, nem este texto e nenhum outro, que os faça abandonar o posicionamento em favor da morte.

Para quem defende a vida, esta foi uma semana de luto.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Uma esperança para a vida

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 17 de novembro de 2016.

O dia 22 de janeiro de 1973 não é lembrado de forma especial por muita gente, mas isso não faz dele um dos mais tristes da história da humanidade. Foi o dia em que a Suprema Corte americana, no julgamento conhecido como “Roe versus Wade”, decidiu que as mulheres teriam o direito de abortar durante os dois primeiros trimestres de gravidez. Bastou uma votação entre nove juízes para selar o destino de milhões de crianças que, nas últimas quatro décadas, foram assassinadas antes mesmo de nascer, privadas do mais básico dos direitos humanos, o de viver.

Não existe guerra na história humana que tenha matado tanta gente quanto o flagelo do aborto. Nos diferentes lugares do mundo onde essa prática cruel é legalizada, sua passagem de crime a direito dá-se geralmente sob as mais descabidas justificativas. Para seus defensores, é uma questão de saúde pública, um direito da mulher sobre seu corpo, um rompimento com o patriarcado opressor, ou todas as alternativas anteriores juntas. O aborto jamais é retratado em sua realidade crua: um procedimento assassino com requintes de crueldade e cuja execução se assemelha a um filme de terror. Pintar essa prática amaldiçoada com cores suaves é essencial para conseguir o apoio do público leigo – quem assiste a uma filmagem de um aborto geralmente não consegue chegar ao final, tamanho é o mal-estar causado pelas imagens fortes e inacreditáveis – à criação de legislações favoráveis ao assunto.

Os políticos de esquerda, seja nos Estados Unidos, no Brasil ou no resto do mundo, defendem o aborto. E costumam fazê-lo com uma naturalidade ímpar, como a agora derrotada Hillary Clinton, que em sua campanha para a presidência prometia aumentar o financiamento público a organizações abortistas como a Planned Parenthood, além de ter se posicionado em diversas oportunidades a favor do aborto sem restrição de período, aquele que pode ser realizado até minutos antes do nascimento do bebê.

A eleição de Donald Trump abriu uma possibilidade nova e revigorante para quem luta contra o aborto. Uma de suas primeiras tarefas como presidente será apontar um juiz para substituir Antonin Scalia, falecido em fevereiro deste ano. Na ocasião, a liderança do Senado americano – a casa tem maioria republicana desde 2014 – rapidamente se pronunciou contra a indicação de um novo juiz pelo presidente Obama, que certamente apontaria alguém com posicionamento à esquerda e, por conseguinte, a favor do aborto. Quando perguntado sobre quem indicará, Trump disse que escolherá alguém com o mesmo perfil ideológico de Scalia e que defenda a Segunda Emenda, aquela que institui o direito à legítima defesa e ao armamento dos cidadãos. Além disso, Trump poderá indicar outros juízes em seus quatro ou oito anos como presidente. Dos juízes da composição atual, a mais velha é Ruth Bader Ginsburg, com 83 anos. Ela e Stephen G. Breyer (78 anos) foram indicados por Bill Clinton, e costumam votar como a esquerda gosta. No evento possível da aposentadoria ou morte de um ou ambos, Trump poderia levar a corte a uma composição majoritariamente conservadora, ou seja, uma que teria a disposição de reverter a decisão de Roe versus Wade.

Apesar de este cenário possuir diversos condicionais, cresce a esperança entre os defensores da vida de que a maior potência do mundo encerre o ciclo macabro dos abortos protegidos, financiados e incentivados pelo Estado – Trump declarou mais de uma vez que cortará o financiamento da Planned Parenthood e impedirá que o dinheiro arrecadado em forma de impostos seja usado para o pagamento de qualquer tipo de aborto. Caso se confirme, essa será uma vitória de proporções bíblicas. Literalmente.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Minha família, minha vida

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 18 de fevereiro de 2016.

A busca por sucesso é uma coisa brutal na vida da gente. O materialismo em que vivemos faz qualquer conquista ser ofuscada pela conquista maior do cara ao lado. Perdi a conta das vezes em que me sentei para analisar meu “nível de sucesso” e me peguei lamentando porque não consegui chegar tão longe como alguns amigos de faculdade, me sentindo um fracasso. E não estou falando aqui daquele sentimento horroroso de autopiedade; estou falando de um sentimento real (embora seu fundamento seja um tanto fantasioso) que vem da comparação unilateral de alguém com seus pares. Quando conquistar coisas se torna um objetivo primário de vida, basta uma decisão equivocada para que você passe o resto de seus dias com um espinho enfiado no pé, o arrependimento amargo do “se eu tivesse feito diferente”.

Uma outra consequência deste frenesi por sucesso material é o que eu chamo de egoísmo estéril. Quem coloca o eu acima de tudo certamente não tem espaço para os outros em sua vida, e os relacionamentos acabam subordinados às necessidades e exigências da vida profissional, tornando-se improdutivos e inférteis. Não é incomum que pessoas com essa inclinação acabem atrasando casamento e filhos ao máximo. Meu caso foi um híbrido: casei-me cedo, mas adiamos os filhos por 11 anos. Adiamos tanto que não os tivemos – o casamento terminou antes. Na verdade, tinha tomado a decisão de não ter filhos, e mesmo quando conheci minha atual esposa, já com 36 anos, ainda insistia que não os queria, o que só favoreceu nossa união, pois ela não queria nem ouvir falar de bebês. Mas, por razões que hoje me parecem muito mais espirituais do que intelectuais, decidimos fabricar um molequinho aqui nos Estados Unidos, e tudo aconteceu muito rapidamente: com apenas um mês tentando a Alê engravidou, e oito meses atrás nosso pequenininho nasceu.

filhosHoje, olhando para trás, para o que já vivi, me sinto na obrigação de usar este espaço nobre que tenho para dar um conselho a cada um dos jovens ambiciosos que acompanham esta coluna: não espere até os 40, como eu, para ter filhos. Sei que você acha que tem de esperar o momento certo, que filho deve ser algo planejado e feito quando as condições são ótimas, que antes do filho vem sua faculdade, sua pós, suas primeiras promoções e a compra do seu apartamento, e que somente com o alinhamento dos planetas e a saída do PT do poder você deve começar a pensar neles. Esqueça isso. Quem espera as condições mais do que ideais para ter um filho acaba tendo somente um cachorro ou um gato, e olhe lá. Quem me dera poder ter sido pai antes dos 39. Hoje, olhando para meu filhinho, penso no homem que serei quando ele tiver seus 30 – estarei quase nos 70. Se ele fizer como eu, pouco viverei com meus netos.

Ter filhos é algo que muda sua vida muito mais do que você pensa. E não pense que muda para pior, de modo algum. É algo que te dá equilíbrio, que faz um contrapeso ao seu egoísmo e egocentrismo; é uma alegria sem igual, e uma realização ímpar. Se alguém chegar e falar tudo isso sobre qualquer outra coisa, é bem capaz de que a coisa vire moda – como depois que o movimento de liberação sexual ganhou espaço e muita gente resolveu dar vazão às próprias taras com o alívio da aceitação pública –, mas quando o assunto é família e filhos, não há conselho, testemunho ou declaração que reverta a péssima tendência de baixa de natalidade e alta nos divórcios.

O Ocidente está morrendo por causa disso. Substituir famílias saudáveis por uma cultura de satisfação sexual desenfreada e estéril está entre as piores decisões que poderíamos ter tomado. A Europa, por exemplo, parece não perceber que sua taxa de natalidade seis vezes menor que a dos imigrantes muçulmanos causará uma mudança radical de perfil populacional em menos de 20 anos. Franceses, espanhóis, alemães e suecos, entre outros, serão minoria em seus próprios países; sua cultura será enterrada.

Não é surpresa que a esterilidade da alma tenha se traduzido em esterilidade física. Quanto mais pensamos em nós mesmos, em nos satisfazer, em alcançar a felicidade e o sucesso, em ser mais, em ter mais, menos nos lembramos de todos ao nosso redor. Prazer, prazer e mais prazer, e nada de sacrifícios ou de enfrentar dificuldades por alguém que não seja eu mesmo: esse lema é nossa ruína. A crise que passamos é de proporções bíblicas, daquelas em que um profeta chegava e dizia “Arrependei-vos, ou a fúria de Deus cairá sobre vós”. A fúria de Deus, em nosso caso, é tão somente o conjunto de resultados de décadas de afastamento da moral judaico-cristã, do caminhar firme em direção à autossatisfação, da busca incessante pelo prazer a todo custo e pela animalização do ser humano. Não deixa de ser irônico que aqueles defendendo que sejamos mais “animais”, que cedamos aos nossos instintos, esqueçam-se de que o mais “animal” dos instintos é o da procriação, o de gerar filhos.

Enfim, o assunto é suficiente para um livro inteiro, e eu já excedi o espaço da coluna. A vida é muito mais bonita e com significado com filhos. Sem sentimentalismo, sem chororô, é a mais pura verdade. Minha família, minha vida.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

A última ponte

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 5 de novembro de 2015.

Os atos recentes de vandalismo perpetrados por feministas radicais nas paredes da Catedral da Sé, em São Paulo, colocaram novamente o aborto em pauta – um tema tão imoral que nem sequer deveria admitir discussão. Por acaso se discute se negros devem ser escravos, se judeus devem ser exterminados ou se cristãos devem ser queimados vivos? Ou então se homossexuais devem ser castrados ou doentes mentais, sacrificados? Todas essas possibilidades soam tão fora do aceitável, nos dias de hoje, que sua mera menção num discurso público pode ocasionar a prisão e indiciamento de quem as sugerir. No entanto, os mesmos que vociferam pelas redes sociais e pela mídia quando leem um comentário que tacham de racista, sexista ou homofóbico são os que acham a coisa mais normal do mundo assassinar um bebê.

Nenhuma teoria racional consegue explicar a atração que essas pessoas têm pela morte de bebês inocentes. Historicamente, a humanidade evoluiu muito no respeito à vida. O comércio moderno de escravos, praticado em todo o continente americano, era a última fronteira bárbara que ainda nos impedia de dizer que entendemos realmente o que são os direitos básicos de um ser humano. O fim do século 19 assistiu à abolição da escravatura em todos os países americanos – o Brasil foi o último a fazê-lo – e alguém que estivesse a contemplar os registros históricos do homem poderia imaginar facilmente que o próximo século seria ímpar no respeito à vida, uma culminação evolutiva da nobreza humana. Infelizmente, o marxismo, o feminismo radical e a eugenia apareceram na face do planeta, e o século 20 ILUSTRA-Quintela-k9fD-U101983193110qVE-1024x1381@GP-Webtornou-se o mais sangrento e assassino de toda a história. Em nome de suas loucuras, esse triunvirato ceifou centenas de milhões de vidas.

Estamos em 2015, e há um consenso geral de que os extermínios ocorridos sob as mãos de loucos como Hitler, Mao e Stalin não podem se repetir, jamais – são uma mancha em nossa história. Mas os bebês continuam sendo assassinados diariamente, muitas vezes em clínicas tocadas com o dinheiro de impostos e a bênção do Estado. As feministas radicais lutam pelo direito de matá-los quando e como quiserem, enquanto a sociedade se sensibiliza com cachorrinhos maltratados e políticos se preocupam com o sofrimento dos gansos. Para defender seu direito sobre seu corpo, removem o componente divino da vida humana, rebaixando-a ao mesmo nível de outros animais e até mesmo vegetais; e assim são capazes de lamentar a morte de uma samambaia, mas não conseguem chorar por um feto esmagado ou intoxicado durante um aborto, que nada mais é do que uma sessão de tortura seguida de morte.

Escrevo este texto com um bebê ao meu lado. Continuo tentando traçar um caminho pelo qual meu pensamento consiga justificar a morte de um ser puro como esse. Vejo seu pequeno rosto, sua fragilidade, sua dependência, e vejo nele a maravilha de uma vida que acaba de começar. Tento de todas as formas pensar como um abortista, me colocar em seu lugar, mas simplesmente não consigo. Impedir uma vida de acontecer parece algo tão torpe, tão injusto e tão egoísta que sua mera sugestão me soa tão imoral quanto o Holocausto.

Em tempo, dezenas de voluntários, incluindo moradores de rua que ali costumam se abrigar, dedicaram seu tempo e esforços para limpar as pichações que as ativistas criminosas deixaram nas paredes externas da catedral. Com bastante trabalho conseguiram apagar as mensagens de ódio, não permitindo que aquele lugar se torne um símbolo duradouro da injustiça e do egoísmo. E, de quebra, ainda nos forneceram um quadro claro do que é a sociedade brasileira hoje: uma maioria de pessoas normais tentando limpar a sujeira de uma minoria de loucos.

O feminismo radical bloqueia o acesso à última ponte que separa a humanidade do respeito à vida. Precisamos atravessá-la e depois queimá-la, cientes de que o clamor desses milhões de vidas interrompidas ainda nos assombrará por muito tempo.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

A Esquerda Infiltrada – Assassinato de Bebês

startsatsixty-rotten-strawberryDesde 1988 a esquerda tem agido ativamente para tornar o aborto em algo comum e legalmente permitido. E em 2013, 25 anos depois, esse objetivo foi atingido no Brasil com a aprovação da Lei 12.845/2013, conhecida nos movimentos pró-vida como Lei Cavalo de Troia. Para quem quiser acessar o conteúdo completo sobre essa atrocidade, há um link muito bom disponível, http://www.documentosepesquisas.com/cavalodetroia.pdf.

Eu não vou focar o texto de hoje na lei em si. Para nossos propósitos basta sabermos que essa lei torna o aborto não só permitido, mas também uma obrigação do Estado, nos casos em que mulheres que se declarem vítimas de violência sexual o solicitarem. Fica muito claro para mim, e para todos que conheço que lutam pela vida e contra o aborto, que isso é pura e simplesmente uma autorização para o aborto gratuito e fácil no Brasil. Afinal, basta que a mulher chegue a um hospital público e diga que foi estuprada (ela pode inclusive alegar que não conhece o estuprador) e que quer tomar medidas abortivas. Como o estupro não pressupõe necessariamente agressão física, basta que o sexo tenha sido alegadamente não consensual para que esta mulher tenha o direito ao aborto.

Mas o nosso tema hoje é A Esquerda Inflitrada. Qual a relação com a lei acima citada?

Tenho acompanhado uma discussão no Facebook, iniciada em postagens de um grupo pró-vida que busca a revogação dessa lei insana. E eis que surge, de dentro do grupo, uma voz esquerdista, a dizer que “considero totalmente contraproducente essa iniciativa, como outras que vêm sendo tomadas nesse assunto. Em primeiro lugar, ela relata de modo errado a lei aprovada, que não permite o aborto em qualquer situação, como se diz no texto. Somente uma interpretação totalmente distorcida poderia levar a pensar assim, e penso que fazemos um péssimo trabalho ao endossar essa interpretação, que nem o governo (sic) pretende fazer. Que vantagem temos em ficar dizendo que o aborto no Brasil está aprovado?“.

O agente infiltrado (neste caso uma agente) tenta apelar primeiramente para o texto em sua interpretação mais ingênua possível (a lei aprovada, que não permite o aborto em qualquer situação”)Depois passa para o ataque direto às pessoas que, até aquele momento, eram suas companheiras de causa (“Somente uma interpretação totalmente distorcida poderia levar a pensar assim”). Em seguida coloca-se como autoridade e juiz sobre o grupo, emitindo seu parecer (penso que fazemos um péssimo trabalho ao endossar essa interpretação”) e deposita a confiança no Governo, o mesmo que até aquele momento a agente esquerdista dizia combater (“que nem o governo (sic) pretende fazer”). Para finalizar coloca uma questão “bolinha de fumaça Ninja” e sai correndo do debate (“Que vantagem temos em ficar dizendo que o aborto no Brasil está aprovado?”).

Veja como a esquerda trabalha infiltrada em grupos de direita conservadora. Seus agentes trabalham às vezes por anos em disfarces conservadores, participando ativamente de movimentos contrários às suas orientações políticas, para no momento exato interferir cirurgicamente e fazer o que todo agente infiltrado é treinado para fazer: sabotagem.

A grande vantagem da esquerda na guerra ideológica é justamente essa: ela consegue fazer a infiltração e a sabotagem tão bem, porque é muito fácil apodrecer algo que esteja saudável, mas impossível tornar saudável algo que esteja podre. Imagine a situação oposta, onde um agente infiltrado da direita tentasse promover a agenda pró-vida no meio de abortistas – é como colocar uma zebra no meio de leões para que ela os convença a adotar o vegetarianismo. Por isso a esquerda tem sido bem sucedida em sua agenda assassina, porque ela dá vazão às psicopatias e à vileza do homem, e não exige nenhum sacrifício, nenhuma trava moral, nenhuma reflexão intimista. Ao contrário, o esquerdismo estimula o homem a ser tudo de pior que ele pode ser, sem restrições.

Todo grupo ou organização que lute contra o esquerdismo e todas as suas vertentes assassinas precisa estar em constante vigilância, para não permitir que esses infiltrados ocupem espaços e posições de destaque. Como em toda a guerra, é muito mais eficiente conter a sabotagem do que lidar com os efeitos da mesma.