O feminismo está morto

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 9 de fevereiro de 2017.

feminismo

O ser humano tem uma capacidade ímpar de exagerar a dose de seus remédios – na ânsia de consertar o que acredita estar errado, acaba criando uma situação igualmente ruim em termos quantitativos, mudando apenas a qualidade do problema. De uma perspectiva histórica, as aplicações exageradas de tais remédios assemelham-se a um movimento pendular: parte-se de uma situação inicial, com o pêndulo em sua posição mais alta de um dos lados; o pêndulo começa a perder altura e a ganhar energia cinética, acelerando para a posição mais baixa; ao passar pelo ponto mais baixo, que seria o de equilíbrio, o pêndulo está com tanta velocidade que não consegue parar; finalmente, ele termina o movimento no lado oposto, quase na mesma altura de onde iniciou.

O feminismo é um exemplo claro da ocorrência de um pêndulo histórico. Quando o movimento teve início, as pautas eram genuínas e as reivindicações eram justas e necessárias. As mulheres queriam respeito e direitos equivalentes aos dos homens, e assim o pêndulo começou a descer. Na virada do século, já não havia praticamente nenhuma restrição de liberdades ou direitos que se aplicasse às mulheres na maioria das nações ocidentais democráticas. O pêndulo chegara ao ponto mais baixo, o ponto de equilíbrio. Coloque-se um pêndulo estaticamente nesse ponto e ele não se moverá para nenhum lado sem a aplicação de uma força externa. Não foi o caso, no entanto. O feminismo não só vinha com uma energia prévia, como também recebeu impulso adicional de uma situação política até então inédita: governos de esquerda espalhados pela grande maioria dessas mesmas nações onde o feminismo já havia atingido seus objetivos. O pêndulo passou reto e voltou a subir, e nessa subida ele trouxe ao mundo o feminismo radical.

O feminismo radical não é apenas o contrário do machismo radical (se é que isso existe). O feminismo radical é a elevação do machismo à décima potência. Se os machistas queriam suas mulheres “com a barriga no fogão”, as feministas radicais querem todos os homens sete palmos abaixo da superfície. O mundo que elas idealizam é um mundo sem homens, onde a ciência tenha resolvido a questão da reprodução e elas possam viver livres para sempre da opressão dos terríveis e maldosos machos de sua espécie. Ao leitor que nunca se aprofundou no assunto, pode parecer que estou contando uma piada ou que estou citando um trecho de alguma ficção distópica, mas essas pessoas realmente existem. Não são incomuns os relatos de feministas radicais que abortam seus filhos quando descobrem que são meninos ou que declaram ódio incondicional a todo e qualquer homem do planeta.

Mas – e sempre há um mas – o feminismo contemporâneo não sabe fazer contas e tem uma péssima capacidade de análise factual. Embriagadas com direitos e liberdades garantidos por leis que somente os países ocidentais e de tradição judaico-cristã conseguiram desenvolver, essas feministas não conseguem nem sequer olhar ao seu redor e realizar a mais simples das operações matemáticas: quando somamos as populações dos países onde as mulheres têm menos direitos hoje que a mulher ocidental média da década de 1950, chegamos à conclusão de que o feminismo existe em menos da metade do mundo: somente na parte que não inclui os países muçulmanos, a China e a Índia.

Aliás, a menção aos muçulmanos é uma ótima deixa para explicar o título deste artigo. O mundo de hoje assiste à expansão rápida do islamismo no mundo ocidental, e o islamismo é intrinsecamente antifeminista. Ouso afirmar que o islamismo é a nêmesis do feminismo, tamanha é sua oposição a tudo o que as feministas têm como mais precioso. Sendo assim, tomemos dois possíveis desfechos históricos para comprovar esse óbito hipotético.

Desfecho 1: o feminismo radical avança em todo o mundo ocidental, vencendo sua “luta contra o patriarcado”. Mesmo não eliminando os homens por completo, consegue emasculá-los e transformá-los em meros acessórios sociais. Uma sociedade dessas, quando atacada e confrontada pela força do radicalismo islâmico, desaparecerá quase sem luta. Feministas são muito competentes quando o assunto é armar manifestações públicas em países onde a lei as protege e em fazer discursos inflamados para plateias cheias de artistas corroídos pelas culpas do mundo politicamente correto, mas são praticamente inócuas contra homens capazes de queimar crianças vivas, explodir aviões, esquartejar dissidentes e matar qualquer um que ouse difamar o nome de seu profeta. Resumindo, esse desfecho leva ao fim do feminismo e, portanto, o feminismo está morto.

Desfecho 2: o feminismo radical desaparece e o feminismo “original” desvanesce em meio à situação atual de igualdade de respeito e direitos, impedindo a deterioração da virilidade masculina na sociedade como um todo, condição extremamente necessária em tempos de guerra. Uma sociedade dessas, quando… (para ler o restante deste artigo, clique aqui)

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

De escola premiada a zona de guerra

A escola Värnhem, localizada na cidade de Malmö, Suécia, foi premiada por ter recebido e matriculado o maior números de refugiados e imigrantes chegados a Malmö naquele ano. A celebração da diversidade deu-se nos moldes atuais europeus, ou seja, com a ignorância e irresponsabilidade que beiram a inocência de uma mosca que voa para a teia de seu futuro carrasco.

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Entrada da escola Värhem, com arame farpado, catraca e painel de identificação

Um ano depois, no dia 18 de novembro de 2016, a escola teve de fechar as portas por dois dias por conta de brigas violentas entre estudantes, algo que jamais havia acontecido em sua história toda. A briga começou entre estudantes do Oriente Médio e do Afeganistão, alegadamente porque um olhou para a namorada do outro, foi tomando corpo com a chegada de outros estudante, e acabou envolvendo até mesmo a área externa à escola. Três brigas aconteceram durante aquele dia, na Värnhem, e numa delas um estudante foi tão agredido que teve de ser levado ao hospital às pressas numa ambulância. A administração da escola, após consultar a polícia local, decidiu fechar a escola e mandar mais de 2 mil estudantes para casa.

No final de dezembro, após a saída para o recesso de ano novo, a escola havia contabilizado mais de trinta boletins policiais de ocorrência, abrangendo desde o furto de tablets até estupros de alunas. Novamente, algo que jamais havia acontecido em toda a história da instituição. Mas Värnhem não está sozinha. Uma outra escola em Malmö relatou uma “brincadeira” que um grupo de estudantes fez dentro de suas instalações: uma simulação de execução no estilo do ISIS. Uma terceira escola, de nível primário, teve casos de crianças de seis anos de idade abusadas sexualmente.

Como resultado do aumento na violência, a escola Värnhem adotou medidas de segurança bastante incomuns para a realidade sueca: arame farpado sobre as grades, guardas em tempo integral para conter as “rebeliões” e um forte esquema de identificação nos portões de entrada. Muitos professores abandonaram a escola e foram trabalhar em outras cidades, e o desempenho geral dos estudantes caiu consideravelmente.

Assim funciona a esquerda. Brincam com a segurança das pessoas e fazem experimentos irresponsáveis, sempre agindo para satisfazer a agenda do globalismo e do politicamente correto. Este é apenas mais um exemplo de como a falta de critérios na política imigratória pode e vai acabar com a Europa num curto espaço de tempo.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Temeroso ou destemido, o que vai ser?

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 2 de fevereiro de 2017.

ivesgandraMichel Temer assumiu a Presidência com a aprovação de uma nação cansada do petismo, mas logo de início mostrou que governaria pautado por aqueles que o odeiam e que querem o seu fim. Foi o que aconteceu quando ele acertadamente extinguiu o Ministério da Cultura. A medida, apoiada por grande parte da população, foi bombardeada incansavelmente por artistas e jornalistas de esquerda, os mesmos que dias antes adotavam o “fora Temer” como frase de parachoque. Em vez de manter seu pulso, agradar o povo e economizar dinheiro de impostos, Temer optou por ceder terreno aos seus inimigos.

A decisão que paira sobre o presidente hoje é muito mais importante e impactante para o Brasil do que a existência ou não de um ministério. A indicação de um ministro para o lugar de Teori Zavascki é daquelas que ecoam por décadas, muitas vezes além do período de vida do próprio presidente. Foi o caso de Dias Toffoli, nomeado por Lula quando tinha apenas 42 anos de idade, e que poderá exercer seu cargo até 2042. Na composição atual, o Supremo Tribunal Federal tem nada menos que sete ministros indicados pelos petistas Lula e Dilma, e a atuação de alguns deles, em diversas oportunidades, deixou bem clara sua orientação ideológica de esquerda. Temer tem em mãos, portanto, a chance de devolver um pouco do equilíbrio ao STF.

Nos últimos dias, o nome de Ives Gandra Filho surgiu como possível indicação de Temer para a corte suprema. A quase totalidade da imprensa brasileira, ao se deparar com o currículo e com as posições de Gandra Filho sobre temas importantes – ele é favorável à revisão das atrasadíssimas leis trabalhistas brasileiras, é um crítico do excesso de tributos e do Estado inchado, é contra o ativismo judicial e, de quebra, é um cristão declarado –, entrou em estado de pânico com a possibilidade de que um conservador ocupe a vaga de Zavascki. Deu-se início, então, a uma campanha extremamente desonesta de difamação e desqualificação de Ives Gandra Filho e, ao mesmo tempo, a promoção incondicional de Alexandre de Moraes como a melhor opção para a vaga.

Dentre as táticas sujas utilizadas para denegrir Gandra Filho está a citação de trechos isolados de seus artigos, pinçados completamente fora de contexto e com o único propósito de criar uma impressão mentirosa sobre a linha de pensamento do jurista. Não colocarei aqui a prova completa da canalhice, porque alguém com muito mais conhecimento na área já o fez – o advogado e jornalista Taiguara Fernandes explicitou cada uma das citações pinçadas em excelente artigo publicado no portal Senso Incomum, no dia 26 de janeiro. Mas, a título de esclarecimento, farei um paralelo para você, leitor. Imagine o seguinte texto: “A noção de superioridade racial já variou bastante no decorrer da história humana. O homem branco é superior intelectualmente ao negro, acreditavam os nazistas. Mas, graças à evolução da ciência e aos avanços na área dos direitos humanos, esse tipo de discriminação sem fundamento faz parte de um passado já remoto”. Agora, imagine que alguém pinçou desse texto somente este pedaço: “O homem branco é superior intelectualmente ao negro”, e saiu falando por aí que o autor do texto é racista e que defende a mesma coisa que os nazistas. É exatamente isso que está sendo feito com Ives Gandra Filho. Note-se que esse tipo de atuação não é só moralmente reprovável, como também é crime previsto pelo Código Penal.

A melhor coisa que Michel Temer pode fazer é se espelhar em Donald Trump neste assunto. Trump anunciou na última terça-feira, 31 de janeiro, sua indicação para a vaga de Antonin Scalia: o conservador Neil Gorsuch. Respeitadas as proporções, Gorsuch é o Gandra Filho dos americanos. Fiel defensor da Constituição americana, ele tem um histórico de decisões favoráveis à vida, à propriedade privada, à liberdade de expressão e às liberdades individuais. Trump sabe que não pode governar para os que o odeiam, para os que o querem longe da Casa Branca; se fizer isso, será defenestrado rapidamente. Michel Temer parece não ter percebido isso; ou, pior, parece não ter a coragem necessária para governar em prol do povo brasileiro. Esse povo precisa de menos Estado em sua vida, menos regulação das relações de trabalho, menos interferência do governo nas empresas, menos impostos, menos leniência com criminosos etc. Indicar Alexandre de Moraes será apenas mais do mesmo. Se o presidente quiser deixar alguma marca positiva em seu governo, precisará de reformas profundas, e essas reformas precisarão de respaldo judiciário. Abrir mão de Ives Gandra Filho é abrir mão de um legado. Nesse caso, era melhor ter permanecido apenas como vice de Dilma. Afinal, do vice a gente não espera nada mesmo.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Empresários no poder

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 26 de janeiro de 2017.

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O ano de 2017 tem sido incrível, politicamente falando. Os inícios de mandato de João Dória e Donald Trump têm mantido a imprensa ocupada de todas as maneiras. Os setores esquerdistas da mídia se ocupam de fabricar difamações e distorções das medidas tomadas pelos dois gestores, e os de direita tentam manter o ritmo acelerado de novidades. Mas, imprensa à parte, vale a pena explorar um pouco o que esses dois empresários têm feito em tão pouco tempo de mandato, e o que está por trás dessa rapidez e eficiência.

À frente da prefeitura de São Paulo, comandando o terceiro maior orçamento do Brasil (R$ 54,69 bilhões), João Dória Júnior tem mostrado uma vitalidade fora do comum – ele, seu vice e seus secretários parecem estar em todo lugar, a toda hora. Eleito apesar do nariz torcido da cúpula tucana, que só apoiou sua candidatura após a vitória, Dória trabalha num ritmo alucinante, como todo bom gestor em início de empresa costuma fazer. Quem já abriu seu próprio negócio sabe do que estou falando: muitas horas de trabalho por dia, muitos problemas para resolver, múltiplos fatores de risco ao negócio, competidores de olhos arregalados com a chegada da novidade etc. Logo em seu primeiro dia, ele apareceu às 5h30 na Praça 14 Bis, vestido de gari, para iniciar o primeiro programa de seu governo, o Cidade Linda. Na sequência, ordenou a devolução de todos os carros alugados da prefeitura, gerando uma economia prevista de R$ 10 milhões por mês.

Em relação à sua equipe de trabalho, o novo prefeito aplica as mesmas regras às quais eu e você, leitor, temos de nos submeter em nossos empregos: penalidades para atrasos, ou seja, exigência de comprometimento e disciplina nas relações do trabalho. E, para o terror daqueles funcionários acostumados ao descaso da administração petista, ele tem aparecido de surpresa nos mais diversos locais, numa espécie de “flagra da vagabundagem”. Além disso, utilizando-se da premissa de que todo empresário busca obter o melhor resultado com o menor uso possível de recursos, Dória fechou diversas parcerias com a iniciativa privada, sem custo para o erário municipal, que resultaram em benefícios imediatos para a população paulistana. As intervenções do novo prefeito são diárias e repletas de cobertura tanto da mídia tradicional como das redes sociais, no intuito claro de provocar mudanças em curto período de tempo, ganhar o apoio da população e reduzir a pó o legado de seu antecessor.

E o que dizer de Donald Trump? O presidente americano, que tomou posse no último dia 20, tem dormido apenas três horas por dia e trabalhado no restante. Ao contrário de Barack Obama, que cumpriu menos de 50% das promessas que fez durante sua campanha em 2008, Donald Trump tem sinalizado que fará o máximo possível do que prometeu nos últimos meses. O empresário de Nova York já começou a chocar seus adversários políticos na primeira semana de mandato: emitiu uma ordem executiva para que as agências federais diminuam o fardo regulatório do Obamacare, exigindo que as mesmas renunciem, adiem ou concedam exceções à implementação de qualquer provisão ou requisito que incorra em custo sobre indivíduos, famílias e empresas da área de saúde; impôs o congelamento de contratações para o governo federal, com a exclusão das forças armadas; suspendeu a execução de toda e qualquer regulamentação em processo de aprovação, impedindo que diversas das ordens executivas assinadas por Obama em seus últimos dias de mandato permaneçam em vigor; restabeleceu a proibição de alocação de fundos federais para grupos que realizem abortos ou que atuem como lobistas para a legalização ou promoção do aborto; retirou os Estados Unidos da Parceria Transpacífico, um acordo comercial ineficiente e burocrático com nenhuma vantagem para os americanos; exigiu celeridade na aprovação de projetos de infraestrutura de alta prioridade por parte do Conselho de Qualidade Ambiental da Casa Branca; além de diversas outras ações que simplesmente não caberiam nesta coluna. A mais recente delas, logo antes do fechamento desta coluna, foi o pontapé inicial na construção do muro na fronteira com o México. Nos próximos dias ele deve anunciar a suspensão da admissão de refugiados provenientes de países que abriguem grupos radicais islâmicos e a indicação de um juiz conservador para a vaga de Antonin Scalia na Suprema Corte.

O brasileiro é ensinado, nas escolas públicas e privadas, que o capitalismo é ruim e que os empresários são maus e aproveitadores. Aprendemos que os ricos só se importam com dinheiro e que os bilionários são o câncer do mundo. Nenhuma escola ensina que toda a riqueza criada vem das mãos desses “malvadões”. Alguns dias atrás estava comentando isso com minha esposa. Estávamos tentando enxergar a vastidão da riqueza criada por Bill Gates, fundador da Microsoft. Quantas pessoas devem seu ganha-pão às ideias de Gates? Uma multidão de gente que instala, desenvolve e dá manutenção em softwares na plataforma Windows; uma miríade de técnicos que montam e consertam computadores pessoais; fabricantes de computadores, tablets e celulares; e muitas outras categorias de profissionais ligados à informática. Os quase US$ 100 bilhões de Bill Gates soam como uma imoralidade para os esquerdistas, mas os milhões de pessoas que têm hoje uma carreira, um emprego e um salário por causa desses US$ 100 bilhões são simplesmente ignorados por esse pessoal. O mercado faz essa “mágica”, criando um absurdo de riqueza de dentro de uma simples garagem. O Estado, inchado e ineficaz, faz o contrário.

Nosso planetinha, tão afetado pela ação irresponsável de governantes aproveitadores e incapazes, poderia se beneficiar muito da presença de mais empresários competentes na direção de cidades, estados e países. É claro que Dória e Trump não manterão um ritmo louco de novidades e realizações pelos próximos quatro anos. Mas, pelo que temos visto, devem fazer mais nos primeiros 100 dias do que seus antecessores em toda a extensão de seus mandatos. Se daqui a quatro anos, por causa do bom exemplo desses dois, mais pessoas entenderem que um bom gestor público é aquele que menos lhes atrapalha, que cria condições para que cada cidadão cuide de si mesmo e de seus dependentes sem nenhuma esmola do Estado, teremos muito a comemorar. Essa mentalidade é a única cura para o estatismo paralisante em que vivemos hoje.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Coluna do adeus

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 19 de janeiro de 2017.

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Adeus a Obama. Melhor, adeus a Barack Hussein Obama II.

Adeus ao mais infame dos presidentes americanos e à sua infame equipe.

Adeus ao vice-presidente, Joe Biden, e aos seus discursos que ninguém queria realmente ouvir.

Adeus ao secretário de Estado, John Kerry, e à sua postura covarde diante de um mundo perplexo com a expansão do terrorismo islâmico.

Adeus ao secretário do Tesouro, Jack Lew, e à política fiscal desastrosa que quase dobrou a dívida pública americana nos últimos oito anos.

Adeus ao secretário de Defesa, Ashton Carter, e ao seu descaso para com as forças armadas.

Adeus a Loretta Lynch, que conduziu o Departamento de Justiça mais injusto das últimas três décadas.

Adeus aos programas falidos deste governo que acaba nesta quinta-feira, programas cujo único propósito era transformar os Estados Unidos da América em uma nação de gente dependente do Estado.

Adeus ao Obamacare.

Adeus à distribuição sem critérios de food stamps, o Bolsa Família dos EUA.

Adeus ao antissemitismo como modo oficial de conduta.

Adeus à leniência para com traficantes de drogas.

Adeus ao perdão a bandidos perigosos e assassinos de policiais.

Adeus à instigação de negros contra brancos e de brancos contra negros.

Adeus ao apoio a grupos e organizações criminosas como Planned Parenthood e Black Lives Matter.

Adeus ao antipatriotismo na condução do país.

Adeus ao globalismo.

Adeus ao desrespeito aos milhões de imigrantes legais que fizeram desta nação a mais rica e mais livre do mundo.

Adeus ao desarmamentismo e às tentativas de destruir os pilares constitucionais que garantem a todo cidadão o direito de se defender contra criminosos e contra governos despóticos.

Aproveitando o tema e abrindo um parêntese, adeus à liberdade de expressão na rede social de Mark Zuckerberg. No início desta semana, me deparei com um comentário de um amigo dizendo que o Facebook estava bloqueando automaticamente qualquer texto que contivesse as palavras “veado”, “bicha”, “boiola” e similares. Não acreditando, fiz eu mesmo um texto de teste com duas dessas palavras. Menos de cinco minutos depois, o texto foi removido por “infringir as políticas do Facebook”. Pouco tempo atrás, escrevi nesta coluna semanal sobre o uso da novilíngua no jornalismo brasileiro. Parece que mais uma das profecias de Orwell, a supressão de palavras não aprovadas pelo “regime”, acaba de se tornar realidade. Hoje é o Facebook apenas apagando um texto e suspendendo a conta do “culpado”; amanhã pode se transformar em crime sujeito a pena de encarceramento. Fecha parêntese.

Nesta sexta-feira começa o mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. A imprensa brasileira, em sua maioria, procura passar a imagem de catástrofe mundial sem precedentes, e não está sozinha nesse esforço. O clima chega a ser folclórico aqui na América: há relatos de garotas adolescentes preocupadíssimas porque alguém disse que o novo presidente tirará o direito de voto das mulheres; de estudantes universitários sendo dispensados das aulas para se recuperarem do choque da vitória de Trump; de ambientalistas desesperados com a hecatombe climática que o novo governo trará ao mundo, dentre outras lendas urbanas espalhadas pelo vasto arsenal de comunicação que nos une atualmente. Para esse pessoal, Trump é um tipo de Magneto ou Lex Luthor, o vilão diabólico; para outros ele é o Sauron moderno, a encarnação do mal (mas sem os anéis). Eu, que lhes disse nesta mesma coluna, um mês antes da eleição, que Donald Trump seria eleito, digo também que não há razão para preocupações desse tipo. O novo presidente tem tudo do que precisa para colocar os Estados Unidos de volta nos trilhos, amparado por uma maioria consistente nas duas casas legislativas e uma sólida base conservadora na maioria dos estados. Se fizer metade do que prometeu, Trump poderá entrar para a história como um dos maiores presidentes americanos. Seus maiores inimigos, hoje, estão dentro do Partido Republicano. Espero que ele tenha habilidade para domá-los ou reverter sua oposição.

No mais, agora é torcer para o melhor resultado possível. Afinal, o que se faz aqui afeta não só os americanos, mas também os brasileiros e o restante do mundo. Aguardemos os primeiros 100 dias do novo governo.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Não tem graça, Dooley (quer dizer, Meryl)

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 12 de janeiro de 2017.

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Escrevo esta coluna de um quarto de hotel em Albuquerque, Novo México, uma cidade que ganhou notoriedade por ser o local da trama de Breaking Bad.

Eu adorei Breaking Bad. Coloco ao lado de Seinfeld e The Office na minha lista de séries favoritas de todos os tempos. Aliás, Bryan Cranston, que alcançaria o auge da fama interpretando Walter White, entrou para o radar dos produtores justamente em Seinfeld, quando fez o papel do dentista Tim Whatley.

Sentado aqui na terra dos White e de Jesse Pinkman, me bateu uma tristeza ao ver meu druglord preferido aplaudindo em pé o discurso mentiroso e afetado de Meryl Streep, que escolheu usar seu tempo precioso no microfone do Globo de Ouro para propagar uma mentira ridícula sobre Donald Trump. Cranston, que já tinha entrado na minha lista de celebridades babacas quando participou de um vídeo anti-Trump-pró-Hillary, participou com entusiasmo de mais um episódio que corrobora uma conhecida tese: a de que a opinião de um ator sobre política é tão valiosa quanto a opinião de um metroviário sobre a existência ou não de matéria escura no universo. Ben Affleck e George Clooney, dois ícones da esquerda caviar artística, se juntaram à léria um dia depois, saindo em defesa da diaba que veste Prada.

Diz a sabedoria popular que futebol, religião e política não se discutem. Neste caso, concordo em chamar de sabedoria, porque esses temas são de fato destruidores da harmonia familiar e de amizades. E o são justamente porque qualquer um que os discuta geralmente o faz de uma posição de suposta autoridade no assunto. Assim, o sujeito que mal consegue entender o conceito de tática acha que pode contribuir em muito nas discussões sobre aquela substituição que resultou num gol adversário. E o outro, que nem sequer faz ideia de qual seja a etimologia da palavra “religião”, acha que pode desqualificar a fé alheia e fundar a sua própria com base em meia dúzia de mantras que decorou em seus anos de igreja.

Mas é na política que vemos a maior quantidade de pretensos especialistas falando todo tipo de asneira, tanto em pequenos grupos como nas redes sociais e em transmissões públicas. Para que estudar ciência política, ética, filosofia e história? Política não é nenhuma medicina, pensa o orgulhoso “comentarista político”, e qualquer um pode opinar livremente sobre isso. É claro que qualquer um pode opinar, até mesmo este que vos escreve, graças ao pouco de liberdade de expressão que nos resta. Mas, ao contrário do que parece ser o senso comum, os erros na política matam muito mais gente do que os erros médicos, e os astros de Hollywood (além dos “astros” brasileiros do Projac) parecem gostar de falar justamente disso. Curiosamente, não conheço um artista famoso que tenha expressado suas opiniões sobre fusão nuclear, movimentação tectônica ou transmissão de energia sem fio, temas tão alheios às suas especialidades artísticas quanto a política.

Dizem que, para podermos desfrutar do melhor da arte, precisamos separar o artista da pessoa. Eu tenho uma dificuldade muito grande com isso. Tipos como Wagner Moura, Chico Buarque, Benicio del Toro, Sean Penn, Bono Vox e Alec Baldwin, só para citar alguns, envolvem-se tão profundamente com uma agenda política que perdem todo e qualquer apelo artístico para mim. Simplesmente não consigo vê-los atuando sem me lembrar de suas posições radicais de esquerda. Meryl Streep acaba de entrar para a lista.

O fato é que está ficando cada vez mais difícil sentar em frente à televisão e passar um tempo agradável se divertindo sem que apareça alguém politizando até comerciais de sabonete. Sinto saudades da época em que Os Trapalhões eram minha diversão de domingo e o Pica-Pau não me ensinava nada além de como sacanear o Dooley. Só sobraram South Park e Clint Eastwood para contar a história.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Obama, o birrento

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 5 de janeiro de 2017.

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Nos regimes democráticos há um pressuposto básico de que todo governo é medido e avaliado por seu povo através do voto. Em outras palavras, se está bom, fica; se está ruim, vai embora. Por esse critério somente, Barack Obama já pode ser considerado um dos piores presidentes da história americana. Quando ele assumiu a presidência, em 2009, os democratas tinham uma maioria consistente no Senado (58 das 100 cadeiras), uma maioria acachapante no Congresso (256 das 441 cadeiras) e 28 governos estaduais. Quase oito anos depois, o estrago é considerável: o partido do presidente perdeu 63 cadeiras no Congresso e dez no Senado – agora é minoria nas duas casas –, além de 12 governos estaduais.

Ao leitor que costuma se informar pelos grandes portais de notícias do eixo Rio-São Paulo, essa situação pode parecer incompreensível, já que Obama é sempre mostrado e descrito como o melhor presidente que a América já teve, um exemplo a ser seguido, um líder moderno para o mundo caótico em que vivemos. Os americanos, que viveram oito anos sob o governo de um homem que não passa de uma versão intelectualmente melhorada e substancialmente mais perversa de Lula, não esconderam sua insatisfação e escorraçaram os democratas em todas as instâncias do poder político.

Ciente de tudo isso, Obama resolveu marcar seus últimos dias na Casa Branca com uma série de medidas perniciosas. A grande mídia, sempre favorável ao seu governo, tem descrito essa atitude como “o esforço de Obama para marcar seu legado”. A verdade está longe disso. Obama está usando a tática do inquilino raivoso, e pretende deixar a casa no pior estado possível para o próximo ocupante. É por isso, e somente por isso, que ele e os democratas estão enfiando barbaridades goela abaixo do povo americano. Destaco sete delas a seguir.

A expulsão de oficiais diplomáticos russos dos Estados Unidos e outras sanções alegadamente impostas em resposta à ação de hackers russos durante a eleição presidencial deixou muita gente de cabelo em pé em todo o mundo. O clima de Guerra Fria requentada só não ficou mais perceptível porque Putin e o restante da liderança russa sabem muito bem que Obama agiu como um fanfarrão, apenas para desestabilizar o novo governo. Tanto que a embaixada russa no Reino Unido publicou a seguinte mensagem em sua conta oficial do Twitter: “O presidente Obama expulsa 35 diplomatas russos, num deja vu da Guerra Fria. Assim como todo mundo, incluindo o povo americano, ficaremos felizes em ver o fim dessa administração infeliz”.

No Oriente Médio, além de nunca ter conseguido avançar um centímetro sequer em direção à paz entre Israel e Palestina, Obama endossou uma resolução absurda da ONU que condena novos assentamentos judeus na região. A posição de Obama é completamente contrária ao histórico de apoio que os EUA sempre tiveram para com Israel. A resposta de Trump não poderia ter sido melhor: “Vamos ver o que acontece depois de 20 de janeiro, certo? Acho que vocês vão ficar bem impressionados”.

Os democratas trabalharam como nunca em 2016 para aumentar o número de inscritos no Obamacare, o fracassado programa de saúde de Obama. Conseguiram a marca de 6,4 milhões de americanos inscritos, 400 mil a mais do que em 2015. A lógica que eles usaram é muito simples: quanto mais gente inscrita, mais difícil será para o próximo governo acabar com o programa. Mais uma mina explosiva no terreno de Trump.

Fazendo uso de uma lei obscura da década de 1950, Obama proibiu a exploração de petróleo em diversas partes do Ártico e do Oceano Atlântico. A coisa foi feita de modo a dificultar ao máximo uma reversão da medida pelo governo Trump. Dá até para imaginar o presidente raivoso falando com sua equipe: “Não me importa quantos anos tenha a lei, nem que ela nunca tenha sido usada. Façam o que for preciso para ferrar aquele cara”.

Obama ainda desmantelou um programa de rastreamento de imigrantes muçulmanos que havia sido estabelecido no governo Bush, o National Registry. O programa estava parado desde 2011, mas sua estrutura permanecia intacta, e Trump planejava usá-la para algumas de suas políticas antiterrorismo ligadas ao islamismo radical. Agora, caso queira montar algo parecido, o presidente eleito precisará criar tudo do zero novamente.

O presídio de Guantánamo sempre abrigou alguns dos piores criminosos capturados pelas forças policiais americanas. Obama, como todo esquerdista de coração, morre de amores por criminosos, e já colocou em andamento a transferência de até um terço dos 58 presos atuais para seus países de origem, onde poderão desfrutar de condições muito melhores e, quem sabe, voltar a cometer atentados e assassinatos.

E, ainda com relação ao seu amor profundo pelos bandidos, Obama já reduziu a sentença de mais de mil criminosos do tráfico de drogas e concedeu clemência a 231 criminosos em um único dia, 19 de dezembro de 2016. É praticamente a Maria do Rosário de cabelo curtinho, terno e gravata.

Fazia muito tempo que o mundo não via uma transição presidencial tão suja como a de Barack Obama. Mesmo no Brasil, onde Dilma saiu por impeachment – uma situação bem mais traumática que uma derrota eleitoral –, as birras se resumiram a roubar objetos de decoração e fazer papel de bobo nas redes sociais. A história se encarregará de colocar Obama ao lado de outros infames que já ocuparam o mesmo cargo. Ao agir de forma diametralmente oposta ao que a população de seu país espera, ele pavimenta cada vez mais seu caminho para o almejado título de pior presidente da história dos Estados Unidos. Carter, Nixon e Buchanan que se cuidem.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.