O feminismo está morto

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 9 de fevereiro de 2017.

feminismo

O ser humano tem uma capacidade ímpar de exagerar a dose de seus remédios – na ânsia de consertar o que acredita estar errado, acaba criando uma situação igualmente ruim em termos quantitativos, mudando apenas a qualidade do problema. De uma perspectiva histórica, as aplicações exageradas de tais remédios assemelham-se a um movimento pendular: parte-se de uma situação inicial, com o pêndulo em sua posição mais alta de um dos lados; o pêndulo começa a perder altura e a ganhar energia cinética, acelerando para a posição mais baixa; ao passar pelo ponto mais baixo, que seria o de equilíbrio, o pêndulo está com tanta velocidade que não consegue parar; finalmente, ele termina o movimento no lado oposto, quase na mesma altura de onde iniciou.

O feminismo é um exemplo claro da ocorrência de um pêndulo histórico. Quando o movimento teve início, as pautas eram genuínas e as reivindicações eram justas e necessárias. As mulheres queriam respeito e direitos equivalentes aos dos homens, e assim o pêndulo começou a descer. Na virada do século, já não havia praticamente nenhuma restrição de liberdades ou direitos que se aplicasse às mulheres na maioria das nações ocidentais democráticas. O pêndulo chegara ao ponto mais baixo, o ponto de equilíbrio. Coloque-se um pêndulo estaticamente nesse ponto e ele não se moverá para nenhum lado sem a aplicação de uma força externa. Não foi o caso, no entanto. O feminismo não só vinha com uma energia prévia, como também recebeu impulso adicional de uma situação política até então inédita: governos de esquerda espalhados pela grande maioria dessas mesmas nações onde o feminismo já havia atingido seus objetivos. O pêndulo passou reto e voltou a subir, e nessa subida ele trouxe ao mundo o feminismo radical.

O feminismo radical não é apenas o contrário do machismo radical (se é que isso existe). O feminismo radical é a elevação do machismo à décima potência. Se os machistas queriam suas mulheres “com a barriga no fogão”, as feministas radicais querem todos os homens sete palmos abaixo da superfície. O mundo que elas idealizam é um mundo sem homens, onde a ciência tenha resolvido a questão da reprodução e elas possam viver livres para sempre da opressão dos terríveis e maldosos machos de sua espécie. Ao leitor que nunca se aprofundou no assunto, pode parecer que estou contando uma piada ou que estou citando um trecho de alguma ficção distópica, mas essas pessoas realmente existem. Não são incomuns os relatos de feministas radicais que abortam seus filhos quando descobrem que são meninos ou que declaram ódio incondicional a todo e qualquer homem do planeta.

Mas – e sempre há um mas – o feminismo contemporâneo não sabe fazer contas e tem uma péssima capacidade de análise factual. Embriagadas com direitos e liberdades garantidos por leis que somente os países ocidentais e de tradição judaico-cristã conseguiram desenvolver, essas feministas não conseguem nem sequer olhar ao seu redor e realizar a mais simples das operações matemáticas: quando somamos as populações dos países onde as mulheres têm menos direitos hoje que a mulher ocidental média da década de 1950, chegamos à conclusão de que o feminismo existe em menos da metade do mundo: somente na parte que não inclui os países muçulmanos, a China e a Índia.

Aliás, a menção aos muçulmanos é uma ótima deixa para explicar o título deste artigo. O mundo de hoje assiste à expansão rápida do islamismo no mundo ocidental, e o islamismo é intrinsecamente antifeminista. Ouso afirmar que o islamismo é a nêmesis do feminismo, tamanha é sua oposição a tudo o que as feministas têm como mais precioso. Sendo assim, tomemos dois possíveis desfechos históricos para comprovar esse óbito hipotético.

Desfecho 1: o feminismo radical avança em todo o mundo ocidental, vencendo sua “luta contra o patriarcado”. Mesmo não eliminando os homens por completo, consegue emasculá-los e transformá-los em meros acessórios sociais. Uma sociedade dessas, quando atacada e confrontada pela força do radicalismo islâmico, desaparecerá quase sem luta. Feministas são muito competentes quando o assunto é armar manifestações públicas em países onde a lei as protege e em fazer discursos inflamados para plateias cheias de artistas corroídos pelas culpas do mundo politicamente correto, mas são praticamente inócuas contra homens capazes de queimar crianças vivas, explodir aviões, esquartejar dissidentes e matar qualquer um que ouse difamar o nome de seu profeta. Resumindo, esse desfecho leva ao fim do feminismo e, portanto, o feminismo está morto.

Desfecho 2: o feminismo radical desaparece e o feminismo “original” desvanesce em meio à situação atual de igualdade de respeito e direitos, impedindo a deterioração da virilidade masculina na sociedade como um todo, condição extremamente necessária em tempos de guerra. Uma sociedade dessas, quando… (para ler o restante deste artigo, clique aqui)

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

De escola premiada a zona de guerra

A escola Värnhem, localizada na cidade de Malmö, Suécia, foi premiada por ter recebido e matriculado o maior números de refugiados e imigrantes chegados a Malmö naquele ano. A celebração da diversidade deu-se nos moldes atuais europeus, ou seja, com a ignorância e irresponsabilidade que beiram a inocência de uma mosca que voa para a teia de seu futuro carrasco.

680
Entrada da escola Värhem, com arame farpado, catraca e painel de identificação

Um ano depois, no dia 18 de novembro de 2016, a escola teve de fechar as portas por dois dias por conta de brigas violentas entre estudantes, algo que jamais havia acontecido em sua história toda. A briga começou entre estudantes do Oriente Médio e do Afeganistão, alegadamente porque um olhou para a namorada do outro, foi tomando corpo com a chegada de outros estudante, e acabou envolvendo até mesmo a área externa à escola. Três brigas aconteceram durante aquele dia, na Värnhem, e numa delas um estudante foi tão agredido que teve de ser levado ao hospital às pressas numa ambulância. A administração da escola, após consultar a polícia local, decidiu fechar a escola e mandar mais de 2 mil estudantes para casa.

No final de dezembro, após a saída para o recesso de ano novo, a escola havia contabilizado mais de trinta boletins policiais de ocorrência, abrangendo desde o furto de tablets até estupros de alunas. Novamente, algo que jamais havia acontecido em toda a história da instituição. Mas Värnhem não está sozinha. Uma outra escola em Malmö relatou uma “brincadeira” que um grupo de estudantes fez dentro de suas instalações: uma simulação de execução no estilo do ISIS. Uma terceira escola, de nível primário, teve casos de crianças de seis anos de idade abusadas sexualmente.

Como resultado do aumento na violência, a escola Värnhem adotou medidas de segurança bastante incomuns para a realidade sueca: arame farpado sobre as grades, guardas em tempo integral para conter as “rebeliões” e um forte esquema de identificação nos portões de entrada. Muitos professores abandonaram a escola e foram trabalhar em outras cidades, e o desempenho geral dos estudantes caiu consideravelmente.

Assim funciona a esquerda. Brincam com a segurança das pessoas e fazem experimentos irresponsáveis, sempre agindo para satisfazer a agenda do globalismo e do politicamente correto. Este é apenas mais um exemplo de como a falta de critérios na política imigratória pode e vai acabar com a Europa num curto espaço de tempo.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

O problema é não saber qual é o problema

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 21 de julho de 2016.

Neste exato momento, algum amigo ou conhecido seu (ou talvez até mesmo você) está tentando justificar para si mesmo ou para alguém de seu círculo social – seja pessoalmente, num grupo de WhatsApp ou numa discussão de Facebook – que um dos grandes problemas do mundo de hoje não é o islamismo fundamentalista. Essas pessoas, em sua maioria bem intencionadas, acreditam que a onda de atentados terroristas recentes é culpa de um comportamento independente da religião – o radicalismo – e que os muçulmanos são, em sua vasta maioria, pessoas tolerantes e pacíficas.

Sentadas em suas casas ou em seus trabalhos, onde homens e mulheres, gays e héteros, católicos e protestantes, teístas e ateus trabalham juntos, almoçam juntos e ocupam posições subalternas e de chefia independentemente de seu sexo ou religião, elas tentam adequar suas ideias à doença do politicamente correto. Para não correrem o risco de serem tachadas de preconceituosas, invocam um discurso de tolerância totalmente descolado da realidade e tentam de todas as formas esconder aquilo de que têm mais medo: a verdade. E a verdade é simples: o islamismo fundamentalista não respeita nenhuma das liberdades tão duramente conquistadas pelas nações ocidentais cristãs; não só não as respeita, como as condena e pretende aboli-las em todos os lugares onde for a força política dominante.

Há aproximadamente 1,6 bilhão de muçulmanos no mundo hoje, e eles são maioria em cerca de 50 países. Nem todos os muçulmanos são radicais e fundamentalistas, mas uma porcentagem deles é. Que porcentagem é essa? Dados de uma pesquisa extensa da Pew Research, feita em 29 países de maioria islâmica – Indonésia, Egito, Paquistão, Bangladesh, Tunísia, Irã, Turquia, Iraque, Jordânia e outros –, mostram que, em média, mais da metade dos muçulmanos apoiam uma ou mais das seguintes afirmações: “a sharia deve ser implementada como lei universal em todos os países muçulmanos”; “tenho sentimentos positivos ou neutros em relação a grupos terroristas islâmicos”; “ataques com bombas a civis desarmados são justificáveis sob certas circunstâncias”; e “mortes de mulheres por questões de honra são justificáveis em alguns casos”. Mesmo nos países ocidentais, a coisa não é muito diferente: 42% dos muçulmanos franceses de 18 a 29 anos de idade acham que ataques suicidas com bombas podem ser justificáveis em certos casos.

É muito preocupante que a maioria dos adeptos de uma das maiores religiões do mundo pense assim. Essa maioria, que significa mais de 800 milhões de pessoas, acha normal que alguém morra por ter falado mal do profeta, acha justo apedrejar uma mulher por adultério e acha justificável decapitar inocentes só porque eles professam uma outra fé, entre outras brutalidades pré-históricas. É bastante razoável dizer que essas pessoas são radicais e fundamentalistas, pois não é preciso sair se explodindo por aí para ser isso. Aqueles que matam são apenas o braço operacional de uma estrutura vasta que envolve financiamento por governos e indivíduos simpatizantes, abrigo de criminosos, apoio tácito e um silêncio sepulcral diante de tragédias chocantes.

A liberdade do mundo está em jogo, e as pessoas estão brincando de “quem é mais bonzinho e menos preconceituoso”. Uma mistura de medo, ignorância e covardia tem levado milhões, no mundo todo, a acreditar em jornalistas, políticos e estrelas de Hollywood engajados na promoção de uma mentira, a de que a maioria dos muçulmanos do mundo busca somente a paz (de acordo com Barack Obama, 99,9% deles estão nessa categoria). Perdeu-se todo o cuidado com as liberdades conquistadas no mundo ocidental, como se elas fossem garantias universais que podem sobreviver sem o substrato da cultura judaico-cristã.

E o pior é que essa atitude politicamente correta só tem prejudicado os que realmente buscam a paz. Raheel Raza, muçulmana que tem dedicado a vida para a construção de pontes entre o islamismo e o ocidente, diz que a melhor coisa que os não muçulmanos podem fazer para ajudar os muçulmanos da paz é começar a tratar o problema pelo que ele realmente é: o islamismo fundamentalista é um câncer gigantesco que não para de crescer e que persegue e condena até mesmo gente como Raheel por causa de sua posição moderada e equilibrada. A continuar assim, o mundo poderá entrar em um período de trevas e retrocesso. Seja com bombas, facas, fuzis ou caminhões, a intolerância vencerá sob os aplausos de suas vítimas.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.