Notificados Anônimos

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 23 de março de 2017.

Durante grande parte de minha vida, a palavra “notificação” sempre trouxe uma sensação de problema. É impossível não pensar em encrenca ou em dor de cabeça quando se recebe uma notificação judicial ou uma notificação da Receita Federal. Afinal, ninguém é notificado por ter sido um funcionário ou um patrão exemplar ou por ter pago os impostos em dia.

Já atualmente, notificação passou a significar aquela bolinha vermelha nos aplicativos do celular. Se antes era temida, agora passou a ser parte do cotidiano das pessoas. E todo aplicativo quer ter o direito de nos notificar; tanto que, na hora de instalá-los, geralmente somos indagados se queremos ligar as notificações, e a maioria de nós aperta o “sim” de forma quase automática.

De aplicativo em aplicativo, o celular é dominado, e com ele a vida de seu hospedeiro. A tela acende e você vê, mesmo de longe, que chegou um novo e-mail. Ou que alguém comentou seu post no Facebook. Ou que fulano, Sicrano e Beltrano retuitaram a mesma coisa. Ou que seu irmão mandou um vídeo no WhatsApp. Ou que acabou de cair um débito automático na conta bancária. Ou que um amigo curtiu sua foto no Instagram. Ou que seu cartão de crédito ultrapassou o limite pré-estabelecido de gastos no mês. Ou que um dos restaurantes em que você costuma comer está com uma promoção. Ou que a zona quatro do seu alarme disparou. Ou que, ou que, ou que. A lista é quase infinita.

Dois dias atrás, estava conversando com um amigo; ele é cristão, como eu. Estava lhe perguntando se ele já havia passado por aqueles momentos em que parece que Deus se cala por completo. Sua ótima resposta: “já passei, sim, várias vezes, até aprender que era eu que estava fazendo muito barulho para ouvir”. Parece até aquelas frases de autoajuda, mas esse fenômeno é bem real e intimamente ligado à nossa constante inquietação produzida pela carga de notificações à qual somos submetidos. Como muitas pessoas dormem com o celular carregando sobre o criado-mudo, esse frenesi eletrônico não para nem durante a madrugada.

O momento em que conversamos com Deus, em que ouvimos Sua voz, é também o momento em que olhamos para dentro de nós mesmos e fazemos uma reflexão de nossos erros e acertos, de nossos vícios e virtudes. É o momento em que reavaliamos o dia que passou e planejamos o que em breve começará. É como a canção de Gilberto Gil: “Se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sós, tenho que apagar a luz, tenho que calar a voz”. Na era das notificações e das redes sociais, nosso grande desafio é perceber que algumas conexões impedem outras; e, sabendo disso, conseguir escolher a conexão certa na hora certa. A constatação mais comum, no entanto, é que muitos têm fracassado nessa questão. Você entra em um restaurante, passa os olhos pelas mesas e vê alguns casais de hospedeiros dando total atenção aos seus smartphones parasitas; ou mesmo pais totalmente absortos em suas telinhas enquanto seus filhos os observam sem saber o que fazer (isso quando não estão eles mesmos já com os seus). E o que dizer daquele amigo que não tira os olhos das notificações que pipocam a cada 20 segundos na tela do celular, ao mesmo tempo em que participa de forma meio zumbi da conversa que está acontecendo ao vivo?

Em que momento passamos a entender que aquilo que acontece a quilômetros de distância tem prioridade sobre o que está acontecendo diante de nossos olhos? Eu escrevo estas linhas na condição de alguém em recuperação de um vício. Não consegui achar um Notificados Anônimos para frequentar, mas alguns textos que andei lendo e algumas conversas que tive com minha esposa levantaram bandeiras de sinalização em meu dia a dia. Antes de começar a escrever este artigo, já tinha desligado quase todas as notificações em meu celular. Ficaram apenas as do telefone, das mensagens de texto e dos aplicativos de companhias aéreas. Também tenho cultivado o hábito de só abrir algum aplicativo de e-mail ou rede social depois de ter acordado, meditado, dado bom dia à minha esposa e ter tomado café da manhã com ela e com nosso filhinho. O resultado, depois de duas semanas agindo dessa maneira, é muito positivo: não deixei de atender nenhum cliente, não perdi nenhuma comunicação importante, o apocalipse digital não aconteceu em minha casa e absolutamente ninguém foi prejudicado por causa disso. Afinal, o mundo funcionava perfeitamente antes dos e-mails e dos celulares e, por incrível que pareça, havia vida antes de existirem Google e GPS. As pessoas tiravam extrato bancário no caixa eletrônico, mandavam cartas, pesquisavam em bibliotecas, guiavam-se com mapas impressos e conversavam mais com a boca que com os dedos. E pasmem: elas tinham mais tempo de sobra, ainda… (para ler o restante deste artigo, clique aqui)

Lambendo as botas do islã

kathleen-wynne

A mulher da foto é Kathleen Wynne. Ela é uma política do Canadá – ocupa atualmente o cargo de primeira-ministra da província de Ontário – e sua orientação ideológica é de esquerda. Kathleen é gay declarada, e suas posições políticas são marcadas pelo ativismo nessa área, incluindo a aprovação de uma legislação que encorajou as escolas públicas a comprar materiais didáticos que mostrassem a presença das famílias homossexuais no cotidiano da sociedade canadense.

Pouco mais de duas semanas atrás, Kathleen foi a uma mesquita na cidade de Toronto para falar sobre a importância da igualdade na sociedade canadense. Ela disse, em seu pequeno discurso:

Não deve haver medo na adoração ao seu Deus, nosso Deus, em Ontário ou no Canadá.

Obrigada por me receberem em sua casa, em seu lar.

Nosso governo está do lado de vocês. Não somos diferentes. Somos iguais. Somos todos canadenses.

O “pequeno” detalhe é que a primeira-ministra foi obrigada a esperar sentada num canto da parte de trás da mesquita enquanto os homens faziam suas orações, já que nesse momento não é permitida a presença de mulheres no salão principal. Mais ainda, o imã Wael Shehab, responsável pela mesquita em questão, é abertamente anti-gay, como todo muçulmano que se preze. Ele segue a orientação do Conselho Fiqh da América do Norte, que diz o seguinte:

Devemos considerar os homossexuais como pessoas que se engajam em atos pecaminosos. Devemos tratá-los da mesma maneira que tratamos qualquer pessoa envolvida com o alcoolismo, o vício em jogos ou o adultério. Devemos ter uma repugnância profunda pelos seus atos, lembrá-los e avisá-los disso.

A esquerda tem um relacionamento de mulher de cafajeste com o islamismo. Mesmo com toda a repulsa e condenação que os muçulmanos tem para com as feministas e os homossexuais, os ativistas desses grupos vivem lambendo suas botas. Na hora de protestarem contra alegadas discriminações, picham igrejas cristãs e enfiam crucifixos em seus ânus e vaginas; quando numa mesquita, sentam-se quietinhos num canto esperando permissão para falar.

Deixo meus parabéns à primeira-ministra por mostrar de forma tão clara como funciona a cabeça desorientada de uma ativista de esquerda. Só é possível entender algo esdrúxulo assim com um exemplo real, pois a mente normal não consegue conceber esse tipo de raciocínio.

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Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 11 de agosto de 2016.

Hipocrisia. Esta talvez seja a palavra que melhor define o pensamento de esquerda. Ela permeia todo o espectro de pessoas ligadas a este, desde os pensadores que deram início a esse câncer histórico, passando pelos líderes e poderosos e incluindo uma quantidade incontável de idiotas úteis.

Jean Jacques Rousseau, filósofo francês que deu início ao pensamento de esquerda com sua distorcida noção de que o homem nasce bom e é corrompido pela sociedade, foi o primeiro hipócrita da turma. Ao mesmo tempo em que escreveu um livro sobre como educar as crianças, abandonou todos os seus cinco filhos em um orfanato, sem piedade. Um primor de bondade e compaixão.

Karl Marx, o mais influente pensador da esquerda, foi outro hipócrita de carteirinha. Nascido em família de classe média, filho de um advogado bem sucedido, Marx nunca chegou perto da classe trabalhadora sobre a qual escreveu. A luta de classes de que ele tanto fala nunca passou de elucubrações de sua mente, e a pena que escreveu O Capital foi segura por mãos virgens de trabalho pesado.

Com Vladimir Lenin, a hipocrisia ganhou oficialidade. Foi ele quem disse: “Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é.” A máxima de Lenin tem sido um norte na conduta de todos os líderes de esquerda desde então. Hillary Clinton, atual candidata democrata à presidência dos EUA, discursa inflamadamente contra os ricos e poderosos, contra as fortunas de Wall Street, ao mesmo tempo em que recebe doações milionárias de campanha dessas mesmas pessoas. Lula, ex-presidente e quase-presidiário, se dizia trabalhador e do povo, enquanto acumulava imóveis, andava em jatos particulares e se deliciava com jantares que custavam alguns anos de salário mínimo.

Como não poderia deixar de mencionar os idiotas úteis, usarei o exemplo mais recente e diretamente ligado ao momento esportivo que vivemos hoje no Brasil. A nadadora Joanna Maranhão, que por muitas vezes deixou clara em suas declarações públicas a sua admiração pela quadrilha chamada Partido dos Trabalhadores, resolveu ganhar o primeiro lugar em alguma coisa fora da piscina (mesmo porque dentro dela lhe falta a competência) e disparou a mais hipócrita de todas as suas declarações. Disse ela, depois de ser eliminada da final dos 200m borboleta, que o Brasil é um país homofóbico, machista, racista e xenófobo. Pouco tempo depois, a excelente página Caneta Desesquerdizadora, presente no Facebook e no Twitter, compilou uma série de tweets da nadadora brasileira, desnudando sua hipocrisia, os quais eu cito no próximo parágrafo.

A Joanna que acusou o Brasil de ser homofóbico é a mesma que disse “Fred Mercury não era gay, só curtia emprestar a bunda!” e “Ariadna, pega (sic) os 2mil e paga seu funeral… porque pra você se passar por mulher só morrendo e nascendo de novo!” (referindo-se a Ariadna Arantes, transexual que participou do reality show Big Brother Brasil). A Joanna que acusou o Brasil de ser machista é a mesma que disse “Sinceramente, por que tem tanta mulher vagabunda nesse mundo?” e “Depois de Bruna Surfistinha, virou moda puta ficar rica, né?”. E a Joanna que acusou o Brasil de ser xenófobo é a mesma que disse “E vou falar uma coisa, me irrito com esse povo do sul e do sudeste que nunca se envolveu com política e é contra o PT” e “[sou] Boa o suficiente pra nunca ter perdido de nenhuma sudestina ou sulista nas minhas provas.” Medalha de ouro para ela no quesito “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

Joanna Maranhão poderia ser apenas uma atleta que não conseguiu chegar à final. Poderia assumir a derrota com grandeza, como fizeram Novak Djokovic e Serena Williams, favoritos ao ouro e lendas em seu esporte. Poderia tirar lições, rever conceitos, repensar a carreira, arrumar força para treinar mais forte ou mesmo remoer-se em ódio por não ter conseguido seus objetivos. Mas, como todo vitimista de esquerda, ela resolveu jogar a culpa nas circunstâncias, nos fatores externos, na sociedade, no Brasil, no lugar periférico em que a Terra se encontra na Via Láctea etc. Como dizia o grande filósofo cartoon-pop, Homer Simpson, “a culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser”.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Coragem?

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 9 de junho de 2016.

Outro dia estava jantando com nossos vizinhos, e surgiu o assunto das reclamações mal-educadas vindas de clientes. Minha vizinha, que é uma mulher sensível, disse que fica muito mal quando recebe reclamações ou e-mails ríspidos. Naquele mesmo dia eu havia recebido uma mensagem em meu contato desta coluna, e resolvi mostrar a ela, até mesmo para animá-la em relação às suas clientes. Ela chegou a corar de vergonha, de tantos palavrões e xingamentos que me foram enviados, e ao fim me disse: “Não sei como você consegue ler isso e não ficar arrasado. É por coisas assim que não tenho coragem de escrever o que penso”.

Esta frase de minha vizinha já me tinha sido dita por diversas outras pessoas, em mensagens de agradecimento e congratulações que costumo receber dos leitores desta coluna e de meus livros. E sempre foi uma coisa que me intrigou, pois nunca considerei um ato de coragem escrever algo, a não ser que seja alguém escrevendo contra os Castro em plena Cuba. Quando penso em coragem, a primeira coisa que me vem à mente são imagens dos soldados aliados na Normandia.

Enfim, pensei que o assunto daria um bom tema para esta coluna. E aqui estou, escrevendo exatamente o que penso num espaço nobre da mídia nacional (graças à Gazeta, que me dá total liberdade para isso). E eu penso o seguinte: a militância de esquerda dominou por completo o aparato educacional e midiático brasileiro nas últimas cinco décadas em parte por falta de gente inteligente e intelectualmente preparada que não tenha medo de dizer e escrever o que pensa. Infelizmente, os idiotas não costumam ter esse tipo de medo; eles são capazes de transmitir suas idiotices em cadeia nacional, se houver oportunidade, sem nenhuma vergonha ou receio de que suas palavras sejam mal interpretadas, criticadas ou combatidas. Já aqueles que ponderam suas afirmações, que pensam em como serão interpretados, que dão importância ao embasamento de seus discursos, estes muitas vezes preferem se calar a enfrentar possíveis críticas – tanto as genuínas e fundamentadas como as hidrófobas e irracionais – e com isso privam a sociedade de sua contribuição importante para o debate de ideias.

Mas o que há de tão temeroso em expor a própria opinião? Seria a reprovação dos que pensam de maneira diametralmente oposta? Ora, isso seria algo deveras irracional, já que pessoas com opiniões tão divergentes geralmente não fazem parte do grupo de pessoas que elegemos como as que mais nos importam na vida (em meu caso, minha esposa e meus melhores amigos). Bom, talvez seja a reprovação de nossos familiares; afinal, não escolhemos nossa família, e no meio dela pode haver muita gente que pensa bem diferente de nós. Mas isso também não seria um bom motivo, pois a família é justamente o grupo social onde o exercício da tolerância deveria prevalecer sobre o exercício da crítica. Resta o medo de ser criticado pelos pares, pelos que pensam da mesma forma, mas neste caso a crítica será provavelmente pontual, já que se compartilha um núcleo de valores, e pode ser benéfica ao indivíduo no fim das contas.

Não sendo possível explicar o medo de se expressar por motivos racionais, restam os motivos emocionais, que eu pessoalmente considero os únicos responsáveis pelo comportamento em questão. O fato é que a maioria das pessoas dá muito valor e importância ao que os outros pensam a seu respeito. Jamais me esquecerei de uma das primeiras aulas que ouvi do professor Olavo de Carvalho, na qual ele dizia que a única opinião que realmente nos importa neste plano terreno é o de nosso cônjuge. Afinal, é com ele ou ela que passaremos o restante de nossas vidas e, se faltar o respeito e a admiração no casamento, ele caminhará para o fracasso ou para a frustração. Filhos não precisam nos admirar, pais não precisam nos admirar, amigos não precisam nos admirar. Não estou dizendo que ser admirado é ruim – na verdade é bem gostoso –, mas a necessidade de ser admirado em si é algo ruim. Aquele que consegue se livrar do peso de ser aprovado pelos outros recebe em troca uma liberdade ímpar na vida, a liberdade de ser o que bem quiser e se expressar como bem entender. Vale a pena experimentar.

Quanto aos julgamentos, o único que realmente importa é o divino, e Deus não depende de ler suas palavras para conhecer seu pensamento.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Esquizofrenia ideológica

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 24 de março de 2016.

No Brasil de hoje, cada alvorada é o prenúncio de algum novo escândalo do governo. Um novo indiciamento aqui, uma nova prisão ali, e vai ficando cada vez mais difícil encontrar alguém ligado ao PT que não esteja envolvido em algum tipo de crime. São dias terríveis para os militantes petistas e para os defensores do partido; se já era difícil justificar sua ideologia retrógrada e tacanha numa situação mais “normal”, diante de tantas quebras de recordes de corrupção a única opção tem sido abrir mão de todo raciocínio lógico e passar a acreditar em mentiras que confortam o coração e permitem uma noite de sono sem culpa.

scalesPara momentos desesperadores, medidas desesperadas. Vale até abrir mão do relativismo moral, um conceito odioso que fundamenta muitos dos absurdos defendidos pela esquerda moderna, para tentar minimizar os crimes do governo atual. O discurso que tem sido usado nas redes sociais por aqueles que ainda insistem em ficar ao lado do PT é o de que ninguém tem moral para condenar os petistas, porque todos são desonestos. É mais ou menos assim: se você colou numa prova na quinta série, é tão corrupto quanto o ex-presidente que recebeu milhões de dólares em esquemas criminosos com empreiteiras; se furou a fila do cinema, é tão desprezível quanto a presidente que demorou mais de uma semana para visitar as vítimas de Mariana, mas que correu para estar com um criminoso.

Assim, aqueles que sempre disseram que “não existe o certo e o errado” e que “a moral é relativa e cada um tem a sua” repentinamente apelam para a mais absoluta das morais, e invocam um ensinamento bíblico, o de que todos pecaram e não há um justo sequer neste mundo. É claro que este comportamento é seletivo, pois em qualquer outra situação em que os crimes dessa patota não estivessem expostos e escancarados ao público seus defensores voltariam a exaltar suas “virtudes” e a condenar os seus opositores. Mas, como a coisa ficou feia e já não há mais como esconder a sujeira debaixo do tapete, melhor mesmo é dizer que todo mundo é farinha do mesmo saco.

Ocorre que nosso sistema de leis é baseado na proporcionalidade dos atos. É fato que todos cometemos erros e deslizes, mas também é fato que a grande maioria das pessoas não sai por aí cometendo assassinatos, roubos a bancos, estupros ou chacinas, e muito menos assaltando os cofres públicos e montando esquemas bilionários de corrupção e compra de parlamentares. É por isso que as penalidades variam de crime para crime, e o menino que colou na prova não vai parar na cadeia junto com o sujeito que matou o amante da esposa. As consequências devem necessariamente ser proporcionais à gravidade dos atos. Esta é uma lei natural.

Apesar desta nova modalidade em voga atualmente, rebaixar todas as pessoas a um mesmo patamar é algo da essência de toda doutrina de esquerda. O socialismo e o comunismo são basicamente isso: a igualdade do pior. A igualdade da pobreza, da mediocridade e da ignorância sempre pautaram a realidade material de todos os regimes de esquerda. Transportar essa igualdade para o domínio moral é, portanto, apenas um detalhe para o pensamento predominante no partido governista e em seus apoiadores. Assim, não é de espantar que esse tipo de discurso tenha surgido agora, diante de uma situação não explicável através da realidade e da verdade. A mentira é como uma bola de neve, que nunca se perpetua sem aumentar de tamanho.

Quando cada um de nós, cidadãos de bem, comete um pequeno erro como passar um sinal vermelho, colar numa prova, aceitar um troco errado ou sonegar um imposto, a consequência vem na forma de uma abordagem policial, uma reprimenda da diretora, uma consciência pesada ou uma multa. As penalidades ajudam a reprimir atos falhos futuros e a construir nosso caráter. Quando Dilma, Lula e seus companheiros assaltam o país, vencem eleições com o uso de dinheiro ilícito e cometem toda sorte de crimes, não se espera outra consequência que… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

A corrente do mal

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 4 de fevereiro de 2016.

Tempos atrás compareci a uma sessão da câmara municipal da cidade onde moro, na Flórida. Num determinado momento foi dada a palavra à dona de um restaurante local, e ela pôde falar a todos os representantes de distrito e aos cidadãos presentes sobre uma ação beneficente que estava para acontecer em seu estabelecimento. O objetivo: reverter toda a renda de dois dias de operação para ajudar a pagar o tratamento de câncer de uma jovem policial da cidade. A dona do restaurante conhece pessoalmente a policial e, compadecida com sua situação, resolveu agir para ajudá-la. Recebeu naquela noite o apoio de toda a comunidade.

Não longe desse restaurante, talvez a uns 5 minutos de carro, funciona uma clínica médica para pessoas carentes. São cerca de 20 médicos que trabalham gratuitamente, cada um deles doando duas horas semanais de trabalho para atender quem não pode pagar uma clínica particular ou não tem plano de saúde. A triagem é feita no próprio local, e a prioridade são os pacientes da região. A clínica não tem nenhum subsídio ou ajuda governamental, e todas as suas despesas administrativas são pagas com as doações dos médicos e de filantropos locais.

O que eu acabei de descrever são exemplos de altruísmo aplicado localmente. Ajudar quem está necessitado é muito mais fácil e eficaz quando essa pessoa faz parte da sua vida de alguma maneira. Quando a comunidade se mobiliza para ajudar um dos seus, a própria comunidade se fortalece, e o auxílio chega ao necessitado sem agentes intermediadores. Além disso, quem doa pode acompanhar os resultados de sua ação, pois o beneficiário está por perto. Este, por sua vez, tem a quem agradecer, e sente-se amparado em seu momento de dificuldade; dificilmente se negará a ajudar alguém no futuro, quando estiver em condições para isso. É o conhecido efeito “corrente do bem”.

Uma sociedade que não preza pelo altruísmo e não o pratica cairá, necessariamente, nas mãos do assistencialismo governamental. Como disse o próprio Jesus Cristo, “os pobres, sempre os tereis convosco”. Sempre haverá pessoas necessitadas, gente que num determinado momento da vida se deparou com condições e circunstâncias pesadas demais para suas forças; o braço amigo pode vir do vizinho ou do governo. A diferença é que o vizinho o fará por compaixão; o governo, por votos.

Eu adoraria incluir um exemplo de altruísmo exercido localmente no Brasil. Na verdade, eu encontrei um belo exemplo para citar: o médico veterinário Ricardo Fehr Camargo, de São Carlos (SP), atendia gratuitamente até 30 animais por sábado, todos de pessoas que não podiam arcar com o pagamento. Ricardo e sua esposa faziam a triagem dos casos durante a semana, selecionando os mais críticos para atendimento prioritário. A recompensa de Ricardo: ser processado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária por atividade ilegal, com a possibilidade de perder seu registro profissional. A justificativa do CRMV: Ricardo não tem uma ONG e não estava realizando um serviço de utilidade pública, de acordo com o regulamento da classe.

O CRMV de São Paulo mostra, com isso, que está bem alinhado à postura tacanha de nossos governantes: o altruísmo não só deve ser substituído pelo assistencialismo interesseiro do governo, mas também deve ser punido e erradicado, até que não reste nem um cidadão sequer disposto a dar um prato de comida a uma pessoa faminta. É a corrente do mal. Com menos gente fazendo caridade localmente, o Estado assume cada vez mais o papel de cuidador, aumentando os impostos para… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Saíram os dados de 2015: produção industrial brasileira tem maior queda da história

crise

Uma matéria do portal G1 de hoje, em destaque como manchete do dia, fala sobre os dados divulgados hoje (2 de fevereiro) pelo IBGE. No ano de 2015 a produção da indústria brasileira caiu espantosos 8,3% – a maior queda já registrada em toda a história. Os setores que mais sofreram com a crise econômica brasileira foram o automotivo – 26% de queda – e o de eletrônicos – 30% de queda. Imagine o que é produzir 30% a menos de um ano para o outro e o número de demissões que isso significa.

A equipe Mudando para a América conversou com o gerente de operações de uma grande marca de roupas brasileira, presente em centenas de shopping centers do país, e ouviu do mesmo que algumas lojas da marca chegaram a faturar 80% a menos do que em 2014, e que o faturamento geral da empresa caiu para o…

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