Uma esperança para a vida

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 17 de novembro de 2016.

O dia 22 de janeiro de 1973 não é lembrado de forma especial por muita gente, mas isso não faz dele um dos mais tristes da história da humanidade. Foi o dia em que a Suprema Corte americana, no julgamento conhecido como “Roe versus Wade”, decidiu que as mulheres teriam o direito de abortar durante os dois primeiros trimestres de gravidez. Bastou uma votação entre nove juízes para selar o destino de milhões de crianças que, nas últimas quatro décadas, foram assassinadas antes mesmo de nascer, privadas do mais básico dos direitos humanos, o de viver.

Não existe guerra na história humana que tenha matado tanta gente quanto o flagelo do aborto. Nos diferentes lugares do mundo onde essa prática cruel é legalizada, sua passagem de crime a direito dá-se geralmente sob as mais descabidas justificativas. Para seus defensores, é uma questão de saúde pública, um direito da mulher sobre seu corpo, um rompimento com o patriarcado opressor, ou todas as alternativas anteriores juntas. O aborto jamais é retratado em sua realidade crua: um procedimento assassino com requintes de crueldade e cuja execução se assemelha a um filme de terror. Pintar essa prática amaldiçoada com cores suaves é essencial para conseguir o apoio do público leigo – quem assiste a uma filmagem de um aborto geralmente não consegue chegar ao final, tamanho é o mal-estar causado pelas imagens fortes e inacreditáveis – à criação de legislações favoráveis ao assunto.

Os políticos de esquerda, seja nos Estados Unidos, no Brasil ou no resto do mundo, defendem o aborto. E costumam fazê-lo com uma naturalidade ímpar, como a agora derrotada Hillary Clinton, que em sua campanha para a presidência prometia aumentar o financiamento público a organizações abortistas como a Planned Parenthood, além de ter se posicionado em diversas oportunidades a favor do aborto sem restrição de período, aquele que pode ser realizado até minutos antes do nascimento do bebê.

A eleição de Donald Trump abriu uma possibilidade nova e revigorante para quem luta contra o aborto. Uma de suas primeiras tarefas como presidente será apontar um juiz para substituir Antonin Scalia, falecido em fevereiro deste ano. Na ocasião, a liderança do Senado americano – a casa tem maioria republicana desde 2014 – rapidamente se pronunciou contra a indicação de um novo juiz pelo presidente Obama, que certamente apontaria alguém com posicionamento à esquerda e, por conseguinte, a favor do aborto. Quando perguntado sobre quem indicará, Trump disse que escolherá alguém com o mesmo perfil ideológico de Scalia e que defenda a Segunda Emenda, aquela que institui o direito à legítima defesa e ao armamento dos cidadãos. Além disso, Trump poderá indicar outros juízes em seus quatro ou oito anos como presidente. Dos juízes da composição atual, a mais velha é Ruth Bader Ginsburg, com 83 anos. Ela e Stephen G. Breyer (78 anos) foram indicados por Bill Clinton, e costumam votar como a esquerda gosta. No evento possível da aposentadoria ou morte de um ou ambos, Trump poderia levar a corte a uma composição majoritariamente conservadora, ou seja, uma que teria a disposição de reverter a decisão de Roe versus Wade.

Apesar de este cenário possuir diversos condicionais, cresce a esperança entre os defensores da vida de que a maior potência do mundo encerre o ciclo macabro dos abortos protegidos, financiados e incentivados pelo Estado – Trump declarou mais de uma vez que cortará o financiamento da Planned Parenthood e impedirá que o dinheiro arrecadado em forma de impostos seja usado para o pagamento de qualquer tipo de aborto. Caso se confirme, essa será uma vitória de proporções bíblicas. Literalmente.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Minha família, minha vida

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 18 de fevereiro de 2016.

A busca por sucesso é uma coisa brutal na vida da gente. O materialismo em que vivemos faz qualquer conquista ser ofuscada pela conquista maior do cara ao lado. Perdi a conta das vezes em que me sentei para analisar meu “nível de sucesso” e me peguei lamentando porque não consegui chegar tão longe como alguns amigos de faculdade, me sentindo um fracasso. E não estou falando aqui daquele sentimento horroroso de autopiedade; estou falando de um sentimento real (embora seu fundamento seja um tanto fantasioso) que vem da comparação unilateral de alguém com seus pares. Quando conquistar coisas se torna um objetivo primário de vida, basta uma decisão equivocada para que você passe o resto de seus dias com um espinho enfiado no pé, o arrependimento amargo do “se eu tivesse feito diferente”.

Uma outra consequência deste frenesi por sucesso material é o que eu chamo de egoísmo estéril. Quem coloca o eu acima de tudo certamente não tem espaço para os outros em sua vida, e os relacionamentos acabam subordinados às necessidades e exigências da vida profissional, tornando-se improdutivos e inférteis. Não é incomum que pessoas com essa inclinação acabem atrasando casamento e filhos ao máximo. Meu caso foi um híbrido: casei-me cedo, mas adiamos os filhos por 11 anos. Adiamos tanto que não os tivemos – o casamento terminou antes. Na verdade, tinha tomado a decisão de não ter filhos, e mesmo quando conheci minha atual esposa, já com 36 anos, ainda insistia que não os queria, o que só favoreceu nossa união, pois ela não queria nem ouvir falar de bebês. Mas, por razões que hoje me parecem muito mais espirituais do que intelectuais, decidimos fabricar um molequinho aqui nos Estados Unidos, e tudo aconteceu muito rapidamente: com apenas um mês tentando a Alê engravidou, e oito meses atrás nosso pequenininho nasceu.

filhosHoje, olhando para trás, para o que já vivi, me sinto na obrigação de usar este espaço nobre que tenho para dar um conselho a cada um dos jovens ambiciosos que acompanham esta coluna: não espere até os 40, como eu, para ter filhos. Sei que você acha que tem de esperar o momento certo, que filho deve ser algo planejado e feito quando as condições são ótimas, que antes do filho vem sua faculdade, sua pós, suas primeiras promoções e a compra do seu apartamento, e que somente com o alinhamento dos planetas e a saída do PT do poder você deve começar a pensar neles. Esqueça isso. Quem espera as condições mais do que ideais para ter um filho acaba tendo somente um cachorro ou um gato, e olhe lá. Quem me dera poder ter sido pai antes dos 39. Hoje, olhando para meu filhinho, penso no homem que serei quando ele tiver seus 30 – estarei quase nos 70. Se ele fizer como eu, pouco viverei com meus netos.

Ter filhos é algo que muda sua vida muito mais do que você pensa. E não pense que muda para pior, de modo algum. É algo que te dá equilíbrio, que faz um contrapeso ao seu egoísmo e egocentrismo; é uma alegria sem igual, e uma realização ímpar. Se alguém chegar e falar tudo isso sobre qualquer outra coisa, é bem capaz de que a coisa vire moda – como depois que o movimento de liberação sexual ganhou espaço e muita gente resolveu dar vazão às próprias taras com o alívio da aceitação pública –, mas quando o assunto é família e filhos, não há conselho, testemunho ou declaração que reverta a péssima tendência de baixa de natalidade e alta nos divórcios.

O Ocidente está morrendo por causa disso. Substituir famílias saudáveis por uma cultura de satisfação sexual desenfreada e estéril está entre as piores decisões que poderíamos ter tomado. A Europa, por exemplo, parece não perceber que sua taxa de natalidade seis vezes menor que a dos imigrantes muçulmanos causará uma mudança radical de perfil populacional em menos de 20 anos. Franceses, espanhóis, alemães e suecos, entre outros, serão minoria em seus próprios países; sua cultura será enterrada.

Não é surpresa que a esterilidade da alma tenha se traduzido em esterilidade física. Quanto mais pensamos em nós mesmos, em nos satisfazer, em alcançar a felicidade e o sucesso, em ser mais, em ter mais, menos nos lembramos de todos ao nosso redor. Prazer, prazer e mais prazer, e nada de sacrifícios ou de enfrentar dificuldades por alguém que não seja eu mesmo: esse lema é nossa ruína. A crise que passamos é de proporções bíblicas, daquelas em que um profeta chegava e dizia “Arrependei-vos, ou a fúria de Deus cairá sobre vós”. A fúria de Deus, em nosso caso, é tão somente o conjunto de resultados de décadas de afastamento da moral judaico-cristã, do caminhar firme em direção à autossatisfação, da busca incessante pelo prazer a todo custo e pela animalização do ser humano. Não deixa de ser irônico que aqueles defendendo que sejamos mais “animais”, que cedamos aos nossos instintos, esqueçam-se de que o mais “animal” dos instintos é o da procriação, o de gerar filhos.

Enfim, o assunto é suficiente para um livro inteiro, e eu já excedi o espaço da coluna. A vida é muito mais bonita e com significado com filhos. Sem sentimentalismo, sem chororô, é a mais pura verdade. Minha família, minha vida.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

A mágica do Natal

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 24 de dezembro de 2015.

Nossa natureza humana e o hedonismo tão presente em nosso tempo podem nos levar a acreditar que ter prazer é o grande propósito da vida. E costumamos transportar essa necessidade a tudo o que fazemos, inclusive a datas comemorativas como o Natal: alegria, presentes, celebração e otimismo são a tônica das festas de fim de ano.

Mas 2015 não termina com muitas razões para ser celebrado. É claro que cada um de nós tem suas conquistas no âmbito pessoal – alguns se casaram, outros tiveram filhos e outros mais se graduaram –, mas, no geral, o Brasil não tem sido motivo de esperança para ninguém. A sequência de acontecimentos e fatos ruins é grande demais para um período tão pequeno. Se alguém se dispuser a fazer um levantamento de tudo o que foi publicado na mídia relativo a escândalos de corrupção, piora da economia, desemprego e violência, só para citar quatro pontos, verá que a quantidade de material é mais que suficiente para encher uma década inteira, quanto mais um ano.

Sim, 2015 cansou. Cansou tanto que quebrou até essa necessidade de prazer, e deixou o Natal desprovido de qualquer sentido terreno. Vimos, durante o ano todo, o pior que se pode esperar da humanidade: mentiras, falcatruas, conchavos, subornos, desrespeito, ódio, incompetência, desonestidade, insensatez, egoísmo, torpeza, falsidade, crueldade; e tudo bem debaixo de nossos narizes.

natal-presepio_74847No meio de tudo isso o verdadeiro Natal se destaca sobremaneira. A entrega de um Deus perfeito em prol de uma humanidade imperfeita ganha ainda mais brilho num lugar tão marcado pela imperfeição como o nosso país. Se é verdade que buscamos o divino quase que exclusivamente nos momentos de adversidade, a mensagem natalina vem em boa hora. Despidos de motivos gerais de celebração, comemoremos o Natal pelo que ele realmente é: o surgimento da única esperança real de redenção do homem. É hora de lembrar do que aconteceu de melhor na história do mundo.

É claro que, no dia 26, Dilma continuará presidente, o PT continuará no poder, o PSDB continuará fingindo ser oposição, a honestidade continuará em baixa, o país continuará falido, a inflação continuará crescendo, a violência continuará a aumentar, as escolas continuarão a formar analfabetos e os hospitais públicos continuarão com gente nos corredores. Nem a mágica mais fantasiosa já imaginada pelo homem seria suficiente para consertar o Brasil num piscar de olhos. Mas a mágica do Natal é real e muito mais simples e efetiva. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Que a misericórdia divina, materializada no primeiro Natal, esteja sobre o povo brasileiro.

Aproveito para desejar a todos os meus leitores um ótimo e abençoado Natal. Nos vemos aqui antes da virada do ano.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Aperta o botão, por favor

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 10 de dezembro de 2015.

Tenho visto diversos de meus amigos e conhecidos em estado de desânimo, decepcionados com quase tudo à sua volta: a política brasileira, as instituições, a doutrinação nas escolas em que seus filhos estudam – inclusive as particulares –, a crise econômica, a queda de padrão de vida, a violência, o desemprego, a crise moral, a pobreza intelectual da nação, a destruição da alta cultura e muitas outras coisas realmente lamentáveis. E não são apenas os que vivem no Brasil; muitos, como eu, moram nos Estados Unidos e acompanham de perto os absurdos que Barack Obama e sua turminha fazem por aqui, e acabam sofrendo pelos dois países ao mesmo tempo.

bomba-atomicaBem, eu já estive nessa mesma situação, já me senti desanimado ao extremo e com a vontade de jogar a toalha. São momentos em que você quer apagar da memória tudo o que sabe sobre o mundo como ele é e voltar para uma vida de ignorância; ou então bate o desejo de que alguém aperte o botão errado, lance um míssil nuclear de longo alcance e acabe de vez com o mundo. Quem nunca desejou o fim num momento de agonia que atire a primeira pedra.

Mas, pelo menos para mim, a esperança ainda é maior que o medo e o desgosto. Meu ponto de inflexão foi o nascimento de meu filho. É incrível como uma criança pode trazer uma nova perspectiva a um homem, e o Benjamin veio para me resgatar do fatalismo. Quando você tem uma família nuclear só sua, a qual tem de sustentar e defender, as lutas do mundo ficam em segundo plano e, com a medida certa de otimismo, é possível enxergar uma realidade muito mais agradável e desfrutar plenamente os momentos que realmente importam.

O governo é corrupto? O STF está aparelhado? Dilma é a pior presidente que já ocupou o Planalto? O Brasil caminha cada vez mais para o buraco econômico? Sim, sim, sim e sim. Mas nenhuma dessas realidades, e nem mesmo outras piores, devem nos tirar o desejo de buscar a felicidade, a capacidade de fazer planos e o hábito de cultivar as coisas altas da alma. Viktor Frankl, psiquiatra austríaco de origem judaica, pôde estudar de perto – e sofrer na própria pele – uma das maiores tragédias da história humana, o Holocausto, e dela tirar sua grande contribuição para a escola vienense de psicoterapia e para o mundo: a análise existencial e as terríveis implicações da falta de sentido para a vida. Frankl observou que, mesmo com as condições cruéis e desumanas impostas aos prisioneiros dos campos de concentração nazistas, algumas pessoas conseguiam manter a sanidade e a esperança, e outras simplesmente sucumbiam às circunstâncias. A diferença entre elas era a motivação de vida das primeiras, aquela posse interior de algo maior pelo que vale a pena viver.

A cada um de meus queridos amigos, colegas, conhecidos e leitores desta coluna, deixo uma mensagem de otimismo: não permita que as circunstâncias desanimadoras ao seu redor, incluindo toda a podridão e sujeira que a mídia expõe e denuncia diariamente, lhe tirem a alegria. O que vou dizer pode soar um tanto piegas e sentimentalista, mas a hora é de focar na família, nos princípios, na manutenção do caráter, na construção do intelecto e no cultivo da fé. Você será, com certeza, uma pessoa mais bem preparada para enfrentar essa lama toda se estiver com a mente e o coração funcionando bem. E são pessoas assim que fazem toda a diferença no mundo.

Termino com uma citação do próprio Frankl:

“Entre um estímulo e uma resposta há um espaço. Nesse espaço está o nosso poder de escolher a nossa resposta. Em nossa resposta está nosso crescimento e nossa liberdade.”

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Família é tudo

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 19 de novembro de 2015.

Uma das metas principais dos movimentos e doutrinas de esquerda é acabar com a família – aquela em que um homem se casa com uma mulher e os dois têm um ou mais filhos – através das mais diversas intervenções de engenharia social. Essas intervenções são feitas sempre sob a justificativa da “modernização”, e incluem o feminismo, a revolução sexual, a banalização do divórcio e o gayzismo. O método de abordagem é sempre o mesmo: em nome de uma suposta luta por justiça, todos os paradigmas são quebrados e rompe-se de forma irreconciliável com a tradição histórica; esses rompimentos são cada vez mais constantes, para tradições cada vez menos sedimentadas.

familia-12No feminismo, a suposta luta inicial era contra os abusos de uma sociedade patriarcal, em que as mulheres eram supostamente infelizes e levavam uma vida supostamente sem sentido. Quando digo “supostamente”, é porque nenhuma fundamentação filosófica do feminismo tomou como base a observação da realidade – não há uma pensadora feminista sequer que tenha conseguido demonstrar que a maioria das mulheres vivia infeliz, embora muitas tenham tentado enganar o mundo com pesquisas forjadas, dados manipulados e uma prática comum de tentar explicar suas frustrações particulares com teorias generalistas.

De maneira semelhante veio a revolução sexual. A base desta foi o Relatório Kinsey, um dos trabalhos mais fraudulentos e mentirosos já feitos na história da ciência. Kinsey, um homem extremamente depravado, adepto de práticas que ainda hoje são consideradas absurdas, queria provar que a maioria das pessoas era como ele, e que a liberação sexual completa era a única maneira de livrá-las de uma existência frustrada e desprovida de satisfação. Mesmo tendo seu trabalho posteriormente desmascarado, fez um estrago enorme na sociedade ocidental, elevando a importância da sexualidade na vida humana a um nível tal que nos fez parecer animais irracionais, que simplesmente não conseguem refrear seus desejos com o intelecto.

A banalização do divórcio foi, por assim dizer, um golpe de misericórdia na família. Com o feminismo posto em prática e a revolução sexual em pleno andamento, faltava uma maneira fácil de se acabar com o casamento civil, algo que não exigisse o trabalho de se provar a infidelidade ou a violência do cônjuge. Um a um, os países foram reformando suas leis e passando a permitir o divórcio de maneiras cada vez mais fáceis – casem-se quando, como e quantas vezes quiserem; vivemos para ser felizes e não é um marido ou uma esposa que vão acabar com isso: esta é a mensagem do casamento moderno e do mundo moderno, onde esforço, luta e resiliência são palavras sem conexão com a vida real.

Por último, veio o movimento gayzista, que prega a vida homossexual como a vanguarda do desenvolvimento humano, e o faz contrariando nove em cada dez homossexuais, que querem somente viver em paz e sem ninguém para julgá-los, sem a menor intenção de impor sua sexualidade sobre o restante do mundo.

Mas voltemos à família. A intenção inicial deste texto era simplesmente exaltar essa instituição fantástica que sustenta a presença humana neste planeta. Até recentemente eu não tinha formado minha nova família nuclear; estava casado, mas sem filhos. Com o nascimento de meu primogênito, pude finalmente entender plenamente o que é ter família. E, ao entender isso, me entristeci ainda mais com um mundo que parece buscar somente o pior, que mata bebês sem remorso, que despreza o laço matrimonial e que considera o homem apenas mais um animal selvagem vagando sobre a terra. Ainda bem que nesses momentos tenho a minha família. Eles são um pequeno paraíso ao meu redor.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.