Um voyeur na presidência

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 9 de março de 2017.

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Algum tempo atrás, escrevi nesta mesma coluna que Barack Obama entraria para a história como um dos piores presidentes americanos. Ele ainda ocupava o cargo, e grande parte de suas sujeiras permanecia oculta debaixo dos tapetes da Casa Branca. Ao contrário dos criminosos petistas, que se lambuzam em suas empreitadas ilegais a ponto de serem retirados de cena quando ainda no poder, Obama escondeu seus crimes até o último dia de mandato.

Na última semana, aqui nos Estados Unidos, o assunto que vinha dominando as pautas da imprensa era a acusação do presidente Donald Trump de que Barack Obama tinha plantado escutas telefônicas em sua mais conhecida propriedade em Nova York, a Trump Tower. Como de praxe, quatro quintos da grande imprensa americana – CNN, MSNBC, ABC, NBC e outros – apressaram-se em encontrar pessoas ligadas ao governo anterior que negassem a acusação. Felizmente, essas negativas foram contestadas com veemência nas redes sociais, onde histórias como a de James Rosen, o repórter da Fox News que teve seus telefonemas ilegalmente grampeados durante a administração passada, ressurgiram com força, mostrando que o ex-presidente tem um passado que o condena.

No entanto, poucos esperavam que a verdade sobre o voyeurismo de Obama surgisse tão rapidamente. Na última terça-feira, o WikiLeaks, de Julian Assange, divulgou mais de 8 mil páginas de documentos confidenciais da CIA (chamados pelo próprio WikiLeaks de Vault 7), e o conteúdo é digno de uma ficção distópica. Os documentos mostram com clareza que a agência estava trabalhando diligentemente em projetos de espionagem baseados na tomada de controle de dispositivos pessoais ligados à internet. Em outras palavras, a CIA estava desenvolvendo diferentes versões de malware (malicious software – programas feitos para invadir sistemas alheios de forma ilícita e com propósitos danosos) para controlar o celular, o tablet, a smarTV e até mesmo o computador de bordo de seus “alvos”. Isso significa que, munida desses programas, a agência de inteligência americana teria (ou, numa hipótese assustadora, porém factível, já tem) acesso livre a conversas e imagens de qualquer pessoa conectada à internet através de um desses dispositivos. No caso de televisores Samsung, os documentos chegam a falar sobre um modo de “falso desligado”, onde a televisão parece estar desligada, mas continua transmitindo todo o áudio de seu redor para quem a estiver controlando remotamente. Como eu disse, coisa de filme.

Tão ruim ou pior que espionar as pessoas e jogar no lixo o direito dos cidadãos à privacidade é a possibilidade de invadir sistemas veiculares. Isso abre uma grande suspeita de que a agência tenha em seus planos a realização de assassinatos seletivos e praticamente indetectáveis por meio de uma investigação policial tradicional. Já há, inclusive, teorias da conspiração tentando ligar o conteúdo do Vault 7 à estranha morte do jornalista Michael Hastings, decorrente de um acidente automobilístico difícil de se explicar. A época da morte de Hastings coincide com o período de testes dos tais malwares, e há indícios de que ele estava sendo investigado por uma das agências de inteligência, deixando a coisa toda bastante malcheirosa.

Nas redes sociais, um novo termo surgiu para designar o Estado sob o governo Obama: Deep State. O nome é uma alusão ao termo Deep Web, denominação dada àquela… (para ler o restante deste artigo, clique aqui)

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

2 comentários sobre “Um voyeur na presidência

  1. QUERIDO AMIGO, EU ESTAVA TRISTE POR NÃO ESTAR MAIS RECCEBENDO TEUS COMENTÁRIOS. FICO POR DEN TRO DO QUE ANDA ACONTECENDO COM OS TEUS COMENTÁRIOS, JÁ QUE A MAIORIA NÃO TEM MEU CRÉDITO. GRATA E UM ABRAÇO GRANDE DA EDNA.

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