PT – Partido em exTinção

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 6 de outubro de 2016.

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As eleições de domingo passado mostraram que o povo brasileiro, no fim das contas, está atento ao que acontece no cenário político nacional. Em um ano no qual tivemos a votação do impeachment de Dilma Rousseff e a saída do PT do comando da nação, eleitores de todo o Brasil deixaram claro que não querem mais esse pessoal em nenhuma esfera governamental. Uma passada rápida pelos resultados é mais que suficiente para entender o que estou dizendo.

Nas 26 capitais, a situação foi de quase eliminação completa dos candidatos petistas. Marcos Alexandre foi o único eleito já em primeiro turno (reeleito, na verdade), em Rio Branco, no Acre. O outro petista que restou foi João Paulo, que vai para o segundo turno em Recife com uma votação inexpressiva de 23,76% dos votos válidos. As demais 24 capitais são oficialmente PT-free.

Quando a abordagem é por maiores cidades do Brasil, outra lavada. De acordo com os dados do Censo IBGE de 2013, há 39 municípios com mais de 500 mil habitantes no Brasil – apenas 20 deles são capitais. O PT não levou nenhum de primeira; vai ao segundo turno em Recife, caso já mencionado acima, e em mais duas cidades: Santo André (SP) e Juiz de Fora (MG). Em Santo André, Carlos Grana tentava a reeleição e ficou em segundo lugar, com 20,3% dos votos, contra 35,9% de Paulinho Serra, do PSDB. Em Juiz de Fora, Margarida Salomão liderava as pesquisas, mas acabou ficando em segundo lugar, com 22,38% dos votos – muito atrás dos 39,07% de Bruno Siqueira, do PMDB. Não parece que nenhum dos dois tenha muitas chances de eleição.

Se olharmos para o ABC paulista, reduto histórico do partido e quartel-general de Lula, mais uma derrota significativa. O PT vai ao segundo turno somente em Santo André, como foi dito acima. São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema não quiseram nenhum petista na prefeitura. E, para coroar o desempenho pífio, o filho de Lula, que concorria a uma vaga de vereador em São Bernardo, teve apenas 1.504 votos – foi apenas o 58.º mais votado.

Por último, vale a pena dar uma olhada nos deputados federais que votaram contra o impeachment de Dilma Rousseff e se candidataram a alguma prefeitura neste pleito. Foram 25 casos, dos quais apenas dois venceram em primeiro turno, e somente três vão disputar o segundo turno. Nem todos são do PT, mas todos faziam parte do bloco governista que tentou salvar Dilma a todo custo.

Escorraçado das capitais e das grandes cidades brasileiras (no jargão petista, aquelas com maior potencial de roubo), o PT sai desta eleição, independentemente dos resultados do segundo turno, como um partido em processo de extinção. Algo certamente extraordinário se nos lembrarmos do cenário político de apenas seis anos atrás. Foi em 2010, durante um comício de Dilma Rousseff, que Lula defendeu que o DEM fosse extirpado da política brasileira. O DEM, que vinha perdendo prefeituras vertiginosamente – eram 1.028 prefeituras em 2000, depois 790 em 2004 (quando a sigla ainda era PFL), 496 em 2008 e 278 em 2012 –, conseguiu garantir 265 prefeituras no primeiro turno deste ano, e pode ganhar mais três depois do segundo turno. O PT de Lula foi menor que o “extirpável” DEM: apenas 256 prefeituras. Mesmo que ganhe as sete disputas de que participará no segundo turno, não chegaria a 265.

Quem é que parece mais perto de ser extirpado agora?

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

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