O problema é não saber qual é o problema

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 21 de julho de 2016.

Neste exato momento, algum amigo ou conhecido seu (ou talvez até mesmo você) está tentando justificar para si mesmo ou para alguém de seu círculo social – seja pessoalmente, num grupo de WhatsApp ou numa discussão de Facebook – que um dos grandes problemas do mundo de hoje não é o islamismo fundamentalista. Essas pessoas, em sua maioria bem intencionadas, acreditam que a onda de atentados terroristas recentes é culpa de um comportamento independente da religião – o radicalismo – e que os muçulmanos são, em sua vasta maioria, pessoas tolerantes e pacíficas.

Sentadas em suas casas ou em seus trabalhos, onde homens e mulheres, gays e héteros, católicos e protestantes, teístas e ateus trabalham juntos, almoçam juntos e ocupam posições subalternas e de chefia independentemente de seu sexo ou religião, elas tentam adequar suas ideias à doença do politicamente correto. Para não correrem o risco de serem tachadas de preconceituosas, invocam um discurso de tolerância totalmente descolado da realidade e tentam de todas as formas esconder aquilo de que têm mais medo: a verdade. E a verdade é simples: o islamismo fundamentalista não respeita nenhuma das liberdades tão duramente conquistadas pelas nações ocidentais cristãs; não só não as respeita, como as condena e pretende aboli-las em todos os lugares onde for a força política dominante.

Há aproximadamente 1,6 bilhão de muçulmanos no mundo hoje, e eles são maioria em cerca de 50 países. Nem todos os muçulmanos são radicais e fundamentalistas, mas uma porcentagem deles é. Que porcentagem é essa? Dados de uma pesquisa extensa da Pew Research, feita em 29 países de maioria islâmica – Indonésia, Egito, Paquistão, Bangladesh, Tunísia, Irã, Turquia, Iraque, Jordânia e outros –, mostram que, em média, mais da metade dos muçulmanos apoiam uma ou mais das seguintes afirmações: “a sharia deve ser implementada como lei universal em todos os países muçulmanos”; “tenho sentimentos positivos ou neutros em relação a grupos terroristas islâmicos”; “ataques com bombas a civis desarmados são justificáveis sob certas circunstâncias”; e “mortes de mulheres por questões de honra são justificáveis em alguns casos”. Mesmo nos países ocidentais, a coisa não é muito diferente: 42% dos muçulmanos franceses de 18 a 29 anos de idade acham que ataques suicidas com bombas podem ser justificáveis em certos casos.

É muito preocupante que a maioria dos adeptos de uma das maiores religiões do mundo pense assim. Essa maioria, que significa mais de 800 milhões de pessoas, acha normal que alguém morra por ter falado mal do profeta, acha justo apedrejar uma mulher por adultério e acha justificável decapitar inocentes só porque eles professam uma outra fé, entre outras brutalidades pré-históricas. É bastante razoável dizer que essas pessoas são radicais e fundamentalistas, pois não é preciso sair se explodindo por aí para ser isso. Aqueles que matam são apenas o braço operacional de uma estrutura vasta que envolve financiamento por governos e indivíduos simpatizantes, abrigo de criminosos, apoio tácito e um silêncio sepulcral diante de tragédias chocantes.

A liberdade do mundo está em jogo, e as pessoas estão brincando de “quem é mais bonzinho e menos preconceituoso”. Uma mistura de medo, ignorância e covardia tem levado milhões, no mundo todo, a acreditar em jornalistas, políticos e estrelas de Hollywood engajados na promoção de uma mentira, a de que a maioria dos muçulmanos do mundo busca somente a paz (de acordo com Barack Obama, 99,9% deles estão nessa categoria). Perdeu-se todo o cuidado com as liberdades conquistadas no mundo ocidental, como se elas fossem garantias universais que podem sobreviver sem o substrato da cultura judaico-cristã.

E o pior é que essa atitude politicamente correta só tem prejudicado os que realmente buscam a paz. Raheel Raza, muçulmana que tem dedicado a vida para a construção de pontes entre o islamismo e o ocidente, diz que a melhor coisa que os não muçulmanos podem fazer para ajudar os muçulmanos da paz é começar a tratar o problema pelo que ele realmente é: o islamismo fundamentalista é um câncer gigantesco que não para de crescer e que persegue e condena até mesmo gente como Raheel por causa de sua posição moderada e equilibrada. A continuar assim, o mundo poderá entrar em um período de trevas e retrocesso. Seja com bombas, facas, fuzis ou caminhões, a intolerância vencerá sob os aplausos de suas vítimas.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Um comentário sobre “O problema é não saber qual é o problema

  1. SINCERAMENTE, EU ANDO APAVORADA COM TAL CRESCIMENTO. NÃO CREIO QUE DENTRE ELES EXISTA ALGUÉM BEM INTECIONADADO. ESSA PONTE DA QUAL FALAS, SERÁ UMA AMEAÇA PARA O OCIDENTE, PRINCIPALMENTE PARA OS CRISTÃOS.DEUS HÁ DE SOCORRER O BRASIL! ELES SÃO FANÁTICOS PELO ALÁ, QUE NÃO TEM NADA A VER COM NOSSO DEUS. ABS DA EDNA

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