Nós somos os ratos

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 17 de março de 2016.

Laboratory rat
O brasileiro

Está confirmado, demonstrado e sacramentado: o Brasil é um grande laboratório e as cobaias somos nós. Vivemos debaixo de um experimento social macabro – no qual fomos colocados por nós mesmos através do sufrágio universal – em que somos testados dia após dia, em que nossos limites são avaliados e distendidos, em que nossa tolerância é provada com doses pequenas, mas crescentes, do veneno político.

Se um dia esse experimento tiver fim, é bem possível que o resultado seja a comprovação de que somos o povo mais covarde e bovino do planeta. O “cientista” da vez, o governo petista, não tem medido esforços para provar essa tese, que o beneficiará por muitas décadas ainda.

Tudo começou no governo Lula, o mentor do maior esquema de compra de poder da história brasileira, conhecido como mensalão. Sim, o mensalão foi mostrado, provado, julgado e condenado, e nenhum de seus principais operadores – todos criminosos condenados – permanece preso. Os meandros da lei, as manobras bandidas dos advogados de defesa e uma suprema corte majoritariamente vassala do Executivo levaram, em conjunto, ao mais absurdo dos resultados: a total e completa impunidade.

Lula não só escapou de ser investigado ou punido; ele ganhou um segundo mandato e depois elegeu sua sucessora, ou seja, ganhou um terceiro e um quarto mandatos (nota: aos que, por algum motivo inexplicável, ainda acham que o PSDB faz bem ao Brasil, lembro que foi Fernando Henrique Cardoso quem colocou panos quentes sobre o mensalão, entregando a eleição de 2006 de bandeja a Lula. Coisa de amigos, é claro).

Com o governo Dilma veio um novo recorde: o maior escândalo de corrupção da história mundial, o petrolão. Era o aumento da dose em nosso experimento. Se os ratinhos brancos aguentaram um mensalão inteiro sem maiores reações, por que não partir para algo inédito, algo marcante e “digno” de ser lembrado por gerações? Dilma Rousseff, seguindo os passos de seu antecessor, passou incólume pelas eleições de 2014 – assumindo, é claro, que o processo não tenha sido fraudado eletronicamenrte – e foi reeleita mesmo diante de todos os indícios de sua participação na grande trapaça que foi a compra da refinaria de Pasadena. Enquanto isso, a maioria dos ratinhos pulava feliz ao receber mais um pedaço de queijo bolorento.

Depois de 12 anos pilhando o país, é claro que chegou o momento da crise econômica. Nem o rei Midas seria capaz de fabricar ouro suficiente para compensar a ladroagem do petismo. O Brasil parou, e até os ratinhos mais bobinhos perceberam que estavam recebendo menos queijo no fim do dia. Será que finalmente fariam um motim no laboratório? Romperiam as gaiolas e partiriam para o ataque ao cientista louco? Afinal, são mais de 200 milhões de ratinhos e apenas alguns milhares de criminosos. Parecia que sim, mas não passava de mais um experimento. No dia 16 de março de 2016 foi aumentada a dose de teste mais uma vez, num nível que até então ninguém imaginava ser possível. Com a ida de Lula – um sujeito agraciado com um pedido de prisão preventiva e investigado por diversos crimes – para um ministério do governo, o Brasil rompeu a barreira que separa as democracias dos regimes totalitários. O golpe será completo se a emenda constitucional de autoria do senador Aloysio Nunes (ex-motorista de assalto e atual amiguinho tucano), que cria uma excrescência chamada semiparlamentarismo, for votada e aprovada nos próximos meses. Lula, que já teve dois mandatos como presidente e um como titereiro-mestre, completaria sua ascendência a ditador com uma possível nomeação a primeiro-ministro não eleito pelo povo. Ele seria o Stalin da Banânia, o Hitler carnavalesco, o Mao da cachaça, o semideus encapetado do agreste, o líder supremo que conduzirá o Brasil à miséria, mas sempre do conforto de um rei.

Enquanto isso, muitos… (clique aqui para acessar o restante do artigo na página do jornal).

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

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