A mágica do Natal

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 24 de dezembro de 2015.

Nossa natureza humana e o hedonismo tão presente em nosso tempo podem nos levar a acreditar que ter prazer é o grande propósito da vida. E costumamos transportar essa necessidade a tudo o que fazemos, inclusive a datas comemorativas como o Natal: alegria, presentes, celebração e otimismo são a tônica das festas de fim de ano.

Mas 2015 não termina com muitas razões para ser celebrado. É claro que cada um de nós tem suas conquistas no âmbito pessoal – alguns se casaram, outros tiveram filhos e outros mais se graduaram –, mas, no geral, o Brasil não tem sido motivo de esperança para ninguém. A sequência de acontecimentos e fatos ruins é grande demais para um período tão pequeno. Se alguém se dispuser a fazer um levantamento de tudo o que foi publicado na mídia relativo a escândalos de corrupção, piora da economia, desemprego e violência, só para citar quatro pontos, verá que a quantidade de material é mais que suficiente para encher uma década inteira, quanto mais um ano.

Sim, 2015 cansou. Cansou tanto que quebrou até essa necessidade de prazer, e deixou o Natal desprovido de qualquer sentido terreno. Vimos, durante o ano todo, o pior que se pode esperar da humanidade: mentiras, falcatruas, conchavos, subornos, desrespeito, ódio, incompetência, desonestidade, insensatez, egoísmo, torpeza, falsidade, crueldade; e tudo bem debaixo de nossos narizes.

natal-presepio_74847No meio de tudo isso o verdadeiro Natal se destaca sobremaneira. A entrega de um Deus perfeito em prol de uma humanidade imperfeita ganha ainda mais brilho num lugar tão marcado pela imperfeição como o nosso país. Se é verdade que buscamos o divino quase que exclusivamente nos momentos de adversidade, a mensagem natalina vem em boa hora. Despidos de motivos gerais de celebração, comemoremos o Natal pelo que ele realmente é: o surgimento da única esperança real de redenção do homem. É hora de lembrar do que aconteceu de melhor na história do mundo.

É claro que, no dia 26, Dilma continuará presidente, o PT continuará no poder, o PSDB continuará fingindo ser oposição, a honestidade continuará em baixa, o país continuará falido, a inflação continuará crescendo, a violência continuará a aumentar, as escolas continuarão a formar analfabetos e os hospitais públicos continuarão com gente nos corredores. Nem a mágica mais fantasiosa já imaginada pelo homem seria suficiente para consertar o Brasil num piscar de olhos. Mas a mágica do Natal é real e muito mais simples e efetiva. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Que a misericórdia divina, materializada no primeiro Natal, esteja sobre o povo brasileiro.

Aproveito para desejar a todos os meus leitores um ótimo e abençoado Natal. Nos vemos aqui antes da virada do ano.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

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