Minha carta à revista Veja

Depois da vergonhosa Carta ao Leitor e da “matéria especial” onde Veja se coloca do lado dos desarmamentistas, tudo com base em informações falsas e mentirosas, enviei esta carta à redação da revista. 

Ao editor de Veja

Um debate público sério se faz com pessoas opinando, escrevendo e falando sobre determinado assunto, de forma verdadeira e fundamentada. Em qualquer país minimamente desenvolvido isso significa diversas obras escritas por quem é contra e um outro tanto por quem é a favor, formando uma bibliografia científica sobre o assunto, que serve de base tanto para a imprensa séria como para a população em geral.

O desarmamento é um tema que nunca foi discutido seriamente. Não há pesquisas e obras escritas com embasamento lógico, estatístico e científico a seu favor, e o motivo é simples: não é possível provar que o desarmamento é bom. As poucas obras que defendem essa ideia liberticida são desonestas, utilizam manipulação estatística e não seriam aprovadas em nenhuma análise de cunho científico, daquelas que são feitas para se atribuir prêmios ou reconhecimento público a qualquer pesquisa séria.

No Brasil, a coisa é muito pior. De um lado há obras bem fundamentadas, algumas traduzidas para a língua portuguesa – como as obras de John Lott e de Joyce Malcolm -, e uma inteiramente nacional e de ampla vendagem da autoria deste que vos escreve, Flavio Quintela, e de Bene Barbosa – Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento. Do outro lado há a imprensa porca e preguiçosa, as ONGs financiadas pelo governo de esquerda e os políticos de esquerda. Todos utilizam a mesma tática desprezível: citar pesquisas inexistentes, utilizar estatísticas manipuladas, citar fontes sem comprovação e abusar das mentiras. É com muita tristeza e decepção que constato a presença de Veja neste grupo. A publicação que eu ainda considerava digna de ser lida finalmente se entrega ao jeito porco e canalha de se fazer jornalismo, ou melhor dizendo, pseudo-jornalismo. A Carta ao Leitor e a “matéria especial” da última edição são vergonhosos em seu conteúdo, e compõem um capítulo lamentável do jornalismo brasileiro.

Não há justificativa para o uso de mentiras numa reportagem. Nem mesmo a atribuição de uma matéria sobre assunto tão importante a um jornalista tão pouco experiente como Kalleo Coura serve de desculpa para um papelão como esse. Além de me ser dolorido constatar essa mudança de posicionamento de Veja, pior ainda é perceber que a revista agora faz o mesmo tipo de jornalismo que eu tanto critiquei em publicações como Carta Capital e Isto É. Isso é uma verdadeira traição a um público fiel e que depositava esperanças na revista. Tivéssemos eu e Bene o poder midiático de Veja para divulgar nosso trabalho e nossas pesquisas bem fundamentadas, e não restaria um cidadão de bem sequer como assinante de Veja, tamanha foi a afronta da revista à verdade.

Com pesar,

Flavio Quintela
flavioquintela.com

3 comentários sobre “Minha carta à revista Veja

  1. Compro Veja todas as semanas na banca, mas hoje não vou comprar em protesto. Sempre fui um divulgador das matérias de Veja junto a amigos e familiares.
    Me senti traido pela revista com esta matéria do jornalista Kalleo Koura. Escrevi para Veja manifestando meu descontentamento com a referida matéria. Tenho notado nos últimos anos, a tendência esquerdista e desarmamentistas dos novos jornalistas. Muitas universidades hoje, são como rainhas no ninho, gerando cupins esquerdistas que transformam papel de qualidade em excrementos.

  2. Parabéns, Flavio. Já percebi há tempos que a VEJA (ou os seus donos) é uma revista mau caráter.

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