Carta aberta ao Pastor Silas Malafaia

Esta carta foi a base de minha fala no vídeo que fiz ao Pastor Silas Malafaia, em virtude de seu vídeo mentiroso sobre o PL3722 e o armamento civil:

Pastor Silas, meu nome é Flavio Quintela. Sou o criador da série de livros Mentiram para Mim, cujo segundo volume, escrito em co-autoria com o querido Bene Barbosa, fala justamente sobre o Desarmamento. Sou cristão, fiz seminário teológico por dois anos, e fui professor de escola bíblica por muito tempo, de modo que minhas convicções de fé e sobre o cristianismo não são baseadas em achismo ou senso comum.

Fiquei estarrecido com seu vídeo e, como não tenho meios para lhe contatar, o faço abertamente pelo meu canal do YouTube. Gostaria de deixar registrado que tentei contato com o senhor antes do lançamento de meu segundo livro, o Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento, e cheguei a enviar um exemplar à sua assistente, por correio. Creio que o senhor jamais o tenha lido, em vista do conteúdo de seu vídeo recente.

Serei breve, e levantarei apenas três pontos sobre seu vídeo:

  1. O senhor mente no vídeo. Mente especificamente sobre o conteúdo do projeto de lei 3722. Não me importa se mente de propósito ou por ignorância sobre o texto do projeto. O fato é que mente, e o pai da mentira, como o senhor mesmo disse muitas vezes em suas pregações, é o diabo. O Bene Barbosa, em vídeo feito ontem e cujo link está na descrição abaixo, destacou os pontos em que o senhor mente, e deixou muito claro qual é a verdade sobre o assunto. Não preciso dizer mais nada depois do que ele disse, e qualquer um que estiver me vendo nesse momento pode acessar o vídeo do Bene, que é curto e objetivo. Não bastasse o caráter repulsivo da mentira por si só, o senhor ainda o faz utilizando das mesmas estratégias que a imprensa de esquerda costuma usar no Brasil, e que por diversas vezes alvejou o seu ministério e sua vida pessoal.
  2. O senhor faz uma crítica totalmente desprovido de autoridade moral para tal. Tendo um privilégio que menos de 0,01% dos brasileiros têm, que é o de andar com seguranças ao seu redor, para tentar evitar ser uma das 60.000 vítimas de assassinato que perecem todos os anos nesta nação em guerra, o senhor jamais poderia advogar contra o direito de defesa do cidadão, e afirmar que somente a polícia deve possuir e portar armas. O senhor se iguala a muitos outros hipócritas do nosso Brasil sofrido e dá vida ao ditado popular “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Nada mais longe do exemplo de Cristo do que isso. Aliás, o próprio apóstolo Paulo deixa clara em suas cartas a preocupação de viver de modo exemplar, e de jamais exigir de alguém algo que ele mesmo não possa realizar. A verdadeira liderança se constrói através de exemplo de vida, e o senhor já deve ter ouvido isso em inúmeros cursos e treinamentos. Pena que não tenha colocado o princípio em prática neste caso.
  3. Por último, quero lhe apontar um erro dos mais graves em seu discurso: o uso do senso comum num assunto onde isso não é cabível. Se tivesse lido meu livro, saberia que mais de 90% dos usos defensivos de armas de fogo não geram disparos, e que uma pessoa de bem que reage armada a um ataque tem o dobro de chances de sobreviver do que uma que não reaja. Saberia também que é a imprensa podre, a mesma que o senhor critica com veemência, que gosta de dizer que armas só servem para matar. Saberia que os países de população mais armada não são, de modo algum, os mais perigosos; muito pelo contrário. Saberia que quanto mais frágil uma pessoa, mais vantagem ela tem de possuir uma arma. Saberia que os ladrões têm mais medo de cidadãos armados do que da polícia. E saberia que em nenhum local onde o porte de armas foi liberado por lei a criminalidade aumentou, mas sempre diminuiu. Em vez de ciência e estatística o senhor opinou “de orelhada”, e fez papel de ignorante. Segurança pública, ainda mais num país com 60.000 mortes violentas por ano, não é lugar para senso comum e chavões esquerdistas.

Fico por aqui, e deixo um apelo para que o senhor se revista da mais bonita característica de um homem de Deus: a humildade. Seja humilde, reveja sua postura, e admita seu erro. A soberba é a pior saída.

Que Deus o guie e o ilumine.

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