Perdeu, PT

Artigo publicado no jornal O Coyote, edição de março/abril de 2015, página 6.

Quando se diz a palavra vida, algumas coisas costumam vir à mente: movimento, dinamismo, mudança constante. Algo que não combina muito com a vida é a estagnação. Temos uma certa repulsa por ela, pois o que está parado, acomodado, imóvel, parece não combinar com a dinâmica que esperamos viver. E é fato que os que se acomodam vão morrendo lentamente, qualquer que seja o foco da acomodação. Se nos acomodamos no emprego, acabamos ficando para trás e, eventualmente, trocados por alguém mais dinâmico. Se nos acomodamos em nosso casamento, as coisas ficam sem graça, o relacionamento vai murchando, e corremos o risco de passar por uma separação ou divórcio. Se nos acomodamos em nosso físico, o corpo vai engordando, ficando lento, os músculos ficam flácidos, e tudo se torna mais difícil.

No âmbito governamental a acomodação também tem resultados muito ruins. Nós mesmos vivemos hoje sob um governo de esquerda porque houve uma acomodação excessiva por parte dos governos militares, que “empurraram com a barriga” a questão do aparelhamento cultural, e uma acomodação sem precedentes da elite intelectual brasileira, que desengajou-se politicamente, deixando caminho livre para que chegássemos à situação de hoje, onde não há sequer um partido de direita disputando eleições no Brasil.

perdeuPTFelizmente, a acomodação não é exclusividade de ninguém. E doze anos no poder foram suficientes para que o PT e seus militantes se acomodassem também. Isso ficou muito claro nos dias 13 e 15 de março de 2015, quando duas manifestações opostas aconteceram em todo o território brasileiro. Diante de uma mobilização sem precedentes nas redes sociais, que chamavam as pessoas descontentes com o governo atual para um grande e pacífico protesto no dia 15, a militância petista tentou se articular rapidamente para produzir um contra-movimento dois dias antes. A tentativa não poderia ter dado mais errado, e ter sido mais ridícula: mesmo dando comida, transporte, roupa, balões e dinheiro para seus “manifestantes”, o total de pessoas presentes em todo o Brasil não chegou a 40 mil. Dois dias depois, 2 milhões de pessoas (mais de 50 vezes o público do dia 13) tomaram as ruas de dezenas de cidades brasileiras para mostrar que o PT não tem mais o monopólio da mobilização popular.

A acomodação da militância petista chegou a tal ponto que transformou-se em arrogância cega: seus manifestantes mercenários saem vestidos de vermelho dos pés à cabeça, com bandeiras e balões também vermelhos, ignorando que nossa pátria jamais adotou essa cor. Estão tão cegados por seu projeto de poder que já não percebem mais o patriotismo do brasileiro: quando vestimos o verde e amarelo ao lado de nossos irmãos de pátria, nosso coração bate mais forte e as esperanças de mudança são renovadas. O vermelho opressor do comunismo só traz incômodo e desespero, e é repudiado por mais de 90 por cento da população. Aliás, é repudiado até mesmo pelos que empunharam as bandeiras da CUT e do PT, já que uma pesquisa feita pelo Datafolha com os “manifestantes” do dia 13 mostraram que a maioria acredita que Dilma Rousseff sabia de tudo o que estava acontecendo na Petrobrás, e apenas um terço deles acha que ela está fazendo um bom governo.

Dilma Rousseff é praticamente uma unanimidade no Brasil de hoje. Seu governo tem destruído o pouco que havíamos construído no início da Nova República, e sua capacidade de mentir não tem mais lastro na ingenuidade do povo. Os poucos apoiadores que ainda restam dividem-se em dois grupos, o dos corruptos, que se beneficiam pessoalmente com o governo, e o dos seguidores irracionais, que se assemelham aos fanáticos religiosos, dispostos a se explodir em troca de benesses no além. A diferença é que os fanáticos religiosos têm coragem; os fanáticos petistas são covardes.

Perdeu, PT.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

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