Babilônia

Já faz mais de 15 anos que eu não vejo um capítulo sequer de novela. Aliás, hoje em dia nem tenho a Globo como opção na minha grade de canais, o que já é um tremendo de um privilégio. Minha opinião pessoal sobre a programação da Globo é a pior possível: acho uma grande merda.

Babilónia-Beijo-Lésbico-798x350Mas, de vez em quando, alguma coisa que eles colocam no ar chega às redes sociais causando polêmica, como é o caso da tal novela Babilônia, cujo nome já deixa bem claras as intenções de seus autores, que não têm nada de nobres e nem têm propósitos comerciais. Explico: Babilônia, no simbolismo bíblico, é o sinônimo do homem sem Deus. Mais do que isso, Babilônia representa o esforço coletivo de humanidade em agir conforme suas próprias paixões e afrontar a figura divina a qualquer custo. Ora, quando se faz uma obra, como eu com meus livros, o momento de criar o título é dos mais importantes, pois o título é o resumo máximo do conteúdo da mesma. Se os autores escolheram Babilônia como nome, não é surpresa alguma que tenham optado por pautar a novela por temas de confronto direto ao cristianismo.

As pessoas lobotomizadas pelo discurso do politicamente correto (e imbecil) de nossos dias vêem nisso a nobreza de quem está a defender os direitos dos homossexuais. Essas mesmas pessoas não fazem ideia do que é lutar por direitos de uma forma legítima. Grandes homens na história da humanidade lutaram por causas nobres e deixaram suas marcas exemplares. Um traço comum entre eles é a abnegação e a disposição de dar a vida em prol dos outros, sendo que muitos acabaram mortos antes de ver os resultados de sua luta. Os autores de Babilônia não são nobres lutadores da liberdade; eles são apenas manipuladores investidos com o poder da mídia Global e com uma agenda revolucionária na cabeça. Seu objetivo não é ser a favor, e sim contra, e isso faz toda a diferença.

O segundo ponto que levantei corrobora o primeiro. O viés ideológico e o objetivo de confronto são tão importantes que sobrepujam a atividade econômica, como sempre acontece com os empreendimentos esquerdistas. O público brasileiro é majoritariamente conservador e cristão, e ainda assim a maior rede de televisão do Brasil resolve colocar no ar uma novela diametralmente contrária às convicções desse público. O resultado é que a audiência da mesma está despencando. Novamente, os lobotomizados dirão que é um absurdo que padres, pastores e outros líderes religiosos façam campanha contra a novela, aconselhando que seus fiéis deixem de vê-la. Ora, se estamos num país democrático, onde um cliente ou consumidor é livre para escolher seu produto, e onde há liberdade de expressão, nada mais justo que esses consumidores se organizem para boicotar um produto que achem uma porcaria.

O futuro de Babilônia, a novela, dependerá de quanto a Globo está disposta a investir na sua tentativa de demolição dos valores judaico-cristãos. Embora muitos deixem de vê-la por considerarem-na incompatível com seus princípios, outros continuarão, e é neste grupo que ocorrerão as mudanças almejadas pelos autores – este grupo é a matéria prima de trabalho do ofício verdadeiro de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes: a engenharia social.

A pergunta que resume tudo o que estou tentando dizer é: quanto a Globo está disposta a pagar por uma “alma”? Se for muito, a novela continuará na mesma toada, ainda que com a audiência caindo. Se for menos, os autores terão que trabalhar um pouco mais sutilmente, o que não significa que deixarão sua agenda de lado, mas apenas que a tornarão mais palatável e dissimulada.

Eu sigo achando a Globo uma merda. O Brasil seria um país muito melhor se as pessoas trocassem um episódio dessas porcarias por uma hora de leitura. Menos Braga, mais Machado de Assis.

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento“.

4 comentários sobre “Babilônia

  1. Machado de Assis publicou seus romances pré Dom Casmurro em folhetins encadernados em jornais. Equivaliam às novelas atuais e o objetivo era causar impacto para vender.

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