O PT quer sempre o pior para o Brasil

moralcompass1Será instalada hoje, dia 10 de fevereiro de 2015, uma comissão especial sobre reforma política na Câmara dos Deputados (veja notícia aqui). É um assunto delicado e importante: uma reforma nos moldes que o PT deseja enfraqueceria ainda mais a democracia brasileira, piorando a situação atual; uma reforma nos moldes defendidos pela oposição e pelo novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, corrigiria alguns defeitos graves que temos hoje em nosso sistema. Mas, antes de continuar falando sobre a comissão em si, abro parênteses para a transcrição de um trecho do segundo capítulo do meu livro, Mentiram (e muito) para mim:

Mentiram de novo: a festa da democracia brasileira

Manchete presente em dez de cada dez jornais e telejornais brasileiros nas épocas de eleição, a chamada “festa da democracia” é mais um engodo que nos ensinam desde a tenra infância. Lembro-me muito bem da época em que a Constituição de 1988 foi promulgada, da euforia de alguns de nós (os de treze a quinze anos de idade) em saber que poderíamos votar em breve, assim que fizéssemos dezesseis. Para aqueles meninos e meninas, votar significava democracia – “se eu posso votar, tenho o poder de escolher quem vai governar!”, pensávamos ingenuamente.

Mas que mentira porca! Para começar, somos obrigados a votar. O princípio mais básico da escolha, que é o de decidir se quero participar ou não, nos foi tolhido. O brasileiro tem a obrigação de votar, e se não puder tem que se justificar oficialmente. Na festa da democracia brasileira nenhum de nós é convidado – somos todos obrigados a comparecer, e o que nos servem geralmente não daríamos nem a porcos, mas nos é apresentado como um banquete maravilhoso.

Mas ainda há muito mais: o sistema eleitoral brasileiro não apenas priva o eleitor de decidir se quer ou não participar do processo, mas o expõe a uma regra intrincada e praticamente impossível de se entender, no que tange à eleição de representantes do Legislativo, os vereadores, deputados estaduais (e distritais) e deputados federais. Continuando com nossa metáfora, o brasileiro vai à festa da democracia mas não sabe quem vai ganhar o presente que comprou. Ele compra o presente para o aniversariante, mas depois percebe que foi dado para aquele convidado que ele mal conhece, ou às vezes de quem nem mesmo gosta. A história recente mostra casos absurdos em nível federal, como o do deputado Tiririca, que foi eleito com a segunda maior votação da história (mais de um milhão e trezentos mil votos) e cujos votos foram suficientes para eleger mais três parlamentares que tiveram uma votação pífia, todos com menos de cem mil votos. Assim, o sujeito vota em um candidato, que pode chegar a um número considerável de votos, algo como trezentos mil, mas quem acaba eleito é um candidato com noventa mil votos, porque o mesmo teve um “puxador” forte em seu partido. Se isso não é uma mentira institucionalizada, não sei mais o que é.

Pois bem, pela primeira vez, desde que me lembro por gente, propostas de voto distrital e de não obrigatoriedade do voto surgem dentro do Congresso com alguma chance de aprovação, propostas que poderiam melhorar muito nosso processo eleitoral e tornar essa “festa da democracia” um pouco mais real. Mas, é claro, existe um partido que nunca tem como objetivo melhorar as coisas, muito pelo contrário: o PT propõe, trabalha e vota a favor de projetos que beneficiam apenas seus políticos e toda a estrutura partidária pendurada neles.

Os políticos do PT querem o financiamento público de campanha, proposta absurda e inexistente em outras democracias sérias do mundo, que garantirá ao partido as maiores verbas de campanha, sempre. Eles são contra a não obrigatoriedade do voto, e são contra qualquer tipo de voto distrital. Aliás, eles são a favor do voto em lista, uma idiotice cujo único propósito é direcionar os votos da população para eleger os políticos que o partido quiser, diminuindo cada vez mais a já inexpressiva participação do eleitor nas eleições de cargos legislativos.

Esta reforma é muito importante para o país, e o próprio fato do PT tê-la boicotado por mais de um ano mostra que ela precisa ser levada a cabo. No Brasil de hoje, não existe bússola moral melhor do que fazer sempre o que for contrário às ideias e propostas desse partido bandido, que defende assassinos, ladrões, terroristas e genocidas. Agora é uma boa hora para mandar e-mails aos deputados que nos representam, dando apoio popular às propostas de voto distrital e não obrigatoriedade do voto, bem como repudiando o financiamento público de campanha e o voto em lista. Além de uma reforma política decente, você ainda pode levar de brinde o desgosto dos petistas, que estão tentando desesperadamente acabar com a estrutura da democracia brasileira, pois já perceberam que na base do voto vai ser difícil permanecer no poder.

 

Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

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