Reacionários da favela

carteiroO nome é Gil Diniz.

Ele foi ao primeiro lançamento do meu livro, evento que aconteceu em uma das áreas mais nobres de São Paulo, num shopping cujo nome dispensa explicação: Pátio Higienópolis. Qualquer morador da capital sabe que Higienópolis é bairro de elite, é lugar de endinheirados. Chegou na livraria trajando seu uniforme de trabalho: calça azul, sapatos, e camiseta amarela com o logotipo dos Correios. Sim, a estatal que um dia serviu de estopim para o maior escândalo da história da República, o Mensalão, abriga em seus quadros pessoas de grande caráter, como Gil.

Depois de ficar um bom tempo na fila, onde rapidamente fez amizade com outros ditos reacionários, chegou com o livro em mãos e me disse, com orgulho:

Flavio, fiz de tudo para chegar aqui em tempo de comprar o seu livro e pegar o seu autógrafo. Vim direto do trabalho, moro numa favela da Zona Leste, e sou reaça!

Na mesma hora pude ver, diante de mim, a pessoa que sozinha consegue desmantelar toda a teoria mentirosa que a esquerda usa para justificar a criminalidade. Estava ali, em pé, alguém que vive em seu cotidiano tudo o que a esquerda classifica como “motivos justos para a revolta social”:

  • Gil Diniz nasceu em Pernambuco, na cidade de Serra Talhada;
  • Gil Diniz migrou para São Paulo com os pais, em busca de uma vida melhor;
  • Gil Diniz sempre foi pobre;
  • Gil Diniz mora na favela;
  • Gil Diniz conhece o lado rico da cidade, inclusive o Shopping Pátio Higienópolis.

Qual é a explicação para que Gil Diniz não tenha se “corrompido pela sociedade”, tornando-se um bandido, um pária, em vez de um esforçado carteiro? Por que a esquerda gosta tanto de colocar em evidência uma minoria de pobres criminosos, quando a sua grande maioria trabalha para se sustentar e tem orgulho disso? Por que insistem em dizer que mais de 90% dos criminosos possuem origem pobre, mas se esquecem de dizer que mais de 90% dos pobres não se tornam criminosos?

A resposta é simples: para satisfazer sua necessidade de se sentir justo e menos miserável, o esquerdista, que nunca é pobre, nunca é oprimido, e geralmente desfruta dos confortos do capitalismo, precisa se culpar de alguma forma. Mas como é um covarde e não tem coragem de assumir nada sozinho, ele precisa de um grupo onde sua culpa seja compartilhada por outros que nem sequer conhece, mas que guardam com ele algum tipo de semelhança étnica e/ou social. É daí que vem essa mania de culpar a sociedade baseada no homem branco, heterossexual, cristão e de classe social média ou alta pela corrupção do caráter de todos os outros “tipos de homem”. Não houvesse tantos covardes cheios de culpa no mundo e a ideologia esquerdista jamais teria encontrado guarida.

Mas, como eu disse, basta olhar para um Gil Diniz, e tudo isso se revela como a mais cretina das mentiras. Mesmo tendo nascido no Nordeste jamais se vitimizou como um coitadinho; mesmo tendo migrado para São Paulo jamais se achou inferior aos que aqui estavam; mesmo morando na favela jamais teve vergonha de sua casa; mesmo sendo pobre jamais pensou em outra alternativa a não ser trabalhar; mesmo sendo o modelo quase perfeito para as explicações estereotipadas da esquerda jamais deixou que essa ideologia torpe o contaminasse; pelo contrário, assumiu-se um reacionário, um lutador da verdade, um homem de honra.

Mas para lutar ao lado da verdade é necessário instrução, estudo, esforço e coragem. E nada disso faltou ao nosso amigo, que além de trabalhar o dia todo como carteiro e cuidar de sua família – sim, ele é casado e tem dois filhos pequenos – ainda cursa História em uma faculdade particular, à noite, e arruma tempo para dar aulas como professor eventual. Seus esforços para cultivar a intelectualidade e se tornar elite num país de ignorantes são tão incompreensíveis a um esquerdista como o são os milenares kanji’s a um falante da língua portuguesa. É muito mais fácil que o esquerdista acredite em fantasmas e bichos-papões do que em um representante legítimo das “classes oprimidas” que escolhe abrir mão do coitadismo e das esmolas governamentais para alcançar, por esforço próprio, o sucesso.

Parabéns Gil Diniz! Precisamos de mais homens como você.

 

Flavio Quintela é autor do livro “Mentiram (e muito) para mim

21 comentários sobre “Reacionários da favela

  1. Putz, cara que emoção ler esse texto. Tive o prazer de conhecê-lo no mesmo dia que você. Abraços.

  2. Agora senti orgulho de ser carteiro, viiu?

    E já já compro o seu livro, meu caro Flávio, não se preocupe (é só eu pagar 50 porcento das minhas dívidas, que eu compro rsrsrs).

  3. Esse texto eh muito xenofobico:
    “Mesmo tendo nascido no Nordeste jamais se vitimizou como um coitadinho”
    “tudo o que a esquerda classifica como “motivos justos para a revolta social”:

    Gil Diniz nasceu em Pernambuco, na cidade de Serra Talhada;”

    • De forma alguma! O preconceito contra os nordestinos é algo comum na esquerda, que gosta de tachá-los de coitados e vítimas. Para refutar essa abordagem esquerdista precisei citar seus argumentos, mas isso não faz de mim um preconceituoso, da mesma forma que se eu estivesse criticando o nazismo e usasse algo como “mesmo tendo nascido judeu” eu não estaria sendo anti-semita.

      A frase que você citou deve ser lida com entendimento do contexto – Mesmo tendo nascido no Nordeste, O QUE PARA A ESQUERDA É SINÔNIMO DE SER VÍTIMA, jamais se vitimizou como um coitadinho.

    • DSDS é um desses ptralhas que recebe instruções para “combater us inimigu” na net, mas não tem ideia do que está fazendo, por isso só conseguiu repetir o mantra “acuse-os daquilo que vc faz”. Moleque da USP ou da PUC que acha o Sakamoto inteligente…sabe nada inocente!!! Patético… pra ser bonzinho.

  4. Gostei muito deste artigo.

    Também trabalho na ECT e o meu livro já chegou, entregue por um carteiro. O envio e a entrega foram rápidos.

    No pouco que eu já li, posso dizer que gostei muito e, de certo modo, fiquei surpreso com os assuntos abordados no livro, mas são extremamente necessários. Recomendo! Para mim, que estou começando a estudar o conservadorismo, a política, etc.., por não suportar mais este esquerdismo que nos rodeia, com certeza, será um livro para estudos!

    Conheci você Flávio através do site Mídia Sem Máscara, e o seu livro através da RadioVOX.

    O próximo da minha lista será “o mínimo” do prof. Olavo de Carvalho, pois entendo que após “estudar” o seu livro (que é mais sucinto) poderei estudar melhor o livro do prof. Olavo.

    Ainda estou “engatinhando” mas pretendo começar a me “alfabetizar” nestes estudos. Aceito sugestões.

    Abraços

    • Aceita sugestões? Após ler ” O mínimo….” do Olavo procure em sebos (não publicam mais) O ARQUIPÉLAGO GULAG do Soljenitzin (não é assim que se escreve, mas isso não importa agora) e comece a ler PELO FINAL, pois tem um mini-dicionário de termos e pessoas/personagens que se você começar a ler do capítulo um vai atrapalhar um pouco. Será estarrecedor. Abraços.

    • Gustavo, por trabalhar na mesma empresa talvez me compreenda melhor. Tenho orgulho de trabalhar na ECT, não por ser uma empresa pública, mas, por ter ingressado por meios próprios (mérito) via concurso público, sem a possibilidade de uma “ajudinha” de algum padrinho.

      Gosto do que faço, muito embora tenha convicção que não nasci para isso, pois, na área de distribuição o trabalho é mecênico e não exige mais do que um simples trabalho manual. Todavia, todos os dias tenho a oportunidade de viver os problemas daquela comunidade a que sirvo. Sim, sou um servidor público e minha tarefa é prestar um serviço de excelência seja aqui na periferia, seja na parte mais abastada da cidade.

      A esquerda já tinha me decepcionado outras vezes e ver a situação da ECT foi sentir na pele o “cúmulo do descaso”. Nossa logística está sucateada, o alto comando da empresa é loteado via partidos políticos, meritocracia na área operacional praticamente é inexistente e possivelmente nas outras áreas também, é um caos!

      Por vezes tentei conversar com colegas de trabalho sobre a necessidade de “profissionalizar” a empresa, colocando a possibilidade de privatizá-la e notei logo de cara que há uma aversão a essa palavra nos quadros mais baixos da empresa. Os funcionários sem ao menos perceber: “Idolatram” esse estado babá sem ter uma mínima crítica.

      A diretoria do sindicato que representa os trabalhadores da ECT é ligada ao PCdoB, que por sua vez é coligada ao PT e consequentemente ligados umbilicalmente a diretoria da empresa, que tem por presidente o senhor Valter Pinheiro que é senador pelo PT, ou seja, paternalismo, peleguismo, entreguismo puro! Getúlio Vargas é “café pequeno” perto do aparelhamento que o partido dos trabalhadores vem fazendo com as estatais.

      Ou seja, nem vou entrar no mérito do texto excepcional que o Flavio escreveu aqui. Não sou vítima, pelo contrário, sou autor da minha história, protagonista e senhor de mim! Faço minha parte dentro das limitações e tenho muito orgulho da minha origem , da minha situação atual e do homem que me tornei, homem esse num processo constante de aprendizagem.

      A esquerda é hipócrita, mentirosa, fingem dizer a verdade e acusa o outro lado daquilo que ela é: Racista, fascista, homofóbica, etc. Pensam que detém o monopólio da virtude e fazem sua propaganda muito bem. No entanto, precisamo reagir! Daí sim o termo “reacionário” nos cai muito bem, é atualíssimo!

      O livro escrito pelo Flavio é uma contribuição riquíssima para essa reação, precisamos de um “contra-golpe” cultural, precisamos ocupar nosso lugar!

      Se aceita uma sugestão após ler Mentiram (e muito) para mim e o Mínimo, leia A Política da Prudência do historiador norte-americano Russell Kirk. É fantástico essa obra e creio que seja também de grande valor.

      Abraço!

    • Gustavo, estamos na mesma.

      No momento estou lendo o Guia Politicamente Incorreto do Brasil. Ótimo, controverso e muito bem estruturado, onde cada capítulo possui um estrutura de referência própria, além da referência bibliográfica geral. Outros GPIs da Filosofia, da América Latina, do Mundo, seguem a mesma linha editorial. O Livro Politicamente Incorreta da Esquerda e do Socialismo, de Kevin D. Williamson tb está na fila.

      O site do Luciano Ayan é ótimo para o debete político:

      http://lucianoayan.com/livros-recomendados/

      Boas leituras, reaças!!

  5. Mais uma vez ia me esquecendo. Algum lugar onde possamos consultar a agenda do lançamento do livro? Há previsão de vir a Natal? Forte abraço.

    • Nós tínhamos quatro lançamentos agendados, que terminaram na terça-feira passada. Dependendo das vendas do livro vou conseguir marcar mais uma sessão de lançamentos, em cidades diferentes. Mas por enquanto não há mais nenhum marcado.

      Abraços!

  6. Também sou carteiro e reacionário, moro e trabalho em Maceió – AL, sinto de perto o que é viver em uma sociedade altamente dependente do Estado sem perspectivas de melhora. Nada aqui funciona sem a intervenção do poder público, nosso orçamento local, devido a precariedade econômica, praticamente inexiste. Dependemos quase que exclusivamente dos recursos federais para manter os péssimos serviços públicos. A violência é endêmica e o analfabetismo beira os 70% em muitas cidades. Políticas assistencialistas não faltam, e aliás, larga camada da população não faz outra coisa senão amontoar-se nas dependências da Caixa Econômica Federal a espera de seus “benefícios”. Tento passar o pouco que sei aos meu companheiros de labuta que em geral são favoráveis ao pensamento “conservador-liberal”, não aguentamos mais o discurso vitimista em que somos doutrinados dia após dia. Obrigado a todos pela oportunidade do desabafo.

  7. Tentando achar um padrão pra isso…

    Quem disse que pobre tem que ser ladrao?

    Qual é a base pra isso? Vai ver esse nosso caro carteiro teve um pai e mãe como nos moldes corrretos pra se criar uma pessoa de caracter.

    Sim — mesmo que seja necessario bater no filhos. E o pai SENDO PAI e a MÃE SENDO MÃE.

    E sinceramente pra mim um dos grandes culpados é a crescente — e preocupante — novo padrão de que MAẼS tem que ser ”modernas” e trabalhar sem parar, mesmo que seus filhos sejam criados por empregadas, e não por elas.

    MEU DEUS! Como pode isso estar certo?

    Daí quem cria nosso futuros meninos? A tv. E a tv … você já sabe. E propositalmente usada para mais fuder a sociedade do que tudo.

    A questão pra mim é seguramente o nucleo familiar. Um pai forte e uma mãe feminina criando uma familia com padrões CERTOS (sim, certos, sem direito a ”vamos ver…”) é fundamental pra criação de homens e mulheres corretos e com valores.

    E tudo ao contrario disso… bem, estamos vivendo acredito eu na primeira geração do Brasil onde o excesso de liberdade vai cobrar cada centavo emocional do futuro de nossa nação e dos pais e mães que afrouxaram a educaççao dos seus.

    Otimo blog por sinal, apesar de tratar apenas de politica.

    Alex Ferrero ~ ConquisteTudo.com

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