Tomou a pílula vermelha, já era

red_pill_blue_pill-copy3Anatole France disse que

“A ignorância é a condição necessária da felicidade dos homens.”

Às vezes, conversando com minha esposa, nos questionamos sobre nosso comportamento nas redes sociais. De um bom tempo para cá temos focado nossas postagens de Facebook e Twitter em praticamente um assunto: política. De vez em quando sai uma foto de algum felino ou canino aqui de casa, mas no geral é política e mais política. E por ver tantas pessoas que vivem felizes e saltitantes Facebook afora, sempre prontas a disseminar mensagens bonitinhas e otimistas, a gente acaba pensando: o pessoal deve nos achar um casal de chatos.

Mas afinal, vivemos uma época propícia para comemorações? É melhor se cercar de pessoas que não falam de política, e que preferem não se envolver com essa “coisa suja”? Para mim é impossível pensar nisso e não lembrar do filme Matrix. Impossível não imaginar que viver hoje, no Brasil, ignorando a situação do país e o governo que pesa suas mãos sobre cada um de nós, equivale a viver na Matrix, num sonho controlado, num simulacro de democracia. No filme, um dos meus preferidos de todos os tempos, Neo é chamado a uma decisão que mudaria sua vida para sempre, uma decisão sem volta: se tomasse a pílula azul acordaria no dia seguinte sem nenhuma lembrança do ocorrido. Se tomasse a vermelha, já era. Movido por uma profunda inquietação com o mundo em que vivia e por um sentimento constante de não pertencimento, ele toma a pílula vermelha, que o leva a descobrir que não passava de um escravo manipulado pelas máquinas, criado e mantido vivo para fornecer o que elas precisavam.

A pílula vermelha é dureza… Muito tempo atrás um grande amigo meu me deu um livro, o primeiro volume de “História da Filosofia”, do Giovanni Reale. Na primeira página uma breve dedicatória, que jamais esqueci, e que me marcou demais:

“O conhecimento da realidade traz a verdade. A verdade liberta. O preço da liberdade? A solidão. Boa sorte.”

Ele não poderia estar mais certo. Os anos seguintes, de estudo e de aprofundamento na filosofia e na política, me abriram os olhos para a realidade em que eu vivia. Embora sempre achasse que o Brasil tinha inúmeros defeitos, a preferência por não vasculhar as notícias diariamente, e focar minha atenção muitas vezes em assuntos totalmente diversos, o que incluía minhas muitas atribuições religiosas na igreja em que congregava, me permitia continuar vivendo na “Matrix” e nela ser feliz. Ali eu era a personificação dos dizeres de Anatole France: a minha ignorância me proporcionava felicidade. Mas a inquietação que levou Neo a tomar aquela pílula foi a mesma que me levou a começar a ler, estudar, e descobrir em que situação eu realmente vivia.

Com o tempo a dedicatória profética de meu amigo se cumpriu: a intelectualidade fortalecida deu origem a uma visão de mundo muito mais realista. As camadas de verniz e tinta que escondiam a realidade foram retiradas, como num minucioso trabalho de restauração, e o que eu vi por baixo delas não foi uma obra de arte maravilhosa, e sim um retrato cru e inóspito do Brasil em que eu vivia. Ao mesmo tempo, tudo o que eu escutava de outras pessoas tinha que passar por mais e mais etapas de validação – já não era possível aceitar nenhuma informação sem uma dose considerável de análise e estudo. E eu vou te contar algo importante sobre isso: sobram pouquíssimas pessoas em sua lista de “gente com opinião a respeitar” depois que você começa a passar todos os discursos pela peneira da razão. É justamente daí que vem a solidão da verdade, pois a maioria das pessoas prefere viver no sonho, na simulação, no auto-engano, na ignorância.

Aonde quero chegar? Simples: se o Brasil é hoje o que é, é em grande parte devido a esse apego à felicidade baseada na ignorância. Não há nada mais agradável do que viver num sonho, e o brasileiro é o campeão mundial de viver sonhando. A simpatia e a alegria dos brasileiros, que são cantadas e entoadas como nossa maior virtude, são fruto de nossa maior fraqueza: a recusa em ver a verdade. Desde frases populares como “Deus é brasileiro” até canções que dizem “Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”, o brasileiro nasce, cresce, reproduz-se e morre achando que o seu país é o que há de melhor no mundo, e que viver aqui é ser abençoado, é ser especial, é ser o topo da pirâmide mundial de felicidade. Em outras palavras, o brasileiro nasce, cresce, reproduz-se e morre acreditando em mentiras e vivendo um sonho dirigido.

Os últimos dois anos foram muito atípicos a meu ver: por um lado o governo petista se avolumou e tomou uma posição de ataque às liberdades individuais, principalmente a de expressão; por outro, parece que muita gente anda tomando a pílula vermelha (por favor não confunda esse vermelho com o do PT) e acordando do sonho dirigido. Não falo aqui dos bocós que foram para as ruas no meio do ano passado sem a menor ideia do que estava acontecendo, mas das pessoas que têm partido para o engajamento intelectual, que têm se preparado para o debate de ideias, que têm povoado a internet com bons artigos, que têm escrito livros, que têm lutado por ideais e princípios justos. Muitos, como eu, que já haviam se conformado com a solidão intelectual permanente, passaram a conhecer outros solitários, e mais outro, e mais um ali, e assim por diante. É por isso que tem sido mais fácil encarar a batalha contra o comunismo no Brasil, por causa dos amigos que tenho feito. E os chamo de amigos, mesmo não conhecendo pessoalmente alguns deles, mas de uma maneira mais Aristotélica: acreditamos nas mesmas coisas, buscamos as mesmas virtudes, abominamos os mesmos males.

Espero estar vivendo um momento único para o Brasil, um momento de construção de uma base intelectual que oxalá acomodará futuros líderes a combater a praga comunista que nos assola. A esquerda tem hoje muito dinheiro, principalmente pela sua presença tentacular em todas as esferas do poder público, mas a hegemonia intelectual ela já não tem mais. A acomodação já fez ruir muitos impérios na história da humanidade, e novas forças, forjadas em condições desfavoráveis, conseguiram reverter o curso de governos que pareciam imbatíveis. Tudo isso me dá esperança. Pode não ser muita, mas é esperança. E, como no dito popular, ela é a última que morre.

61 comentários sobre “Tomou a pílula vermelha, já era

  1. Muito bom!!! Parabéns pelo seu blog.
    Tomei esta pílula vermelha há muito, e percebo que está cada vez mais difícil viver neste país, com tantas mentiras e corrupção.
    Precisamos neste momento de pessoas como voce, com coragem e capacitade intelectual, para tentar modificar a maneira de pensar e de agir de um povo “marcado e feliz”.

  2. Olá Autor, tudo bem? O que acredito e o que aprendi que a política nunca se mistura com a espiritualidade, isso não tem lógica por conta do “eu” e o “eu” é a causa de todo nosso sofrimento o problema não esta no Brasil, mas em causas e consequências, esta no nosso Carma, o que significa se experienciamos hj com o Brasil é um fator correlacionado conosco, pq acha que experienciamos um pais corrupto e outros não experienciam? Mas não que as pessoas que vivem em um pais que não seja corrupto,onde a corrupção praticamente não aconteça estejam mais felizes que um pais que experiencia a corrupção. Um dia um monge do Tibet me perguntou porque algumas pessoas nascem com barba e outras não? Ë para se pensar ? Quando ele fala: “O conhecimento da realidade traz a verdade. A verdade liberta. O preço da liberdade? A solidão. Boa sorte.” Conhecer é o conhecimento sobre a vacuidade isso liberta de todas as mentes negativas ou seja libertação do nosso “eu” ou “agarramento ao em si” e isso realmente exige esforço, solidão para meditar profundamente nisso. Vc terá que deixar o apego, a raiva a ignorância e isso irá contra aquilo que estamos acostumados ou familiarizados.

    Só para saber não sou uma pessoa qualificada, mas pensei que poderia estar ajudando a esclarecer o que aprendi, não que precise aceitar o que estou falando.

    Uma Boa Leitura sobre o tema e vc poderá fazer download gratuito:
    Livro: Budismo Moderno autor. Geshe Kelsang Gyatso >>>

    Obrigada por me ouvir!

    Michele

    • Obrigado pelo comentário Michele. Eu não vou entrar na questão da espiritualidade, mas gostaria de esclarecer que eu tenho a minha, e que ela foi muito afetada pelo estudo da filosofia, no seguinte sentido: o exame criterioso do que nos é apresentado acaba por expor as ideias mal formuladas, os sofismas e as mentiras, ainda que ditos muitas vezes involuntariamente. Como a fé religiosa contemporânea é bastante marcada por fenômenos de massa, que se personificam em líderes religiosos nem sempre providos de escrúpulos e de conhecimento, não é difícil conhecer pessoas que acabaram por se afastar de alguns cultos religiosos após trilharem pelo caminho da busca da verdade, entre os quais eu me incluo.

      • Rapaz, depois desse exercício de paciência vc deveria ser canonizado.
        Eu não consegui experenciar nadica de nada…

  3. Muito correta a dedicatória do seu amigo. A liberdade traz a solidão, e não nos apercebemos que vivemos uma solidão acompanhada. Outros solitários ainda não aprenderam a interagir e juntar forças. Mas somos racionais e um dia nos juntaremos.

    • Você disse tudo Anizio. A esquerda aprendeu muito antes de nós a juntar forças e passar por cima de discordâncias menores. Se não fizermos o mesmo jamais teremos sucesso.
      Abraços!

      • Essa situação é recorrente em todos o momentos da nossa vida em sociedade. Fomos dominados pelo crime apenas por nos dar ao luxo de chamá-lo de “Crime Organizado” e esperar que as soluções venham do paternalismo governamental a que fomos condicionados, Fomos tomados de assalto por políticos mal intencionados pela ilusão dos discursos demagógicos desde a República Velha. Somos criados para acatar passivamente o que acontece pela falta de educação política e por sermos, desde sempre, ensinados a ser cordiais, pacatos, amigáveis e solícitos, além de crédulos às influências externas, achando sempre que somos inferiores. Esse nosso complexo será difícil de ser extirpado mas vozes como a sua apontam para uma luz no fim do túnel. Ouso sugerir a leitura do texto “Fédon e a palavra” encontrável na net.

  4. Estou positivamente chocada Flavio. Parece que você invadiu o meu cérebro e dissecou tudo o que penso, como me sinto em relação à passividade, ou o “não é comigo” das pessoas. Estava meio desanimada com o facebook, pela apatia, o desinteresse das pessoas a cada postagem minha sobre política, engajamentos em busca de assinaturas em favor de causas que considero importantes. Estou muito feliz por ter lido a sua publicação. Me sinto com ânimo renovado. Abraços

    • Gladys, fiquei muito feliz com seu comentário. Não desanime! Tem bastante gente nessa empreitada conosco.
      Abraços!

  5. Ótimo artigo.

    Além da questão da solidão, você acaba sendo chutado pra fora da “festa” por incomodar o statu quo de quem quer viver na toca da Alice.

    Parabéns pelo texto,

    • Quem ficar na festa vai se surpreender com o final nada agradável…
      Obrigado pelo comentário!

      Abraços

  6. Excelente artigo. Mesmo não o conhecendo pessoalmente, vou te chamar de amigo…rsss!!
    Parabéns, o Brasil precisa de pessoas como vc!!

  7. De certa forma eu agradeço aos comunistas, graças a esse perigo que a revolução se manteve de 64 a 84 nos legando um país mais justo, igual, com uma massa de trabalhadores baratos e sem formação, dispostos a trabalhar em regime de semi escravidão para sobreviver, com educação e saúde pública sucateadas, professores mal pagos, miséria e mortalidade infantil , saudades desse tempo, agradeço a pessoas esclarecidas como você não se conformarem com essa felicidade vazia dos pobres desdentados de hoje.

    • Explique melhor, Rodrigo. Para mim não ficou claro se você foi irônico ou não. Afinal, educação e saúde pública sucateadas, professores mal pagos e miséria continuam bem reais no Brasil de 2014.

      • O índice de gini, que não foi criado por esse governo autoritário, talvez possa ser usado como parâmetro de comparação entre épocas distintas, dado que é mundialmente aceito e reconhecido, nele o Brasil se.destaca pelo avanço na última década, se comparado com qualquer outro país, o que não o torna o menos desigual, infelizmente não se reverte décadas de atraso de uma hora para outra. Também a diminuição expressiva da mortalidade infantil, os índices de desemprego, a evolução da renda, a expectativa de vida ao nascer, etc mostrem que, apesar do monstro comunista, esse país consegue alguns avanços.

    • O índice de Gini mede somente o coeficiente de desigualdade de renda, e não é indicativo nenhum de desenvolvimento. Tanto que o índice de países pobres como Bangladesh e Sudão é muito próximo ao de países altamente desenvolvidos e ricos, como Canadá e Suíça. Os avanços que o Brasil conseguiu nos índices que você mencionou são muito mais significativos na penúltima década do que na última. Para descrever a última década, aliás, vou me utilizar do título de um ótimo livro, A Década Perdida, de Marco Antônio Villa.

      • O índice de Gini quando analisado em conjunto com outros dados como evolução da renda, desemprego, expectativa de vida ao nascer, mortalidade infantil, permite uma noção de melhora ou não, de desenvolvimento até, se quer colocar assim, como disse antes, essa evolução no índice não nos tornou O menos desigual, embora tenha sido a mais evidente quando comparada com outros países. Cito compilação de dados de Marcelo Neri da FGV, intitulado Gini e Desigualdade ( http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&cd=9&ved=0CEAQFjAI&url=http%3A%2F%2Fwww.cps.fgv.br%2Fcps%2Fpesquisas%2FPoliticas_sociais_alunos%2F2012%2FSite%2FGini.pdf&ei=LxH2UoL4PIrAkQePuoGwCQ&usg=AFQjCNEU33397O0q1iSvHfJLwcpWs4yKTg), com esse panorama de 1960 a 2011, onde em 60 temos o valor de 0,535 e em 2011 0,527, ocorrendo o pico de 0,607 em 90, praticamente estável até 2001, quando marcou 0,594. Nessa compilação de dados, apenas números, de Marcelo Neri, temos também o de evolução da renda e de desigualdades regionais. Frente à queda acentuada da mortalidade infantil, permitindo ao Brasil superar a meta da ONU nos anos 2000 antes do prazo, e do aumento da expectativa de vida ao nascer, podemos afirmar melhorias e universalização nas áreas da saúde no país, após um período de piora e estagnação, como o visualizado no índice de Gini nos anos 90. A educação, que depende do desempenho de Estados e Municípios tem realmente deixado muito a desejar, embora iniciativas como o aumento de verba a financiamentos como ao FIES e subsídios em impostos como no PROUNI, aberturas de vagas e unidades de Universidades Federais, em locais até então desprovidos dessa oferta, como no sertão, claro que com muitas dificuldades, pois não se manda fazer como se fazia no império, tem permitido perceber uma melhora no acesso pela população, em especial a mais carente. E claro que, herdada uma rede de qualidade não exemplar, nesse movimento de universalização é complicado uma melhora instantânea em termos de qualidade, o que não deixa de ser vergonhoso, mas há um movimento de controle, sem o boom de novas faculdades e cursos particulares dos anos 90, sem critério algum, inclusive com o fechamento de cursos criminosos, pela falta de qualidade e preparo, nos últimos anos.

    • você quer justificar um erro ,utilizando de um outro erro do passado. utilizando uma técnica interessante, mas manjada. Quer ser um pouco poético, um pouquinho irônico, para dá uma profundidade maior a suas ideias. Mas a prova da necessidade do combate duros aos militares está aí . os bandidos militantes do passado são os bandios comuns, condenados nos tempos de hoje.
      eles realmente conseguiram realizar nos tempos de hoje o que não conseguiram realizar no passado a dominação do estado viagem de nossas riquezas para benefício próprio sem filosofia sem ironia papo reto e certeiro

      • minha colocação não foi uma resposta ao autor , mas para uma comentário negativo bastante irônico de um esquerdista.

  8. Excelente texto! Saí da Matrix há uns dois anos e já sinto um pouco desse distanciamento das pessoas, que se anestesiam nessa zona de conforto chamada Brasil paraíso tropical.

  9. Prezado Autor
    Em relação a sua colocação: Não falo aqui dos “bocós” que foram para as ruas no meio do ano passado “sem a menor ideia” do que estava acontecendo, mas das pessoas que têm partido para o engajamento intelectual, que têm se preparado para o debate de ideias, … merece no mínimo uma consideração: Se Diógenes esse velle,si Alexandre no essete …

  10. Muito bem, mas as pessoas “que têm partido para o engajamento intelectual, que têm se preparado para o debate de ideias, que têm povoado a internet com bons artigos, que têm escrito livros, que têm lutado por ideais e princípios justos”, como você, podem não deixar as cadeiras Office (aquelas com rodinhas que colocamos em frente ao notebook) e precisar contar com os bocós, como eu, que vão para as ruas dar a cara à tapas, o ôlho às balas de borracha, a face ao gás lacrimogênio!

    Repense.

    • Rubia, minha crítica foi aos “bocós que foram para as ruas no meio do ano passado sem a menor ideia do que estava acontecendo”. Se você foi para a rua sabendo o que se passava, e não foi usada como massa de manobra da esquerda, eu te congratulo, e reconheço prontamente a validade de seus atos. Mas minha crítica foi à grande maioria que foi para as ruas sem nenhum entendimento da situação que viviam. Esses são os “idiotas úteis” de Lênin, os bocós a quem me refiro.

  11. Eu me incluo TOTALMENTE entre os “chatos”.
    Mas, infelizmente, não tenho sucesso em conscientizar meus próprios filhos.
    Parece que a juventude vai só para os extremos: ou vão para os black blocs, ou para a alienação.

  12. ë estimulante e confortador quando descobrimos que não estamos sozinhos, e que ainda existem muitos que não perderam a sanidade (nem a esperança).

  13. Caro Flavio,
    li seu post, hoje, 09/02, de manhã, através do Mídia sem Máscara, e me identifiquei muito com ele. Posso dizer que tomei a minha dose da pílula vermelha em novembro do ano passado quando comprei “O Mínimo” do Olavo de Carvalho. Sinto esta mesma sensação de jornada rumo à solidão que o seu amigo, muito sabiamente, dedicou lhe o livro de Giovanni Reale. Portanto, só posso dizer que fico muito feliz de conhecer outros solitários, como você, os autores do Mídia sem Máscara, o próprio Olavo de Carvalho (praticamente um ermitão, no sentido de estudar muito), Reinaldo Azevedo, e outros (minha caminhada tem só três meses, mas sinto que já aprendi mais do que nos últimos 10 anos). Além disto, mais feliz me sinto ao perceber que, neste caminho sem volta que me pus, graças a estas referências, me reaproximei de Deus e da Igreja, que tanto foram desprezados por mim durante muito tempo.
    Para seguir em frente, sustento-me em duas frases que aprendi recentemente, mas que acho que servem de sustentação a esta vida de aprendizado. Uma de São Paulo, “não vos ajustais a estes tempos, renovais, sempre, a mente de modo a entender o que é a vontade de Deus” (Rm, 12, 2). A outra, de Santo Agostinho, em suas Confissões: “Àqueles que se riem de mim, eu tenho pena deles.”
    Um forte abraço

  14. “Temo com a queda do PT”
    Sim está corretíssima a frase, pois acredito que o país entrará em uma baderna sem escrúpulos e generalizadas e também organizadas por MST, PT e vândalos de plantão.
    Tenho vergonha de falar que um deputado do PT do meu estado chegou a falar em publico que o chefe da quadrilha o José Dirceu não poderia ser preso pois lutou contra a ditadura.
    Isso ao meu entender que: ele está acima da lei segundo o deputado o Dirceu poderá : roubar, matar e etc., Pois foi contra a ditadura.
    Eles o PT só foram a seu favor próprio pois por que essa aliança com o ex Presidente Hugo Chávez com o atual presidente de Cuba? todos ditadores.
    Bem mesmo com toda essa possível tempestade a vista pós eleições acredito nos meus ideais e irei a luta com vontade, inteligência; proposito, harmonia e respeito.
    Que a maioria dos Brasileiros sejam iluminados e que coloquem pra fora “o câncer politico” que tomou conta de todas as esferas desse país.
    obrigado

  15. Brilhante texto, não o conhecia, mas, felizmente, achei seu texto no MSM. Concordo plenamente, apesar de, muito provavelmente eu estar longe deste caminho que o Sr. está trilhando, sinto-me neste mesmo caminho. Obrigado.

  16. Flávio, permita-me meter minha colher furada para, também, responder ao Sr. Rodrigo, 07/02, 17,49. Sei que pode ser até meio tarde e que há ao possibilidade dele não ler, mas mesmo assim vou arriscar. Sr. Rodrigo: tudo o que o Sr. escreveu sobre o progresso do país nestes tempos nefastos são meio fajutos, mas mesmo assim vamos dizer que houve avanços (sempre houve avanços, por exemplo, a queda da mortalidade infantil vem de umas 30 décadas de queda geométrica), mas a que preço. Isto é que é o mais importante, a que preço? Em Cuba houve o tal grande avanço para a igualdade, mas a que preço? Quanta gente fugiu de lá, quanta gente quer fugir de um sistema prisional, pior do que as nossa prisões porque é, também, uma prisão para as ideias, para, até, a liberdade de pensar, muito cara ao ser humano. O Sr. depois disso, pode me responder é isto porque o Sr. não passou fome. Pois lhe digo, isto é relativo, pode ser avaliado para cada ser humano o porquê passou fome, ou a está passando. Mas, no geral, o governante pode auxiliar a miséria extrema, esta que faz a pessoa passar fome, sem agir como este pessoal que o Sr. elogia. E se o Sr. não vê a imoralidade desta gente, bem … O próprio FHC pôs em prática o programa que amenizava esta situação. E olhe o Sr. que a situação do FHC, em comparação com os governos posteriores, era bem pior. Se o Sr. não concorda com isto, bem aí, não temos como nos entender mesmo.

  17. Excelente texto. Foi impressionante a semelhanca com a minha experiencia, a transformacao de um ser alienado e encantado com a mentira coletiva que eh o Brasil em um ser pensante e critico, porem mais frustrado e solitario. A volta eh impossivel, agora eh olhar pra frente e, se eh pra brigar, eh pra entrar de voadora! Abs

  18. Flávio, li seu texto no MSM hoje e sinto que estamos que estamos do mesmo lado ainda que estando longe um do outro. Isso é até bom. Podemos assim combater em vários lugares. Por exemplo: Nossos familiares e círculos de convivência e também dentro da Igreja.Eu sou católico mas se você ou outros são evangélicos e etc é maior a nossa abrangência. Minha esposa e eu já somos considerados chatos por nossos familiares pois em todo encontro,casual ou não, estamos a discordar da ”corrente” e a fazer uma análise mais profunda. Mas aí… NINGUÉM QUER ACORDAR DO SEU SONHO FELIZ e estamos só mais vez. Continuemos, pois tenho a certeza que nossas opiniões se farão ressoar na cabeça de nossos ouvintes em alguma situação e aí entrará a PROVIDÊNCIA e fará o que fez conosco. Deus abençoe você,sua família e a todos que acompanham o blog! Aldo – BH MG

  19. Parabéns pelo texto. Realmente somos pouquíssimos os que enxergam a realidade desesperadora do Brasil. E não me canso de lembrar Maquiavel em “O Príncipe”: “No meio dos maus, aquele que quiser agir como bom não terá sucesso”.

  20. Parabéns pelo artigo. mas sem querer impugná-lo, o termo ‘oxalá’ em contraste à insinuação de ser cristão me prendeu atenção.

    “…o que incluía minhas muitas atribuições religiosas na igreja em que congregava…”
    “… um momento de construção de uma base intelectual que oxalá acomodará futuros líderes…”

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Oxal%C3%A1
    “Oxalá é o Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Apresenta-se de duas maneiras: No candomblé, este é representado material e imaterialmente pelo assentamento sagrado denominado igba oxala.”

    • Obrigado pelo comentário. Esclarecendo, usei a palavra oxalá sem nenhuma conotação religiosa, mas no sentido estrito que ela possui na língua portuguesa. Veja o que diz o dicionário Aurélio:

      interj. Exprime o desejo de que certa coisa suceda; tomara!, queira Deus!: oxalá tudo saia como planejamos.

      Abraços!

  21. Cara, esse é o texto que eu gostaria de ter escrito! Identifiquei-me muito com ele. Parabéns! Eu tomei minha pílula vermelha depois de uma palestra de um agente da Bolsa de Valores de SP. Foi demais pra um então cérebro oco de esquerdista ouvir um representante do ‘suprassumo’ do capitalismo falar ‘barbaridades’ como “o consumismo desenfreado não é bom para o mercado e pra sociedade”, “não existe uma cultura de empreendorismo no Brasil”, “não há educação financeira”…Percebi que tinha alguma errada, comecei a ler, pesquisar, informar (o que nunca tinha feito antes) e, ao mudar minha relação com o capitalismo, o resto veio ‘incluído no pacote’: religião, política, moral…até o futebol comecei a ver com outros olhos…haha…Sobre o Facebook, já fui bloqueado por compartilhar…política! Essa é uma excelente ferramenta de conhecimento, e é lamentável que a maioria das pessoas usem pra compartilhar banalidades. O mais triste é saber que essas mesmas pessoas que ficam curtindo “foto-na-frente-do-espelho-antes-de-ir-pra-balada” são as mesmas que vão decidir a eleição votando naquele candidato de discurso bonitinho, de ‘defesa das minorias’, ‘justiça social’, ‘direitos humanos’… Grande abraço!

  22. Meu entendimento de política se resumia em esperar pra ver, por não acreditar em nada do que falam. No entanto, sou uma pessoa de opinião, o que para a maioria das pessoas significa ser pessimista. Procuro não me limitar ao vazio de uma opinião de concordar ou discordar. O que vejo porém, é que a dedicatória do seu amigo é a grande verdade das pessoas que não se conformam com qualquer resposta e estão sempre em busca da verdade. Era assim na igreja quando não me conformava com algo que via contraditório a Bíblia, é assim com Deus nos meus chatos e infindáveis questionamentos a Ele e é assim no mundo, onde as pessoas acreditam no seu mundo cor-de-rosa, pois tem o bolsa-família e um governo “”popular para o povo””. Sofro da mesma solidão, sou uma pessoa que simplesmente não tem amigos, ao menos não por perto, reclamando disso a única pessoa que realmente considero minha amiga ela me disse que: (sou muito profundo para a superficialidade das pessoas). Não creio nisso, por não me considerar nem um pouco inteligente e menos ainda sábio, mas creio que o meu inconformismo com o mundo vem de querer que ele seja real e não a ilusão que as pessoas inventam para viver. de fato creio que sobre para nós a solidão. Ao menos você ainda tem a sua esposa que enxerga o mundo como ele é. No mais, resta fugir um pouco da realidade, (desse mal de todo super-herói), com livros e procurando pessoas sábias na internet.

    • Douglas, use os momentos de solidão para forjar uma alma elevada. E aproveite a tecnologia da internet, que nos proporciona encontrar pessoas que admiram as mesmas coisas que nós.

      Forte abraço!

  23. Caro Quintela, eu me incluo nessa massa de solidão, por ter abrido os olhos e não conseguir mais manter uma conversa sem entrar em questões políticas muitas vezes ignoradas por outros. Estou enfrentando dificuldade em me relacionar, pois além de morar no interior, o círculo de pessoas próximas são totalmente cegas e alienadas. Não encontro pessoas de mente abertas para ter uma boa conversa sobre a verdade dos acontecimentos. Gostei muito do seu artigo e lhe encorajo a permanecer firme neste propósito. Embora eu tenha uma outra opinião sobre alguns aspectos eu o respeito e admiro. Parabéns!

  24. Cheguei aqui pelo artigo no MSM, e …- grata surpresa- , não só pelo excelente texto, mas também por um evento de ‘sincronicidade’ admirável.
    Explico: hoje mesmo, no trajeto a uma consulta médica, eu me pus a refletir sobre minha própria situação de solidão – apesar de ser muito expansivo e sociável.
    Verifiquei que ao longo dos últimos anos, venho sentindo um certo sentimento de enfado nas relações, um desinteresse mesmo, quebrado em raras vezes em ocasionais bate-papos com poucas pessoas que, agora entendo, tomaram a pílula vermelha.
    Não sou nenhum sábio, longe disso. Mas tomei a tal pílula sim.
    Creio que a Providência Divina me levou a isso, dado meu inconformismo e busca à Deus, muitas vezes provocando-O e cansando-O com meus questionamentos.
    Eu pedia a Verdade, e Ele foi me dando algumas ‘dicas’, e está me dando ‘luz’, inclusive me direcionando a sites como este, he,he.
    Sou católico, e creio que em Sabedoria, ou Provérbios, está escrito que “o acúmulo de sabedoria traz consigo a tristeza”.
    Não sou sábio, nem triste, como disse. Mas é inevitável essa solidão.
    Pois é inevitável o estranhamento que ocorre numa relação de alguém na Matrix com alguém fora dela, é questão até de incompatibilidade. No filme, o herói Nilo após sair da Matrix não foi colocado de volta nela para aí conviver com os que ‘dormiam’. Caso fosse, a solidão estaria aí de fato presente.
    Me espanta que as pessoas, apesar de viverem num país ‘surreal’, não acordem ou não se preocupam com obviedades tão às claras.
    Parabéns pelo texto, obrigado.

  25. Olá Flávio.

    Cheguei aqui no seu blog através do Mídia Sem Máscara.

    Eu quero parabenizá-lo pelo post e lhe dizer que me identifiquei e muito com ele.
    Posso lhe dizer que eu e meu marido temos a mesma sensação de solidão que você relatou.
    A minha condição é até pior, pois eu já fui uma enganada, uma esquerdista que sofreu uma lavagem cerebral desde criança e posso dizer que estou me libertando há alguns anos, com mais ênfase nesse último ano. Não me envergonho de dizer que já fui uma esquerdista, lamento ter perdido tempo com isso e não ter enxergado a verdade.

    E a verdade é fogo mesmo. Ela é só. Vejo pela maioria dos meus amigos que vivem nos sonhos. Não me abri totalmente sobre a minha posição e as minhas ideologias, confesso que ainda tenho medo de magoar ou confrontar parentes e amigos, mas talvez seja o que você falou, estarei me enganando e negando que eu sou e posso afirmar que sou uma pessoa de direita e indo com gosto para os Liberais.

    Tenho esperanças ainda de poder fazer um debate com os esquerdistas moderados, não a maioria, esses não tem jeito. Gostaria de poder trocar ideias com você e outras pessoas abertas ao debate e ao diálogo e que sim, não querem o comunismo no Brasil. Quero um país decente.

    Estou no caminho sem volta da verdade e digo é bom achar mais gente assim como eu.

    Obrigada, aguardo contato.

    • TAMBEM FUI ENGANADA FABIANA, MUITOS DE NOS FOMOS . TAMBEM ME LIBERTEI, E SINTO A OBRIGAÇAO DE PASSAR ESSES NOVOS CONHECIMENTOS A OUTROS. COMO FALAM , ESTAMOS VIVENDO UMA GUERRA CULTURAL.

  26. Quando a felicidade se baseia no imaginário, abrir os olhos é destruí-la. Só que a pílula vermelha, depois que a pessoa toma, é que nem aconteceu com o Neo: não tem mais volta, seja qual for a consequência. Valeu pelo artigo!

  27. BELO TEXTO FLAVIO. TAMBEM CONSEGUI ME LIBERTAR. SEU LIVRO SERA O PRESENTE QUE DAREI A MUITOS AMIGOS E PARENTES NESTE NATAL. FIQUE COM DEUS.

  28. Uma dúvida sobre a atual situação do Brasil: apenas o PT é o problema? A Matrix não está só no comunismo petista e afins, está na direita e no centro. É tão bem articulada que prende de todos os lados. Ao meu ver, e isso é algo ainda muito pequeno, a coisa é ainda mais profunda, séria e grave… hoje, para.”distrair”, outros dissimulados simulam essa “limpeza” política direcionando todo foco e atenção a um único partido – e vejo esse perigo, também. Porém, uma outra mão invisível e ainda maior manipula para que acreditemos que só e somente só essa “limpeza” é A solução. Como dizem os jovens “sqn” – só que não. Me preocupam os argumentos inflados concentrado num único lado, entende? Quando se ataca esse um, fortalecendo o outro, que também faz parte da Matrix… creio que o embate pós ingestão da pílula vermelha esteja apenas começando, portanto, abrir e expandir essa capacidade de ver, de enxergar é um próximo movimento. Tudo isso pode ser um jogo sujo que se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. Um passo de cada vez. Ode ao radicalismo pode nos prender ainda mais ao sistema de ilusões e aparências. Olhar para todas as direções… dentro da Matrix existem muitas ilusões. Inclusive a que nos faz acreditar estar vendo o todo… caminhemos.

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