Quem precisa de Hollywood? / Brazilians don’t need Hollywood

The English version of this article is right after the Portuguese one.

saw

O cineasta, quando quer chocar sua plateia, muitas vezes se utiliza de cenas que parecem tão absurdas ao senso comum que provocam em quem as vê um misto de emoções: espanto, nojo, medo, curiosidade, repulsa, pavor etc. Quando o filme trata de maldades feitas a outras pessoas, e inclui mutilações, torturas, assassinatos cruéis, banhos de sangue, decapitações, degolas e carnificinas, por exemplo, alguns estômagos mais fracos chegam a ensaiar o vômito, enquanto algumas mentes mais afetadas pelas imagens podem ser perturbadas por dias seguidos, em pesadelos noturnos. Tudo isso porque não é nada agradável para um ser humano normal, não psicopata, assistir à destruição de seu semelhante.

É justamente por isso que até mesmo o cinema mais realista tem limites. Os estúdios, como querem ter lucros, não lançam produções que sejam capazes de enojar e afastar as pessoas a ponto de que, a partir do compartilhamento da experiência de quem já foi, muitos deixem de ir para não ter que passar pelo mesmo. Existe aí uma situação de equilíbrio delicado – até que ponto o filme pode forçar a barra nas imagens fortes? Até que ponto as pessoas irão para matar sua curiosidade? A partir de que ponto elas deixarão de ir para não ter que passar por uma experiência traumatizante, ou que fira seus princípios? E esse ponto varia de acordo com o tipo de filme. Películas de terror parecem ter um limite muito mais alto de tolerância, pois seus espectadores já entram no cinema sabendo que virá “chumbo grosso” pela frente. Todavia, esse gênero é preferência de uma minoria, o que se pode constatar pela ausência de filmes de terror entre as 50 maiores bilheterias da história do cinema.

De qualquer forma, com cenas fortes ou não, o filme possui uma característica maravilhosa: ele acaba. Você desperta daquele sonho dirigido, sai do cinema, entra no carro, e volta para a realidade da vida. Isso seria o normal. Para nós, brasileiros, o filme nunca acaba, e ele é sempre de terror.

As cenas mostradas ontem na reportagem da Folha de São Paulo superam a de qualquer filme da série Jogos Mortais. O frio assassino da série, ainda que cruel e sanguinário, não chega aos pés dos criminosos de Pedrinhas. O modo com que lidam com os cadáveres decapitados, a frieza com que brincam em meio às poças de sangue, enfim, a cena toda, cada um dos 42 segundos de filme disponíveis na reportagem causa um misto de emoções muito mais complexo e horripilante do que qualquer filme de terror, por um motivo muito simples: são 42 segundos de realidade, não de ficção. Ninguém em sã consciência sai de um dos filmes da série Jogos Mortais com medo de ser raptado, torturado e morto pelo maníaco Saw. Mas qualquer pessoa de bem, em sã consciência, termina de ver esses 42 segundos e pensa que aquilo poderia, sim, acontecer consigo ou com qualquer pessoa ao seu redor.

Não é exagero pensar assim quando se vive no Brasil. Com 50.000 mortes violentas por ano, somente os brasileiros alienados é que podem dizer que somos abençoados porque não somos um país que participa de guerras. Nenhuma guerra ou conflito em andamento, ou que tenha acontecido nos últimos vinte anos, fez tantas vítimas no mesmo espaço de tempo do que o Brasil sem guerra. Aqui, além da morte ser mais provável, ela é mais cruel. Aqui não tememos apenas a figura da morte, capaz de nos abreviar a vida. Tememos mais ainda a figura do assassino desumano, capaz de tornar os últimos momentos de nossa vida em algo monstruoso, cruel e de arrepiar os ossos.

Enquanto estivermos sob o governo de um partido que tem como aliados Farc e PCC, não vejo nenhuma possibilidade de melhora. Afinal, se nossa presidente praticou o terrorismo, bem como tantos outros “ex-guerrilheiros” que ocupam cargos no executivo e legislativo, é apenas uma questão de tempo para que traficantes e assassinos também o façam, debaixo da benção do PT. Temo por todos os paulistas neste ano de 2014, quando teremos eleições para o governo estadual, pois não será surpresa alguma se os ataques do PCC de 2006 se repetirem “coincidentemente”, para desestabilizar o governo atual e favorecer o candidato do PT. Esse partido é capaz das sujeiras mais inacreditáveis para ganhar o governo de São Paulo.

Parafraseando o dito popular, basta estar no Brasil para morrer.

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The film-maker that wants to shock his audience makes use, many times, of scenes that seem so absurd to the common sense, and that are able to cause a set of mixed emotions into the person that watches them: astonishment, disgust, fear, curiosity, repulse, fright etc. When the movie includes perversity toward other people, with mutilations, tortures, cruel murders, blood baths, decapitations and slaughters, for example, some people happen to get stomach sick, and others have their minds affected in a way that nightmares become frequent for some days after the movie. And all that happens because it’s not pleasant at all, for a human being, at least for a sane one, to watch the destruction of his neighbor.

That is exactly why even the most realistic film-maker has limits. The studios, in order to be profitable, do not release productions that push people away, to the point that one can share his horrible experience with others, who may give up watching it in order to avoid going through the same experience. This seems to be a situation of delicate balance – how far the movie can go on strong images? How strong can they be so that people will go because of their curiosity? What is the turning point, when people will not go to the movie theater to avoid a traumatic experience or even to avoid having their principles disrespected? That point is surely different for different kinds of movies. Horror movies seem to have a much higher tolerance threshold, since their spectators already know, from the start, that bad stuff is coming. However, this genre is appreciated by a minority of fans, information that may be confirmed by looking into the top fifty blockbusters ever, a list with no horror movies in it.

Anyway, with strong scenes or not, a movie has a great feature: it ends. You wake up from that guided dream, leave the theater, get in your car, e go back to the reality of life. That would be the normal situation. But for us, Brazilians, the movie never ends, and it’s always a horror one.

The scenes showed yesterday in an article from Folha de São Paulo overcome any movie from the famous series, Saw. The cold-blooded killer from that fiction, although cruel and bloodthirsty, does not measure up to the criminals from Pedrinhas, a small city from the Brazilian state of Maranhão. The way they treat the decapitated corpses, the coldness of joking amid blood pools, the whole scene – each of the 42 seconds of footage available in the article causes a set of mixed emotions far more complex and more horrifying than any horror movie, for a very simple reason: they are 42 seconds of reality, not fiction. No sane person leaves a Saw movie session afraid of being kidnapped, tortured or killed by the Saw maniac. But any ordinary sane person will believe, after watching those 42 seconds, that that may, indeed, happen to him or herself, or to any beloved one.

Thinking like that is not thinking extreme when you live in Brazil. With 50,000 violent deaths per year, only alienated Brazilians will say that we are a blessed people because our country does not engage in wars. No actual war or conflict, nor any war or conflict from the last twenty years, has had so many victims, within the same timeframe, than the warless Brazil. Here death is not only more probable, it is also crudest. Here we do not fear death itself, as able to shorten our life – we fear most the inhuman killer, who is able to turn the last moments of our lives into something monstrous, creepy and cruel.

As long as we are under the government of a party that has allies like the Colombian Farcs and the PCC (the largest criminal organization in Brazil), I cannot see better times ahead of us. After all, if our president has perpretated terrorist acts in the past, as well as many other “former guerilla fighters” that are currently inside the executive and legislative institutions, it is just a matter of time until drug dealers and killers can also climb to those positions, under the blessing of the Workers Party, PT. I fear for all people from São Paulo state in this year of 2014, when every Brazilian state will go through elections. For one will not be surprised if the 2006 attacks from PCC will “coincidentally” happen again, as a way to destabilize the current government and favor PT’s candidate to the state government. This party is capable of the most unbelievably dirty schemes to win the São Paulo state government.

Paraphrasing a popular saying, you just have to be in Brazil in order to die.

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