Saudades dos revolucionários

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 2 de março de 2017.

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Uma das coisas mais engraçadas dos últimos tempos no mundo virtual são os memes “raiz/Nutella”. Para quem não viu, são apresentadas duas épocas de uma mesma profissão e suas diferenças marcantes, geralmente embaixo de fotos que estereotipam os dois lados. Um dos que mais gostei foi o “vendedor raiz” versus “vendedor Nutella”. O vendedor raiz, com foto de cabelo e bigodinho típicos dos anos 80, andava de Uno Mille, ficava em hotel de 35 mangos, fazia happy hour das 18 às 4 horas, saía com as secretárias e com as clientes, jogava sinuca, fumava Derby, tomava Brahma e vendia muito. Já o vendedor Nutella anda de HB20, só fica em hotel com academia, almoça salada com grelhado, só sai com cliente a negócios, bebe Heineken ou Corona, não fuma de jeito nenhum e não vende quase nada. Essas tiradas de bom humor exemplificam com muita clareza a diferença entre as gerações dos que já estão chegando aos 50 e a dos que estão atravessando os 20.

Na política também é possível fazer um meme raiz/Nutella. Eu não era nascido quando a esquerda revolucionária tentava transformar o Brasil no “paraíso comunista” do Hemisfério Sul. Mesmo assim, posso dizer: bons tempos aqueles de esquerda raiz. Eram tempos em que eles se assumiam pelo que eram – gostavam de ser chamados de comunistas, tinham orgulho de defender o comunismo, cantavam a Internacional com lágrimas de emoção e acreditavam que a utopia de Marx transformaria o mundo-cão do capitalismo (pelo menos os mais ingênuos pensavam assim). Por amor ao comunismo eles plantavam bombas, sequestravam autoridades, faziam reuniões secretas e planejavam a tomada revolucionária do poder. Ainda que não fossem o suprassumo da coragem – a maioria debandou como um bando de baratas diante da resposta militar em 1964 –, qualquer tentativa de comparação com a esquerda Nutella de hoje é simplesmente ridícula.

Estamos em 2017, e a nova geração de comunistas – os que preferem ser chamados de progressistas – está tão distante da esquerda raiz quando o oriente do ocidente. A galerinha progressista não acredita mais na revolução armada. Na verdade, a maioria deles nem sequer sabe como usar uma simples pistola. Nem o bom e velho coquetel Molotov faz parte do arsenal desse pessoal, que prefere mostrar as nádegas desnudas em forma de protesto. Os jovens universitários, que antes compunham canções de protesto e dominavam os grêmios estudantis, agora invadem reitorias para fumar maconha e fazer sexo livre, sempre com a exigência de que a polícia repressora não os incomode enquanto engajados nessas atividades “revolucionárias”. Em vez de sequestrarem autoridades, os progressistas de hoje preferem quebrar o tabu e usar o banheiro do sexo oposto, ou então se engajam na difamação de oponentes em redes sociais. E, quando recebem alguma resposta à altura, preferem bloquear qualquer um que discorde de suas posições, pois não têm a capacidade e nem a paciência de debater. A esquerda Nutella não lê, não estuda, não escreve bem, não discute e não costuma raciocinar. E, ainda assim, escolhe ser mais radical que a esquerda raiz em quase todos os pontos de sua agenda ideológica.

Que fique claro que não estou desejando a volta de atentados ou sequestros. Estou somente tentando mostrar a nossa triste realidade. A nova geração de esquerdistas politicamente engajados é uma piada de mau gosto. As pautas… (para ler o restante deste artigo, clique aqui)

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

O protesto que desapareceu

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 23 de fevereiro de 2017.

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Lembro-me muito bem da época em que Dilma ainda era presidente. Bastava que meia dúzia de manifestantes aparecessem em frente ao Masp, em São Paulo, munidos de faixas vermelhas e sanduíches de mortadela, para que a imprensa noticiasse o protesto. Tudo bem, posso ter exagerado ao dizer “meia dúzia”, mas cheguei a ver chamadas de primeira página nos grandes portais paulistas mostrando manifestações com menos de 100 pessoas.

Pois bem, no último domingo o povo foi às ruas em diversas cidades do país para pedir o fim do Estatuto do Desarmamento. As fotos do evento de São Paulo mostram milhares de pessoas, mas nem uma linha sequer foi publicada a respeito. Silêncio total da imprensa.

É muito difícil entender o tipo de raciocínio que impera na maioria das redações brasileiras quando o assunto é desarmamento. Quase todos os repórteres e colunistas dos grandes jornais e portais de nosso país defendem o desarmamento e as leis que o implantaram no Brasil como se fossem a melhor coisa que já nos aconteceu. No entanto, publicam quase que diariamente notícias que evidenciam a falência total dessas mesmas leis, numa espécie de esquizofrenia jornalística. A cada nova notícia sobre o assunto, a coisa toma mais ares de insanidade mental.

Nessa linha de “raciocínio”, os mesmos portais jornalísticos que ignoraram os protestos contrários ao Estatuto do Desarmamento noticiaram um ataque criminoso na última terça-feira, dia 21. Bandidos armados com fuzis de categoria militar, calibre .50, atacaram dois carros-fortes na Rodovia dos Bandeirantes. Houve tiroteio entre os criminosos e os seguranças, e aqueles ainda conseguiram roubar duas viaturas policiais e fugir para São Paulo. Já na capital, os bandidos foram encurralados em um posto de gasolina em plena Marginal Tietê, tomaram frentistas como reféns e acabaram presos no final. Esse tipo de notícia – de criminosos armados com equipamentos de nível militar e venda proibida no país – é a prova cabal de que as leis de desarmamento em vigência no Brasil não funcionam. Os repórteres que publicam essas narrativas são os mesmos que fazem matérias contra as iniciativas recentes de revogar o Estatuto do Desarmamento, e que tentam a todo custo convencer o seu público de que armas são coisas do demônio, que só fazem piorar os já rampantes índices de criminalidade no Brasil.

Tentarei resumir o encadeamento de ideias desses jornalistas que têm pavor de armas nas mãos de cidadãos respeitadores da lei:

1. Armas matam e por isso devem ser proibidas – quanto mais armas, mais violência;

2. Os cidadãos obedientes à lei não podem ter armas, porque não sabem usá-las e porque alimentam o mercado de armas para os criminosos;

3. Os criminosos, se não puderem roubar as armas dos cidadãos, também ficarão sem armas;

4. Uma vez eliminadas as armas da sociedade brasileira, ninguém mais matará ninguém.

Por mais incoerente e ilógico que seja um raciocínio desses, é assim que pensam os defensores do desarmamento. É claro que estão errados, pois, se desarmar o povo funcionasse, o Brasil seria hoje um país livre de crimes violentos. O mais incrível é que nem os questionamentos mais básicos são feitos para colocar o atual modelo de desarmamento em uso no Brasil sob crítica. Basta uma única pergunta para desmontar toda essa falácia: se o Estatuto do Desarmamento já está em vigor há mais de dez anos, e a quantidade de armas nas mãos dos cidadãos diminuiu drasticamente no período, como é que os criminosos conseguem armas em maior quantidade e de calibres mais destrutivos do que antes? Fica óbvio que o principal meio de obtenção de armas pelos criminosos nunca foi roubá-las de cidadãos, e sim trazê-las por contrabando ou comprá-las de policiais e militares corruptos. E é óbvio ululante que o Estatuto não tornou o Brasil um país mais seguro – muito pelo contrário.

Ao decidir ocultar notícias como a da manifestação do último domingo, grande parte da imprensa brasileira continua… (para ler o restante deste artigo, clique aqui)

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Apropriador cultural, com muito orgulho

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 16 de fevereiro de 2017.

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Outro dia eu estava no parquinho aqui perto de casa, cuidando do meu filho e vendo as outras crianças brincarem. Num determinado momento, um garotinho tentou pegar o carrinho das mãos de outro; este segurou o carrinho com força e falou, meio gritado: “It’s mine!” (“É meu!”). Cerca de duas horas depois, já em casa, me deparei com um texto sobre apropriação cultural em um certo blog de esquerda e me lembrei imediatamente das duas crianças. Pensei comigo que os esquerdistas são como crianças mimadas, mas bastou um pouco mais de reflexão para chegar à conclusão de que esquerdistas são ainda mais infantis que crianças mimadas.

A questão da tal apropriação cultural chega a ser ridícula quando analisada de um ponto de vista lógico. Afinal, a não ser que vivêssemos em uma sociedade completamente pura no tocante à imigração – algo como um país completamente cercado por muros, onde ninguém entra e de onde ninguém sai, cujos meios de comunicação com o mundo exterior sejam cortados e proibidos –, a mistura de culturas é um fenômeno que acontece todos os dias, e é na maioria das vezes bidirecional. Essa mistura não acontece somente em épocas de paz, mas também em momentos de guerra e dominação – povos dominados absorvem a cultura dos dominadores e vice-versa. Ninguém está imune a isso.

O caso que andou rodando pela internet foi da moça que usava um turbante para cobrir sua cabeça, calva por causa de um tratamento de câncer, e que foi molestada por alguém que se incomodou com o fato de a moça ser branca e o tal turbante ser um costume supostamente exclusivo de mulheres negras. A coisa tomou proporções por causa da condição de saúde da “apropriadora cultural”, mas, ainda que ela estivesse usando um turbante apenas porque acha bonito, não haveria problema algum do ponto de vista adulto. Adultos sabem que esse tipo de preocupação – se o outro está vestindo, usando ou comendo algo criado por um outro povo, em um outro tempo – não lhes cabe. Adultos sabem que o amanhã lhes cobrará com base em suas prioridades de hoje. Quem tem como prioridade estudar, trabalhar, tomar conta de si mesmo e crescer individualmente tem muito mais chances de uma boa colheita futura que aquele que passa os dias procurando chifre em cabeça de cavalo, como dizia minha mãe quando eu era criança.

Se o raciocínio dos que condenam a apropriação cultural fosse realmente lógico e válido, o mundo entraria em colapso. Muitas fábricas ocidentais teriam de fechar as portas porque suas linhas de produção se baseiam em técnicas japonesas de eficiência e qualidade. Por outro lado, todas as fábricas orientais teriam de fechar as portas porque têm linhas de produção, invenção de Henry Ford, americano. O mundo inteiro, com exceção do México, deveria parar de cultivar e utilizar o milho, já que foi o povo asteca que descobriu a planta, desenvolveu seu cultivo e criou a cultura do seu consumo. Ou, para usar um exemplo bem brasileiro, deveriam ser suspensas todas as feijoadas para brancos, orientais ou mesmo indígenas – somente os afrodescendentes devem ter permissão para desfrutar de tal iguaria. Estes, por sua vez, não poderão mais saborear uma deliciosa lasanha ou… (para ler o restante deste artigo, clique aqui)

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

Lambendo as botas do islã

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A mulher da foto é Kathleen Wynne. Ela é uma política do Canadá – ocupa atualmente o cargo de primeira-ministra da província de Ontário – e sua orientação ideológica é de esquerda. Kathleen é gay declarada, e suas posições políticas são marcadas pelo ativismo nessa área, incluindo a aprovação de uma legislação que encorajou as escolas públicas a comprar materiais didáticos que mostrassem a presença das famílias homossexuais no cotidiano da sociedade canadense.

Pouco mais de duas semanas atrás, Kathleen foi a uma mesquita na cidade de Toronto para falar sobre a importância da igualdade na sociedade canadense. Ela disse, em seu pequeno discurso:

Não deve haver medo na adoração ao seu Deus, nosso Deus, em Ontário ou no Canadá.

Obrigada por me receberem em sua casa, em seu lar.

Nosso governo está do lado de vocês. Não somos diferentes. Somos iguais. Somos todos canadenses.

O “pequeno” detalhe é que a primeira-ministra foi obrigada a esperar sentada num canto da parte de trás da mesquita enquanto os homens faziam suas orações, já que nesse momento não é permitida a presença de mulheres no salão principal. Mais ainda, o imã Wael Shehab, responsável pela mesquita em questão, é abertamente anti-gay, como todo muçulmano que se preze. Ele segue a orientação do Conselho Fiqh da América do Norte, que diz o seguinte:

Devemos considerar os homossexuais como pessoas que se engajam em atos pecaminosos. Devemos tratá-los da mesma maneira que tratamos qualquer pessoa envolvida com o alcoolismo, o vício em jogos ou o adultério. Devemos ter uma repugnância profunda pelos seus atos, lembrá-los e avisá-los disso.

A esquerda tem um relacionamento de mulher de cafajeste com o islamismo. Mesmo com toda a repulsa e condenação que os muçulmanos tem para com as feministas e os homossexuais, os ativistas desses grupos vivem lambendo suas botas. Na hora de protestarem contra alegadas discriminações, picham igrejas cristãs e enfiam crucifixos em seus ânus e vaginas; quando numa mesquita, sentam-se quietinhos num canto esperando permissão para falar.

Deixo meus parabéns à primeira-ministra por mostrar de forma tão clara como funciona a cabeça desorientada de uma ativista de esquerda. Só é possível entender algo esdrúxulo assim com um exemplo real, pois a mente normal não consegue conceber esse tipo de raciocínio.

Luxo para bandidos

Sou paulista e, mesmo morando nos EUA, ainda tenho minha empresa no Brasil e pago impostos para o governo estadual. Recentemente, conversando com um amigo que é policial militar na cidade de São Paulo, fiquei sabendo de uma coisa bastante perturbadora. Meu amigo me contou que o dinheiro dos nossos impostos é usado para pagar salários de mais de R$ 18 mil para advogados cuja única atribuição é defender criminosos. Ao mesmo tempo, se um policial atira e fere ou mata um criminoso, ele tem que pagar o advogado de defesa do próprio bolso, mesmo ganhando o salário magro que nossas forças policiais recebem, sejam civis ou militares. Ou seja, eu e você pagamos para que criminosos recebam a melhor defesa criminal possível enquanto policiais fazem vaquinhas para ajudar companheiros que estão sendo processados pelo mesmo Estado que mal lhes paga para defender a população.

Como não gosto de escrever nada sem fundamento, fui conversar com uma amiga que trabalhou na defensoria pública por um bom tempo. Pedi que ela me explicasse o que acontecia lá dentro e por que ela havia pedido transferência para outro departamento. A resposta foi ainda mais perturbadora. De acordo com ela, os defensores públicos são instruídos a utilizar toda e qualquer mentira necessária para livrar os criminosos da cadeia, incluindo inventar que o acusado foi violentado e coagido pelos policiais que o prenderam. Ela também me disse que a chefia inteira da defensoria é composta por aquele tipo de gente que defende os direitos humanos dos bandidos antes de defender o direito à vida dos cidadãos. Por último, me disse que saiu de lá porque não suportava mais viver sabendo que estava ajudando a livrar criminosos confessos da prisão.

A polícia tem muitos defeitos, não vou negar. Há muita corrupção, principalmente na Polícia Civil, e muito policial agindo totalmente fora da linha. Mas a maioria dos policiais sai de casa para trabalhar sem saber se vai voltar, munidos de armamentos inferiores aos dos bandidos, tendo muitas vezes suas famílias ameaçadas. E, quando são obrigados a agir em virtude de um crime, são suspensos, processados e jogados num sistema injusto que premia criminosos e pune os cidadãos de bem. Até quando vamos proteger assassinos, ladrões, traficantes e estupradores? Até quando vamos aceitar que nosso dinheiro pague todas as despesas que esses criminosos geram quando são presos? A mensagem que passamos a todos os bandidos é bastante encorajadora: cometa seu crime e lhe pagaremos um bom advogado; se for preso, deixaremos que transe com suas mulheres e que use seu celular; quando tiver um feriado familiar, deixaremos que saia da prisão para visitar seus queridos; e, se por uma fatalidade você morrer na prisão, pagaremos uma quantia polpuda para que sua família possa ficar tranquila. Nem uma criança que suja a parede com lápis de cor recebe uma bronca tão branda. Esse Brasil é uma piada de muito mau gosto.

 

O feminismo está morto

Artigo publicado na Gazeta do Povo de Curitiba, seção Opinião, coluna Flavio Quintela, em 9 de fevereiro de 2017.

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O ser humano tem uma capacidade ímpar de exagerar a dose de seus remédios – na ânsia de consertar o que acredita estar errado, acaba criando uma situação igualmente ruim em termos quantitativos, mudando apenas a qualidade do problema. De uma perspectiva histórica, as aplicações exageradas de tais remédios assemelham-se a um movimento pendular: parte-se de uma situação inicial, com o pêndulo em sua posição mais alta de um dos lados; o pêndulo começa a perder altura e a ganhar energia cinética, acelerando para a posição mais baixa; ao passar pelo ponto mais baixo, que seria o de equilíbrio, o pêndulo está com tanta velocidade que não consegue parar; finalmente, ele termina o movimento no lado oposto, quase na mesma altura de onde iniciou.

O feminismo é um exemplo claro da ocorrência de um pêndulo histórico. Quando o movimento teve início, as pautas eram genuínas e as reivindicações eram justas e necessárias. As mulheres queriam respeito e direitos equivalentes aos dos homens, e assim o pêndulo começou a descer. Na virada do século, já não havia praticamente nenhuma restrição de liberdades ou direitos que se aplicasse às mulheres na maioria das nações ocidentais democráticas. O pêndulo chegara ao ponto mais baixo, o ponto de equilíbrio. Coloque-se um pêndulo estaticamente nesse ponto e ele não se moverá para nenhum lado sem a aplicação de uma força externa. Não foi o caso, no entanto. O feminismo não só vinha com uma energia prévia, como também recebeu impulso adicional de uma situação política até então inédita: governos de esquerda espalhados pela grande maioria dessas mesmas nações onde o feminismo já havia atingido seus objetivos. O pêndulo passou reto e voltou a subir, e nessa subida ele trouxe ao mundo o feminismo radical.

O feminismo radical não é apenas o contrário do machismo radical (se é que isso existe). O feminismo radical é a elevação do machismo à décima potência. Se os machistas queriam suas mulheres “com a barriga no fogão”, as feministas radicais querem todos os homens sete palmos abaixo da superfície. O mundo que elas idealizam é um mundo sem homens, onde a ciência tenha resolvido a questão da reprodução e elas possam viver livres para sempre da opressão dos terríveis e maldosos machos de sua espécie. Ao leitor que nunca se aprofundou no assunto, pode parecer que estou contando uma piada ou que estou citando um trecho de alguma ficção distópica, mas essas pessoas realmente existem. Não são incomuns os relatos de feministas radicais que abortam seus filhos quando descobrem que são meninos ou que declaram ódio incondicional a todo e qualquer homem do planeta.

Mas – e sempre há um mas – o feminismo contemporâneo não sabe fazer contas e tem uma péssima capacidade de análise factual. Embriagadas com direitos e liberdades garantidos por leis que somente os países ocidentais e de tradição judaico-cristã conseguiram desenvolver, essas feministas não conseguem nem sequer olhar ao seu redor e realizar a mais simples das operações matemáticas: quando somamos as populações dos países onde as mulheres têm menos direitos hoje que a mulher ocidental média da década de 1950, chegamos à conclusão de que o feminismo existe em menos da metade do mundo: somente na parte que não inclui os países muçulmanos, a China e a Índia.

Aliás, a menção aos muçulmanos é uma ótima deixa para explicar o título deste artigo. O mundo de hoje assiste à expansão rápida do islamismo no mundo ocidental, e o islamismo é intrinsecamente antifeminista. Ouso afirmar que o islamismo é a nêmesis do feminismo, tamanha é sua oposição a tudo o que as feministas têm como mais precioso. Sendo assim, tomemos dois possíveis desfechos históricos para comprovar esse óbito hipotético.

Desfecho 1: o feminismo radical avança em todo o mundo ocidental, vencendo sua “luta contra o patriarcado”. Mesmo não eliminando os homens por completo, consegue emasculá-los e transformá-los em meros acessórios sociais. Uma sociedade dessas, quando atacada e confrontada pela força do radicalismo islâmico, desaparecerá quase sem luta. Feministas são muito competentes quando o assunto é armar manifestações públicas em países onde a lei as protege e em fazer discursos inflamados para plateias cheias de artistas corroídos pelas culpas do mundo politicamente correto, mas são praticamente inócuas contra homens capazes de queimar crianças vivas, explodir aviões, esquartejar dissidentes e matar qualquer um que ouse difamar o nome de seu profeta. Resumindo, esse desfecho leva ao fim do feminismo e, portanto, o feminismo está morto.

Desfecho 2: o feminismo radical desaparece e o feminismo “original” desvanesce em meio à situação atual de igualdade de respeito e direitos, impedindo a deterioração da virilidade masculina na sociedade como um todo, condição extremamente necessária em tempos de guerra. Uma sociedade dessas, quando… (para ler o restante deste artigo, clique aqui)

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.

De escola premiada a zona de guerra

A escola Värnhem, localizada na cidade de Malmö, Suécia, foi premiada por ter recebido e matriculado o maior números de refugiados e imigrantes chegados a Malmö naquele ano. A celebração da diversidade deu-se nos moldes atuais europeus, ou seja, com a ignorância e irresponsabilidade que beiram a inocência de uma mosca que voa para a teia de seu futuro carrasco.

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Entrada da escola Värhem, com arame farpado, catraca e painel de identificação

Um ano depois, no dia 18 de novembro de 2016, a escola teve de fechar as portas por dois dias por conta de brigas violentas entre estudantes, algo que jamais havia acontecido em sua história toda. A briga começou entre estudantes do Oriente Médio e do Afeganistão, alegadamente porque um olhou para a namorada do outro, foi tomando corpo com a chegada de outros estudante, e acabou envolvendo até mesmo a área externa à escola. Três brigas aconteceram durante aquele dia, na Värnhem, e numa delas um estudante foi tão agredido que teve de ser levado ao hospital às pressas numa ambulância. A administração da escola, após consultar a polícia local, decidiu fechar a escola e mandar mais de 2 mil estudantes para casa.

No final de dezembro, após a saída para o recesso de ano novo, a escola havia contabilizado mais de trinta boletins policiais de ocorrência, abrangendo desde o furto de tablets até estupros de alunas. Novamente, algo que jamais havia acontecido em toda a história da instituição. Mas Värnhem não está sozinha. Uma outra escola em Malmö relatou uma “brincadeira” que um grupo de estudantes fez dentro de suas instalações: uma simulação de execução no estilo do ISIS. Uma terceira escola, de nível primário, teve casos de crianças de seis anos de idade abusadas sexualmente.

Como resultado do aumento na violência, a escola Värnhem adotou medidas de segurança bastante incomuns para a realidade sueca: arame farpado sobre as grades, guardas em tempo integral para conter as “rebeliões” e um forte esquema de identificação nos portões de entrada. Muitos professores abandonaram a escola e foram trabalhar em outras cidades, e o desempenho geral dos estudantes caiu consideravelmente.

Assim funciona a esquerda. Brincam com a segurança das pessoas e fazem experimentos irresponsáveis, sempre agindo para satisfazer a agenda do globalismo e do politicamente correto. Este é apenas mais um exemplo de como a falta de critérios na política imigratória pode e vai acabar com a Europa num curto espaço de tempo.

Flavio Quintela é escritor, jornalista e tradutor. É autor dos livros “Mentiram (e muito) para mim” e “Mentiram para mim sobre o desarmamento”.